Magnésio
ajuda a dormir melhor? Esta e outras perguntas sobre o mineral
Nas
redes sociais, os suplementos de magnésio ganharam fama de ser uma arma secreta
para o bem-estar.
É
possível encontrar na internet pessoas promovendo seus benefícios para o
relaxamento, dores musculares, frequência cardíaca e, sobretudo, para os
distúrbios do sono.
Mas,
além dessa reputaçãoa conquistada pelo mineral graças às tendências atuais, é
importante saber que o magnésio é fundamental para o funcionamento correto do
nosso corpo em geral.
"O
magnésio é um mineral essencial", explica o nutricionista Ricardo Calle.
"Ele contribui para a saúde neurológica, regula a parte cardíaca e é
necessário para diversas funções bioquímicas."
Isso
também não significa que o magnésio possa ser consumido em excesso. Como
qualquer vitamina ou mineral, a ingestão excessiva de magnésio pode trazer
efeitos indesejados no futuro.
Mas os
benefícios do magnésio alardeados nas redes sociais realmente existem? E para
qual tipo de pessoas é recomendável o consumo de suplementos do mineral?
Os
benefícios atribuídos ao magnésio nas redes sociais costumam ser taxativos:
"Melhore seu sono agora"; "relaxe imediatamente";
"alivie sua ansiedade".
Para a
psicóloga do sono Nathalia Padilla, do Instituto de Medicina da Johns Hopkins
University em Maryland, nos Estados Unidos, é compreensível que esta mensagem
chame a atenção do público. Afinal, são muitas as pessoas que sofrem de
insônia.
"As
pessoas podem passar anos com insônia, procurando diferentes saídas... e se
sentem atraídas por soluções como o magnésio, que é tão acessível",
explica ela.
A
questão é que, nas redes sociais, "eles podem pegar um único estudo... e
vendem como algo milagroso."
Padilla
explica que, até o momento, não existem informações científicas suficientes
para afirmar que o magnésio ajude as pessoas a combater a insônia.
Calle
concorda que é melhor ter cautela em relação aos suplementos. É verdade que o
magnésio participa de processos do corpo que resultam em relaxamento, mas isso
não o transforma em uma pastilha mágica para qualquer pessoa, em qualquer dose.
O
mineral "ajuda a reduzir a intensidade da excitação neuronal... e diminui
a probabilidade de arritmias... mas tudo isso depende muito de qual é o nível
anterior de magnésio", indica Calle.
Mão com
pastilhas de diferentes tipos e coresCrédito,Getty Images
Legenda
da foto,Existem diferentes tipos de magnésio disponíveis no mercado, com
diferentes teores
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Que tipos de magnésio existem e qual escolher?
Existem
diversos nomes nas prateleiras: citrato, bisglicinato, óxido de magnésio.
A
principal variação entre eles é a absorção e a tolerância. Mas o importante é,
antes de tudo, discutir seu caso com um médico.
"O
corpo absorve melhor o citrato de magnésio do que o bisglicinato", explica
Calle. "Mas existem pessoas que apresentam melhor tolerância a esta
forma."
Os dois
especialistas consultados pela BBC News Mundo (o serviço em espanhol da BBC)
defendem um critério simples para não se confundir: olhar o rótulo e procurar
magnésio elementar.
"O
importante é a quantidade de magnésio elementar da apresentação", segundo
Calle. "Com base nisso, é preciso levar em conta qual é a dose adequada e
qual é perigosa."
Um
frasco pode indicar, por exemplo, "citrato de magnésio 1.000 mg". Mas
isso não significa que ele contenha 1.000 mg de magnésio elementar.
Padilla
acrescenta outro conselho útil. Os suplementos não recebem a mesma
regulamentação dos produtos farmacêuticos. Por isso, as informações que eles
fornecem não incluem, necessariamente, todos os dados relevantes.
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O que se sabe sobre o sono e o relaxamento?
Para
Padilla, precisamos ter mais conhecimento sobre os benefícios da suplementação
de magnésio para melhorar o sono.
"A
literatura ainda é limitada", segundo ela. "Não se concluiu
completamente que o magnésio irá ajudar a melhorar o sono, como se
anuncia."
Mas ela
explica por que pode haver relação entre o mineral e nosso repouso.
O
magnésio está relacionado com o sistema GABA, um neurotransmissor calmante; Por
isso, ele pode "reduzir os níveis de cortisol, que regula os níveis de
ansiedade e estresse, e, com isso, melhorar o sono".
Do
ponto de vista fisiológico, Calle explica que o magnésio "estabiliza a
excitabilidade neuronal" e "combate os efeitos do cálcio" sobre
os músculos e o coração.
Por
isso, uma pessoa que tenha falta do mineral pode se sentir mais tranquila ou
ter menos cãibras, quando seus níveis voltam ao normal.
Mas, se
esses níveis já forem adequados, o suplemento não agrega novos benefícios, já
que o organismo tende a eliminar o excesso do mineral do corpo.
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Quando usar suplementos (ou não)
Os
especialistas destacam que o melhor é consumir quantidades adequadas de
magnésio na alimentação, sem depender de suplementos.
Mas, se
você estiver considerando a suplementação, eles alertam que a substância não
deve ser consumida "às cegas".
Calle
explica que é primeiramente necessário saber quais são os níveis de magnésio no
seu corpo, além de examinar a função renal.
O
nutricionista destaca que, embora os rins descartem o magnésio que consumimos
em excesso, o mineral pode sobrecarregar o organismo se estiver presente em
quantidades muito altas, ou em pessoas com problemas renais.
Ele
acrescenta que, para evitar problemas, é importante examinar os níveis de
magnésio existentes no corpo. O número de referência é "400 miligramas por
dia de magnésio elementar", considerando o teor presente nos alimentos.
Padilla
concorda e prefere descartar a ideia de que os suplementos de magnésio ajudem a
dormir. Ela destaca que há pessoas que devem evitar o mineral ou consumi-lo
apenas sob supervisão.
É o
caso dos que sofrem de problemas renais e apresentam riscos cardiovasculares. O
suplemento "pode alterar os ritmos do coração e baixar a pressão
arterial".
Padilla
alerta que, em doses altas, surgem efeitos como náuseas e diarreias.
Ricardo
Calle nos traz uma boa notícia: a alimentação variada, por si só, normalmente é
suficiente.
"Em
uma dieta equilibrada, temos ingestão adequada de magnésio na maior parte do
tempo", segundo ele. Ou seja, não há necessidade de procurar um único
"superalimento".
Calle
explica que as fontes habituais (verduras, frutas e até certos laticínios)
fornecem quantidades similares que, combinadas ao longo do dia, fornecem o teor
necessário.
Por
outro lado, Nathalia Padilla sugere observar padrões como a dieta mediterrânea:
"consumir alimentos como nozes, vegetais verdes como espinafre e certos
tipos de peixe, como o salmão", orienta ela.
Padilla
afirma que é importante esclarecer que, se você não se sentir bem com algum
alimento ou tiver restrições digestivas, é importante procurar a ajuda de um
nutricionista para que o conjunto da dieta continue fornecendo o mineral.
Na mesa
diária, isso se traduz em incluir folhas verdes com frequência (espinafre
refogado ou em salada), acrescentar uma pequena porção de frutas secas,
intercalar legumes e, duas vezes por semana, incluir peixe, como o salmão.
Com
esta base e sem necessidade de suplementos, a maioria das pessoas pode manter o
magnésio do corpo em níveis adequados.
Fonte:
BBC News Mundo

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