Comer
saudável basta? Veja o que interfere na absorção de nutrientes
Muitas
pessoas acreditam que, para manter o corpo bem nutrido e funcional, basta
adotar uma alimentação saudável. Mas não é exatamente assim. Embora a escolha
dos alimentos seja fundamental para a saúde, a forma como esses itens são
combinados e consumidos também faz diferença — e isso está diretamente ligado à
maneira como o organismo absorve os nutrientes.
Quando
comemos, o alimento é quebrado já na boca (com a mastigação) e, posteriormente,
no estômago (por meio de ácidos e enzimas), até virar uma espécie de
"sopa" chamada quimo. Em seguida, essa substância é levada para o
intestino, cujas paredes possuem dobras chamadas vilosidades e
microvilosidades, que aumentam a área de contato para garantir a melhor
absorção dos nutrientes.
No
intestino, esses nutrientes atravessam as células da mucosa intestinal por
diferentes métodos:
• Difusão: passam livremente (ex: algumas
gorduras);
• Transporte Ativo: o corpo gasta energia
e usa "carregadores" específicos para puxar o nutriente (ex: glicose
e aminoácidos);
• Distribuição: uma vez dentro da parede
intestinal, eles caem na corrente sanguínea ou nos vasos linfáticos (no caso
das gorduras) e são levados para o fígado e depois para o resto do corpo.
Esse
processo ocorre de forma natural, mas alguns hábitos podem atrapalhar a
absorção desses nutrientes, conforme aponta Daniel Magnoni, nutrólogo da Rede
de Hospitais São Camilo de São Paulo.
"É
o caso da mastigação insuficiente, pois pedaços grandes de comida dificultam a
ação das enzimas, e excesso de líquidos nas refeições, os quais podem diluir o
ácido clorídrico do estômago, essencial para iniciar a quebra de proteínas e
ativar certas enzimas", explica.
Além
disso, o consumo excessivo de álcool inflama a mucosa intestinal e inibe
transportadores de vitaminas do complexo B, e o uso indiscriminado de
antiácidos também pode atrapalhar, pois o estômago precisa de acidez para
absorver nutrientes como o B12, ferro e cálcio, de acordo com o especialista.
Algumas
doenças também podem atrapalhar a absorção dos nutrientes, principalmente
aquelas que atingem o sistema digestivo, como a doença celíaca, doença de
Crohn, diabetes, cirrose e pancreatite, além de infecções, conforme explica
Andrea Bottoni, nutrólogo do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. "Até mesmo o
processo de envelhecimento, que é fisiológico, pode afetar", afirma.
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O que atrapalha e o que ajuda? Veja mitos e verdades sobre absorção dos
nutrientes
Além
desses hábitos, algumas combinações podem atrapalhar a absorção de nutrientes.
Por exemplo, a cafeína pode ser um obstáculo no processo de absorção de algumas
vitaminas e minerais, enquanto outros ingredientes podem ser aliados.
A
seguir, veja o que ajuda e o que atrapalha na absorção de nutrientes:
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Vitamina D pode ajudar na absorção de cálcio
"A
vitamina D funciona como um 'mensageiro' que diz ao intestino para absorver o
cálcio. Sem ela, mesmo que você consuma muito cálcio, o corpo consegue absorver
apenas cerca de 10% a 15% do total. Com níveis adequados de vitamina D, essa
absorção sobe para 30% a 80%", explica Magnoni.
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Cafeína pode atrapalhar a absorção de vitaminas e minerais
"A
cafeína pode atrapalhar, mas depende da quantidade ingerida. De forma geral, é
melhor esperar uma ou duas horas antes ou depois de tomar café para ingerir
algum suplemento vitamínico prescrito ou orientado por um profissional de
saúde", afirma Bottoni.
No
entanto, o especialista afirma que não se deve vilanizar a cafeína. "Às
vezes, tomamos café após uma refeição. Esperar um tempo para fazer isso é
apenas uma dica", afirma.
A
cafeína pode atrapalhar a absorção de minerais como potássio, magnésio, cálcio,
zinco e ferro, além de algumas vitaminas como as do complexo B, vitamina D e
vitamina C, segundo o especialista.
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Vitamina C facilita a absorção de ferro
"A
vitamina C tem relação direta com a absorção de ferro vegetal encontrado no
feijão, espinafre e lentilha. O ferro vegetal (não-heme) é mais difícil de
absorver que o da carne. A vitamina C transforma quimicamente esse ferro em uma
forma mais solúvel e fácil para o intestino absorver", explica Magnoni.
Além
das frutas cítricas (laranja, limão, caju, acerola, morango, kiwi e goiaba),
alimentos como brócolis, pimentões, couve, espinafre e tomate também são ricos
em vitamina C.
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Zinco pode ajudar na digestão de proteínas
"O
zinco pode atuar como um cofator de algumas enzimas digestivas que atuam
justamente no processo de digestão de proteínas por quebrá-las em partes
menores", afirma Bottoni.
Além
disso, o zinco é necessário para a produção de ácido clorídrico no estômago,
que inicia a desnaturação das proteínas, conforme explica Magnoni.
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Sinais de alerta de que o corpo não está absorvendo nutrientes
O corpo
pode dar alguns sinais de má absorção de nutrientes. Segundo os especialistas,
alguns dos mais comuns são:
• Diarreia crônica;
• Fezes gordurosas (com aspecto brilhante
ou que boiam);
• Gases;
• Cansaço extremo;
• Palidez;
• Falta de ar ao subir escadas.
Além
disso, a deficiência de algumas vitaminas pode causar sintomas específicos,
como:
• Descamação de unhas, queda de cabelo e
pele descamativa (ferro, vitamina B12 e ácido fólico);
• Aftas frequentes, língua lisa ou
rachadura nos cantos da boca (zinco, biotina e proteínas);
• Cãibras frequentes, formigamento das
mãos ou dor óssea (complexo B, incluindo B2, B6 e B12);
• Dificuldade de enxergar em ambientes com
pouca luz (magnésio, cálcio e vitamina D).
• Como adotar uma alimentação realmente
saudável em 2026
Modismos
e recomendações sem base científica não só tendem a ser ineficientes, mas
também impõem riscos à saúde; veja como melhorar sua dieta neste ano
Já faz
parte da tradição de Ano-Novo dos brasileiros estabelecer uma lista de
resoluções a serem cumpridas ao longo dos meses seguintes. Entre elas, melhorar
a alimentação é uma das mais comuns. No entanto, transformar essa vontade em
ações práticas pode ser mais desafiador do que parece.
Fatores
como a grande oferta de produtos ultraprocessados, a desinformação nas redes
sociais e a popularização de dietas “da moda” ou de soluções “milagrosas” são
alguns dos possíveis entraves para quem realmente quer cuidar da saúde.
“Por
isso, é importante esclarecer à população que as mudanças no estilo de vida
devem ser baseadas em evidências científicas para garantir resultados
duradouros”, aponta o médico nutrólogo Celso Cukier, do Einstein Hospital
Israelita. Mas, afinal, como estruturar e seguir uma alimentação realmente
saudável? Conheça quatro estratégias.
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1. Priorize alimentos in natura
O Guia
Alimentar para a População Brasileira, publicado pelo Ministério da Saúde em
2014 e que baseia ações de educação alimentar e nutricional do país, estabelece
como recomendação central que alimentos in natura ou minimamente processados
sejam a base da dieta. Isso inclui frutas, verduras, legumes, grãos, raízes,
tubérculos, leite, ovos e carnes. Esses alimentos fornecem fibras, proteínas,
vitaminas, minerais e outros compostos bioativos essenciais à saúde.
Por
outro lado, deve-se evitar o consumo dos chamados ultraprocessados, que são
aqueles produtos com alto teor de açúcar, gordura, sódio, além de conservantes
e aditivos. Esses itens servem para intensificar sabor, aroma, textura e o
prazo de conservação, mas também têm sido associados em estudos a prejuízos à
saúde, como maior risco de obesidade, diabetes e até câncer. São exemplos
salgadinhos, biscoitos recheados, refrigerantes, balas e outros produtos cuja
formulação não seja baseada em ingredientes in natura.
Segundo
relatório do Ministério da Saúde publicado em 2025, dos 39 mil produtos
embalados no país entre 2020 e 2024, aproximadamente 62% deles eram
ultraprocessados, e apenas 18,4% se enquadravam como in natura ou minimamente
processados.
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2. Desconfie do que vê nas redes sociais
Cuidado
com o que aquela pessoa que você segue diz. “Os influencers são bons
comunicadores, mas boa parte deles sequer tem uma formação em ciências
biológicas e, assim, acabam passando informações errôneas para o público”,
alerta Cukier.
Dietas
“da moda”, como eliminar completamente os carboidratos da rotina, exagerar no
consumo de proteínas e realizar jejum intermitente, podem prejudicar gravemente
a saúde. “Toda proposta de redução calórica pode trazer como consequência uma
perda de peso. Porém, dificilmente uma dieta restritiva consegue ser mantida a
médio ou longo prazo”, explica o médico do Einstein.
Quanto
mais restritiva for a alimentação, mais difícil será mantê-la. “E, quando isso
ocorre, a tendência é de que o corpo recupere o depósito energético nas células
adiposas que se tinha anteriormente, correndo ainda o risco da formação de
novas células”, detalha o nutrólogo. Ou seja, é possível não só de engordar
novamente, mas ganhar ainda mais peso do que se tinha antes.
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3. Faça exercícios e beba água
Manter
um estilo de vida saudável vai além do que se coloca no prato. Exige também
higiene mental, bem como a capacidade de mobilidade do corpo humano. Uma rotina
ativa previne doenças crônicas, ajuda a controlar o peso, reduz o risco de
hipertensão, diabetes e problemas cardíacos, além de contribuir para o
bem-estar mental.
Beber a
quantidade adequada de água para você também é importante, já que o líquido
regula a temperatura, auxilia na digestão e garante o transporte de nutrientes.
“Esses fatores são fundamentais para manter um gasto energético adequado e uma
estrutura óssea-muscular capaz de preservar a autonomia dos indivíduos”,
destaca Cukier.
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4. Procure ajuda profissional
Além de
medidas drásticas na alimentação, a busca por emagrecimento rápido tem levado
muitas pessoas ao uso indiscriminado de medicamentos, o que pode gerar uma
série de efeitos colaterais. Daí por que é tão importante consultar um médico
para saber se a medicação é indicada ao seu caso e, se for, acompanhar de perto
o avanço do tratamento.
“Temos
hoje boas opções de medicação, que fazem parte de um arsenal terapêutico que
pode auxiliar na melhora da condição física desses pacientes. No entanto, é
importante ressaltar que se trata apenas de uma ferramenta, e não da solução
isolada”, pontua Cukier.
O
acompanhamento nutricional junto a um especialista, como nutricionista ou
nutrólogo, permite ajustar refeições, suplementação e outros hábitos que podem
comprometer os resultados desejados. A orientação especializada funciona como
um filtro contra modismos perigosos e recomendações sem base científica.
Fonte:
CNN Brasil/Agencia Einstein

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