Médico
descartou minha queda de cabelo e tontura como sendo 'apenas cansaço de mãe' —
não era
Depois
de dar à luz seu segundo filho, a jornalista freelancer Rose Stokes se sentia
exausta o tempo todo.
"Eu
realmente só conseguia fazer o mínimo indispensável para cuidar dos meus
filhos", ela conta. "Eu os colocava para dormir às sete da noite e
precisava ir direto para a cama."
Stokes
achava que seu cansaço era simplesmente consequência de ser mãe de duas
crianças pequenas. Mas aquele não era o único problema.
"Eu
também tinha outros sintomas, como queda de cabelo", relembra ela.
"Eu
tinha um gosto metálico engraçado na boca o tempo todo. Eu tinha sempre aftas
na língua e também sofria falta de ar e tontura."
"Fui
ao médico algumas vezes e sempre ouvia 'bem, você é mãe de crianças pequenas, o
que você esperava?' Mas o nível de exaustão era muito intenso", contou ela
ao programa Woman's Hour, da BBC Rádio 4.
Após
diversas consultas médicas, Stokes pediu um exame de sangue, que mostrou baixos
níveis da proteína ferritina.
O
primeiro médico de Stokes descartou seus níveis de ferritina porque, nas suas
palavras, "não eram tão baixos".
Mas ela
conseguiu consulta com outro médico que chegou a um diagnóstico: deficiência de
ferro, um problema relativamente comum, especialmente entre as mulheres.
Segundo
o Instituto Nacional de Saúde e Excelência Clínica britânico, cerca de 8% das
mulheres apresentam deficiência de ferro. Mas muito menos homens são afetados
pela condição — no Reino Unido, são apenas 3%.
E uma
causa comum é a gravidez, um período que Rose Stokes havia atravessado
recentemente.
Os
sintomas de Stokes (cansaço, tontura e aftas na língua) são apenas alguns dos
sinais de alerta.
Outros
sintomas comuns podem incluir respiração curta, palpitações cardíacas, pele
mais clara que a habitual e dores de cabeça.
Algumas
pessoas podem sofrer sintomas mais raros, como zumbido no ouvido, síndrome das
pernas inquietas e perda de cabelo.
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O tratamento — e como evitar o problema
Para
suprir a deficiência, o médico receitou inicialmente comprimidos de ferro, que
são a forma mais comum de tratamento. Mas Stokes tentou três tipos diferentes e
nenhum deles resolveu o problema.
A
hematologista Sue Pavord, dos Hospitais NHS em Oxford, no Reino Unido, orienta
que a melhor forma de administração é ingerir os comprimidos de ferro logo cedo
de manhã, em jejum, com um copo d'água ou um pouco de vitamina C. Caso
contrário, você corre o risco de que os comprimidos não funcionem de forma
eficaz.
Depois
da baixa resposta dos comprimidos, o médico de Stokes a encaminhou para receber
uma infusão de ferro, que é uma forma de fazer com que a substância chegue
rapidamente à corrente sanguínea.
Este
procedimento pode ser "transformador para as mulheres com deficiência
grave", segundo Pavord. Mas ela também destaca que os comprimidos podem
funcionar "extremamente bem", de forma que é importante tentar
primeiro esta forma de administração.
A
alimentação também pode ajudar a reduzir o risco de deficiência de ferro,
segundo Pavord.
Ela
sugere alimentos que contenham ferro absorvível, como carne vermelha, frango,
fígado e peixe.
Verduras
como espinafre, couve kale e brócolis também contêm ferro, mas o corpo não
absorve a substância dessas fontes com a mesma eficácia.
Dois
meses e meio após sua infusão, Stokes afirma que se sente "uma pessoa
totalmente diferente".
"Consigo
fazer as coisas", ela conta.
"Já
no princípio, eu chegava ao final do dia pensando 'OK, podemos nos sentar e
assistir a um pouco de TV', ou conseguia acordar com as crianças de manhã sem a
sensação de estar morrendo."
Fonte:
Joe McFadden, repórter de saúde da BBC News

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