Pediculose:
como tratar a infestação sem comprometer a saúde capilar
Você já
sentiu a cabeça coçar e pensou que pudesse ser piolho? A sensação, comum
principalmente entre crianças em idade escolar, costuma gerar preocupação
imediata nas famílias e, muitas vezes, leva a tratamentos apressados e
repetidos. Embora a pediculose seja encarada como um problema simples e
passageiro, a infestação pode deixar o couro cabeludo sensibilizado, provocar
feridas, comprometer a qualidade dos fios e até desencadear desconfortos
emocionais quando não é tratada da maneira adequada.
Segundo
a hairstylist e especialista em terapia capilar Letícia Figueiredo, muitos
pacientes apresentam coceira persistente, vermelhidão, pequenas lesões
provocadas pelo ato de coçar e até descamação e ardência. “Em alguns casos pode
surgir inflamação e infecção secundária, principalmente quando há feridas
abertas”, explica. Nos fios, os danos também aparecem: ressecamento, quebra e
aspecto áspero são frequentes, sobretudo quando há uso repetido de produtos
muito fortes sem orientação profissional.
Com a
eliminação dos piolhos, o cuidado não deve cessar. A recuperação do couro
cabeludo exige uma abordagem mais suave e restauradora. Letícia orienta a
higienização com xampus delicados, evitando água muito quente e fricção
excessiva, além de interromper o uso de antiparasitários quando o problema já
foi resolvido. “Continuar usando esses produtos ‘por via das dúvidas’ pode
piorar a irritação”, alerta. Hidratação leve no comprimento e atenção a sinais
como dor, secreção ou coceira persistente são fundamentais, sendo necessária
avaliação dermatológica em casos mais graves.
O uso
inadequado de tratamentos antipiolho também pode gerar efeitos a médio prazo.
Aplicações repetidas, mistura de produtos e até receitas caseiras irritantes
podem comprometer a saúde do couro cabeludo e a qualidade dos fios. De acordo
com Letícia, o trauma mecânico causado por coçar intensamente ou passar o pente
fino com força pode aumentar a quebra e desencadear uma queda temporária do
cabelo. “Na maioria das vezes, tratando a inflamação e cuidando corretamente, o
crescimento se normaliza”, ressalta.
Na
infância, a pediculose é ainda mais frequente por conta do comportamento
social. A pediatra Alana Zorzan, co-fundadora da plataforma Mini Löwe, explica
que o contato físico próximo e constante entre crianças, somado ao ambiente
escolar, favorece a transmissão. “A maior parte dos casos ocorre por contato
direto em brincadeiras, abraços e aproximação da cabeça, além do
compartilhamento de objetos como pentes, escovas, bonés e elásticos”, afirma.
Apesar
da preocupação dos pais, o afastamento prolongado da escola não é recomendado.
Segundo Alana, tanto a Sociedade Brasileira de Pediatria quanto a Academia
Americana de Pediatria orientam que a criança pode concluir o dia escolar,
iniciar o tratamento em casa e retornar no dia seguinte. “Quando o piolho é
identificado, geralmente ele já está presente há semanas. O afastamento causa
prejuízo pedagógico e não controla o surto”, explica. Além dos sintomas
físicos, a pediatra destaca os impactos emocionais, como bullying, isolamento e
ansiedade, reforçando a importância de desmistificar a ideia de que piolho está
ligado à falta de higiene. “O foco deve ser acolher, orientar e tratar, nunca
culpar.”
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Para além da infância
Piolhos
não são restritos apenas à infância. Adultos também podem apresentar casos de
pediculose. Coceira intensa, vermelhidão e sensação de movimento no couro
cabeludo, pescoço e nuca, com pequenos pontos brancos grudados nos fios são
alguns dos indícios.
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Sintomas comuns
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Coceira intensa
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Pontos vermelhos (como picadas de mosquito)
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Irritação no couro cabeludo
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Presença de piolhos (nas cores cinzas, bege e/ou marrom do tamanho de uma
semente de gergelim)
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Presença de lêndeas (ovos): pontos brancos ou amarelados grudados aos fios
próximos ao couro cabeludo, que não caem como caspas
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Transmissão
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Contato direto com uma pessoa infestada
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Compartilhamento de itens pessoais: pentes, escovas, chapéus, toalhas, roupas
de cama
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Qualquer pessoa pode ter, independentemente de higiene ou status social
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Estágios
# Ovo
(lêndeas): sete a 10 dias para eclodir
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Ninfa: nove a 12 dias para atingir a fase adulta
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Adulto: vive cerca de 30 dias
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Tratamento
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Essenciais
# Pente
fino: use diariamente em cabelo seco ou molhado, dividindo o cabelo em mechas
para remover piolhos e lêndeas do couro cabeludo até as pontas.
# Água
e vinagre branco: misture em partes iguais dos líquidos. Aplique nos fios para
ajudaras soltar as lêndeas. Mergulhe o piolho e lêndeas removidos em álcool 70%
ou na solução de vinagre para matá-los.
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Higiene: lave roupas de cama, toalhas e roupas usadas recentemente em água
quente (acima de 60°C) e seque em alta temperatura para matar piolhos e ovos.
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Produtos (com prescrição médica)
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Cosméticos: xampus e loções com permetrina ou outros ativos. Aplique conforme a
bula, geralmente no cabelo seco (se tiver silicone) ou molhado (se tiver
químico), e enxágue. Pode ser necessário repetir o tratamento após sete dias.
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Medicação: a Ivermectina é uma opção oral, mas só deve ser usada com prescrição
médica.
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Evite
Automedicação:
não use inseticidas ou produtos sem orientação, pois são perigosos e tóxicos.
Soluções
caseiras: evite o uso de produtos não comprovados como cola, querosene, etc.
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Problemas de longo prazo
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Infecções bacterianas
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Anemia ferropriva
# Danos
no couro cabeludo e perdas de cabelo
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Dermatite
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Problemas psicossociais
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Outros tipos
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Piolho do corpo (muquirana): vive em lençóis, alimentando-se do corpo. É
transmitido pelo contato com roupas ou roupas de camas contaminadas.
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Piolho pubiano (chato): vice em pelos pubianos, axilas, peito, barba e cílios.
É transmitido principalmente pelo contato sexual, mas também por toalhas e
roupas de cama.
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Palavra do especialista
• Como o tipo de fio (liso, cacheado,
crespo) interfere na remoção de piolhos e lêndeas?
O tipo
de fio interfere bastante na remoção de piolhos e lêndeas. No cabelo liso, os
piolhos se deslocam com mais facilidade, mas a remoção das lêndeas costuma ser
um pouco mais simples. Já nos cabelos cacheados e crespos, o formato do fio e a
maior densidade dificultam tanto a visualização quanto a retirada completa das
lêndeas, o que aumenta o risco de sobrar algum ovo e ocorrer reinfestação.
Nesses tipos de cabelo, é fundamental usar um pente fino adequado e separar o
cabelo em mechas pequenas para facilitar a remoção.
• Em atendimentos recorrentes, quais
padrões você percebe em casos de reinfestação?
Os
padrões mais comuns de reinfestação incluem: contato contínuo com pessoas
infestadas (escola, creche, família), tratamento incompleto, sem remoção
adequada das lêndeas, uso incorreto dos produtos, compartilhamento de objetos
pessoais, como pentes, bonés, travesseiros e escovas. Muitas vezes, o problema
não é o produto, mas, sim, o ambiente e o comportamento após o tratamento. É
fundamental: tratar a criança, o ambiente e contatos próximo.
• O uso de calor, como chapinha ou
secador, interfere positiva ou negativamente no controle do piolho?
O calor
não é um tratamento eficaz contra piolhos. Embora possa ressecar alguns ovos,
não é suficiente para eliminar a infestação e não substitui o tratamento
correto. Além disso, usar chapinha em cabelo de criança ou couro cabeludo já
irritado pode causar lesões e piorar a inflamação. O controle do piolho depende
de um tratamento completo, que inclui uso de produto adequado (xampu ou loção
específica); pente fino para remover os piolhos e os ovos; repetição do
processo para garantir a eliminação completa. Lembre-se: calor não resolve
piolho!
Fonte:
Correio Braziliense

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