A
hora da redução da jornada no Brasil
No
último dia 27 de dezembro, o jornal Folha de S. Paulo publicou o editorial “A
fantasia da redução da jornada de trabalho”. O texto argumenta que o fim da
escala 6×1 não teria estudos técnicos de viabilidade, bem como as leis não
seriam capazes de criar vagas e remunerações desejadas. Contudo, o editorial
ignora importantes discussões que estão sendo realizadas em diversos países,
inclusive no Brasil, a respeito da redução da jornada de trabalho.
Primeiramente,
devemos recordar que a disputa ao redor desse tema é central na relação entre
capital e trabalho. Afinal, como Délio Maranhão já colocava, “seria o salário o
preço atribuído à força de trabalho alienada, ao passo que a jornada
despontaria como a medida dessa força que se aliena”.[i] Não é por outro motivo
que uma das premissas desse debate é a redução da jornada sem diminuição de
salário, de forma que eventual alteração legislativa nesse âmbito represente um
ganho real e concreto para os trabalhadores.
Em
segundo lugar, é fundamental ter em vista que o tema ganhou um amplo apoio
popular de forma orgânica porque se gasta muito tempo com questões relacionadas
ao trabalho no Brasil, seja executando a tarefa para a qual o trabalhador foi
contratado por muitas horas, seja se deslocando para o trabalho em trajetos
demasiadamente extensos e por muito tempo.
A
popularidade do fim da escala 6×1 foi constatada pelo Datafolha: em dezembro de
2024, 64% dos brasileiros afirmaram apoiar a redução da jornada máxima de
trabalho no Brasil e 70% disseram que a jornada ideal deveria ser de 5 dias na
semana.
Atualmente,
muito se fala da liberdade que o trabalhador quer ter ao desenvolver a sua
atividade profissional, mas pouco se olha para a demanda de exercer essa
liberdade para além do trabalho: ter tempo de ficar em família, de estudar, de
cuidar de seus filhos, de cultivar seus hobbies, de professar a sua religião,
de praticar esportes, dentre uma série de outras atividades possíveis. O fim da
escala 6×1 é popular por causa disso: o trabalhador quer ter tempo de fazer
outras coisas que não o trabalho.
Além
disso, parte do empresariado aponta para a necessidade de melhoria dos índices
de produtividade do trabalho no Brasil. Contudo, para isso ocorrer de maneira
mais substantiva, é preciso que os trabalhadores tenham tempo para, dentre
outras coisas, incrementarem a sua qualificação. Portanto, a redução da jornada
poderia contribuir para esse objetivo.
Inúmeros
países possuem limites de jornada de trabalho semanais menores do que o Brasil,
como são os casos da França (35h), Estados Unidos, Canadá e Itália (40h). A
Espanha está debatendo a redução da jornada de 40h para 37,5h semanais. Chile e
México estão em processos de transição para jornadas de 40h semanais. Sendo
assim, a diminuição do limite de 44h existente no Brasil coloca o país em
consonância com a tendência mundial nesse tema.
Experiências
reais comprovam que trabalhar menos pode gerar resultados melhores. Um projeto
piloto com 19 empresas brasileiras, realizado pela organização 4-Day-Week,
revelou que a redução da jornada para quatro dias semanais trouxe efeitos
positivos: enquanto 72% das empresas participantes registraram aumento em suas
receitas, o engajamento dos trabalhadores subiu 60%, acompanhado de uma queda
expressiva da exaustão dos empregados.
Esses
dados são reforçados pelas pesquisas de Juliet Schor, do Boston College (EUA),
que em seu livro recém-publicado (Four Days a Week: The Life-Changing Solution
for Reducing Employee Stress, Improving Well-Being, and Working Smarter)
demonstra como a jornada reduzida melhora a saúde física e mental dos
trabalhadores e, ao mesmo tempo, eleva a produtividade e a eficiência das
empresas, combatendo o burnout e a rotatividade de pessoal.
Corroborando
essa viabilidade, um estudo recente de Marilane Teixeira, Clara Mendonça
Saliba, Carolina Lima de Oliveira e Lília Bombo Alsisi, da Unicamp, propõe uma
análise alternativa aos modelos ortodoxos a respeito do impacto da diminuição
do tempo de trabalho. Partindo da premissa de que as empresas buscarão manter
sua produção para atender à demanda em um contexto de redução da jornada de
trabalho, os cálculos projetam uma adaptação dual: setores mais intensivos em
tecnologia compensariam a redução com ganhos de produtividade, enquanto áreas
sem margem para essa elevação criariam postos de trabalho.
No
cenário considerado mais realista, em que essa compensação seria dividida
igualmente, projeta-se um aumento de 4,13% na produtividade e a criação de 4,47
milhões de postos de trabalho. Para as autoras, contudo, o impacto final no
mercado de trabalho vai além de fórmulas matemáticas, dependendo das escolhas
políticas e da correlação de forças.
Um
exemplo prático que vai no sentido dos argumentos utilizados pelas
pesquisadoras da Unicamp é o caso brasileiro dos últimos 40 anos. Em 1988, a
Constituição Federal reduziu a jornada de trabalho de 48h para 44h semanais.
Entre os anos 1990 e 2000, houve um aumento da produtividade do trabalho em uma
taxa média anual de 6,5%, o que, dentre outros motivos, ocorreu em razão da
redução do tempo de trabalho e da melhoria no desempenho das funções do
trabalhador.
Ademais,
a taxa de desocupação nesse período oscilou, chegando a 6,7% em 1995, seguida
de um aumento para o patamar de 10% em 1999 até diminuir em 2012 para os níveis
de 1995. Por outro lado, o rendimento médio real do trabalho principal
acompanhou os movimentos do PIB, aumentando 33,7% entre 1992 e 1996, reduzindo
16,8% entre 1996 e 2003 e se recuperando em seguida com uma expansão de 44,4%
até 2012. Ou seja, é necessário levar em conta uma série de fatores, dentre
eles a política econômica vigente em um determinado período, para examinar os
números do mercado de trabalho.
É
verdade que leis, por si só, não criam postos de trabalho – a reforma
trabalhista de 2017 é a maior prova disso. No entanto, elas devem servir como
piso civilizatório que assegure o respeito a quem trabalha. A redução da
jornada não é uma fantasia, mas o reconhecimento de que o progresso econômico
só se justifica quando garante dignidade a quem produz.
Nas
últimas décadas, a legislação foi alterada sucessivas vezes para acolher
demandas empresariais em relação ao tempo de trabalho, como o banco de horas, a
jornada 12×36 e o contrato intermitente, dentre outras mudanças. O fim da
escala 6×1 é a oportunidade de acolher uma das reivindicações dos
trabalhadores, garantindo que o tempo de viver não seja o custo invisível do
desenvolvimento do país.
Um dos
desafios colocados é pensar e debater o desenho dessa alteração legislativa,
para que os retrocessos introduzidos nos últimos anos não tornem inócua a
redução da jornada de trabalho. Uma das possibilidades é promover,
simultaneamente, a mudança do inciso XV do art. 7º da Constituição Federal,
para que o repouso semanal remunerado seja de, ao menos, dois dias na semana.
Dessa forma, busca-se garantir a distribuição de uma nova (e menor) carga
horária semanal em, no máximo, 5 dias de trabalho.
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Trabalho, tempo e servidão: por que a escala 6x1 precisa
acabar. Por Alexandre Machado Rosa
Nos
últimos artigos, venho sustentando que o trabalho, no capitalismo
contemporâneo, ultrapassou sua condição de atividade econômica para se
converter em princípio organizador da vida social. Ele estrutura o tempo,
define hierarquias, produz subjetividades e impõe limites cada vez mais
estreitos à experiência humana fora da produção. É a partir dessa chave que a
escala 6x1 deve ser compreendida e não como simples arranjo legal da jornada,
mas como expressão cotidiana de uma forma de servidão socialmente naturalizada.
Trabalhar
seis dias para descansar um. Viver à espera da folga. Organizar afetos,
encontros, cuidados e projetos a partir do calendário do trabalho. A escala 6x1
não apenas organiza o emprego. Ela organiza a vida, subordinando o tempo social
à lógica da produção e transformando o descanso em exceção.
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Quando a servidão se apresenta como privilégio
Ricardo
Antunes, professor da Unicamp, em O privilégio da servidão, oferece uma chave
decisiva para compreender esse fenômeno. O capitalismo atual não se sustenta
apenas pela exploração direta do trabalho, mas pela produção de uma
subjetividade que aceita e internaliza essa exploração como normalidade.
Trabalhar
demais passa a ser sinal de responsabilidade. Não reclamar, de maturidade. Ter
emprego, qualquer emprego, converte-se em privilégio. A precariedade deixa de
ser problema estrutural e passa a ser tratada como escolha individual. A
servidão, agora, não se impõe apenas pela coerção, mas pelo convencimento.
A
escala 6x1 se insere perfeitamente nesse imaginário. Ela exige disponibilidade
quase total e oferece, em troca, a promessa da normalidade. Quem suporta a
jornada é visto como “forte”. Quem questiona, como inadequado ou ingrato. O
tempo sequestrado pelo trabalho deixa de ser percebido como violência e passa a
ser naturalizado como destino.
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A luta histórica pelo tempo
A
reivindicação pela redução da jornada de trabalho nunca foi um capricho ou uma
concessão moral. Desde a Revolução Industrial, ela foi uma luta política pelo
tempo. Contra jornadas de 14 ou 16 horas, o movimento operário afirmava um
princípio simples e radical. A vida não pode ser inteiramente consumida pelo
trabalho.
Marx
foi explícito ao demonstrar que o capital tende, por sua própria lógica, a
estender ao máximo o tempo de trabalho, pois é da ampliação da jornada que se
extrai a mais-valia. Sem limites impostos pela luta social, o capital não
reconhece fronteiras humanas. A redução da jornada, portanto, não nasce da
benevolência, mas do conflito.
O lema
histórico “oito horas de trabalho, oito horas de descanso e oito horas de
lazer” expressava uma concepção ampliada de humanidade. Reconhecia o lazer e o
ócio como dimensões legítimas da vida social, e não como desperdício
improdutivo.
A
escala 6x1, ainda que formalmente enquadrada na legislação, rompe com esse
horizonte civilizatório. Ela fragmenta o descanso, desorganiza a vida coletiva
e converte o tempo livre em mero intervalo funcional. Descansa-se não para
viver melhor, mas para continuar trabalhando.
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Legalidade não é sinônimo de justiça social
O
argumento jurídico costuma ser acionado para legitimar a escala 6x1. Mas a
legalidade, por si só, não garante humanidade. A história do trabalho mostra
justamente o contrário. Muitas das formas mais violentas de exploração foram
plenamente legais, como o escravismo.
Marx já
advertia que a legislação trabalhista é sempre resultado provisório da
correlação de forças entre capital e trabalho. Os limites à jornada, o descanso
semanal e a proteção social foram conquistas arrancadas sob pressão e não
dádivas espontâneas.
No
Brasil, a escala 6x1 incide majoritariamente sobre trabalhadores do comércio e
dos serviços. Setores marcados por baixos salários, jornadas irregulares,
trabalho aos fins de semana e pouca autonomia sobre o próprio tempo. Não se
trata de uma escolha neutra, mas trata-se de uma forma de organização do
trabalho que aprofunda desigualdades sociais, raciais e territoriais, ao
distribuir de maneira desigual o direito ao descanso, ao lazer e à vida fora do
trabalho.
O tempo
livre, assim como a renda, torna-se privilégio.
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A escala 5x2 como disputa política sobre o tempo
Defender
o fim da escala 6x1 e a adoção da 5x2 não é uma pauta moral, nem um ataque à
economia. É uma disputa política sobre o lugar do trabalho na vida social.
Em um
contexto de intensificação do trabalho, avanço tecnológico e aumento contínuo
da produtividade, a manutenção de jornadas extenuantes revela uma contradição
central do capitalismo contemporâneo, qual seja, produz-se mais, mas vive-se
menos.
Se em
Marx a luta pela redução da jornada aparece como enfrentamento direto à
voracidade do capital, em Ricardo Antunes essa disputa reaparece sob nova
forma. O que antes era exploração explícita, hoje se converte em adesão
subjetiva à própria servidão. A promessa de autonomia transforma-se em
disponibilidade permanente. A promessa de liberdade, em controle ampliado.
A
escala 5x2 não elimina a exploração, mas estabelece um limite. Reafirma que a
vida não pode ser totalmente subordinada às relações de produção.
Marx já
advertia que, sem limites impostos pela luta social, o capital tende a avançar
sobre todo o tempo disponível. A redução da jornada de trabalho nunca foi
concessão moral, mas resultado de conflitos históricos em torno da própria
possibilidade de vida para além da produção. É nesse sentido que a escala 6x1
deve ser compreendida. Como expressão contemporânea de uma velha disputa entre
a voracidade do capital e os limites humanos do trabalho.
Ricardo
Antunes nos ajuda a entender o que mudou. E o que se aprofundou. Se no
capitalismo industrial a exploração se impunha de forma direta, hoje ela se
naturaliza pela via da subjetividade. Trabalhar seis dias para descansar um
passa a ser apresentado como normal, necessário e até virtuoso. A servidão,
agora, não precisa ser imposta, ela é incorporada como destino.
Encerrar
a escala 6x1 e avançar para jornadas que garantam tempo contínuo de descanso,
como a 5x2, não significa negar o trabalho, mas recusar sua centralidade
absoluta. Significa recolocar o trabalho em seu devido lugar, como parte da
vida e não como sua totalidade. Trata-se de reafirmar que o tempo livre não é
resíduo improdutivo, mas condição de humanidade.
Uma
sociedade que se recusa a reduzir a jornada de trabalho é uma sociedade que
aceita viver menos, mesmo produzindo mais. Questionar a escala 6x1 é, portanto,
mais do que discutir modelos de jornada é disputar o sentido do tempo, da vida
e das relações sociais. E é justamente por isso que ela precisa acabar.
• Boulos: “Fim da escala 6x1 melhora,
inclusive, a produtividade do trabalho”
O
ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República (SG-PR), Guilherme
Boulos, foi o convidado do programa “Bom Dia, Ministro” desta quarta-feira, 21
de janeiro. Durante a entrevista com rádios e portais de notícias de várias
regiões do país, ele abordou o debate sobre o fim da escala 6x1 no Brasil. A
mudança na jornada de trabalho é uma das prioridades do governo para 2026.
No
programa, Boulos também apresentou o progresso dos debates sobre a regulação
dos aplicativos de entrega, que visa ampliar a proteção social e melhores
condições de trabalho para entregadores, bem como a proposta de participação
popular no orçamento federal, a iniciativa Orçamento do Povo.
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ESCALA 6x1
Tema
principal da entrevista, o ministro atualizou o andamento da discussão em torno
da revisão da escala 6x1, que prevê apenas um dia de descanso por semana. “Está
avançando muito bem o diálogo com os setores do Congresso. Estive com o
presidente da Câmara, Hugo Motta, na semana passada, junto com o ministro do
Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, e fizemos uma conversa sobre o fim da 6x1. Há
um avanço na discussão para que a gente vote ainda neste semestre o fim da
escala e consiga dar essa resposta aos trabalhadores”, disse Boulos.
O tema
integra a lista de objetivos assumidos pelo Governo do Brasil para melhorar a
qualidade de vida e as condições laborais dos trabalhadores brasileiros. “A
proposta que estamos construindo, defendida pelo presidente Lula e pelo nosso
governo, é de, no máximo, de 5x2, 40 horas semanais. Hoje o máximo é 44 horas
semanais e queremos reduzir para 40, sem redução de salário. Esta é a proposta
que está sendo desenhada para todos os setores da economia no Brasil, por uma
questão de dignidade dos trabalhadores”, reforçou o ministro.
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PRODUTIVIDADE
De
acordo com Boulos, o fim da escala 6x1 não significa redução da produtividade
dos trabalhadores. Ele apresentou exemplos de outros países que implementaram a
redução da jornada e não sofreram com baixa produtividade.
“A
Islândia, em 2023, reduziu para 35 horas, com jornada 4x3 e a economia cresceu
5% e a produtividade do trabalho aumentou 1,5%. Nos Estados Unidos, houve uma
redução média de 35 minutos de trabalho por dia nos últimos 3 anos e isso
aconteceu pela própria dinâmica do mercado e aumentou em média 2% da
produtividade. Se você pegar o Japão, no caso da Microsoft do Japão, a 4x3
aumentou em 40% a produtividade individual do trabalhador”, exemplificou.
Ele
também observou os impactos positivos da mudança em território nacional. “No
Brasil, houve um estudo da Fundação Getúlio Vargas, em 2024, envolvendo 19
empresas que reduziram a jornada de trabalho. Sabe qual foi o resultado? Em 72%
dessas empresas, houve aumento de receita e em 44% delas aumento no cumprimento
de prazo. E várias empresas, individualmente, já estão reduzindo”, relatou
Boulos.
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DESGASTE
A
jornada é alvo de críticas por provocar desgaste físico e emocional e reduzir o
convívio familiar. “O debate que temos que fazer é o seguinte: uma coisa é você
trabalhar para poder viver. Todo mundo precisa. Só bilionário herdeiro que não.
Todo mundo precisa. Outra coisa é você viver para trabalhar. Não ter tempo para
nada, não ter tempo para ficar com a sua família, para cuidar dos seus filhos.
Para fazer, inclusive, um curso de profissionalização, de qualificação, que vai
aumentar a sua produtividade como trabalhador”, ressaltou.
“Quando
o trabalhador ou trabalhadora está mais descansado, o resultado é que ele vai
trabalhar melhor. Qualquer um se coloque na pele dessas pessoas: se você tem um
tempo de descanso maior, vai trabalhar melhor. Então, por todas essas razões, o
que a gente sustenta, baseado em dados e não em blá blá blá, é que o fim da
escala 6x1 vai melhorar, inclusive, a produtividade do trabalho no Brasil, como
aconteceu em outros lugares”, defendeu Boulos.
Fonte:
Por Renan Bernardi Kalil, em A Terra é Redonda/Gov.Br

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