'Vamos
combater fogo com fogo': como governador da Califórnia lidera oposição a Trump
nos EUA
"Vamos
combater fogo com fogo." A frase dita na última quarta-feira (20/08)
por Gavin Newsom resume perfeitamente
a postura que o governador da Califórnia tem adotado
desde que Donald Trump retornou à Casa
Branca, em janeiro. A imagem de Newsom como alguém disposto a enfrentar o
presidente americano — ampliada por suas chamativas coletivas de imprensa e
uma estratégia de redes sociais ao estilo de
Trump — impulsiona seu perfil presidenciável de olho nas eleições de 2028, algo
em que ele mesmo já declarou interesse. Diante
do aparente desconcerto da maioria dos representantes democratas, ele surge
como um líder da oposição a Trump.
Isso
ficou demonstrado nas últimas semanas: depois dos republicanos do Texas
modificarem, e pedido de Trump, o mapa eleitoral do estado para
ter até cinco novos congressistas nas eleições de meio mandato de 2026, Newsom
está promovendo sua própria remodelação do mapa californiano para dar vantagem
aos democratas. E esse espírito combativo do governador da Califórnia também
ficou evidente quando Trump determinou, em junho, o envio da Guarda Nacional a Los
Angeles,
diante dos protestos contra as batidas migratórias.
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A guerra do gerrymandering
Nos EUA
existe hoje uma "tríade de poder" republicana, que é como se denomina
na linguagem política de Washington o cenário em que o partido do presidente
controla, além da Casa Branca, as duas casas do Congresso. Na Câmara dos
Deputados, os republicanos contam com uma maioria estreita — 219 contra 2012
dos democratas, além de quatro assentos vagos. Uma potencial mudança no
controle do Senado nas eleições de meio mandato, em novembro de 2026, abriria a
porta para que os democratas pudessem frustrar a agenda legislativa de Trump e
lançar, por exemplo, investigações contra ele e sua administração. Ciente
disso, Trump teria pedido pessoalmente ao governador do Texas, Greg Abbott,
para impulsionar uma nova distribuição dos eleitores no segundo estado mais
populoso do país, com objetivo de favorecer seus interesses eleitorais e de seu
partido. Essa manobra é chamada de gerrymandering, que é a
manipulação das divisas geográficas dos distritos eleitorais para favorecer um
ou outro partido, algo que é legal nos EUA. Esse processo foi especialmente
contencioso, com os legisladores democratas deixando o Texas por duas semanas
para demonstrar sua rejeição e evitar que houvesse quórum para votar os novos
mapas propostos.
Aprovada
na última quarta-feira, a redistribuição facilitará aos republicanos a obtenção
de cinco cadeiras adicionais, sem colocar em risco as 25 que já possuem
atualmente pelo Texas. "Grande vitória para o grande estado do
Texas", celebrou Trump em sua conta na plataforma TruthSocial. "O
Texas nunca nos decepciona", acrescentou, garantindo que outros estados
governados por republicanos, como Flórida e Indiana, estão considerando seguir
o exemplo.
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O 'olho por olho' de Newsom
O que
Trump não mencionou em sua postagem foi que, em uma espécie de "olho por
olho", Newsom havia iniciado sua própria cruzada na Califórnia para
compensar a potencial vantagem obtida pelos republicanos com as mudanças no
Texas. Um plano para traçar os novos limites dos distritos no estado mais
populoso do país — com objetivo de conquistar mais representantes democratas em
Washington — já avançava a passos largos.
Durante
uma chamada com jornalistas organizada pelo Comitê Nacional Democrata, na
quarta-feira, Newsom enquadrou a batalha como "a lei de Donald Trump
contra o estado de Direito". E, à noite, escreveu nas redes sociais:
"Estamos no jogo, Texas".
As
iniciativas que abrem caminho para redesenhar os distritos eleitorais da
Califórnia de forma temporária — para as eleições de 2026, 2028 e 2030 — foram
aprovadas sem maiores obstáculos por ambas as câmaras do Congresso estadual.
Durante
o debate na Assembleia da Califórnia, o líder da minoria republicana, Mike
Gallagher, admitiu que foi um erro de Trump iniciar a disputa ao exigir mais
cadeiras para o Texas, um estado no qual ele havia vencido com folga nas
eleições presidenciais de 2024. Contudo, ele questionou se essa estratégia de
Newsom era a resposta correta. "O que acontece se continua combatendo fogo
com fogo? Acaba se queimando", afirmou o legislador, referindo-se à frase
dita pelo governador da Califórnia. Newsom, em um estilo que lembra as
habituais grandiloquências do presidente Trump, disse em uma coletiva:
"Somos o primeiro governo na história que submeterá os mapas à população
em uma votação. As pessoas terão a opção de validá-los".
Isso
porque, a modificação dos distritos eleitorais é mais complexa na Califórnia do
que no Texas, já que deve ser aprovada pelos eleitores em uma consulta popular
que ocorrerá em 04 de novembro. Por enquanto, as pesquisas indicam que a
iniciativa de Newsom foi bem recebida pela população. 57% dos eleitores
californianos apoiariam as mudanças nos mapas eleitorais no referendo, segundo
um memorando do pesquisador pessoal de Newsom, ao qual o meio Axios teve
acesso. Em outra sondagem, realizada pelo Instituto de Estudos Governamentais
da Universidade da Califórnia em Berkeley, encomendada pelo jornal Los Angeles
Times, e publicado na última sexta-feira (22/08), 46% dos entrevistados
disseram estar de acordo com a manobra de redistribuição de distritos, contra
36% que acham uma má ideia. 48% afirmaram que votariam a favor de novos mapas
na consulta popular. Enquanto isso, o respaldo simbólico a Newsom veio de outro
lado.
O
ex-presidente Barack Obama elogiou o governador por sua proposta
"inteligente e ponderada" em contraste com a "manipulação"
do mapa eleitoral aprovada pela Assembleia do Texas. "Sinto um enorme
respeito pela forma como o governador Newsom tem abordado esse tema",
afirmou Obama em uma postagem no X.
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Na vanguarda
"Tudo
isso está trazendo um enorme benefício político para o governador da
Califórnia", afirma Mike Madrid, estrategista político republicano e
especialista em voto latino. "Se a redistribuição dos distritos eleitorais
vai ser boa para a Califórnia, para os eleitores latinos (e outras minorias),
para os EUA, já é outra história. Não acredito que seja", afirmou. "Mas,
sem dúvidas, está funcionando extremamente bem para Newsom, para suas
perspectivas e para seu posicionamento de olho na campanha presidencial de
2028. Isso o coloca no centro das atenções em nível nacional, onde, de outra
forma, ele seria um mero governo. E o mantém na vanguarda da luta contra Donald
Trump pelo menos durante os próximos meses", afirma Madrid, que foi
secretário de imprensa do ex-líder republicano da Assembleia da Califórnia, Rod
Pacheco.
Analistas
políticos e especialistas concordam que parece uma jogada deliberada. A virada
começou em junho, em claro contraste com o espírito de colaboração que Newsom e
Trump haviam demonstrado quando o presidente aterrissou em Los Angeles após os
incêndios de janeiro. Mas desde que Trump ordenou o envio da Guarda Nacional
para Los Angeles, em meio aos protestos contra as batidas migratórias, para
"restaurar a lei e a ordem" na Califórnia, diante da
"incapacidade" da autoridade local, o governador mantém um confronto
constante com o presidente.
Após
tentar dar uma alavancada em seu perfil e permanecer em evidência com um
podcast intitulado This is Gavin Newsom — um espaço de
"discussões honestas com pessoas que concordam e discordem de nós" —,
nas últimas semanas o político californiano passou a enfrentar Trump com uma
estratégia de redes sociais espelhada no próprio presidente.
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'Estilo Trump'
A conta
no X do gabinete de imprensa de Newsom agora compartilha mensagens com
parágrafos inteiros escritos em letra maiúscula, ostentando os feitos do
governador. A equipe por trás da conta, liderada por Camille Zapata, uma latina
de 29 anos, chegou a criar apelidos para o mandatário e seu gabinete, em
resposta a todas as vezes que Trump chamou o governador de Newscum —
um jogo de palavras com seu sobrenome e a palavra "escória" em
inglês. O apelido que inventaram para Trump é TACO, um acrônimo de Trump
Always Chickens Out (Trump sempre se acovarda, na tradução livre para
o português), aparentemente em referência às idas e vindas do presidente em
relação à imposição de tarifas a outros países.
Algumas
das mensagens compartilhadas em suas redes sociais superam cinco milhões de
visualizações. Há quem brinque com a mudança no estilo comunicativo de Newsom. "Adoro
que o futuro dos Estados Unidos vá ser decidido por dois caras gritando um com
outro no Facebook", disse um usuário no X. Outros se divertem discutindo
se se trata de uma boa imitação ou não. Newsom, por sua vez, garante que é um
"chamado de atenção para o presidente". "Simplesmente estou
seguindo seu exemplo", disse aos repórteres durante uma coletiva de
imprensa no dia 14 de agosto. "Se vocês têm problema com o que estou
compartilhando, também deveriam ter com o que o presidente compartilha",
afirmou. "Como permitimos a normalização das mensagens [de Trump nas redes
sociais]? Que elas saiam sem um escrutínio semelhante?", questionou o
governador "Vê-lo enfrentar Trump nas redes sociais — um terreno que o
atual presidente domina há uma década — é refrescante, energizante e muito
divertido para muitos democratas", disse o estrategista democrata Anthony
Coley, ao veículo The Hill.
Os
conservadores nem sempre veem assim.
"Ele
ocupa um cargo importante como governador da Califórnia, mas se quiser ser algo
maior, deveria ser um pouco mais sério", comentou Dana Perino,
comentarista política da rede conservadora Fox News. Enquanto isso, a
secretária de imprensas adjunta da Casa Branca, Abigail Jackson, classificou as
publicações de News como "estranhas e nada divertidas".
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O caminho para 2028
Seja
como for, tanto a estratégia de rede social quanto sua postura desafiadora na
"guerra do gerrymadering" parecem estar dando certo. As
pesquisas mostram que Newsom tem ganhado popularidade em relação a outras
figuras de seu partido. Com 13% de apoio, uma pesquisa recente publicada pelo
Echelon Insights o colocava em segundo lugar, atrás apenas de Kamala Harris
(26%) na lista de potenciais candidatos democratas para as eleições de 2028. Uma
pesquisa anterior, da mesma empresa, publicada em abril, colocava Newsom em
sexto lugar, com 4% de apoio, atrás de nomes como o ex-secretário de
Transportes Pete Buttigieg e a representante democrata de Nova York, Alexandria
Ocasio-Cortez, que empatavam em 7%. Kamala Harris estava na frente, com 28%. "Sem
dúvida, Newsom é hoje a principal figura de oposição a Trump", afirma
Madrid.
E mesmo
que os californianos rejeitem sua iniciativa de redesenhar os distritos
eleitorais no referendo em novembro, isso não está em risco, ressalta o
estrategista político. "As pessoas querem ver luta, querem ver alguém
disposto a lutar. E mesmo se perder no referendo, Newsom sairia como aquele que
não ficou de braços cruzados", explica. "Porque a alternativa é não
fazer nada, se conformar ou ceder. E ele está demonstrando que está disposto a
entrar na batalha e liderá-la, e acredito que isso vai beneficiá-lo enormemente
em termos políticos."
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O governador da Califórnia se tornou um comediante
anti-Trump. É 2017 de novo. Por Dave Schilling
Se
acreditarmos neste artigo do Clickhole (e não deveria),
o governador da Califórnia está querendo um emprego em comédia. A realidade é um
pouco menos atraente: Gavin Newsom quer ser presidente dos Estados Unidos. Seu
gabinete intensificou os ataques nas redes sociais a Donald Trump, suas
políticas e, previsivelmente, seus tuítes malucos. Testemunhei a ascensão de
Newsom em primeira mão: desde seu mandato como prefeito de São Francisco até o
governo do meu estado, passando por esta foto profundamente constrangedora com uma futura moradora de Mar-a-Lago . Finalmente, o
mundo pode finalmente ver o Gavin Newsom que passei a tolerar veementemente –
um homem com a tendência de tropeçar e fazer a coisa certa da maneira mais
irritante possível.
Newsom
é o tipo de político que aproveita o momento – a legalização do casamento entre
pessoas do mesmo sexo em São Francisco em 2004, mais significativamente –
contanto que o momento esteja em algum lugar perto de uma câmera e um microfone
funcionando. Estamos em um daqueles "momentos" temidos agora,
enquanto o Texas se manipula para manipular as eleições de meio de mandato a
favor dos republicanos. Newsom está aproveitando ao máximo, pressionando para manipular a
Califórnia em resposta e entregando uma das contas de mídia social de seu
gabinete para lançar uma ofensiva cômica contra a Casa Branca. No processo, ele
está fazendo o que eu mais odeio: usar a nostalgia como arma.
A
nostalgia é uma coisa poderosa, como um odor corporal desagradável ou um queijo
francês. Não adoramos voltar no tempo e fingir que ainda temos cabelo, que
aguentamos mais de 30 minutos de show do Oasis e que o Twitter é algo
importante para pessoas normais? Lembram de 2017? Foi um ano divertido. A
Marcha das Mulheres, o lançamento do Nintendo Switch original e a entrada de
Montenegro na OTAN (ugh, finalmente). Foi certamente um ano, não foi?
Definitivamente um dos anos. Naquela época, não passava um minuto sem que
um irmão Krassenstein dissesse que as
acusações eram iminentes, que Donald Trump era um pato manco e que a fita de xixi estava a apenas
uma entrega da Amazon Prime de distância. Robert Mueller era praticamente Elvis
girando no Ed Sullivan Show, de tão amado por liberais neuróticos que tentavam
o seu melhor para se imporem contra o primeiro governo Trump. Às vezes, coloco
o videoclipe de Despacito e
simplesmente fico curtindo 2017. Você provavelmente nem lembra que essa música
existe, mas garanto que ela já foi popular.
Naquela
época, todos nós achávamos que poderíamos zombar de Trump até o esquecimento.
Eu certamente tentei . Definitivamente falhei . Mas pensar
que poderíamos provocar o homem até apaziguá-lo era uma fantasia divertida.
Nossa primeira rodada com o Don foi uma espécie de boom da sátira: o Daily
Show, o Late Show com Stephen Colbert, veículos digitais como a Crooked Media.
Certamente, tudo o que precisaríamos fazer era zombar de seu bronzeado e ele
iria embora, como um valentão de pátio com uma estranha marca de nascença.
Apesar dos melhores esforços de vários especialistas educados da Ivy League,
Trump venceu com insultos mais cruéis, observações mais banais e táticas de
intimidação performáticas que energizaram sua base. Estamos agora quase uma
década na era Trump e ninguém na esquerda foi capaz de descobrir como causar
danos duradouros à mística da Maga que não envolva os arquivos de Jeffrey
Epstein. Então, quando testemunho o ataque entorpecente da conta @GovPressOffice de Newsom , não
posso deixar de ser pego em um devaneio que me transporta de volta aos dias
felizes de algo parecido com otimismo — quando "a resistência" era
uma hashtag que parecia ter um significado real.
@GovPressOffice
é um glorioso retorno a 2017. Também, 2018. E 2019. E 2020, 2021, 2022, 2023 e
2024. Kamala Harris até tentou essa mesma tática, trollando Trump nas redes sociais sempre que
possível. Na mente dos mais ferrenhos viciados em política, plataformas como X
são o campo de batalha definitivo, onde corações e mentes podem ser
conquistados com um pouco de sarcasmo ou um meme de JD Vance quando bebê . No máximo,
esse meme pode fazer com que você seja
deportado ,
mas ainda não estou convencido de que possa influenciar uma eleição. Mesmo
assim, eles persistiram. Parece que qualquer democrata com um pingo de
reconhecimento nacional entra imediatamente em modo de "resistência"
total de 2017, na esperança de incitar a direita a algum erro mítico e não
forçado de jogo político. Por favor, me permitam copiar e colar um tuíte real
de @GovPressOffice. Decida você mesmo se acha que isso vai influenciar um
eleitor a se mover para a esquerda:
UAU!!!
MEUS MAPAS (OS MELHORES MAPAS JÁ FEITOS) EM BREVE SERÃO APROVADOS NA MAIOR
LEGISLATURA DO MUNDO (NÃO APENAS NA AMÉRICA). A AMÉRICA PODE AGRADECER A MIM
(GAVIN C. NEWSOM) E A DUAS PESSOAS MUITO ESPECIAIS – MAGIC MIKE E RAINMAKER
ROBERT, QUE LIDERAM A LEGISLATURA – LENDAS COMPLETAS!!! ESTES SÃO MAPAS
"PERFEITOS, LINDOS". MELHORES QUE COLUMBUS, MELHORES QUE GOOGLE MAPS,
MELHORES QUE APPLE MAPS (DESCULPE, TIM, SEM BARRA DE OURO PARA MIM, MAS EU
AINDA TE AMO!). AS PESSOAS JÁ ESTÃO GRITANDO "MAMÃE! MAMÃE!" E EU
DIGO: "NÃO, EU SOU SEU PAPAI!!!" A ERA DE OURO COMEÇA NO ESTADO
DOURADO, TUDO POR MIM, O GOVERNADOR DO POVO, O CARTÓGRAFO-CHEFE, QUE AGORA
DEIXARÁ O POVO VOTAR!!! OBRIGADO, EUA!!! – GCN
Se me
permitem usar o r/PeterExplainsTheJoke aqui, o trecho acima gira em
torno da conta do Newsom imitando a tendência de Trump de postar ameaças e
autoengrandecimentos sem sentido em letras maiúsculas. Enquanto isso, o
verdadeiro Trump, em sua própria plataforma de mídia social, posta estritamente
dentro de sua própria versão da realidade, onde o envio de militares para
Washington DC magicamente interrompeu o crime, os democratas estão torcendo
seus bigodes enquanto conspiram para fraudar eleições e o governador da
Califórnia se chama " Gavin Newscum ". Nem
mesmo um apelido inteligente. Ele tolamente deixou "Goofy Gavin",
"Blabbin Gavin" e "Gavin Nonuts" na mesa, mas ninguém na
base da Maga se importa se ele é realmente engraçado, se ele tem algo
espirituoso a dizer. Eles gostam de Trump porque ele é autenticamente Trump.
Ele é um homem de desenho animado totalmente realizado, imune a episódios de
South Park, xingamentos e provocações comuns. Metade da estratégia de mídia
social de Harris 2024 girava em torno de JD Vance fazendo amor com um sofá, mas
isso não se traduziu em votos de fato. Acho que consigo dar uma risadinha entre
as baforadas de tristeza da fábrica de depressão que é a América de 2025.
Isso
não quer dizer que Newsom seja um idiota inútil que obteve sucesso por causa
(e, de certa forma, apesar) de sua bela cabeleira. Não, ele não é inútil.
O plano de redistritamento que ele
promulgou aqui na Califórnia é a única resposta razoável à escalada vinda da
direita. Mas o que se ganha com a paródia? O que a imitação faz pelos
democratas? É apenas mais um exemplo do outro lado reforçando a noção de que
Trump dita os termos do engajamento. Há um meio-termo entre a capitulação do
tipo " quando eles vão por baixo, nós vamos
por cima "
e "rsrs, eu me chamava de 'CARTÓGRAFO-CHEFE'". Para reconquistar a
autoridade e a respeitabilidade, os democratas precisam parar de tentar ser
Trump e começar a tentar ser outra coisa. Algo coerente. Algo identificável.
Provocar Trump é uma ótima maneira de obter engajamento, de garantir cliques e
atenção. Acredite, eu sei. Mas eu não sou o governador da Califórnia. Sou
basicamente um irmão Krassenstein, menos bem-sucedido e há muito perdido, na
esperança de lucrar com a #resistência. Até que a esquerda descubra como ser
algo além de uma sombra pálida do seu oponente, continuaremos desejando que
ainda estivéssemos em 2017.
Fonte: BBC News Mundo/The Guardian

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