sábado, 30 de agosto de 2025

Pastor Zé Barbosa Jr: A verdade nos libertará... da extrema direita

As revelações que têm vindo à tona sobre figuras centrais da extrema direita brasileira — Jair Bolsonaro, Silas Malafaia, Nikolas Ferreira e Sóstenes Cavalcante — não são apenas fatos políticos ou escândalos midiáticos: são sinais de um tempo em que a própria Escritura se cumpre. A Bíblia nos adverte que “não há nada oculto que não venha a ser revelado, e nada escondido que não venha a ser conhecido” (Lucas 12.2-3). O discurso moralista, as poses religiosas, as acusações contra inimigos inventados e a postura de supostos defensores da família e da pátria vêm sendo desmascarados diante dos olhos do povo brasileiro. A verdade, ainda que tardiamente, tem mostrado a fragilidade e a hipocrisia de um projeto político travestido de evangelho.

O ex-presidente Bolsonaro, outrora aclamado como “mito” por multidões, hoje se vê às voltas com investigações que apontam seu envolvimento em esquemas de corrupção, manipulação de informações e tentativas de golpe contra a ordem democrática. Sua aliança com líderes religiosos como Malafaia e Sóstenes Cavalcante demonstra como a fé foi instrumentalizada para legitimar um projeto de poder que em nada se aproxima do evangelho. Ao contrário, quando lemos a exortação de Paulo em Efésios 5.11-13 — “Não participem das obras infrutíferas das trevas; antes, exponham-nas à luz” —, percebemos o quanto é urgente que os cristãos se distanciem de lideranças que vivem das sombras, sustentadas por fake news, manipulação da fé e acordos espúrios nos bastidores do poder.

Nikolas Ferreira, com sua retórica agressiva e apelativa, tornou-se símbolo de uma geração de políticos que despreza a verdade em nome da lacração digital. Ao compararmos sua postura com a advertência de Paulo em Gálatas 6.7-8 — “Não se deixem enganar: de Deus não se zomba. Pois o que o homem semear, isso também colherá.” —, torna-se evidente que há um preço espiritual e histórico a pagar pela instrumentalização da fé. Seu vídeo inescrupuloso contra o maior controle das operações via pix agora o execra à vergonha, provando que suas mentiras só ajudam àqueles que querem viver de esquemas de corrupção, inclusive o PCC, que ele tantas vezes, de forma mentirosa, quis associar ao PT.

O empresário da fé Silas Malafaia, que se apresenta como “profeta destemido”, é, na prática, um ator político que veste a fé como fantasia para manter relevância e poder. Seus ataques raivosos e sua obsessão por inimigos imaginários demonstram mais afinidade com a lógica da guerra cultural do que com a mensagem da cruz, além de sua derrocada e falência (inclusive financeira) como pastor. Mas a Bíblia nos chama a outra postura: “Permanecei firmes, tendo cingidos os vossos lombos com a verdade” (Efésios 6.14). Quem anda na verdade não precisa se esconder em cortinas de fumaça, nem gritar para mascarar a ausência de amor. A firmeza não está na agressividade, mas na integridade.

O apóstolo Paulo também nos lembra em Romanos 13.11-14 que é tempo de despertar do sono, de deixar as obras das trevas e revestir-nos da armadura da luz. O Brasil, após anos de manipulação por parte da extrema direita, precisa acordar para o perigo de se confundir fé com idolatria política. O sono coletivo que sustentou o “messias” de fachada precisa dar lugar ao despertar para a justiça, para o cuidado com os pobres, para a defesa da democracia e para o respeito à dignidade humana.

É inevitável reconhecer que, neste processo, a própria palavra de Jesus, antes usurpada e aviltada pelo bolsonarismo, se volta contra eles mesmos (a extrema direita) e ressoa com força: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8.32). A verdade não liberta apenas individualmente, mas também coletivamente. A verdade histórica que expõe golpes, crimes, manipulações e farsas políticas tem poder de libertar a nação de um jugo opressor. Libertar da extrema direita, neste caso, não é apenas uma escolha ideológica, mas um imperativo ético e espiritual.

O evangelho não pode ser reduzido a palanque político nem ser usado como escudo para encobrir pecados públicos. Ele é, antes de tudo, um chamado à luz. E a luz revela. A luz desmascara. A luz expõe o que está escondido. Quando a Escritura nos ordena a não compactuar com as obras infrutíferas das trevas, mas antes denunciá-las, ela nos dá uma tarefa concreta: não silenciar diante da mentira, não se calar diante da hipocrisia.

A extrema direita brasileira se apoiou na Bíblia para conquistar poder, mas agora é a própria Bíblia que a desmascara. O tempo das trevas está passando, e o dia se aproxima. A colheita daquilo que foi plantado com engano já começou a aparecer. Cabe ao povo, especialmente aos cristãos, escolher se continuará sendo cúmplice de um projeto que trai o evangelho ou se despertará para a liberdade que só a verdade pode trazer.

Porque, no fim, é a verdade — não o mito, não o pastor raivoso, não o deputado debochado — que nos libertará.

Quem tem ouvidos, ouça!

•        Defesa de Bolsonaro projeta derrota no STF e já prepara recursos em cortes internacionais

O julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) entra em fase decisiva e a defesa não demonstra otimismo quanto ao resultado. De acordo com a coluna do jornalista Bernardo Mello Franco, de O Globo, advogados do ex-chefe do Executivo e dos demais acusados por tentativa de golpe não veem margem para absolvição e já articulam recursos em cortes internacionais, caso a condenação seja confirmada.

A avaliação interna é que o processo não sofrerá grandes alterações, nem mesmo diante da possibilidade de um pedido de vista do ministro Luiz Fux — uma hipótese considerada remota pelos defensores. Um dos advogados envolvidos no caso afirmou que os últimos recursos internos devem ser julgados em até dois meses, o que colocaria Bolsonaro e os outros sete réus diante de uma condenação definitiva até novembro deste ano.

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<><> Estratégia internacional já delineada

Ainda de acordo com a reportagem, com a expectativa de derrota no STF, a defesa estuda apresentar recursos em instâncias externas, como a Corte Internacional de Justiça, em Haia. A principal linha de argumentação será a denúncia de cerceamento de defesa e a falta de duplo grau de jurisdição. Como o processo teve início diretamente na Suprema Corte brasileira, os acusados não teriam a quem recorrer em âmbito nacional, o que, segundo os advogados, configuraria uma falha estrutural no sistema de garantias jurídicas.

<><> O caso e os réus no processo

Bolsonaro e outros sete acusados respondem no STF por participação em uma trama que, segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), visava um golpe de Estado para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT)  após a sua vitória nas eleições de 2022. Entre os réus, estão ex-integrantes do governo Bolsonaro, militares e aliados políticos que, de acordo com as investigações, atuaram na articulação de medidas para contestar o resultado eleitoral e manter Bolsonaro no poder à revelia da Constituição.

A denúncia também aponta que houve tentativa de uso das Forças Armadas como instrumento para anular o pleito. Provas coletadas pela Polícia Federal, delações premiadas e depoimentos de militares reforçam a acusação de que se discutiu, inclusive, a elaboração de um decreto para convocar novas eleições, medida considerada inconstitucional.

<><> Pessimismo entre os advogados

O clima entre as equipes de defesa é de resignação. Nos bastidores, advogados admitem que não há expectativa real de absolvição para nenhum dos réus. A avaliação é de que, mesmo em cenários alternativos, como um pedido de vista para adiar a decisão, a tendência é que a Primeira Turma do STF mantenha uma posição firme diante das acusações.

Esse contexto reforça a estratégia de internacionalizar o caso, numa tentativa de ampliar o debate para além do Judiciário brasileiro. A aposta é que cortes internacionais possam questionar os procedimentos adotados pelo Supremo e abrir espaço para contestar a condenação.

•        Bolsonaro pode ficar até sete anos em regime fechado se receber pena máxima

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pode ser condenado a até sete anos de prisão em regime fechado caso o Supremo Tribunal Federal (STF) decida aplicar a pena máxima prevista nas acusações da Procuradoria-Geral da República (PGR).

O julgamento começa na próxima terça-feira (2), quando Bolsonaro responderá por crimes graves como organização criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. Ele também é acusado de dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Segundo a PGR, o caso envolve diretamente a tentativa de golpe após a derrota para o presidente Lula (PT) nas eleições de 2022.

<><> Pena pode variar entre 12 e 43 anos

De acordo com a acusação, a pena mínima para os crimes imputados a Bolsonaro é de 12 anos, mas pode chegar a 43 anos no limite máximo. Especialistas ouvidos pela reportagem explicam que, caso a condenação ultrapasse oito anos, o ex-presidente terá que começar a cumprir a pena em regime fechado.

“O fato é que é impossível retirar a alta carga de subjetividade do julgador no momento de ‘escolher’ a pena utilizada”, afirmou Leonardo Massud, professor e mestre em Direito Penal da PUC-SP. Ele acrescentou que, em casos colegiados como o do STF, os ministros podem buscar maior uniformidade, reduzindo discrepâncias entre penas aplicadas a Bolsonaro e a outros réus.

<><> Agravantes pela liderança e pelo uso da máquina pública

A PGR destaca que a acusação de chefiar uma organização criminosa armada agrava ainda mais a situação de Bolsonaro. A pena-base para esse crime é de 3 a 8 anos, podendo ser aumentada pela metade caso haja uso de armas, além de uma majoração adicional pelo fato de ser considerado líder.

Há ainda outro agravante: a participação de funcionários públicos que, segundo a acusação, teriam utilizado seus cargos em benefício da organização criminosa. Nesses casos, a lei prevê aumento de pena de um sexto a dois terços.

Para a advogada constitucionalista Vera Chemim, o simples fato de estruturar e organizar um grupo criminoso já configura o delito:

 “O simples fato de promover ou integrar uma organização criminosa já se configura como crime, independentemente da prática de outras infrações penais. Em outras palavras: a estrutura e divisão de tarefas já caracteriza o crime, mesmo que nenhum resultado tenha sido atingido.”

<><> Regime fechado pode durar até sete anos

A avaliação dos juristas aponta que, caso Bolsonaro receba a pena máxima, ele deverá permanecer pelo menos sete anos em regime fechado antes de qualquer progressão. Isso porque, em crimes cometidos com violência ou grave ameaça, a lei estabelece percentuais mais altos de cumprimento da pena antes da mudança de regime.

 “A progressão para o regime semiaberto pode variar entre 16% e 25% da pena. Em outras palavras, se condenado à pena máxima, a progressão não deverá vir antes de sete anos de prisão”, explicou Massud.

<><> Onde Bolsonaro pode cumprir pena

Por ser ex-presidente, Bolsonaro tem direito a cela especial, em uma “sala de Estado-Maior”. As opções seriam o Centro Penitenciário da Papuda, em Brasília, ou a Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal. Considerando sua idade e problemas de saúde, também não está descartada a possibilidade de prisão domiciliar.

<><> Outros réus do processo

Além de Bolsonaro, também são réus na ação:

•        Alexandre Ramagem (ex-diretor da Abin)

•        Almir Garnier (ex-comandante da Marinha)

•        Anderson Torres (ex-ministro da Justiça)

•        Augusto Heleno (ex-ministro do GSI)

•        Mauro Cid (ex-ajudante de ordens e delator)

•        Paulo Sérgio Nogueira (ex-ministro da Defesa)

•        Walter Braga Netto (ex-ministro da Casa Civil)

Todos respondem por participação na trama golpista e podem enfrentar penas igualmente severas.

<><> Defesa pede absolvição

A defesa de Bolsonaro tem insistido em sua inocência e pediu a absolvição. Em suas alegações finais, os advogados sustentaram que, se houver condenação, a pena não deveria ultrapassar 14 anos.

O julgamento da Primeira Turma do STF será acompanhado de perto por todo o país, uma vez que poderá definir os rumos do maior processo relacionado à tentativa de golpe de Estado em 2022.

•        Eleição 2026: ‘Escolha de Tarcísio será por descarte da direita’, avalia cientista político

O cientista político e professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), Paulo Niccoli Ramirez, avalia que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), não deve conseguir ampla popularidade nacional na corrida presidencial do próximo ano. Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, ele afirma que a eventual escolha do seu nome pela direita seria menos fruto de consenso e mais por falta de alternativas.

“Politicamente, ele pode até ter uma força, porque não tem outro nome que tenha a mesma robustez que ele em termos de conseguir alguma coisa e, pelo menos, chegar no segundo turno no ano que vem. Mas eu diria que a escolha de Tarcísio não vai ser uma escolha racional e consciente, mas muito mais uma escolha por descarte da direita. Ou seja, é quem sobrou e quem tem maior possibilidade de passar uma vergonha menor. Eu diria que essa vai ser a decisão do espectro da direita”, analisa.

Ramirez lembra que, desde a redemocratização, apenas um governador foi eleito presidente: Fernando Collor, que sofreu processo de impeachment em 1992, acusado de corrupção. “Todos os demais governadores que ousaram surfar de uma certa popularidade em seus governos tiveram grandes fracassos quando candidatos à presidência”, aponta. Entre eles estão João Doria e José Serra, ambos do PSDB, e Geraldo Alckmin, hoje no PSB, todos ex-governadores de São Paulo; e Aécio Neves (PSDB), ex-governador de Minas Gerais.

Para o professor, ocupar cargos no Executivo estadual ou municipal costuma manchar a imagem política nacionalmente. “O que eu estou querendo dizer com isso é que é muito difícil Tarcísio conseguir ter uma ampla popularidade nacional. É conhecido aqui em São Paulo, mas os bolsonaristas não estão sob consenso em relação ao seu nome”, observa. “Tarcísio é o favorito, mas isso vai para os políticos de direita. Isso não significa que seja o favorito sequer para os eleitores de direita. São situações absolutamente diferentes”, resume.

Relação com Bolsonaro

O cientista político também destaca a dificuldade do governador em se descolar da imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso em regime domiciliar, réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado. “Há uma relação muito próxima de Tarcísio com Bolsonaro que pode ser muito prejudicial ao restante da carreira política de Tarcísio”, analisa.

Segundo Ramirez, o bolsonarismo perde força entre o eleitorado moderado e a associação de Tarcísio ao ex-presidente pode ser decisiva. “Bolsonaro é um queima-filme, em outras palavras. Então isso [o esquecimento] deve acontecer com esses políticos. E Tarcísio, ao escolher esse caminho, perde muito”, avalia.

Para ele, a estratégia de se apoiar no ex-presidente repete erros já vistos. “Eu tenho certeza que, aproximando-se das eleições, nós vamos ver todos esses políticos de direita, que hoje querem estar abraçados com Bolsonaro, se defendendo, dizendo: ‘Olha, não era bem assim. Era uma aproximação estratégica, eu fui enganado’. O próprio Doria fez isso uns anos atrás, com aquele lema ‘Bolsodoria’. E vejam qual o destino de Doria, mal ouvimos falar dele”, pontua.

 

Fonte: Fórum/Brasil de Fato/Brasil 247

 

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