Pastor
Zé Barbosa Jr: A verdade nos libertará... da extrema direita
As
revelações que têm vindo à tona sobre figuras centrais da extrema direita
brasileira — Jair Bolsonaro, Silas Malafaia, Nikolas Ferreira e Sóstenes
Cavalcante — não são apenas fatos políticos ou escândalos midiáticos: são
sinais de um tempo em que a própria Escritura se cumpre. A Bíblia nos adverte
que “não há nada oculto que não venha a ser revelado, e nada escondido que não
venha a ser conhecido” (Lucas 12.2-3). O discurso moralista, as poses
religiosas, as acusações contra inimigos inventados e a postura de supostos
defensores da família e da pátria vêm sendo desmascarados diante dos olhos do
povo brasileiro. A verdade, ainda que tardiamente, tem mostrado a fragilidade e
a hipocrisia de um projeto político travestido de evangelho.
O
ex-presidente Bolsonaro, outrora aclamado como “mito” por multidões, hoje se vê
às voltas com investigações que apontam seu envolvimento em esquemas de
corrupção, manipulação de informações e tentativas de golpe contra a ordem
democrática. Sua aliança com líderes religiosos como Malafaia e Sóstenes
Cavalcante demonstra como a fé foi instrumentalizada para legitimar um projeto
de poder que em nada se aproxima do evangelho. Ao contrário, quando lemos a
exortação de Paulo em Efésios 5.11-13 — “Não participem das obras infrutíferas
das trevas; antes, exponham-nas à luz” —, percebemos o quanto é urgente que os
cristãos se distanciem de lideranças que vivem das sombras, sustentadas por
fake news, manipulação da fé e acordos espúrios nos bastidores do poder.
Nikolas
Ferreira, com sua retórica agressiva e apelativa, tornou-se símbolo de uma
geração de políticos que despreza a verdade em nome da lacração digital. Ao
compararmos sua postura com a advertência de Paulo em Gálatas 6.7-8 — “Não se
deixem enganar: de Deus não se zomba. Pois o que o homem semear, isso também
colherá.” —, torna-se evidente que há um preço espiritual e histórico a pagar
pela instrumentalização da fé. Seu vídeo inescrupuloso contra o maior controle
das operações via pix agora o execra à vergonha, provando que suas mentiras só
ajudam àqueles que querem viver de esquemas de corrupção, inclusive o PCC, que
ele tantas vezes, de forma mentirosa, quis associar ao PT.
O
empresário da fé Silas Malafaia, que se apresenta como “profeta destemido”, é,
na prática, um ator político que veste a fé como fantasia para manter
relevância e poder. Seus ataques raivosos e sua obsessão por inimigos
imaginários demonstram mais afinidade com a lógica da guerra cultural do que
com a mensagem da cruz, além de sua derrocada e falência (inclusive financeira)
como pastor. Mas a Bíblia nos chama a outra postura: “Permanecei firmes, tendo
cingidos os vossos lombos com a verdade” (Efésios 6.14). Quem anda na verdade
não precisa se esconder em cortinas de fumaça, nem gritar para mascarar a
ausência de amor. A firmeza não está na agressividade, mas na integridade.
O
apóstolo Paulo também nos lembra em Romanos 13.11-14 que é tempo de despertar
do sono, de deixar as obras das trevas e revestir-nos da armadura da luz. O
Brasil, após anos de manipulação por parte da extrema direita, precisa acordar
para o perigo de se confundir fé com idolatria política. O sono coletivo que
sustentou o “messias” de fachada precisa dar lugar ao despertar para a justiça,
para o cuidado com os pobres, para a defesa da democracia e para o respeito à
dignidade humana.
É
inevitável reconhecer que, neste processo, a própria palavra de Jesus, antes
usurpada e aviltada pelo bolsonarismo, se volta contra eles mesmos (a extrema
direita) e ressoa com força: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos
libertará” (João 8.32). A verdade não liberta apenas individualmente, mas
também coletivamente. A verdade histórica que expõe golpes, crimes,
manipulações e farsas políticas tem poder de libertar a nação de um jugo
opressor. Libertar da extrema direita, neste caso, não é apenas uma escolha
ideológica, mas um imperativo ético e espiritual.
O
evangelho não pode ser reduzido a palanque político nem ser usado como escudo
para encobrir pecados públicos. Ele é, antes de tudo, um chamado à luz. E a luz
revela. A luz desmascara. A luz expõe o que está escondido. Quando a Escritura
nos ordena a não compactuar com as obras infrutíferas das trevas, mas antes
denunciá-las, ela nos dá uma tarefa concreta: não silenciar diante da mentira,
não se calar diante da hipocrisia.
A
extrema direita brasileira se apoiou na Bíblia para conquistar poder, mas agora
é a própria Bíblia que a desmascara. O tempo das trevas está passando, e o dia
se aproxima. A colheita daquilo que foi plantado com engano já começou a
aparecer. Cabe ao povo, especialmente aos cristãos, escolher se continuará
sendo cúmplice de um projeto que trai o evangelho ou se despertará para a
liberdade que só a verdade pode trazer.
Porque,
no fim, é a verdade — não o mito, não o pastor raivoso, não o deputado
debochado — que nos libertará.
Quem
tem ouvidos, ouça!
• Defesa de Bolsonaro projeta derrota no
STF e já prepara recursos em cortes internacionais
O
julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) entra em fase
decisiva e a defesa não demonstra otimismo quanto ao resultado. De acordo com a
coluna do jornalista Bernardo Mello Franco, de O Globo, advogados do ex-chefe
do Executivo e dos demais acusados por tentativa de golpe não veem margem para
absolvição e já articulam recursos em cortes internacionais, caso a condenação
seja confirmada.
A
avaliação interna é que o processo não sofrerá grandes alterações, nem mesmo
diante da possibilidade de um pedido de vista do ministro Luiz Fux — uma
hipótese considerada remota pelos defensores. Um dos advogados envolvidos no
caso afirmou que os últimos recursos internos devem ser julgados em até dois
meses, o que colocaria Bolsonaro e os outros sete réus diante de uma condenação
definitiva até novembro deste ano.
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Estratégia internacional já delineada
Ainda
de acordo com a reportagem, com a expectativa de derrota no STF, a defesa
estuda apresentar recursos em instâncias externas, como a Corte Internacional
de Justiça, em Haia. A principal linha de argumentação será a denúncia de
cerceamento de defesa e a falta de duplo grau de jurisdição. Como o processo
teve início diretamente na Suprema Corte brasileira, os acusados não teriam a
quem recorrer em âmbito nacional, o que, segundo os advogados, configuraria uma
falha estrutural no sistema de garantias jurídicas.
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O caso e os réus no processo
Bolsonaro
e outros sete acusados respondem no STF por participação em uma trama que,
segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), visava um golpe de Estado para
impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após a sua vitória nas eleições de 2022.
Entre os réus, estão ex-integrantes do governo Bolsonaro, militares e aliados
políticos que, de acordo com as investigações, atuaram na articulação de
medidas para contestar o resultado eleitoral e manter Bolsonaro no poder à
revelia da Constituição.
A
denúncia também aponta que houve tentativa de uso das Forças Armadas como
instrumento para anular o pleito. Provas coletadas pela Polícia Federal,
delações premiadas e depoimentos de militares reforçam a acusação de que se
discutiu, inclusive, a elaboração de um decreto para convocar novas eleições,
medida considerada inconstitucional.
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Pessimismo entre os advogados
O clima
entre as equipes de defesa é de resignação. Nos bastidores, advogados admitem
que não há expectativa real de absolvição para nenhum dos réus. A avaliação é
de que, mesmo em cenários alternativos, como um pedido de vista para adiar a
decisão, a tendência é que a Primeira Turma do STF mantenha uma posição firme
diante das acusações.
Esse
contexto reforça a estratégia de internacionalizar o caso, numa tentativa de
ampliar o debate para além do Judiciário brasileiro. A aposta é que cortes
internacionais possam questionar os procedimentos adotados pelo Supremo e abrir
espaço para contestar a condenação.
• Bolsonaro pode ficar até sete anos em
regime fechado se receber pena máxima
O
ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pode ser condenado a até sete anos de prisão
em regime fechado caso o Supremo Tribunal Federal (STF) decida aplicar a pena
máxima prevista nas acusações da Procuradoria-Geral da República (PGR).
O
julgamento começa na próxima terça-feira (2), quando Bolsonaro responderá por
crimes graves como organização criminosa armada, abolição violenta do Estado
Democrático de Direito e golpe de Estado. Ele também é acusado de dano
qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Segundo a PGR, o caso envolve
diretamente a tentativa de golpe após a derrota para o presidente Lula (PT) nas
eleições de 2022.
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Pena pode variar entre 12 e 43 anos
De
acordo com a acusação, a pena mínima para os crimes imputados a Bolsonaro é de
12 anos, mas pode chegar a 43 anos no limite máximo. Especialistas ouvidos pela
reportagem explicam que, caso a condenação ultrapasse oito anos, o
ex-presidente terá que começar a cumprir a pena em regime fechado.
“O fato
é que é impossível retirar a alta carga de subjetividade do julgador no momento
de ‘escolher’ a pena utilizada”, afirmou Leonardo Massud, professor e mestre em
Direito Penal da PUC-SP. Ele acrescentou que, em casos colegiados como o do
STF, os ministros podem buscar maior uniformidade, reduzindo discrepâncias
entre penas aplicadas a Bolsonaro e a outros réus.
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Agravantes pela liderança e pelo uso da máquina pública
A PGR
destaca que a acusação de chefiar uma organização criminosa armada agrava ainda
mais a situação de Bolsonaro. A pena-base para esse crime é de 3 a 8 anos,
podendo ser aumentada pela metade caso haja uso de armas, além de uma majoração
adicional pelo fato de ser considerado líder.
Há
ainda outro agravante: a participação de funcionários públicos que, segundo a
acusação, teriam utilizado seus cargos em benefício da organização criminosa.
Nesses casos, a lei prevê aumento de pena de um sexto a dois terços.
Para a
advogada constitucionalista Vera Chemim, o simples fato de estruturar e
organizar um grupo criminoso já configura o delito:
“O simples fato de promover ou integrar uma
organização criminosa já se configura como crime, independentemente da prática
de outras infrações penais. Em outras palavras: a estrutura e divisão de
tarefas já caracteriza o crime, mesmo que nenhum resultado tenha sido
atingido.”
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Regime fechado pode durar até sete anos
A
avaliação dos juristas aponta que, caso Bolsonaro receba a pena máxima, ele
deverá permanecer pelo menos sete anos em regime fechado antes de qualquer
progressão. Isso porque, em crimes cometidos com violência ou grave ameaça, a
lei estabelece percentuais mais altos de cumprimento da pena antes da mudança
de regime.
“A progressão para o regime semiaberto pode
variar entre 16% e 25% da pena. Em outras palavras, se condenado à pena máxima,
a progressão não deverá vir antes de sete anos de prisão”, explicou Massud.
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Onde Bolsonaro pode cumprir pena
Por ser
ex-presidente, Bolsonaro tem direito a cela especial, em uma “sala de
Estado-Maior”. As opções seriam o Centro Penitenciário da Papuda, em Brasília,
ou a Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal. Considerando sua
idade e problemas de saúde, também não está descartada a possibilidade de
prisão domiciliar.
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Outros réus do processo
Além de
Bolsonaro, também são réus na ação:
• Alexandre Ramagem (ex-diretor da Abin)
• Almir Garnier (ex-comandante da
Marinha)
• Anderson Torres (ex-ministro da
Justiça)
• Augusto Heleno (ex-ministro do GSI)
• Mauro Cid (ex-ajudante de ordens e
delator)
• Paulo Sérgio Nogueira (ex-ministro da
Defesa)
• Walter Braga Netto (ex-ministro da Casa
Civil)
Todos
respondem por participação na trama golpista e podem enfrentar penas igualmente
severas.
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Defesa pede absolvição
A
defesa de Bolsonaro tem insistido em sua inocência e pediu a absolvição. Em
suas alegações finais, os advogados sustentaram que, se houver condenação, a
pena não deveria ultrapassar 14 anos.
O
julgamento da Primeira Turma do STF será acompanhado de perto por todo o país,
uma vez que poderá definir os rumos do maior processo relacionado à tentativa
de golpe de Estado em 2022.
• Eleição 2026: ‘Escolha de Tarcísio será
por descarte da direita’, avalia cientista político
O
cientista político e professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de
São Paulo (FESPSP), Paulo Niccoli Ramirez, avalia que o governador de São
Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), não deve conseguir ampla
popularidade nacional na corrida presidencial do próximo ano. Em entrevista ao
Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, ele afirma que a eventual escolha do seu
nome pela direita seria menos fruto de consenso e mais por falta de
alternativas.
“Politicamente,
ele pode até ter uma força, porque não tem outro nome que tenha a mesma
robustez que ele em termos de conseguir alguma coisa e, pelo menos, chegar no
segundo turno no ano que vem. Mas eu diria que a escolha de Tarcísio não vai
ser uma escolha racional e consciente, mas muito mais uma escolha por descarte
da direita. Ou seja, é quem sobrou e quem tem maior possibilidade de passar uma
vergonha menor. Eu diria que essa vai ser a decisão do espectro da direita”,
analisa.
Ramirez
lembra que, desde a redemocratização, apenas um governador foi eleito
presidente: Fernando Collor, que sofreu processo de impeachment em 1992,
acusado de corrupção. “Todos os demais governadores que ousaram surfar de uma
certa popularidade em seus governos tiveram grandes fracassos quando candidatos
à presidência”, aponta. Entre eles estão João Doria e José Serra, ambos do
PSDB, e Geraldo Alckmin, hoje no PSB, todos ex-governadores de São Paulo; e
Aécio Neves (PSDB), ex-governador de Minas Gerais.
Para o
professor, ocupar cargos no Executivo estadual ou municipal costuma manchar a
imagem política nacionalmente. “O que eu estou querendo dizer com isso é que é
muito difícil Tarcísio conseguir ter uma ampla popularidade nacional. É
conhecido aqui em São Paulo, mas os bolsonaristas não estão sob consenso em
relação ao seu nome”, observa. “Tarcísio é o favorito, mas isso vai para os
políticos de direita. Isso não significa que seja o favorito sequer para os
eleitores de direita. São situações absolutamente diferentes”, resume.
Relação
com Bolsonaro
O
cientista político também destaca a dificuldade do governador em se descolar da
imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso em regime domiciliar, réu no
Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado. “Há uma
relação muito próxima de Tarcísio com Bolsonaro que pode ser muito prejudicial
ao restante da carreira política de Tarcísio”, analisa.
Segundo
Ramirez, o bolsonarismo perde força entre o eleitorado moderado e a associação
de Tarcísio ao ex-presidente pode ser decisiva. “Bolsonaro é um queima-filme,
em outras palavras. Então isso [o esquecimento] deve acontecer com esses
políticos. E Tarcísio, ao escolher esse caminho, perde muito”, avalia.
Para
ele, a estratégia de se apoiar no ex-presidente repete erros já vistos. “Eu
tenho certeza que, aproximando-se das eleições, nós vamos ver todos esses
políticos de direita, que hoje querem estar abraçados com Bolsonaro, se
defendendo, dizendo: ‘Olha, não era bem assim. Era uma aproximação estratégica,
eu fui enganado’. O próprio Doria fez isso uns anos atrás, com aquele lema
‘Bolsodoria’. E vejam qual o destino de Doria, mal ouvimos falar dele”, pontua.
Fonte:
Fórum/Brasil de Fato/Brasil 247

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