sábado, 30 de agosto de 2025

Tarcísio sabia do esquema do PCC com combustíveis e usinas há mais de um ano e nada fez

O governador de São Paulo Tarcísio de Freitas parece aqueles padrinhos que só aparecem no dia do batizado e depois em aniversários, mas somem no resto do tempo.

A casa caindo em São Paulo, auditor preso com propina de R$ 1 bilhão (é bilhão com "b" mesmo, você não leu errado), feminicídio explodindo no estado, a violência policial aumentou 61%, e Tarcísio desaparecido.

Agora, uma operação federal desbaratou uma quadrilha, que tem como alvo principal o PCC (que, nunca é demais lembrar, nasceu e se expande a partir de São Paulo), sonegação de impostos, mais de 1000 postos de gasolina, a Faria Lima e usinas de álcool de São Paulo, para o governador surgir e dizer que tudo aconteceu graças a ele... Só que não.

Há mais de um ano o governador sabia do esquema, inclusive dos cabeças, e nada fez. A denúncia é de Alberto Luchetti em seu blog, em 29 de maio de 2024:

O Governador Tarcísio de Freitas está acusando o PCC de possuir 1.100 postos de gasolina no Estado de São Paulo. Segundo o governador, o crime organizado está investindo também em usinas de álcool e usando de força para ameaçar e chantagear produtores e a produção de combustíveis. Para conter o avanço dos criminosos, prometeu uma grande operação policial. Não sabemos se o governador está agindo desta forma por convicção ou para justificar um investimento maior ainda na Secretaria de Segurança Pública.

Sempre que o PCC é citado no comércio de gasolina, as empresas de Roberto Augusto da Silva – mais conhecido como Beto Louco – e de seu sócio “Mohamed”, aparecem como representantes dessa facção criminosa.

Duas duas, uma: ou não fez nada ou sabia que estava havendo uma investigação e falou demais, o que poderia servir de alerta para a quadrilha tomar providências já que havia sido descoberta. Fica mal em qualquer das duas.

Tarcísio age como a fêmea do cuco, que põe seus ovos nos ninhos de outras aves, que chocam e alimentam o filhote estranho, até que ele alce voo sozinho. Nessa hora surge Tarcísio e diz que foi ele que fez.

•        Megaoperação expõe ineficiência do governo Tarcísio no combate à sonegação de combustíveis

Uma das maiores operações já realizadas contra fraudes fiscais no setor de combustíveis escancarou o que especialistas e críticos já vinham denunciando: a fragilidade do governo paulista no combate à sonegação. A operação “Carbono Oculto”, deflagrada nesta quinta-feira (28), reuniu o Ministério Público de São Paulo, o Ministério Público Federal e forças de segurança em sete estados para desarticular um esquema criminoso chefiado pela facção Primeiro Comando da Capital (PCC). O grupo operava um cartel bilionário envolvendo empresas de fachada, postos de combustíveis, distribuidoras, transportadoras e até fintechs.

Somente no Estado de São Paulo, o prejuízo estimado aos cofres públicos ultrapassa os R$ 7,6 bilhões. O grupo atuava com importação ilegal de metanol, adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro, utilizando fundos de investimento e corretoras sediadas na Avenida Faria Lima, epicentro do mercado financeiro brasileiro.

Apesar da complexidade do esquema, os indícios de sua existência e crescimento não eram desconhecidos. Desde o início de 2023, especialistas e veículos de imprensa, como o Blog do Luchetti, vêm denunciando a paralisia da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz-SP) no enfrentamento à sonegação no setor. A gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), junto ao secretário da Fazenda Samuel Kinoshita e ao subsecretário Marcelo Bergamasco, é acusada de omissão diante de repetidos alertas.

As críticas se intensificaram após a revelação de que, durante todo o período entre janeiro de 2023 e dezembro de 2024, as viaturas de fiscalização da Sefaz-SP praticamente não saíram às ruas para combater irregularidades. A informação, divulgada pelo Blog do Luchetti com base em relatos de servidores da própria secretaria, motivou um pedido oficial à Ouvidoria da pasta, com base na Lei de Acesso à Informação, para que seja apresentado um relatório detalhado das ações de fiscalização realizadas nesse período.

Segundo os investigadores, o cartel possuía uma estrutura altamente profissionalizada, com operações que imitavam empresas legítimas e com ramificações em diversas unidades da federação. A infiltração de criminosos no setor financeiro agrava ainda mais a situação, demonstrando que a sonegação não se trata apenas de uma questão econômica, mas de segurança pública, já que financia diretamente o crime organizado.

Para analistas, o caso marca um dos momentos mais críticos da política fiscal paulista em décadas. “A gestão estadual falhou em seu dever fundamental de proteger os recursos públicos. O que estamos vendo é resultado direto da ausência de ação coordenada e de vontade política”, afirma o jornalista Alberto Luchetti, autor das denúncias.

Enquanto autoridades federais tentam agora recuperar parte do prejuízo com pedidos de bloqueio de bens dos envolvidos, especialistas avaliam que o dano é irreversível. O Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos do Estado (CIRA-SP) corre contra o tempo, mas enfrenta dificuldades para reverter a perda bilionária.

A Secretaria da Fazenda e o governo do Estado de São Paulo ainda não se pronunciaram oficialmente sobre a operação e as críticas de omissão.

•        Postos de gasolina estão cavando a própria cova, diz Henrique Alvarez

Caso você use carros por aplicativo, já deve ter andado em um carro elétrico, provavelmente da BYD. Se conversou com o motorista sobre o veículo, deve ter notado o entusiasmo dele com a novidade e com a economia que está fazendo. Relatos como esse estão se tornando comuns nas redes sociais. À primeira vista, podem parecer apenas evidências anedóticas, mas os dados confirmam essa tendência.

A chinesa BYD, que recentemente inaugurou sua fábrica em Camaçari (BA), tornou-se a quarta marca mais vendida no varejo brasileiro de automóveis. Em maio, superou marcas já consagradas em nosso mercado, como Renault, Toyota e Honda, ficando atrás apenas de Fiat, Volkswagen e GM. Já detém 9,7% de participação no mercado e deve ultrapassar, em breve, a GM, que tem 10,5%. Todos os carros vendidos pela empresa são elétricos ou híbridos.

E isso é apenas de uma marca. Outras empresas, como GWM, Renault, JAC, entre outras, também estão vendendo seus modelos elétricos e híbridos no Brasil. Segundo estudo da consultoria Strategy&, da PwC Brasil, até 2030 deve haver redução de 12% na demanda por gasolina e de 10% por diesel em comparação com a demanda atual. Para 2040, a queda pode chegar a 59% e 66%, respectivamente. Vale lembrar que o estudo foi divulgado em 2023 e a expansão das vendas de carros elétricos e híbridos vem superando as expectativas ano após ano, sobretudo com a chegada de modelos de custo mais acessível.

Mas essa expansão ocorreria se o preço da gasolina estivesse mais baixo? Comprar um veículo de tecnologia nova sempre representa risco: perda de valor, falhas descobertas ao longo do tempo ou a chegada de tecnologias mais modernas que os tornem obsoletos rapidamente. Ainda assim, o custo menor para rodar com eletricidade tem sido suficiente para convencer os compradores a assumirem esse risco.

Esse cenário pode ser ruim para a Petrobras e outras empresas da cadeia do petróleo no país, mas elas ainda possuem vantagens para garantir sua sobrevivência. Primeiro, a indústria do petróleo não depende apenas da produção de gasolina e diesel, embora esses combustíveis sejam fundamentais. Além disso, em países com matriz energética pouco sustentável, o aumento do consumo de eletricidade para veículos pode até elevar o consumo de petróleo para geração de energia. Por fim, essas empresas possuem capital suficiente para diversificar seus negócios durante a transição.

O mesmo não se pode dizer dos postos de gasolina, que vêm sendo lentamente substituídos por centros comerciais ou mesmo pela recarga residencial, à medida que cresce a frota de elétricos. O longo tempo de recarga faz com que esse serviço não seja tão lucrativo para os postos, mesmo que instalem totens de abastecimento.

Apesar disso, os postos brasileiros não parecem preocupados com a concorrência. Eles mesmos, ao não repassarem a redução dos preços dos combustíveis nas refinarias para o consumidor, ampliando sua margem de lucro, estimulam o mercado de carros elétricos e híbridos e aceleram a transição.

Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), entre 2021 e 2025, os postos aumentaram sua margem de lucro em 97% sobre a gasolina e em 89% sobre o diesel, enquanto a inflação acumulada no período foi de 31%. Em junho deste ano, após a redução de 5,6% no preço da gasolina nas refinarias, o preço médio ao consumidor caiu apenas 0,78%.

Se a grande vantagem dos carros elétricos é a economia com combustível, os postos de gasolina têm dado sua contribuição para acelerar essa transição tecnológica. O Brasil possui uma tradição de priorizar carros compactos e populares, fator que ajuda a explicar o sucesso da BYD no país, mas atribuir apenas a isso o crescimento acelerado das vendas de elétricos não basta. O alto custo do combustível no Brasil, em comparação a outros países, certamente tem sido determinante.

Os postos não são os únicos responsáveis pelo preço elevado da gasolina, mas certamente serão os mais afetados. No entanto, parecem não demonstrar grande preocupação com esse problema iminente. Talvez acreditem que o governo irá socorrê-los quando começarem a quebrar.

•        “Maior resposta do Estado brasileiro ao crime organizado”, afirma Lula

O Brasil assistiu à maior resposta do Estado brasileiro ao crime organizado, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre as três operações deflagradas nesta quinta-feira (28/08) envolvendo os setores financeiro e de combustíveis em 10 estados.

“Nosso compromisso é proteger cidadãos e consumidores: cortar o fluxo de dinheiro ilícito, recuperar recursos para os cofres públicos e garantir um mercado de combustíveis justo e transparente, com qualidade e concorrência leal”, registrou Lula nas redes sociais.

Lula afirmou que a ação coordenada da Polícia Federal, Receita Federal e Ministérios Públicos estaduais permitiu acompanhar toda a cadeia e atingir o núcleo financeiro que sustenta as práticas ilícitas.

“Seguiremos atuando com coordenação e seriedade para dar segurança às pessoas e estabilidade à economia”, finalizou o presidente.

<><> Operações policiais

No final da manhã desta quinta-feira, uma entrevista coletiva detalhou as operações com a participação do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski; do ministro da Fazenda, Fernando Haddad; do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues; e da subsecretária de Fiscalização da Receita Federal, Andrea Costa Chaves.

“Nós estamos atuando hoje em 10 estados brasileiros. Então, é uma mega-operação que envolveu a fiscalização de fundos por onde passaram R$ 52 bilhões em quatro anos”, disse Haddad.

O ministro da Fazenda afirmou que o Estado brasileiro inaugurou uma nova forma de combate ao crime organizado ao integrar órgãos do Governo Federal, ministérios públicos e órgãos estaduais.

Segundo Haddad, esse enquadramento faz com que as fintechs tenham que cumprir rigorosamente as mesmas obrigações que os grandes bancos, o que aumenta o potencial de fiscalização.

Em linhas gerais, as operações Quasar, a Tank e a Carbono Oculto têm o objetivo de desarticular organizações criminosas envolvidas em esquemas bilionários de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e fraudes no setor de combustíveis.

De acordo com o ministro, um expediente muito utilizado pelos criminosos é o de abrir e fechar a CNPJ. “E há indícios claros de alguns poucos grupos econômicos que se valem desse tipo de manobra para escapar das malhas da Receita Federal”, diz Haddad.

As operações desta quinta-feira lançaram autos de infração que já somam R$ 8 bilhões. Esse volume, avalia Haddad, será muito maior quando as investigações forem concluídas.

 

Fonte: Fórum/Jornal GGN

 

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