Tarcísio
sabia do esquema do PCC com combustíveis e usinas há mais de um ano e nada fez
O
governador de São Paulo Tarcísio de Freitas parece aqueles padrinhos que só
aparecem no dia do batizado e depois em aniversários, mas somem no resto do
tempo.
A casa
caindo em São Paulo, auditor preso com propina de R$ 1 bilhão (é bilhão com
"b" mesmo, você não leu errado), feminicídio explodindo no estado, a
violência policial aumentou 61%, e Tarcísio desaparecido.
Agora,
uma operação federal desbaratou uma quadrilha, que tem como alvo principal o
PCC (que, nunca é demais lembrar, nasceu e se expande a partir de São Paulo),
sonegação de impostos, mais de 1000 postos de gasolina, a Faria Lima e usinas
de álcool de São Paulo, para o governador surgir e dizer que tudo aconteceu
graças a ele... Só que não.
Há mais
de um ano o governador sabia do esquema, inclusive dos cabeças, e nada fez. A
denúncia é de Alberto Luchetti em seu blog, em 29 de maio de 2024:
O
Governador Tarcísio de Freitas está acusando o PCC de possuir 1.100 postos de
gasolina no Estado de São Paulo. Segundo o governador, o crime organizado está
investindo também em usinas de álcool e usando de força para ameaçar e
chantagear produtores e a produção de combustíveis. Para conter o avanço dos
criminosos, prometeu uma grande operação policial. Não sabemos se o governador
está agindo desta forma por convicção ou para justificar um investimento maior
ainda na Secretaria de Segurança Pública.
Sempre
que o PCC é citado no comércio de gasolina, as empresas de Roberto Augusto da
Silva – mais conhecido como Beto Louco – e de seu sócio “Mohamed”, aparecem
como representantes dessa facção criminosa.
Duas
duas, uma: ou não fez nada ou sabia que estava havendo uma investigação e falou
demais, o que poderia servir de alerta para a quadrilha tomar providências já
que havia sido descoberta. Fica mal em qualquer das duas.
Tarcísio
age como a fêmea do cuco, que põe seus ovos nos ninhos de outras aves, que
chocam e alimentam o filhote estranho, até que ele alce voo sozinho. Nessa hora
surge Tarcísio e diz que foi ele que fez.
• Megaoperação expõe ineficiência do
governo Tarcísio no combate à sonegação de combustíveis
Uma das
maiores operações já realizadas contra fraudes fiscais no setor de combustíveis
escancarou o que especialistas e críticos já vinham denunciando: a fragilidade
do governo paulista no combate à sonegação. A operação “Carbono Oculto”,
deflagrada nesta quinta-feira (28), reuniu o Ministério Público de São Paulo, o
Ministério Público Federal e forças de segurança em sete estados para
desarticular um esquema criminoso chefiado pela facção Primeiro Comando da
Capital (PCC). O grupo operava um cartel bilionário envolvendo empresas de
fachada, postos de combustíveis, distribuidoras, transportadoras e até
fintechs.
Somente
no Estado de São Paulo, o prejuízo estimado aos cofres públicos ultrapassa os
R$ 7,6 bilhões. O grupo atuava com importação ilegal de metanol, adulteração de
combustíveis e lavagem de dinheiro, utilizando fundos de investimento e
corretoras sediadas na Avenida Faria Lima, epicentro do mercado financeiro
brasileiro.
Apesar
da complexidade do esquema, os indícios de sua existência e crescimento não
eram desconhecidos. Desde o início de 2023, especialistas e veículos de
imprensa, como o Blog do Luchetti, vêm denunciando a paralisia da Secretaria da
Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz-SP) no enfrentamento à sonegação no
setor. A gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), junto ao
secretário da Fazenda Samuel Kinoshita e ao subsecretário Marcelo Bergamasco, é
acusada de omissão diante de repetidos alertas.
As
críticas se intensificaram após a revelação de que, durante todo o período
entre janeiro de 2023 e dezembro de 2024, as viaturas de fiscalização da
Sefaz-SP praticamente não saíram às ruas para combater irregularidades. A
informação, divulgada pelo Blog do Luchetti com base em relatos de servidores
da própria secretaria, motivou um pedido oficial à Ouvidoria da pasta, com base
na Lei de Acesso à Informação, para que seja apresentado um relatório detalhado
das ações de fiscalização realizadas nesse período.
Segundo
os investigadores, o cartel possuía uma estrutura altamente profissionalizada,
com operações que imitavam empresas legítimas e com ramificações em diversas
unidades da federação. A infiltração de criminosos no setor financeiro agrava
ainda mais a situação, demonstrando que a sonegação não se trata apenas de uma
questão econômica, mas de segurança pública, já que financia diretamente o
crime organizado.
Para
analistas, o caso marca um dos momentos mais críticos da política fiscal
paulista em décadas. “A gestão estadual falhou em seu dever fundamental de
proteger os recursos públicos. O que estamos vendo é resultado direto da
ausência de ação coordenada e de vontade política”, afirma o jornalista Alberto
Luchetti, autor das denúncias.
Enquanto
autoridades federais tentam agora recuperar parte do prejuízo com pedidos de
bloqueio de bens dos envolvidos, especialistas avaliam que o dano é
irreversível. O Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos do Estado
(CIRA-SP) corre contra o tempo, mas enfrenta dificuldades para reverter a perda
bilionária.
A
Secretaria da Fazenda e o governo do Estado de São Paulo ainda não se
pronunciaram oficialmente sobre a operação e as críticas de omissão.
• Postos de gasolina estão cavando a
própria cova, diz Henrique Alvarez
Caso
você use carros por aplicativo, já deve ter andado em um carro elétrico,
provavelmente da BYD. Se conversou com o motorista sobre o veículo, deve ter
notado o entusiasmo dele com a novidade e com a economia que está fazendo.
Relatos como esse estão se tornando comuns nas redes sociais. À primeira vista,
podem parecer apenas evidências anedóticas, mas os dados confirmam essa
tendência.
A
chinesa BYD, que recentemente inaugurou sua fábrica em Camaçari (BA), tornou-se
a quarta marca mais vendida no varejo brasileiro de automóveis. Em maio,
superou marcas já consagradas em nosso mercado, como Renault, Toyota e Honda,
ficando atrás apenas de Fiat, Volkswagen e GM. Já detém 9,7% de participação no
mercado e deve ultrapassar, em breve, a GM, que tem 10,5%. Todos os carros
vendidos pela empresa são elétricos ou híbridos.
E isso
é apenas de uma marca. Outras empresas, como GWM, Renault, JAC, entre outras,
também estão vendendo seus modelos elétricos e híbridos no Brasil. Segundo
estudo da consultoria Strategy&, da PwC Brasil, até 2030 deve haver redução
de 12% na demanda por gasolina e de 10% por diesel em comparação com a demanda
atual. Para 2040, a queda pode chegar a 59% e 66%, respectivamente. Vale
lembrar que o estudo foi divulgado em 2023 e a expansão das vendas de carros
elétricos e híbridos vem superando as expectativas ano após ano, sobretudo com
a chegada de modelos de custo mais acessível.
Mas
essa expansão ocorreria se o preço da gasolina estivesse mais baixo? Comprar um
veículo de tecnologia nova sempre representa risco: perda de valor, falhas
descobertas ao longo do tempo ou a chegada de tecnologias mais modernas que os
tornem obsoletos rapidamente. Ainda assim, o custo menor para rodar com
eletricidade tem sido suficiente para convencer os compradores a assumirem esse
risco.
Esse
cenário pode ser ruim para a Petrobras e outras empresas da cadeia do petróleo
no país, mas elas ainda possuem vantagens para garantir sua sobrevivência.
Primeiro, a indústria do petróleo não depende apenas da produção de gasolina e
diesel, embora esses combustíveis sejam fundamentais. Além disso, em países com
matriz energética pouco sustentável, o aumento do consumo de eletricidade para
veículos pode até elevar o consumo de petróleo para geração de energia. Por
fim, essas empresas possuem capital suficiente para diversificar seus negócios
durante a transição.
O mesmo
não se pode dizer dos postos de gasolina, que vêm sendo lentamente substituídos
por centros comerciais ou mesmo pela recarga residencial, à medida que cresce a
frota de elétricos. O longo tempo de recarga faz com que esse serviço não seja
tão lucrativo para os postos, mesmo que instalem totens de abastecimento.
Apesar
disso, os postos brasileiros não parecem preocupados com a concorrência. Eles
mesmos, ao não repassarem a redução dos preços dos combustíveis nas refinarias
para o consumidor, ampliando sua margem de lucro, estimulam o mercado de carros
elétricos e híbridos e aceleram a transição.
Segundo
a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), entre 2021
e 2025, os postos aumentaram sua margem de lucro em 97% sobre a gasolina e em
89% sobre o diesel, enquanto a inflação acumulada no período foi de 31%. Em
junho deste ano, após a redução de 5,6% no preço da gasolina nas refinarias, o
preço médio ao consumidor caiu apenas 0,78%.
Se a
grande vantagem dos carros elétricos é a economia com combustível, os postos de
gasolina têm dado sua contribuição para acelerar essa transição tecnológica. O
Brasil possui uma tradição de priorizar carros compactos e populares, fator que
ajuda a explicar o sucesso da BYD no país, mas atribuir apenas a isso o
crescimento acelerado das vendas de elétricos não basta. O alto custo do
combustível no Brasil, em comparação a outros países, certamente tem sido
determinante.
Os
postos não são os únicos responsáveis pelo preço elevado da gasolina, mas
certamente serão os mais afetados. No entanto, parecem não demonstrar grande
preocupação com esse problema iminente. Talvez acreditem que o governo irá
socorrê-los quando começarem a quebrar.
• “Maior resposta do Estado brasileiro ao
crime organizado”, afirma Lula
O
Brasil assistiu à maior resposta do Estado brasileiro ao crime organizado,
disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre as três operações
deflagradas nesta quinta-feira (28/08) envolvendo os setores financeiro e de
combustíveis em 10 estados.
“Nosso
compromisso é proteger cidadãos e consumidores: cortar o fluxo de dinheiro
ilícito, recuperar recursos para os cofres públicos e garantir um mercado de
combustíveis justo e transparente, com qualidade e concorrência leal”,
registrou Lula nas redes sociais.
Lula
afirmou que a ação coordenada da Polícia Federal, Receita Federal e Ministérios
Públicos estaduais permitiu acompanhar toda a cadeia e atingir o núcleo
financeiro que sustenta as práticas ilícitas.
“Seguiremos
atuando com coordenação e seriedade para dar segurança às pessoas e
estabilidade à economia”, finalizou o presidente.
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Operações policiais
No
final da manhã desta quinta-feira, uma entrevista coletiva detalhou as
operações com a participação do ministro da Justiça e Segurança Pública,
Ricardo Lewandowski; do ministro da Fazenda, Fernando Haddad; do diretor-geral
da Polícia Federal, Andrei Rodrigues; e da subsecretária de Fiscalização da
Receita Federal, Andrea Costa Chaves.
“Nós
estamos atuando hoje em 10 estados brasileiros. Então, é uma mega-operação que
envolveu a fiscalização de fundos por onde passaram R$ 52 bilhões em quatro
anos”, disse Haddad.
O
ministro da Fazenda afirmou que o Estado brasileiro inaugurou uma nova forma de
combate ao crime organizado ao integrar órgãos do Governo Federal, ministérios
públicos e órgãos estaduais.
Segundo
Haddad, esse enquadramento faz com que as fintechs tenham que cumprir
rigorosamente as mesmas obrigações que os grandes bancos, o que aumenta o
potencial de fiscalização.
Em
linhas gerais, as operações Quasar, a Tank e a Carbono Oculto têm o objetivo de
desarticular organizações criminosas envolvidas em esquemas bilionários de
lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e fraudes no setor de combustíveis.
De
acordo com o ministro, um expediente muito utilizado pelos criminosos é o de
abrir e fechar a CNPJ. “E há indícios claros de alguns poucos grupos econômicos
que se valem desse tipo de manobra para escapar das malhas da Receita Federal”,
diz Haddad.
As
operações desta quinta-feira lançaram autos de infração que já somam R$ 8
bilhões. Esse volume, avalia Haddad, será muito maior quando as investigações
forem concluídas.
Fonte:
Fórum/Jornal GGN

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