quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Justiça manda PF apurar aporte de R$ 18 mi de Sheik dos Bitcoins em empresa com Malafaia

A Justiça Federal do Paraná determinou que a PF (Polícia Federal) abra um inquérito para investigar um aporte de ao menos R$ 18 milhões feito pelo Francisley Valdevino da Silva — o Sheik dos Bitcoins, acusado de movimentar bilhões em um esquema de pirâmide financeira — em uma sociedade com o pastor Silas Malafaia.

A decisão da 23ª Vara Federal de Curitiba, de outubro de 2024, condenou o Sheik dos Bitcoins a mais de 56 anos de prisão. Depoimentos de várias testemunhas ligadas a Francisley trataram da sociedade com Malafaia.

Na sentença, o juiz federal Nivaldo Brunoni ordenou que a PF investigue as supostas denúncias relacionando o envio de recursos de Francisley para a sociedade com o pastor Silas Malafaia.

“Oficie-se à Autoridade Policial, independentemente do trânsito em julgado, para que instaure os respectivos inquéritos policiais visando apurar as circunstâncias dos seguintes fatos noticiados nos autos do presente processo”, ordena o magistrado, antes de citar as informações sobre Malafaia.

<><> Aporte de R$ 18 milhões

Contadora das empresas de Francisley, Alessandra Morais Bach afirmou que o Sheik dos Bitcoins investiu R$ 18 milhões “em um malfadado negócio com o pastor Silas Mafalaia, no ramo de venda de artigos religiosos, via marketplace”. Segundo o portal Metrópoles, o pastor confirmou que o aporte foi ainda maior, de R$ 30 milhões.

O negócio em questão é a empresa Alvox, fundada em 2021. Na prática, era uma união entre o Sheik dos Bitcoins com a Editora Central Gospel, principal empresa de Malafaia. A editora enfrentava um processo de recuperação judicial na época e corria sério risco de ir à falência.

A Alvox vendia, por meio da modalidade de marketing multinível, livros e bíblias produzidas pela Editora Central Gospel, além de roupas, perfumes e outros produtos fornecidos por empresas também ligadas a Francisley.

<><> Uso da imagem de Malafaia

Em suas redes sociais, Malafaia chegou a anunciar produtos vendidos pela Alvox.

De acordo com Tassio Gil Maia Viana, ex-diretor da Intergalaxy, uma das principais empresas do Sheik dos Bitcoins, o empresário usava a imagem de Malafaia para trazer novas vítimas para sua pirâmide financeira –publicamente tratada por ele como um investimento baseado no aluguel de criptomoedas.

“FRANCISLEY e as franquias usavam a imagem de SILAS MALAFAIA para vender planos de aluguel de criptoativos Após Francisley ser alvo de uma operação da Polícia Federal, Malafaia foi a público se desvincular”, diz a sentença, em referência ao depoimento de Viana.

O documento não esclarece, entretanto, se o uso da imagem de Silas Malafaia tinha a anuência do pastor.

<><> Império Malafaia

A recuperação judicial da Editora Central Gospel foi detalhada com documentos exclusivos em Império Malafaia, primeira temporada de No Alvo, o podcast investigativo do ICL. A série analisou mais de 60 mil páginas de documentos para trazer detalhes inéditos sobre a vida financeira e as relações políticas do pastor.

Durante o processo de recuperação judicial, iniciado em 2019 e finalizado apenas em 2024, a Central Gospel declarou dívidas de mais de R$ 30 milhões na praça — entre passivos trabalhistas, com fornecedores, instituições financeiras e impostos.

O processo tramitou em uma vara empresarial do Rio de Janeiro. Na ação, Malafaia declarou uma renda de mais de R$ 1,35 milhão no ano de 2018 — dos quais R$ 962 mil vieram da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, igreja evangélica da qual Malafaia é dono.

A coluna enviou perguntas sobre as informações contidas na sentença para o pastor Silas Malafaia e para o advogado dele, Jorge Vacite Neto. Não houve retorno até o momento.

•        Malafaia confirma ter recebido R$ 30 milhões do ‘Sheik do Bitcoin’, diz site

O pastor Silas Malafaia confirmou ter recebido um investimento milionário do empresário Francisley Valdevino da Silva, conhecido como Sheik do Bitcoin, que foi condenado a 56 anos de prisão por comandar esquema de pirâmide financeira com criptomoedas. O valor repassado por Francisley ao pastor foi de R$ 30 milhões e teria sido usado para reerguer a Central Gospel (editora de livros do líder evangélico, em recuperação judicial desde 2019), conforme revelou Malafaia à coluna de Tácio Lorran, do portal Metrópoles.

Malafaia ressaltou, no entanto, que a parceria com Sheik do Bitcoin teria terminado antes da denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF). “Ele botou dinheiro na minha editora para comprar material, para me ajudar no momento mais difícil da minha recuperação. O que eu tenho a ver com crimes de bitcoin, de moeda, de criptomoeda dele?”, afirmou.

<><> Testemunha-chave

De acordo com o empresário Davi Zocal, testemunha-chave da investigação sobre o Sheik do Bitcoin, Francisley e Malafaia decidiram criar uma nova empresa para viabilizar o negócio sem comprometer a Central Gospel. O depoimento foi colhido pela Polícia Federal em agosto de 2022. Zocal assegurou que a sociedade resultou na abertura da Alvox Gospel Livros Marketing Direto, em maio de 2021. A empresa foi encerrada pouco mais de um ano depois, em julho de 2022.

“Só que eles combinaram o quê? Eu estava do lado. O Silas falou assim pra ele: ‘Cara, vamos fazer uma empresa com outro nome, para não ferrar para nós, né?’ Então, abriram a Alvox, mas o foco do Malafaia… O Francis foi sócio direto dele na principal empresa, mas foi só para dar uma esquivada, né?”, detalhou a testemunha.

<><> Recuperação judicial

Por sua vez, Malafaia explicou que, por estar em recuperação judicial, não poderia receber sócios diretamente na editora. Segundo ele, Francisley se apresentou como evangélico e dono de mais de 100 empresas regulares e teria sugerido a criação de uma estrutura de marketing multinível para revender produtos da editora.

“É bom informar que, quando ele foi sócio comigo, não havia denúncia alguma no MPF ou na Polícia Federal. Ele foi gestor da empresa. Quando começaram as mudanças de rumo, eu caí fora e saí em março. Em junho surgiram as notícias de investigação”, disse o pastor.

O líder religioso negou ainda qualquer tentativa de promover o “Sheik do Bitcoin” junto a fiéis.

“Onde é que eu fiz propaganda para alguém comprar coisa ou membros da minha igreja? Em lugar nenhum. Eu fui sócio dele de uma empresa, onde ele era o controlador, e saí antes da denúncia. Querem me acusar de quê? Vão prender também os outros 100 que tinham empresas com ele?”, questionou.

<><> 15 mil pessoas lesadas

Francisley Valdevino foi alvo de operação da Polícia Federal em outubro de 2022, três meses após o fim da sociedade com Malafaia. Em outubro de 2024, a Justiça Federal do Paraná o condenou a 56 anos de prisão.

Apontado como dono da Rental Coins e de mais de 100 companhias, ele movimentou cerca de R$ 4 bilhões entre 2018 e 2022. O esquema, baseado em promessas de retorno com supostos investimentos em criptomoedas, teria lesado cerca de 15 mil pessoas, entre elas, a atriz Sasha Meneghel, filha de Xuxa.

•        Deputado pastor rebate Malafaia e diz estar falando com "crente que não é gado"

Alvo da fúria de Silas Malafaia após dizer na Globo News que o colega "exagerou na fala" e deveria "pedir perdão para a igreja" ao comentar as trocas de mensagens com Jair Bolsonaro (PL), o deputado Otoni de Paula (MDB-RJ) rebateu o guru do ex-presidente dizendo que ele fala com "crente que não é gado".

A alfinetada de Paula, que rompeu com Bolsonaro após ter sido traído na eleição para a liderança da bancada evangélica, acontece após Malafaia o eleger como um dos alvos preferenciais entre os religiosos.

"O DESESPERO DA GLOBO NEWS! A imprensa oficial de Alexandre de Moraes , usou um pastor que é deputado para me atacar . Falso moralista , típico dos fariseus do tempo de Jesus , acaba de ser exposto em um vídeo xingando", bradou Malafaia, em letras garrafais, na rede X.

Ao portal Uol, Otoni de Paula afirmou que "não está havendo perseguição religiosa contra o pastor [Malafaia]".

Colocaram a igreja dentro de um balaio de gato da política e, quando ele [Malafaia] fala que o processo contra ele é uma perseguição, ele coloca a igreja mais ainda nesse balaio. Ainda que a nossa preferência tenha sido Bolsonaro [nas eleições de 2022], a igreja não é Bolsonaro, a igreja também não é Lula. A igreja é o evangelho", diz.

"Se ele estivesse em um inquérito policial por ter orado, evangelizado em praça, seria perseguição religiosa, mas não é o caso. Em todo o tempo, ele atacou a Suprema Corte", emenda.

O deputado emedebista ainda afirmou que as críticas são direcionadas para uma parcela da comunidade evangélica.

"Quando eu critico, estou falando com o povo evangélico que tem sido humilhado pela política. Estou conversando com o campo do crente que não é gado, que é a maioria. Eles querem a polarização de ideias, não a polarização de ídolos, de adoradores de Lula e Bolsonaro", cutucou.

<><> Dobradinha com Mendonça

No centro do noticiário político e de polícia nesta semana, o pastor Silas Malafaia fez dobradinha com o ministro "terrivelmente evangélico" André Mendonça para atacar o colega de Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e enfatizou a narrativa de "atentado contra a liberdade religiosa" em nota publicada na rede X na noite desta sexta-feira (22).

Por volta das 18h21, Malafaia compartilhou o vídeo em que Mendonça desfere ataques a Moraes em evento do grupo Lide, de João Doria, no Rio de Janeiro.

Indicado por Bolsonaro à corte, o pastor colaborador da Igreja Presbiteriana de Pinheiros fez um ataque velado - e raivoso - ao colega, criticando "juiz militante" e o "ativismo judicial" o que, segundo ele, passa a impressão do país viver um “estado judicial de direito”.

Em resposta à altura horas depois no mesmo evento, Moraes defendeu a democracia, dizendo que "somente nas autocracias o autocrata pode querer exercer sua liberdade sem limites e não ser responsabilizado" - em claro recado a Bolsonaro -, e mandou um recado a Mendonça.

"O Judiciário vassalo, covarde, que quer fazer acordo para que o país momentaneamente deixe de estar conturbado, não é um Judiciário independente. O juiz que não resiste à pressão deve mudar de profissão e buscar outra atividade na vida".

Após a resposta de Moraes, Malafaia foi às redes e compartilhou apenas a fala de Mendonça: "o povo brasileiro e a imprensa precisam ouvir isso", escreveu o guru.

A dobradinha entre Malafaia e Mendonça, no entanto, teria começado na quarta-feira (20), quando o pastor midiático foi alvo de operação de busca e apreensão pela Polícia Federal, autorizada por Moraes, ao desembarcar no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, retornando de uma viagem a Portugal.

No Supremo, o ministro terrivelmente evangélico teria tido um chilique com a investigação sobre o guru, tentando convencer colegas de corte e até o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) de que a investigação contra Malafaia iria aprofundar a crise política e "enfurecer" os evangélicos".

O conchavo entre os dois pastores se mostrou ainda na mudança de tom da defesa de Malafaia que encampou, em nota divulgada pelo pastor na rede X às 21h27 desta sexta-feira, a narrativa de "perseguição religiosa", que já vinha sendo proliferada timidamente pelo guru de Bolsonaro.

"Transformar opiniões legítimas em suspeitas de crime, isto sim, é ATENTADO CONTRA A DEMOCRACIA E LIBERDADE RELIGIOSA", diz o texto assinado pelo advogado Jorge Vacife Neto, destacando os termos em letras garrafais, dois dias após a operação contra o pastor.

•        TERRIVELMENTE EVANGÉLICA: Pastor rejeita emenda de quase R$1 milhão e expõe esquema em Goiânia

A Assembleia de Deus – Ministério Madureira em Campinas, uma das maiores denominações evangélicas de Goiás, anunciou que não utilizará a emenda impositiva de R$ 950 mil aprovada pela Câmara Municipal para custear o congresso Conectados 2025, considerado o maior encontro de jovens evangélicos do estado.

A decisão foi comunicada pelo bispo Oídes José do Carmo, presidente da denominação, que afirmou ter tomado conhecimento do repasse apenas no último final de semana. O líder religioso declarou que a igreja não reconhece legitimidade no processo, já que os recursos foram destinados a uma entidade sem histórico de atuação na área.

“A igreja não tem interesse em receber ou administrar essa emenda. A associação que utilize o valor para os fins que considerar adequados”, afirmou Oídes, em entrevista a um jornal local. O posicionamento do bispo repercutiu fortemente no meio político e religioso, expondo as tensões em torno do uso de recursos públicos para financiar eventos evangélicos.

<><> O caminho da emenda e o papel da Agarc

A verba foi indicada pela vereadora Leia Klebia (Podemos), ligada ao segmento evangélico, e direcionada à Associação Goiana de Atualização e Realização do Cidadão (Agarc). A ONG atua em projetos sociais, habitacionais e de qualificação profissional, mas não possui experiência prévia na promoção de eventos religiosos.

Segundo a representante da entidade, Carmelúcia Rodrigues de Oliveira, a sugestão partiu da própria parlamentar, que teria proposto ampliar o escopo da associação para incluir também a realização de eventos gospel. O termo de fomento entre a Secretaria Municipal de Articulação Institucional e Captação (Secap) e a Agarc foi assinado em 13 de agosto, com o repasse efetuado seis dias depois.

De acordo com os documentos oficiais, a maior parte do recurso — R$ 750 mil — seria destinada à montagem de infraestrutura no Goiânia Arena, incluindo palco, camarins e banheiros químicos. Outros R$ 133,5 mil serviriam para a confecção de camisetas personalizadas para os participantes.

<><> Quem é Leia Klebia

Vereadora em Goiânia pelo Podemos, Leia Klebia é casada com o pastor Jorge Pereira, líder da Assembleia de Deus Jardim Mirabel, uma das mais de 500 congregações vinculadas à AD Campinas.

Sua trajetória política é marcada pela proximidade com o segmento evangélico. Nos últimos anos, destinou emendas a associações beneficentes ligadas à denominação. No caso do Conectados, porém, a escolha de uma ONG sem vínculo religioso levantou questionamentos sobre critérios e legalidade.

A decisão do bispo Oídes ocorre em um momento delicado: em julho, a Polícia Civil deflagrou operação contra organizações sociais de Goiânia suspeitas de fraudar emendas parlamentares. As apurações apontaram justamente para alterações de finalidade após a liberação de recursos.

No caso parece haver um cuidado evidente do bispo em não expor a igreja a um desgaste jurídico. O caso abre espaço para a investigação sobre como a emenda foi construída e por que uma entidade sem vínculo religioso foi escolhida para executar o recurso”. A Secap informou, em nota, que ainda não recebeu comunicação oficial da desistência e que a Agarc, como entidade conveniada, continua legalmente responsável pelo uso da verba nos moldes do plano aprovado.

Apesar da polêmica, o Conectados 2025 permanece confirmado. Marcado para os dias 27 e 28 de setembro, no Goiânia Arena, o evento deve reunir cerca de 10 mil jovens em dois dias de ministrações, palestras e 14 shows gospel de artistas regionais e nacionais. A organização reforçou que toda a programação será custeada com recursos próprios e apoio da comunidade evangélica, sem utilização da emenda contestada.

 

Fonte: ICL Notícias/Fórum

 

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