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dos países mais seguros do mundo em 2025
Em
2025, a paz pode ser vista como uma mercadoria rara.
Guerras
globais estão escalando, a segurança nas fronteiras está cada vez mais rígida e
tensões comerciais continuam crescendo.
De
acordo com o Índice Global de Paz 2025 (GPI, na sigla em inglês), o número de
conflitos entre Estados alcançou o nível mais alto desde a Segunda Guerra
Mundial, com três novos conflitos surgindo apenas neste ano.
Muitos
países estão respondendo com aumento da militarização.
O GPI,
produzido pelo Instituto para Economia e Paz, monitora 23 indicadores em 163
países, que vão desde conflitos externos e gastos militares a medidas de
segurança e proteção, terrorismo e homicídios.
Apesar
de ter melhorado seu índice em relação ao ano passado, o Brasil aparece em 130°
lugar no ranking, com um índice de paz considerado baixo. Na América do Sul, só
aparece atrás da Venezuela e Colômbia — considerada a menos segura do
continente.
Apesar
do atual cenário, algumas nações continuam a priorizar a paz.
Os
países posicionados no topo do ranking têm se mantido consistentes por quase
duas décadas, demonstrando a estabilidade que políticas pacíficas podem trazer
a longo prazo.
A BBC
conversou com moradores das nações consideradas as mais seguras do mundo para
entender como essas políticas moldam o dia a dia — e o que lhes proporciona
essa sensação única de tranquilidade.
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Islândia
Número
um do ranking desde 2008, a Islândia continua sendo a nação mais pacífica do
mundo, liderando em segurança, baixo número de conflitos em andamento e
militarização.
Este
ano, o país registrou até mesmo uma melhora de 2% no GPI, aumentando a
distância em relação ao segundo colocado na lista.
Para
moradores, essa sensação de segurança está presente no dia a dia.
"Apesar
das condições climáticas rigorosas, especialmente no inverno, nem sempre
transmitirem uma sensação de segurança, a comunidade transmite", afirma
Inga Rós Antoníusdóttir, que nasceu na Islândia e é gerente geral de uma
agência de viagens.
"Você
pode caminhar sozinho durante a noite, sem se preocupar. Vai ver bebês dormindo
tranquilamente em carrinhos do lado de fora de cafés e lojas, enquanto os pais
aproveitam para fazer uma refeição. E a polícia local não carrega armas."
Inga
atribui a liderança às políticas de igualdade de gênero, que fazem com que as
mulheres se sintam realmente seguras.
"Oportunidades
iguais e sistemas sociais robustos criam uma sociedade mais justa e segura para
todos", afirma.
Ela
recomenda que os visitantes experimentem essa tranquilidade interna
participando de rituais cotidianos dos moradores.
"Vá
nadar em uma piscina geotérmica e converse com estranhos na banheira de água
quente. Faça uma trilha em uma montanha, seja de uma tarde ao Monte Esja ou de
vários dias nas terras altas", disse.
"A
verdadeira Islândia é encontrada em sua vibrante cena musical e artística, na
natureza, longe dos pontos turísticos principais e em todos os tipos de
clima."
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Irlanda
Embora
tenha sido marcada por conflitos ao longo do fim do século 20, a Irlanda de
hoje coloca a paz em primeiro lugar.
O país
recebeu pontuações especialmente altas pela redução de sua militarização ano
após ano e foi classificada como um dos países com menos conflitos domésticos e
internacionais em andamento.
Isso a
colocou entre os 10 melhores países em segurança e proteção da sociedade, com
baixa percepção de criminalidade e violência.
Esse
sensação se estende por todo país, segundo os moradores.
"Um
sentimento profundo de comunidade e cordialidade faz com que você se sinta
bem-vindo e à vontade, seja em uma cidade pequena ou na cidade grande",
afirma Jack Fitzsimons, morador de Kilkea Castle.
Ele
acredita que sistemas fortes de apoio social e o foco no bem-estar da
comunidade também reduzem a desigualdade e a tensão.
"As
pessoas cuidam umas das outras aqui", afirma. "É o tipo de lugar onde
você pode pedir ajuda a um estranho e ele fará de tudo para te ajudar."
No
cenário global, o país mantém uma neutralidade militar (o que o impede de ser
um membro oficial da Otan — sendo um dos quatro países europeus sem filiação) e
prefere resolver conflitos por meio da diplomacia.
Dentro
do país, a prioridade é a preservação das paisagens e dos sítios culturais,
garantindo que os viajantes se sintam bem-vindos.
"Ainda
me surpreende o quanto os visitantes ficam admirados com a cordialidade dos
irlandeses. Isso é parte da nossa essência, nós temos um um sentido inato de
hospitalidade com visitantes estrangeiros", comenta Fitzsimons.
A
natureza tranquila da Irlanda também contribui para essa sensação de paz.
"Você
nunca está longe de um castelo, de uma caminhada na floresta ou de uma sessão
de música tradicional em um pub", diz Fitzsimons.
"A
vida aqui segue um ritmo mais relaxado, as pessoas ainda valorizam a conversa.
Essa conexão humana realmente se destaca."
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Nova Zelândia
Este
ano, a Nova Zelândia subiu duas posições e chegou ao terceiro lugar do ranking,
graças a melhorias nos indicadores de segurança e baixas manifestações
relacionadas ao terrorismo.
Como
uma ilha no Pacífico, a geografia da Nova Zelândia oferece ao país uma proteção
natural contra conflitos externos, mas suas políticas internas também trazem
para os moradores um sentimento de paz.
"As
leis de armas na Nova Zelândia estão entre as mais rígidas do mundo, o que
contribui enormemente para a sensação de segurança", afirma Mischa
Mannix-Opie.
Ela
destaca que é um lugar onde as crianças caminham para a escola, as pessoas
deixam as portas destrancadas e os motoristas param para ajudar se um carro
estiver quebrado na estrada.
"Há
uma confiança geral nas pessoas e nos sistemas ao redor, o que cria esse senso
real de comunidade no dia a dia."
Além da
forte rede de proteção social e do acesso à saúde universal, os neozelandeses
valorizam sua conexão como a natureza, seja caminhando na praia, fazendo
trilhas no mato ou tomando uma taça de vinho sob as estrelas, diz Mannix-Opie.
O senso
de comunidade também se traduz em muitos festivais e eventos para todas as
idades, com ênfase em ambientes familiares.
Embora
muitos visitantes viajem até a Nova Zelândia pela paisagem, é a sensação de
segurança e de pertencimento à comunidade que deixa a melhor impressão.
"Para
além das paisagens de cartão-postal, a Nova Zelândia tem uma profundidade real.
As pessoas são genuínas, a cultura Maori é rica e sempre presente, e o ritmo
mais lento da vida pode realmente mudar a sua perspectiva", diz
Mannix-Oppie.
"Um
cliente me disse uma vez que, apesar da Nova Zelândia seja bonita, é o nosso
povo que é o nosso superpoder."
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Áustria
A
Áustria caiu uma posição este ano e foi para o quarto lugar, mas ainda se
classificando bem em todos os indicadores.
Assim
como a Irlanda, a Áustria adota uma política de neutralidade, o que a impede de
se juntar a alianças militares, como a Otan. Isso permite que o país foque sua
atenção e recursos internamente.
"A
política de neutralidade da Áustria, mantida por décadas, significa que a nação
investe em seu povo em vez de conflitos", diz Armin Pfurtscheller, que é
proprietário de um hotel no país.
"Uma
forte rede de proteção social, saúde de classe mundial e excelente educação
promovem estabilidade e confiança."
Ele
mora em Neustift, no Vale Stubai, onde afirma que as pessoas passeiam ao longo
do rio Ruetz à meia-noite, as casas ficam destrancadas e as bicicletas sem
cadeado de fora dos cafés.
"Segurança
não é apenas uma estatística, é a maneira como se vive."
Pfurtscheller
também percebe esse sentimento de tranquilidade entre as pessoas que vão passar
um tempo no vale.
"Depois
de alguns dias, os ombros relaxam, o estresse desaparece e elas dormem como
dormiam quando crianças", diz.
"Eles
começam a notar o som do rio, a forma como a luz muda nas montanhas e a alegria
de respirar profundamente. Essa é a maior sensação de segurança que esse lugar
oferece: a certeza de que aqui, você é livre para simplesmente ser."
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Singapura
Mantendo
sua posição em sexto lugar, a cidade-Estado de Singapura é o único país
asiático entre os 10 primeiros — Japão e Malásia estão em 12° e 13°,
respectivamente.
O país
se destaca especialmente nas questões de segurança e proteção, mesmo mantendo
um dos níveis mais altos de gastos militares per capita do mundo, superado
apenas pela Coreia do Norte e pelo Catar.
A
ausência de conflitos em andamento e o forte aparato de segurança interna geram
uma forte sensação de segurança para a maioria dos moradores.
"Eu
ando tarde da noite e não sinto medo. Caminhar para casa não é algo que me dá
ansiedade como acontece na maior parte das cidades urbanas", diz Xinrun
Han.
"Existe
100% de conforte e confiança mútua no sistema, o que cria um ambiente que é
calmo, acolhedor e pacífico."
Apesar
da postura conservadora de Singapura em relação à comunidade LGBT+ limite
algumas liberdades — casamento entre pessoas do mesmo sexo é proibido — o
progresso social é visível em eventos como o crescente festival Pink Dot, que
celebra o orgulho LGBT.
Muitos
relataram que se sentiram mais seguros na manifestação deste ano do que em
décadas passadas, à medida que jovens pressionam por maior aceitação.
Han
recomenda que os visitantes aproveitam as liberdades que vêm com a segurança,
como passear pelo rio às 2h da manhã, comer em uma barraca de rua durante a
noite ou visitar um parque quando já está escuro.
"Você
se sente muito livre, seja morador ou apenas um visitante."
Fonte:
BBC Travel

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