Ana
Penido: A paz na Ucrânia será a guerra na América Latina?
O mundo
caminha para a multipolaridade, mas o Brasil e a África do Sul, embora fortes
regionalmente, são mais fracos que os demais candidatos a polos regionais. O
caso do Brasil é um pouco pior, pois ele é considerado quintal do principal
polo regional, os EUA. Portanto, na leitura do Brasil, dos BRICS, e mesmo da
Europa, somos um polo regional. Na leitura dos EUA, não.
O fim
da guerra na Ucrânia seria positivo para o mundo, não há dúvidas. Uma guerra
com potencial de extrapolação regional que se tornou o motor para o aumento de
gastos militares no planeta é negativa pois, acima de tudo, captura os
orçamentos nacionais que poderiam ser gastos na melhoria da vida das
pessoas.
A paz
só deixará como saldo positivo para a Ucrânia o fim da morte dos seus cidadãos,
no mais, o país foi derrotado. A guerra também deixa muitos problemas por
resolver para a Europa, e saldos positivos para os EUA/OTAN e para Rússia. Para
esta última, a guerra colocou um freio à expansão estratégica da OTAN – “por
aqui, não passam”. Foi uma derrota bélica, não necessariamente política. A OTAN
ganhou novas adesões e renovou o “inimigo” necessário para a sua existência.
Especificamente para os EUA, logrou a promessa europeia de gastar 5% do PIB em
armamentos (que eles irão vender). O fim da guerra não alterará a percepção de
ameaça, e os gastos continuarão. A Ucrânia perdeu território, economia,
população e autonomia. No caso da Europa, explicitou-se o que já se sabia: são
incapazes de lutar uma guerra sem os EUA, e esse em particular, acelerou sua
fragmentação interna. Por fim, a guerra reanimou o verdadeiro significado da
OTAN: “manter os EUA dentro, a Rússia fora, e a Alemanha (Europa) abaixo”.
A
Ucrânia é um exemplo de que, em um cenário de disputas abertas entre grandes
potências, dificilmente os conflitos ocorrem nos terrenos dos gigantes, mas em
territórios de terceiros, as proxy wars. A Venezuela é o
“território de terceiros” favorito para uma proxy war na
América Latina. O Brasil tende menos a ser um “território de terceiros”. Tem
peso para articular força própria e alianças com outros para ser considerado um
polo em termos econômicos, políticos e culturais. Em termos de defesa, a nossa,
em um conflito aberto entre potências, está hoje organizada como força auxiliar
dos EUA.
Os EUA
estruturam a hegemonia atual em quatro pilares: força/militar, dólar/economia,
político e cultural. Se vê muito ameaçado em um deles – dólar (o PIX BRICS é
muito interessante, mas um potencial, como é o NBD) –, então tende a buscar se
reforçar nos outros, não necessariamente obtendo sucesso. Não vai buscar o
isolacionismo, embora aparente que sim. Vai tentar arrumar a casa internamente
para estar em melhores condições para a disputa, e internamente, pra eles,
inclui toda a América Latina, além dos próprios EUA. Não parecem preocupados
com o pé político, que discursivamente sempre foi autoritários x democráticos.
Pelo contrário, testam limites internos e externos, tratando mal aliados
históricos na Europa, Índia, e até o Canadá. Sinais do neofascismo.
Trump
sai na frente dos democratas por assumir o inevitável declínio da potência. Vem
fazendo alterações no estado profundo, inclusive na área militar. Não significa
que vai chegar às últimas consequências, mas, usando uma metáfora militar, vai
fazendo aproximações sucessivas, e com isso, alarga as margens para a extensão
do seu poder sobre o que pode ser considerado aceitável, e o que não é.
Exemplos: uso de tropas contra o próprio povo (em Washington e em Los Angeles,
não existiam crises de “segurança”, mas interveio mesmo assim); mudou a
distribuição orçamentária entre as diferentes forças para montar sua guarda
pretoriana (o ICE teria condições para isso?); constrói protetorados dedicados
à pauta da violência, em diálogo com a cultura punitivista dos EUA (prisão em
El Salvador); trocou oficiais do Estado Maior Conjunto por militares alinhados
a ele. Há objeções, em especial da CIA e o FBI. Os EUA já vinham, desde antes
do Trump, reavivando a Doutrina Monroe e, diante da falta de recursos,
recorrendo mais ao “grande porrete” na relação com o resto do mundo. A novidade
é que Trump pode estar criando a própria doutrina, aplicando as práticas do
ambiente externo ao doméstico. Há preocupação no deep state com
a fragilização da segurança nacional estadunidense. O problema é que, se os EUA
sofrem uma “falha de segurança”, como um ataque terrorista, Trump pode
instrumentalizá-lo, pois uma população ameaçada autoriza medidas que, em outras
situações, não aceita.
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América Latina
Na
doutrina dos EUA para a América Latina, o narcotráfico já era o espantalho
principal, e não o terrorismo, que é o espantalho a nível global. Já treinaram
bastante na Colômbia para isso. Digo espantalho pois já está mais do que
provado que a questão das drogas não é um problema militar, e talvez, sequer
seja um problema policial. No Panamá (1989), na Colômbia (anos 2000), e em
Honduras (anos 2010), as campanhas militarizadas antidrogas dos EUA não
conseguiram desmantelar as cadeias de abastecimento nem reduzir os volumes de
tráfico. Conseguiram mudar as rotas, militarizar os atores e desestabilizar os
governos.
Mas
esse é o argumento óbvio para manter a Venezuela sob pressão (esta, em
específico, sequer está nas rotas principais de
tráfico para os EUA).
Internamente, é justificável nos EUA aumentar o cerco contra a Venezuela, tanto
porque as sanções não tiveram o êxito esperado, tanto porque os EUA vivem uma
crise de saúde pública em função da dependência. A classe trabalhadora, também
nos EUA, está doente.
A pressão sobre a Venezuela de fato é a
maior movimentação militar dos EUA no Caribe desde a invasão do Panamá, em
1989, também sob justificativa das “drogas”, contra Noriega. Mas Maduro não é
Noriega, e nem a Venezuela um Panamá. Além disso, o deslocamento tem impactos
na região toda, em países com peso como o México e a Colômbia. Militarizar o
Atlântico resolve também o nó do Canal do Panamá, onde a influência chinesa é
crescente, e amplia a relevância da ferrovia de integração sul-americana ainda
em projeto.
Por
outro lado, os EUA acabaram de autorizar a Chevron a voltar a operar na
Venezuela. Os navios podem, assim, funcionar como “policiais”, deixando passar,
ou dificultando a passagem de embarcações, a depender da bandeira; causando
atrasos e encarecendo transações a depender do país. Assim, embora tenham
finalidade militar, e mantenham a Venezuela sob pressão bélica, podem ser
usados sob doutrina policial, e obter resultados na área econômica.
Designar
normativamente os cartéis como organizações terroristas estrangeiras abre a
opção para que os EUA atuem extra-territorialmente como “polícias de cargas”.
Além das mudanças de natureza militar, pois um traficante se torna um
combatente inimigo, gera impactos no comércio marítimo, que é por onde circulam
as mercadorias de países exportadores como o Brasil, além das informações e
fluxos financeiros, através de cabos submarinos. O cerco à Venezuela, assim,
tem efeitos amplos em toda a região: comerciais, intimidação, mantém Estados em
alerta, tem capacidade de ação militar real, e abre espaço para operações
combinadas como o atentado na Colômbia, que favorece Uribe, Trump e a
militarização.
Uma
escalada de natureza militar não seria desprovida de custos para os EUA. Um
desembarque dos EUA é pouquíssimo provável, mas a intensificação de
mercenários, inclusive colombianos desmobilizados em função da paz na Colômbia,
é possível. Substituir Maduro não parece mais ser o plano, mas mergulhar o país
no caos, flertando com a balcanização, pode ser uma opção. Desde que mantida a
exploração de petróleo (até por grupos criminais ou cartéis), não há problemas
com manter o país em meio à instabilidade política. É uma mudança de conduta a
nível global. Não controlar territórios necessariamente, ou regimes políticos,
desde que garantido o acesso aos recursos.
A
autonomia discursiva com subordinação operacional não é uma particularidade do
Brasil. Na Colômbia, o status de parceiro da OTAN segue, e recentemente uma
delegação da OTAN esteve no país para revisar os currículos de escolas de
formação da Força Pública, em busca da “interoperabilidade” nas áreas de AI e
logística. Por sua vez, Milei solicitou em 2024 a adesão da Argentina como
sócio global da OTAN, status que só a Colômbia tem no continente. O Brasil
segue como o principal mantenedor da estrutura militar da OEA, o “Ministério
das Colônias”. E, logo depois da carta de Trump, ocorreu na Argentina a
reunião dos Ministros de Defesa Sul-Americanos, com a participação de todos os
países, menos da Venezuela. Múcio delegou a representação brasileira ao chefe
do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, almirante Renato Rodrigues de
Aguiar Freire, seu ajudante de ordens e seu adjunto de comando.
Os
exercícios conjuntos, método para a construção de hegemonia doutrinária e para
a realização de operações de inteligência encoberta, seguem a todo vapor.
Argentina participa do Estrela Austral, junto com Chile, Colômbia, etc., no
Atlântico Sul. Chile esteve no RIMPAC 2024, exercício marítimo, liderado por
EUA e Israel. Equador permitiu em fevereiro a entrada de forças estrangeiras
dos EUA e mesmo de empresas privadas como a Blackwater para combater o
narcotráfico (terceirização da segurança, problema de outro tópico). No
Southern Seas, em 2024, os EUA visitaram portos na Colômbia, Brasil, Peru,
Uruguai e Argentina. A lista seguiria, nas diferentes áreas, como a
cibernética.
Não
basta apenas observar as forças armadas oficiais, mas é notável o crescimento
do mercenarismo no mundo, com reflexos aqui. Mercenários colombianos atuaram na
Ucrânia, Haiti, Iêmen e Afeganistão. Esses são amplamente requisitados, pois
são treinados em atividades de contrainsurgência dentro da própria Colômbia,
diferente dos mercenários treinados pela Rússia, que treinam em guerras
interestatais. No Haiti, os EUA acabaram de assinar um contrato de dez anos
para o enfrentamento de gangues através de mercenários da Blackwater (agora
Vectus), e a maioria será contratada em El Salvador. Essa mesma empresa firmou
parceria com o Equador, e hoje flerta com o Peru, que terá eleições em 2026.
Essa empresa financia a Conferência da Ação Política Conservadora, articuladora
do MAGA e dos bolsonaros. A paz na Colômbia ajuda a diminuir o fluxo latino
americano de mercenários para o mundo, mas é algo substituível. E o Brasil não
fica de fora. Mercenários brasileiros que atuaram na Ucrânia deram curso na
AMAN, de pequenas unidades, através da empresa Planton Black Company.
Basicamente, estados nacionais perderam a vergonha de fazer negócios com
mercenários.
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Brasil
Trump
agrediu o Brasil. A burguesia se dividiu e a direita passou vergonha, inclusive
Tarcísio. Lula se fortaleceu, deve socorrer empresas, mas a classe trabalhadora
também foi beneficiada, porque recolocou na agenda temas como soberania,
inclusive financeira e militar. Se a autonomia discursiva vai se tornar
prática, são outros quinhentos, mas o presidente ganhou em margem de manobra
para mudanças.
Os EUA
cancelaram treinamento com a FAB, a Conferência Espacial das Américas. Um major
da FAB foi aos EUA no Comando Espacial, e outros exercícios já haviam ocorrido
em conjunto, como o Sentinela Global e o Panamax. Mas também é bom lembrar que
a Embraer, joia da coroa militar que interessa aos EUA, ficou de fora do
tarifaço. Não se trata mais de uma aquisição da empresa pela Boeing, mas da
manutenção de cadeias de suprimento e do recrutamento dos engenheiros
brasileiros.
Na
imprensa, as informações são desencontradas sobre de quem partiu a iniciativa
para cancelar os exercícios que ainda estariam previstos com a Marinha,
operação Formosa (no Planalto central, a mesma em que blindados desfilaram em
Brasília soltando fumaça durante o governo Bolsonaro, com um efetivo grande –
2000 homens); e o Exército, operação Core (ocorre desde 2019, cada ano em um
bioma. Esse ano estava prevista para a Caatinga, mas chamou atenção no ano
passado por ocorrer na Amazônia), em setembro e outubro desse ano. A
justificativa oficial do governo é a falta de recursos, pois a prioridade seria
a COP 30 e a interoperabilidade entre as Forças Armadas brasileiras (finalmente
uma definição de prioridade acertada!). Entretanto, a primeira parte da Formosa
(e mais cara) foi mantida, apenas com militares brasileiros.
O
conflito geopolítico global se expressa claramente na Formosa. Segundo
informações do Estadão, no ano passado, pela primeira vez, a China
foi convidada para participar: mandou 33 fuzileiros, mas esse ano não mandaria
nenhum. Os EUA foram convidados, mas ainda não haviam respondido; ano passado
enviaram 62 militares. Quem vinha em peso esse ano seriam os franceses, com 82
homens. Outras nações latinas também já haviam confirmado. O exercício é um bom
exemplo na área militar de que não se trata apenas de uma aproximação com a
China, tensionando com os EUA, mas sim do estabelecimento de relações
diversificadas.
A
presença de dois generais na China ainda é mais pra “chinês ver”, pois as
relações espúrias com os EUA passam mais pelo escritório de compras em
Washington do que pelos adidos de defesa do Brasil nos EUA. Atualmente, o
Exército brasileiro mantém 120 militares nos EUA em atividades de cooperação. A
Marinha mantém 100.
Por
fim, o Brasil segue tendo um militar no Comando Sul dos EUA. Recentemente, o
presidente Lula promoveu o primeiro general brasileiro que ocupou esse cargo, e
foi criticado pela medida. Divirjo dessa impressão. O militar estava cumprindo
uma tarefa que lhe foi delegada pelo comando, e não deve ser punido agora por,
naquele momento, ter se destacado e sido escolhido para ocupar a função
cobiçada. Uma medida correta é a extinção da função. Mantém-se os adidos de
alto nível, mas não há porque manter um oficial no Comando Sul, ainda mais com
a postura intervencionista atualmente adotada.
¨
Roberto Reich: Por que Trump montou uma equipe de
bajuladores incompetentes
Na
semana passada, autoridades de Trump teriam deixado documentos descrevendo o
planejamento confidencial para a reunião entre Trump e Putin em uma área
pública de um hotel no Alasca.
Isso
não é nada comparado às ações de Emil Bove, o novo indicado de Trump para o
tribunal de apelações dos EUA para o terceiro circuito, que supostamente disse a subordinados no Departamento
de Justiça que
eles deveriam "considerar dizer aos tribunais 'foda-se'" e ignorar
qualquer ordem judicial bloqueando um voo de deportação planejado.
Há
também Billy Long, ex-leiloeiro e congressista republicano indicado por Trump e
confirmado há menos de dois meses para chefiar a Receita Federal (IRS), com
"pouca experiência em política tributária além de promover um crédito
tributário fraudulento ". Long já foi demitido após desentendimentos
com o secretário do Tesouro, Scott Bessent. Long foi o sexto a chefiar a
Receita Federal (IRS) este ano.
Não
podemos nos esquecer de E.J. Antoni, que Trump acaba de nomear para liderar o
Bureau of Labor Statistics após demitir a ex-chefe Erika McEntarfer por
presidir um relatório de empregos decepcionante no início deste mês.
Antoni
é aquela raridade que recebeu duras críticas de economistas da direita e da
corrente dominante por ser ignorante, sem princípios e incompetente. Ele comemorou recentemente que "todo
o crescimento líquido de empregos no último ano foi para americanos
nativos".
Ainda
não mencionei a enorme inépcia dos escolhidos de Trump para o gabinete, como
Pete Hegseth, Pam Bondi, Kash Patel, Robert F. Kennedy Jr. e Kristi Noem.
Como
explicar a ascensão de tantas pessoas incompetentes e sem princípios?
Fácil.
Eles jamais conseguiriam ter sucesso por mérito próprio. Assim que sua
incompetência se tornou evidente – o que provavelmente aconteceria assim que
aceitassem o primeiro emprego que exigisse algum grau de inteligência e
integridade –, eles foram demitidos.
Então,
aprenderam que, para serem recompensados com promoções, dinheiro e poder,
não podem depender dos processos e sistemas normais de
reconhecimento por trabalhos bem-feitos. Se quiserem se destacar, precisam se
tornar puxa-sacos, cachorrinhos de colo e bajuladores.
Eles
devem se apegar a alguém que valorize a lealdade acima da integridade ou
competência, alguém para quem a subserviência bajuladora seja o critério mais
importante para ser contratado e promovido, de preferência alguém que não
consiga distinguir entre um bajulador rastejante e um conselheiro experiente.
Entra
Trump.
A
história está repleta de destroços de ditaduras que atraíram e promoveram
pessoas incompetentes, sem talento ou integridade. Como Hannah Arendt explicou
em seu clássico "As Origens do Totalitarismo":
O
totalitarismo no poder invariavelmente substitui todos os talentos de primeira
linha, independentemente de suas simpatias, por aqueles malucos e tolos cuja
falta de inteligência e criatividade ainda é a melhor garantia de sua lealdade.
No
início de sua carreira, Trump tornou-se aprendiz de Roy Cohn, um advogado sem
princípios que ensinou ao jovem Trump como ganhar riqueza e influência por meio
de intimidação implacável, fanfarronice profana, intolerância oportunista,
processos infundados, mentiras e mais mentiras.
No
entanto, como "intermediário" de Trump com políticos, juízes e chefes
da máfia, Cohn permaneceu totalmente leal a Trump e seu pai, Fred.
Anos
mais tarde, em seu livro "A Arte da Negociação", Trump
estabeleceu uma distinção entre integridade e lealdade. Ele preferia esta
última, e, para ele, Cohn a exemplificou. Trump contrastou Cohn com:
todas
as centenas de caras "respeitáveis" que fizeram carreira se gabando
de sua integridade intransigente, mas não têm absolutamente nenhuma lealdade...
O que eu mais gostava em Roy Cohn era que ele fazia exatamente o oposto.
Cohn
morreu em desgraça, expulso da Ordem dos Advogados do Estado de Nova York por
conduta antiética após tentar fraudar um cliente moribundo, forçando-o a
assinar uma emenda ao testamento que lhe deixaria sua fortuna.
Pessoas
que ascendem sacrificando sua integridade em prol de uma subserviência servil
quase sempre acabam caindo de cara no chão. A ambição cega as derruba. Elas não
conseguem explicar ou defender seu comportamento confiando na competência
baseada em princípios porque, como Cohn, são inescrupulosas e incompetentes até
a medula.
As
pessoas a quem eles se apegam encontram destinos semelhantes, mas por razões
diferentes.
Líderes
que valorizam a lealdade acima de tudo se veem cercados por bajuladores
excêntricos e tolos. Como resultado, não recebem nenhum feedback objetivo ou
útil sobre suas ações – nenhum aviso prévio e nenhuma crítica posterior. Tudo o
que recebem são elogios: "Ideia maravilhosa, senhor!", "Execução
brilhante, senhor!".
Esses
casulos de bajulação isolam esses líderes das consequências reais do que fazem
– o que inevitavelmente os leva a cometer erros graves. Alguns desses erros
acabam causando suas quedas.
Essa
simetria perversa – a morte certa dos bajuladores por serem incompetentes e sem
princípios, e a queda inevitável daqueles a quem eles se bajulam por nunca
receberem um feedback útil e verdadeiro – marca o caminho de todos os sistemas
totalitários. É o caminho que Trump agora trilha.
Isso
não é necessariamente motivo de esperança. Se a história serve de guia, muitas
pessoas inocentes sofrem antes que os rastejantes incompetentes e os objetos
vãos de sua rastejação encontrem seus destinos inevitáveis. Os Estados Unidos e
o mundo já estão sofrendo.
Fonte:
Opera Mundi/TheGuardian

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