O
que mudou na UE dez anos depois da crise dos refugiados
Em
setembro de 2015, quando a então chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel,
inaugurou a política de portas abertas do país a refugiados com seu famoso bordão "nós vamos conseguir", a Europa inteira
foi impactada.
Depois
que a polícia deixou de tentar reter refugiados nas fronteiras, o número de
requerentes de asilo ou refúgio disparou em toda a União Europeia(UE). Em 2015, o
escritório de estatísticas do bloco, Eurostat, registrou mais de 1,2 milhão de
pedidos; em 2016, foram 1,5 milhão. Destes, mais de um milhão pediram asilo na
Alemanha.
Nos
anos seguintes, o número de pedidos de refúgio não voltou mais ao patamar
pré-2015 – com exceção de 2020, ano de pandemia. O ano de 2023 bateu um novo
pico, com mais de 1 milhão de requerentes, mas voltou a cair. Por muitos anos,
a Alemanha foi o principal destino; em 2025, porém, o país foi superado pela
primeira vez pela França.
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Migração é um dos temas mais importantes para o eleitorado da UE
Os
cidadãos da União Europeia não reagiram com indiferença a esses números. Na
última eleição para o Parlamento Europeu, em 2024, 24%
consideravam a migração um tema
prioritário nas discussões, segundo o Eurostat.
O tema
também pesou nas eleições nacionais, especialmente nos países do bloco que
deram vitória nos últimos anos a partidos populistas de direita, como a Áustria
e a Holanda. Neste último caso, a campanha eleitoral de novembro de 2023 foi
marcada pelo "foco obsessivo" no tema, afirma Anouk Pronk, do
instituto holandês Clingendael.
Segundo
ela, a migração foi apresentada como se fosse a raiz dos problemas no país,
justificando as crises habitacional e nos sistemas social, educacional e de
saúde. Mas atualmente, pondera a especialista, esse discurso está em declínio e
há tentativas de resolver os problemas, sem fazer da migração um bode
expiatório para tudo.
Pronk
afirma que não só na Alemanha, mas também a nível europeu há queixas
recorrentes de que o Estado estaria sobrecarregado por refugiados e requerentes
de asilo. Esse discurso acaba fomentando medidas drásticas, como na Bélgica,
onde desde 2023 homens requerentes de asilo já não são mais acolhidos em
abrigos estatais.
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A Europa tornou-se mais hostil com imigrantes?
Há uma
diferença entre opinião pública e a importância que se dá a algo, pondera a
cientista política Lenka Drazanova, que pesquisa no Instituto Universitário
Europeu de Florença. Segundo ela, a importância do tema migração cresceu
nos últimos anos por estar muito presente na imprensa e na política, mas a
prevalência de visões pró e anti-imigração na sociedade não mudou muito.
O que
mudou desde 2015, afirma Drazanova, é que quem é contra a migração passou a
expressar suas posições mais enfaticamente, agindo assim por se sentir ameaçado
pelo que desconhece ou por temer perder o emprego, por exemplo.
O alto
número de refugiados que chegaram à Alemanha despertou esses sentimentos em
alguns europeus, principalmente no Leste e na Europa Central. E aqui os números
de fato importam menos que a discussão em si sobre a migração.
O que
também mudou, pontua Drazanova, foram as normas sociais e a cultura política
sobre como se fala sobre migração e refugiados. E isso, segundo ela, tem a ver
com a normalização de visões da extrema direita.
A
cientista política Pronk também vê uma mudança na discussão. Na época do
"vamos conseguir" de Merkel, ela girava em torno do "dever de
ajudar". Hoje, porém, o debate sobre migração é mais tratado como um risco
à segurança.
Isso é
algo visível, por exemplo, no novo pacto europeu para asilo e migração, que
acima de tudo trata da proteção de fronteiras e da deportação mais rápida de
pessoas sem direito de permanência na UE. Pronk atribui essa mudança de cenário
à sobrecarga do sistema de asilo dos países-membros do bloco.
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UE endureceu regras para asilo e refúgio
O pacto
de asilo e migração, que deve entrar em vigor em meados de 2026, prevê
"procedimentos nas fronteiras" para os refugiados vindos de países
com baixa taxa de aprovação: quando eles têm seus casos analisados antes de
entrar na UE, enquanto estão detidos em centros em outros países.
A UE
também trabalha atualmente em uma nova diretriz de deportação. Segundo a
entidade não governamental de ajuda a refugiados Pro Asyl, até então imigrantes
só podiam ser deportados para um país com o qual tivessem algum elo, ou caso
concordassem. A Comissão Europeia quer derrubar essa regra e criar "centros de retorno" – espaços fora
da UE onde imigrantes que tiveram seus pedidos de refúgio negados serão
mantidos até a deportação. O modelo é um dos discutidos há algum tempo pela UE
sob o rótulo de "soluções inovadoras".
Alguns
países-membros da UE pressionam o bloco a endurecer ainda mais as regras de
asilo e refúgio. Em junho, 21 dos 27 países se reuniram para debater o tema. A
reunião a convite de Dinamarca, Holanda e Itália contou com a presença do
chanceler federal alemão, Friedrich Merz.
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Política não é o mesmo que opinião pública
Em uma
coisa as cientistas políticas ouvidas pela DW concordam: o debate político e as
leis que o sucedem não refletem diretamente a opinião pública na Europa sobre
migração. Na sociedade, o debate tem mais nuances, assegura Pronk, citando como
exemplo a solicitude com que refugiados ucranianos foram acolhidos dentro da
UE.
Drazanova
também afirma que a opinião pública sobre migração é muito complexa: uma mesma
pessoa pode ser favorável aos imigrantes que já estão no país, mas rejeitar uma
política abertamente pró-migração. Mas, no geral, ela aponta que os estudos
mostram que a opinião pública na Europa em relação a imigrantes melhorou um
pouco nos últimos anos.
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Como a Alemanha está 10 anos após a crise dos refugiados
"Wir
schaffen das", ou seja, "nós vamos conseguir". Três palavras que
se tornaram símbolo global da postura aberta da Alemanha em relação aos refugiados. Quando a então chanceler federal
conservadora Angela Merkel proferiu
essa frase no verão de 2015, centenas de milhares de pessoas estavam a caminho
da Alemanha, muitas vindas da Síria, do Afeganistão e do Iraque.
A
recepção ocorreu em meio a uma onda de solidariedade e solicitude. Na memória,
por exemplo, estão as imagens da estação central de Munique, onde milhares de
refugiados foram recebidos com pequenos presentes por locais.
No
entanto, dez anos depois, o clima mudou. Em muitos setores da sociedade, a
cultura inicial de boas-vindas se esvaiu, dando lugar ao ceticismo e à
rejeição. Isso porque a Alemanha não conseguiu resolver todos os
problemas relacionados à onda migratória. Muitos imigrantes ainda não
encontraram emprego. A criminalidade cometida por refugiados e também contra
eles é tema de debates acalorados, com a migração se tornando um assunto com
alta carga emocional.
A DW
preparou uma retrospectiva baseada em dados, com dez perguntas e respostas,
sobre os resultados da integração e como a imigração mudou a Alemanha.
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1. Quantos refugiados chegaram à Alemanha?
Em 2015
e 2016, 1,2 milhão de pessoas chegaram à Alemanha em busca de refúgio e solicitaram
asilo no país. Nos anos seguintes, esse número diminuiu significativamente.
Nenhum outro país da União Europeia (UE) acolheu tantos
requerentes de asilo. Depois da Alemanha, aparecem a Itália (204 mil), a
Hungria (203 mil) e a Suécia (178 mil).
Um
pedido de asilo, porém, não significa que todos tiveram seus requerimentos
deferidos e, assim, obtido o direito de residência de forma automática. Em
média, em primeira instância, a Alemanha autorizou pedidos de asilo a mais da
metade (56%) dos requerentes nos últimos dez anos, concedendo o direito de
permanência a 1,5 milhão de pessoas.
Em uma
comparação europeia, a Alemanha está acima da média da UE e também à frente de
outros países que acolheram um alto número de refugiados. Vale lembrar que a
Alemanha é um dos poucos países que concede direito de asilo a perseguidos
políticos, algo que pode ser reivindicado na Justiça.
De
acordo com os tratados da Convenção de Genebra, além de perseguidos
políticos, podem permanecer na Alemanha aqueles que são considerados refugiados
ou têm direito à proteção subsidiária, por exemplo, porque há guerra em seu
país de origem. No total, cerca de 3,5 milhões de pessoas em busca de refúgio
vivem hoje na Alemanha.
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2. De onde vêm as pessoas que solicitaram asilo na Alemanha?
Em 2015
e 2016, a maioria dos requerentes de asilo na Alemanha veio da Síria, do
Afeganistão e do Iraque, países que há anos sofrem com guerras e conflitos.
Metade
de todos os sírios que vivem hoje na Alemanha chegou no país europeu entre 2014
e 2016 devido à guerra civil. Cerca de um quinto já possui a cidadania
alemã, e um décimo nasceu na Alemanha.
Desde a
invasão russa na Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022, muitos ucranianos
também buscaram refúgio no país: atualmente, quase 1,3 milhão de refugiados na
Alemanha vieram da Ucrânia.
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3. Homens, mulheres, crianças: quem procurou refúgio na Alemanha?
Do 1,2
milhão de requerentes de asilo na Alemanha em 2015 e 2016, quase metade (564,4
mil) tinha entre 18 e 34 anos; destes, três quartos eram homens.
Ao ter
o pedido de asilo deferido, esse direito também se aplica ao cônjuge do
refugiado e aos filhos menores de idade, que podem ir para a Alemanha e
ter a permanência autorizado por meio de reagrupamento familiar.
Entre
2015 e meados de 2017, 230 mil pedidos de reagrupamento familiar foram
aprovados, segundo a Associação Alemã de Cidades e Municípios. Para refugiados
com status de proteção restrita, porém, esse reagrupamento familiar foi
suspenso por dois anos em julho de 2025.
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4. Quão integrados estão os refugiados hoje?
Um dos
indicadores mais importantes para medir o sucesso da integração é a inserção no
mercado de trabalho. De acordo com a pesquisadora de migração na Universidade
de Bamberg Yuliya Kosyakova, a Alemanha teve sucesso parcial nesse quesito.
"Eu diria que conseguimos parcialmente. Ou melhor, não conseguimos com
todos. Ainda há espaço para melhorias no que diz respeito às refugiadas e aos
refugiados mais velhos."
Os
números indicam uma tendência positiva: no final de maio de 2025, a taxa de
desemprego estava no nível mais baixo desde janeiro de 2015, e a de emprego, no
nível mais alto, para pessoas provenientes de países como Afeganistão, Paquistão, Irã,
Iraque, Síria, Somália, Eritreia e Nigéria.
Se
analisarmos outro indicador, a taxa de ocupação, que também inclui
trabalhadores autônomos, vemos que quanto mais tempo os refugiados permanecem
no país, mais chances têm de encontrar um emprego. Dos que chegaram à Alemanha
em 2015, mais de 60% encontraram um emprego após sete anos.
"Vemos
que a integração no mercado de trabalho é particularmente bem-sucedida entre os
mais jovens, ou seja, para quem tem até 45 anos. Para pessoas com mais de 45
anos, a taxa de ocupação na Alemanha é significativamente mais baixa, mesmo ao
longo do tempo", diz Kosyakova.
"Os
requerentes de asilo que chegam à Alemanha são, em média, menos qualificados. É
claro que também há médicos e médicas, mas a maioria não tem formação
universitária ou profissional. As pessoas chegam, não sabem alemão, precisam
ser assistidas pelo Estado e vivem de benefícios sociais. Leva alguns anos até
que consigam encontrar um emprego e, mesmo assim, muitas vezes trabalham em
funções que exigem pouca qualificação", observa Daniel Thym, que
pesquisa migração na Universidade
de Constança.
Em
comparação com as atividades realizadas em seus países de origem, os refugiados
na Alemanha trabalham mais frequentemente como ajudantes do que como
profissionais qualificados, especialistas ou peritos, conforme revelou uma
pesquisa realizada em 2017. Além da qualificação geralmente mais baixa e da
falta de conhecimentos linguísticos, o não reconhecimento de diplomas ou a
escassez de acomodação em regiões com menos oportunidades também contribuem
para o cenário.
E isso
também gera consequências para a renda: o salário bruto mensal dos refugiados
que chegaram à Alemanha em 2015 era de 1.600 euros para os trabalhadores em
tempo integral. No mesmo ano, o salário bruto médio mensal alemão era de 3.771
euros.
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5. Qual é o nível de conhecimento de alemão dos refugiados?
Outro
fator bastante utilizado para avaliar a integração é o conhecimento do alemão.
Isso se deve, em parte, ao fato de que, para muitas profissões na Alemanha, é
essencial ter um conhecimento amplo do idioma.
Há
diferenças significativas entre os sexos em relação ao aprendizado do novo
idioma. De acordo com uma pesquisa realizada com refugiados em 2020, 34% das
mulheres tinham conhecimentos avançados de alemão (certificado nível B1). Entre
os refugiados do sexo masculino, essa porcentagem era de 54%. E isso também se
reflete nos números do mercado de trabalho: embora muitas vezes tenham boa
formação, as mulheres têm mais dificuldades para encontrar um emprego.
Para
Yuliya Kosyakova, há várias razões para isso. Por um lado, as mulheres mais
jovens muitas vezes têm filhos para cuidar. Por outro, em seus países de
origem, essas mulheres costumavam atuar mais frequentemente em profissões em
que a língua e as qualificações profissionais desempenham um papel importante,
como professoras ou funcionárias públicas.
"Há
um risco maior de não reconhecimento das qualificações. E também é necessário
ter um conhecimento do idioma muito maior para ingressar nessas profissões, em
comparação, por exemplo, com um emprego no setor da construção", diz
Kosyakova.
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6. Quantos refugiados daquela época adquiriram cidadania alemã?
Desde
2016, cerca de 414 mil pessoas provenientes de países com histórico de
refugiados foram naturalizadas, sendo destes 244 mil sírios.
"Estamos
agora em uma época em que muitos refugiados de 2015 estão se naturalizando.
Alguns sírios estão pensando em voltar para a Síria porque o regime de Assad caiu, embora
talvez já tenham se naturalizado aqui. Muitas vezes, porém, eles decidem ficar
porque abriram um negócio aqui, porque se estabeleceram aqui, porque os filhos
estão na escola aqui", diz o pesquisador de migração Hannes Schammann, da
Universidade de Hildesheim.
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7. Quanto custou à Alemanha acolher tantos refugiados?
As
estimativas sobre os custos do acolhimento de refugiados na Alemanha são
divergentes, como mostra a plataforma Integration. Dependendo do método de
cálculo, os custos variam entre 5,8 trilhões de euros e uma arrecadação anual
posterior de 95 bilhões de euros.
Fato é
que, quando alguém em busca de asilo chega à Alemanha, o país inicialmente arca
com custos, antes de se beneficiar da força de trabalho do imigrante. Assim, os
"gastos relacionados aos refugiados" no orçamento federal em 2023
foram de quase 30 bilhões de euros, com os benefícios sociais representando a
maior fatia desse volume.
Em
abril de 2025, cerca de 43% imigrantes em busca de refúgio – pouco menos de um
milhão de pessoas – receberam apoio financeiro na Alemanha na forma de auxílio
básico, um benefício do Estado para desempregados ou para aqueles que não
ganham o suficiente para seu sustento.
Embora
esse número tenha permanecido praticamente inalterado nos últimos anos, o
número de estrangeiros que recebem o auxílio básico aumentou significativamente
em 2022. Naquele ano, muitos refugiados deixaram a Ucrânia rumo à Alemanha e, devido a uma
regulamentação especial, tiveram direito imediato ao auxílio.
No
mesmo período, o número de alemães que recebem o auxílio diminuiu ligeiramente.
No entanto, eles ainda representam a maior parte (52%). O segundo maior grupo
entre os beneficiários são pessoas provenientes de países com histórico de
refugiados (17%), seguidas pelos ucranianos (13%).
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8. Como o clima mudou na Alemanha?
Enquanto
a maioria dos alemães estava mais aberta à acolhida de imigrantes em janeiro de
2015, dez anos depois, 68% dos eleitores entrevistados acreditam que o país
deveria receber menos refugiados.
Em
2023, cidadãos com essa opinião formaram pela primeira vez a maioria entre os
entrevistados. No mesmo ano, uma pesquisa encomendada pela Fundação Bertelsmann
também mostrou que a imigração é agora vista de forma mais negativa.
De
acordo com a pesquisa, 78% observam peso extra da imigração para o Estado e 73%
enxergam conflitos entre locais e imigrantes. Sobre o fato de a imigração ser
importante para a economia da Alemanha, apenas 63% concordam com essa
afirmação.
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9. Existe um risco elevado de criminalidade por parte dos refugiados?
Crimes
violentos cometidos por refugiados contribuíram para a mudança de opinião da
sociedade alemã. Ataques como o ao mercado de Natal na praça
Breitscheidplatz, em Berlim, em 2016, ou em Solingen, em 2024, alimentaram o medo
de terrorismo. O partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD)
soube tirar proveito político desses casos e, atualmente, elegeu a segunda
maior bancada no Parlamento alemão.
Mas,
afinal, como está a situação da criminalidade no geral? Uma análise das
estatísticas da polícia mostra que os estrangeiros são suspeitos em 35% de
todos os casos. No entanto, eles representam apenas cerca de 15% da população.
De acordo com especialistas, esses dados não indicam necessariamente que os
refugiados cometem crimes com mais frequência do que os alemães.
"Atualmente,
poderíamos dizer que isso é claramente uma representação exagerada, mas há
muitos fatores distorcivos", afirma Gina Wollinger, criminologista da
Faculdade de Polícia e Administração Pública de Colônia.
A
explicação estaria no fato de que pessoas que não são alemãs ou que são
percebidas como estrangeiras são denunciadas com muito mais frequência do que
os alemães, segundo Wollinger.
"Os
refugiados também não são uma amostra representativa da sociedade da qual têm
origem, mas principalmente homens jovens. E sabemos que essas duas
características, ser jovem e do sexo masculino, estão fortemente relacionadas à
criminalidade violenta", afirma.
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10. Como a política migratória mudou desde 2015?
Desde a
declaração de Merkel – "nós vamos conseguir" –, em 31 de agosto de
2015, a política migratória alemã mudou significativamente. Essa tendência
também se reflete no sentimento dos refugiados: enquanto 57% se sentiam muito
bem-vindos no ano em que chegaram, apenas 28% ainda tinham essa mesma sensação
mais de sete anos depois, conforme um relatório do Instituto de Pesquisa do
Mercado de Trabalho e Profissões.
E essa
mudança política começou muito rapidamente, diz o pesquisador de migração
Daniel Thym: "Já no outono de 2015, as leis foram consideravelmente
endurecidas, os benefícios para os requerentes de asilo foram reduzidos, novos
países de origem foram declarados seguros e o reagrupamento familiar foi
restringido".
A
política alemã enfrenta um dilema: por um lado, pretende reduzir o número de
requerentes de asilo. Por outro, o país precisa urgentemente de mão de obra
qualificada do exterior para impulsionar a economia.
Esse
era um dos objetivos do governo de coalizão liderado pelo chanceler federal
social-democrata Olaf Scholz (SPD, social-democratas, de
centro-esquerda) a partir de 2021. Assim, a chamada "mudança de rota"
permitiria a transição do processo de asilo para o direito regular de
residência.
Desde a
mudança de governo, em 2025, a coalizão formada pelos conservadores da União
Democrata Cristã (CDU) e da União Social Cristã (CSU) e pelos social-democratas
tem se concentrado em restringir a política migratória e repatriar aqueles que
tiveram o pedido de asilo negado.
Com a
introdução de um cartão de pagamento para requerentes de asilo, controles de
fronteira mais rigorosos e mais deportações, a Alemanha "evidentemente não
conseguiu", como disse o atual chanceler federal, Friedrich Merz (CDU),
referindo-se à declaração de Merkel.
O
pesquisador Hannes Schammann discorda desta conclusão. "Acredito que a
tarefa de 2015 foi, em grande parte, cumprida". Agora, trata-se de
encontrar soluções politicamente inteligentes para novos desafios e "não
ficar olhando para 2015 o tempo todo, mas sim para frente, e perguntar: como
podemos resolver isso?"
Fonte:
DW Brasil

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