Assim
Trump acelera o declínio dos EUA
Um
Trump convertido em metralhadora giratória ocupou nesta manhã (23/9) a tribuna
da Assembleia Geral da ONU. Mal avaliado junto aos eleitores (seu déficit de
popularidade acaba de atingir 17%), mas beneficiado
pela ausência de uma oposição interna consistente, presidente tornou-se, nas
últimas semanas, ainda mais agressivo. O assassinato de Charlie Kirk deu-lhe
pretexto para perseguir tudo o que se aproxime de esquerda. As razias violentas
nos bairros de imigrantes prosseguem. Nas Nações Unidas, a virulência foi a
marca de um discurso repleto de inverdades e especialmente feroz contra a
justiça social, a solidariedade e a defesa do ambiente.
No texto a seguir, o economista Michael Hudson desenha o cenário devastador que
se esconde por trás desta suposta demonstração de força. Trump criou uma crise
múltipla para a economia norte-americana. A guerra comercial tirou da
agricultura mercados como os da China e Rússia. A indústria sofre aumento expressivo
de custos (o aço e alumínio importados têm tarifas de 50%) e desorganização das
cadeias produtivas, devido à incertaza e instabilidade em relação aos
fornecedores. A inflação está em alta, porque após desovar antigos estoques, e
absorver por algum tempo o custo das taxas aduaneiras, o comércio está
repassando aos consumidores os preços majorados. Faltam braços na construção e
na agricultura, devido à perseguição aos imigrantes. O acesso à habitação
tornou-se mais difícil, porque as taxas de juros de longo prazo subiram, devido
à instabilidade econômica e aos sinais erráticos do presidente.
O
desastre do principal expoente da ultradireita mundial está à vista. As
palavras ásperas o encobrirão?
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1. O Empobrecimento da agricultura norte-mericana
Trump
criou uma tempestade perfeita para a agricultura americana. Sua política de
Guerra Fria fechou, para os produtores norte-americanos, as chances de vender
para China e Rússia. Suas tarifas aduaneiras elevadas bloqueiam importações e,
ao fazê-lo, elevam os preços de equipamentos agrícolas e outros insumos. Seus
déficits orçamentários produzem inflação, mantêm altas as taxas de juros para
empréstimos habitacionais e agrícolas e para a compra de equipamentos. Ao mesmo
tempo, mantêm rebaixados os preços das terras agrícolas.
O
exemplo mais notório é a soja, a principal exportação agrícola norte-americana
para a China. A transformação do comércio exterior dos EUA em arma trata as
exportações e importações como ferramentas. Busca privar países estrangeiros
de commodities essenciais, como alimentos, petróleo e, mais
recentemente, alta tecnologia para chips de computador e equipamentos. Após a
revolução de Mao em 1945, os EUA restringiram as exportações norte-americanas
de grãos e outros alimentos para a China, na esperança de vencer o novo governo
comunista pela fome. O Canadá quebrou esse bloqueio de alimentos – que agora,
no entanto, tornou-se um braço da política externa da OTAN.
A
transformação do comércio exterior em arma por Trump levou a China a
interromper totalmente suas compras antecipadas da safra de soja americana
deste ano. A China busca, naturalmente, evitar ser ameaçada por um novo
bloqueio de alimentos. Por isso, impôs tarifas de 34% sobre as importações de
soja dos EUA. O resultado foi redirecionar suas importações para o Brasil, com
zero compras nos Estados Unidos até agora em 2025. É algo traumático para os
agricultores norte-americanos, porque quatro décadas de exportações de soja
para a China fizeram com que metade da produção de soja dos EUA seja
normalmente exportada para a China. No estado de Dakota do Norte, a proporção
cheag a 70%.
A
transferência, pela China, de suas compras de soja para o Brasil é
irreversível. Os agricultores brasileiros ajustaram suas decisões de plantio
para atender ao novo cliente. Como membro dos BRICS, especialmente sob a
liderança de Lula, o Brasil promete ser um fornecedor muito mais confiável do
que os Estados Unidos, cuja política externa passou a tratar a China como um
inimigo existencial. Há pouca chance de a China responder a uma promessa dos
EUA de restaurar o comércio normal, deslocando suas importações do Brasil. Isso
seria traumático para a agricultura brasileira e tornaria a China um parceiro
comercial não confiável.
A
pergunta é: o que será feito da enorme quantidade de terras agrícolas
norte-americanas que foi dedicada à produção de soja? Incapazes de encontrar
mercados estrangeiros para substituir a China, os agricultores estão relatando
sofrer perdas. A soja está se acumulando além da capacidade de armazenamento de
safras. O resultado é a ameaça de execuções hipotecárias e falências de
propriedades rurais, o que reduziria os preços das terras agrícolas. E como as
taxas de juros permanecem altas para empréstimos de longo prazo, como
hipotecas, isso desencoraja os pequenos agricultores de adquirir as
propriedades endividadas O resultado é acelerar a concentração de terras
agrícolas nas mãos de grandes fundos financeiros absentistas e dos mais ricos.
Essa
mudança é irreversível. Apesar da decisão da Suprema Corte, de que as tarifas
de Trump são inconstitucionais e portanto ilegais, parece provável que o
presidente possa fazer com que a Câmara e e o Senado — bipartidários e
anti-China — imponham essas tarifas. De qualquer forma, a nova política
norte-americana representa uma mudança radical, um salto quântico na
agressividade comercial coercitiva dos EUA.
Há zero
chance de o comércio EUA-China de soja, ou de outros produtos importados por
Pequim, ser reativado. Nem a China, nem outros países ameaçados pela agressão
comercial norte-americana, podem correr o risco de depender do mercado dos EUA.
A
pressão sobre custos e a renda na agricultura norte-americana vai, no entanto,
muito além das vendas de soja. Os custos de produção também estão aumentando
como resultado de dois fatores: as tarifas de Trump, especialmente sobre
maquinário agrícola e fertilizantes; e a restrição do crédito, à medida que o
risco de inadimplência da dívida agrícola aumenta.
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2. As tarifas que aumentam o custos daprodução industrial
A
anarquia tarifária de Trump também está causando perdas e demissões. Dois mil
funcionários da John Deere and Company, que produzem máquinas agrícolas, foram
demitidos. A demanda também caiu para outros fabricantes de equipamentos
agrícolas. O problema mais sério é que seus equipamentos de colheita, assim
como automóveis e todas as outras máquinas, são feitos de aço e de alumínio.
Trump quebrou a lógica básica das tarifas – promover a competitividade da
indústria de alto lucro e capital intensivo (especialmente monopólios), em
grande parte por meio da minimização do custo das matérias-primas. Aço e
alumínio estão entre as mais básicas.
Essas
tarifas atingiram a John Deere de duas formas. As vendas de sua produção
doméstica estão baixas devido à depressão da renda agrícola descrita acima. As
safras de milho e soja cresceram muito este ano, o que produziu uma queda de
seus preços e da renda agrícola. Isso limita a capacidade dos agricultores de
comprar nova maquinaria.
A Deere
importa cerca de 25% dos componentes de seus produtos. O custo foi elevado, em
função das tarifas de Trump. As fábricas da Deere na Alemanha foram
especialmente atingidas. Trump surpreendeu a empresa ao decretar que, além das
tarifas de 15% sobre importações da UE, ele está impondo um imposto de 50%
sobre o conteúdo de aço e alumínio dessas importações.
Isso
também atinge produtores estrangeiros de equipamentos agrícolas. Levando a
novas queixas da União Europeia sobre os “sustos” constantes de Trump, que além
disso reivindica “contrapartidas”, em troca de não elevar ainda mais as tarifas
sobre importações da UE.
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3. Mais dependência do petróleo estrangeiro e mais aquecimento global
Opondo-se
a qualquer medida que alivie o aquecimento global, Trump retirou-se do Acordo
de Paris e cancelou os subsídios para a energia eólica e o transporte público.
Este é um efeito do lobby da indústria petrolífera. A política
externa, e também a política econômica interna dos EUA, são dominadas pela
tentativa de controlar o petróleo, como chave para transformar as sanções
comerciais externas em armas. Logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, Los
Angeles eliminou seus bondes, forçando os habitantes a aderir à economia do
automóvel. O presidente Dwight Eisenhower iniciou um programa de construção de
estradas interestaduais para favorecer o transporte automotivo – e, com ele, o
consumo de petróleo.
A
agricultura norte-ameircana também é assolada por uma escassez de água cada vez
mais profunda e pela destruição causada por inundações, secas e outros eventos
climáticos. Uma causa é o clima extremo, resultante do aquecimento global.
Trump nega o fenômeno, como parte de sua política de apoiar os setores de
petróleo e o carvão dos EUA. Ao mesmo tempo, luta incessantemente contra a
produção de energia eólica e solar. Por tudo isso, os EUA saíram do Acordo de
Paris para descarbonizar a produção mundial.
Os
custos dos seguros estão subindo para patamares inacessíveis, em muitas áreas
propensas a tempestades e inundações. O custo da habitação disparou em Miami e
outras cidades da Flórida e nos estados do sul da fronteira, ameaçados por
furacões.
Dois
distúrbios paralelos são o aumento do preço da eletricidade e a escassez de
água. Foram causados pela demanda crescente, para resfriar os computadores
necessários à inteligência artificial e à computação quântica, que o presidente
apoia sem limites. A demanda crescente por eletricidade está muito além dos
planos de investimento das concessionárias de energia para aumentar sua
produção. Esse tipo de planejamento leva muitos anos – e as empresas ficam
felizes quando veem a escassez empurrar a demanda para muito acima da oferta, o
que permite que os preços da eletricidade sejam um dos principais fatores para
o aumento da inflação dos custos de produção.
Trump e
seu gabinete zombaram da China por gastar muito dinheiro em seu serviço de trem
de alta velocidade. Os cálculos ocidentais de eficiência econômica ignoram os
efeitos desse desenvolvimento ferroviário, de importância crucial no balanço de
pagamentos. Ele evita forçar os chineses a dirigir carros usando petróleo
importado. A China não tem uma indústria petrolífera que domine seu
planejamento econômico ou sua política externa. Por isso, seus objetivos de
política externa em relação ao comércio de petróleo são opostos aos dos Estados
Unidos.
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4. A tentativa frustrada de transformar as exportações em armas
Tanto
Trump quanto o Congresso dos EUA ameaçaram sabotar os switches de
computador exportados, convertendo-os em “interruptores de autodestruição” (kill
switches) secretos, para desligá-los por decisão norte-americana. Isso
levou a China a cancelar suas compras que planejava fazer junto à Nvidia. A
empresa alertou que, sem os lucros das exportações para a China, não poderá
arcar com a pesquisa e desenvolvimento necessários para manter a
competitividade e seu quase-monopólio na fabricação de chips.
Essas
políticas comerciais, que reduzem os mercados de exportação e as importações
dos EUA, são uma das razões pelas quais o dólar está se enfraquecendo. Mas há
outras causas: o declínio do turismo, como resultado de os EUA hostilizarem
visitantes – em especial, os estudantes chineses, dos quais as universidades
norte-americanas dependiam, por serem os que mais pagam.
Estes
movimentos não comerciais do balanço de pagamentos explicam por que a política
de altas tarifas de Trump não levou o dólar a se fortalecer, mesmo tendo
desencorajado as importações. Normalmente, isso aumentaria o saldo comercial.
Mas a guerra de Trump contra todos os outros países (principalmente seus
aliados europeus, o Japão e a Coreia) levou-os a rever sua dependência em
relação às exportações dos EUA. Isso afeta a soja e produtos contra os quais
estes países estão retaliando, para proteger seu próprio balanço de pagamentos.
E também resulta em reduções no fluxo de turismo externo para os EUA, na menor
presença de estudantes estrangeiros, na redução da dependência de importação de
armas dos EUA. Acima de tudo, haverá fuga de capitais financeiros dos EUA,
visto que o encolhimento do mercado interno do país deve reduzir os lucros dos
investidores e o declínio do dólar reduzirá sua margem de ganho.
Além
disso, à medida que os BRICS e outros países realizarem as trocas comerciais em
suas próprias moedas, este movimento reduzirá sua necessidade de manter
reservas cambiais em dólares. Eles estão migrando para as moedas uns dos
outros, e, claro, para o ouro — cujo preço acabou de disparar para mais de US$
3.500 a onça.
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5. O Aumento acentuado dos custos da eletricidade, moradia e produtos
industriais
A
decisão de Trump de impor tarifas sobre insumos básicos, começando pelo
alumínio e aço, está aumentando os preços de todos os produtos industriais
feitos a partir desses metais.
E,
claro, as tarifas estão elevando os preços em toda a cadeia produtiva, à medida
em que se esgota a capacidade das empresas de manter as cotações absorvendo o
custo dos impostos e reduzindo suas margens de ganho. Agora, seus estoques de
bens produzidos pela China, Índia e outros países se esgotam.
Pior: a
deportação de imigrantes por Trump aumentou o custo da construção civil, que
dependia amplamente da mão de obra imigrante. O mesmo processo atingiu a
agricultura na Califórnia e de outros estados na época da colheita. Não está
claro quem, se é que alguém, substituirá essa mão de obra.
Trump
exigiu que a Europa e outros “parceiros” comerciais dos EUA direcionassem
investimentos ao país. Mas seus atos tornaram o mercado norte-americano muito
menos desejável. Ao final, ele acabou oferecendo uma lição objetiva de o que
outros países precisam evitar, ao criar regulamentações, regras fiscais e
política comercial para minimizar seus custos de produção e se tornar mais
competitivos.
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6. A política monetária eleva as taxas de juros de longo prazo
As
taxas de juros de longo prazo determinam o custo das hipotecas e, portanto, a
possibilidade de acesso à habitação. A política inflacionária de Trump também
aumentou as taxas de juros para títulos de longo prazo. O efeito é concentrar o
endividamento em vencimentos de curto prazo, acumulando os problemas de rolagem
da dívida em tempos de crise financeira. Isso prejudica a resiliência da
economia.
Muitos
bens de consumo importados são comprados pelos ultra-ricos – os 10% da
população que, segundo relatos, respondem por 50% dos gastos do consumo. Para
eles, preços mais altos apenas aumentam o prestígio de itens de status de
consumo compulsivo (incluindo caras iguarias alimentares).
¨
O sistema americano está terrivelmente quebrado. Por Bernie Sanders
Vamos
respirar fundo e, por um momento, esquecer Donald Trump , Jimmy Kimmel , a ONU , Charlie Kirk , Gaza, uma
paralisação do governo e as outras crises que enfrentamos.
Em vez
disso, vamos falar sobre a realidade sobre a qual a mídia controlada pelas
corporações e o sistema político controlado pelas corporações não falam muito.
O que
estamos testemunhando agora é a ascensão de duas Américas. Uma para a classe
bilionária. E outra para todos os outros.
Em uma
América, as pessoas mais ricas estão se tornando obscenamente mais ricas e
nunca estiveram tão bem. Essa América está transbordando de riqueza, ganância e
opulência inimagináveis, o que faz a Era Dourada parecer muito modesta.
E então
há uma segunda América — uma América onde a maioria das pessoas vive de salário
em salário, lutando para garantir as necessidades básicas da vida —
alimentação, assistência médica, moradia e educação.
A
verdade simples é que nunca antes em nossa história tão poucos tiveram tanta
riqueza e poder enquanto tantos vivem em desespero econômico.
Na
primeira América, um homem – Elon Musk , o homem mais rico do mundo, com uma
fortuna de mais de US$ 480 bilhões, possui mais riqueza do que os 52% mais
pobres das famílias americanas. Depois de gastar US$ 290 milhões para colocar
Trump de volta na Casa Branca, Musk enriqueceu mais de US$ 180 bilhões desde o
dia da eleição. É um retorno bastante positivo sobre o seu investimento.
Mas
isso aparentemente não é bom o suficiente para Musk. Para mantê-lo
"motivado" como CEO, o conselho da Tesla propôs dar a ele um pacote
salarial de US$ 1 trilhão se ele atingisse certas metas. Um trilhão de dólares.
Jeff
Bezos, a quarta pessoa mais rica do mundo, tem uma fortuna de US$ 233 bilhões.
Ele pode navegar até Veneza em seu iate de US$ 500 milhões para seu suposto
casamento de US$ 50 milhões, onde presenteou sua esposa com um anel de US$ 3
milhões a US$ 5 milhões – porque, entre outras coisas, sua alíquota efetiva de
imposto de renda é de apenas 1,1%.
Mark
Zuckerberg, a terceira pessoa mais rica do mundo, tem uma fortuna de US$ 258
bilhões. Ele gastou US$ 110 milhões para comprar 11 casas em Palo Alto,
Califórnia, para construir seu próprio complexo residencial, e outros US$ 270
milhões para comprar mais de 930 hectares no Havaí, incluindo um bunker
subterrâneo de 460 metros quadrados e três iates, avaliados em mais de US$ 530
milhões.
Na
outra América, onde vive a grande maioria do nosso povo, a economia não está
apenas quebrada, está em colapso.
Larry
Ellison, a segunda pessoa mais rica do mundo – com patrimônio de US$ 377
bilhões – enriqueceu quase US$ 100 bilhões em um único dia. Ele é dono de uma
ilha particular no Havaí e de uma frota de jatos, e agora, segundo informações,
está tentando comprar grandes empresas de mídia, como Warner Bros e CNN.
Juntos,
esses quatro homens valem mais de US$ 1,3 trilhão. Mas não são só eles. O 1%
mais rico agora possui mais riqueza do que os 93% mais pobres.
O 1%
vive em um mundo completamente distante do americano comum. Não pegam metrôs
lotados para ir ao trabalho nem enfrentam engarrafamentos para voltar para
casa. Voam em jatos particulares e helicópteros que possuem. Moraram em mansões
pelo mundo todo, matricularam seus filhos nas escolas particulares de elite e
passaram férias em suas próprias ilhas. E, por diversão, alguns gastam milhões
para voar para o espaço em seus próprios foguetes.
E há a
outra América, onde vive a vasta maioria do nosso povo. Para eles, a economia
não está apenas quebrada, está em colapso. Nesta América, apesar do aumento
maciço da produtividade dos trabalhadores, os salários semanais reais do
trabalhador americano médio são hoje mais baixos do que há mais de 52 anos.
Nesta
América, as pessoas não têm condições de pagar uma consulta médica (se tiverem
a sorte de encontrar uma); estão gastando mais da metade de sua renda limitada
com aluguel ou hipoteca; e não conseguem arcar com o custo exorbitante de
creches ou mandar os filhos para a faculdade. Nesta América, o preço de
vegetais, frutas e outros alimentos saudáveis está além
do orçamento de muitos.
Para a
maioria dos americanos, o sistema não está apenas quebrado, ele está entrando
em colapso e cada vez mais se assemelha à vida no terceiro mundo.
Todos
precisam de assistência médica. No entanto, hoje, mais de 85 milhões de
americanos não têm plano de saúde ou têm um plano de saúde insuficiente — um
número que aumentará em pelo menos 15 milhões com o chamado projeto de lei
grande e bonito de Trump.
Todos
precisam de moradia. No entanto, hoje, quase 800.000 americanos estão
desabrigados e mais de 20 milhões de famílias pagam mais de 50% de sua renda
limitada com aluguel ou hipoteca. Desde 2000, os aluguéis médios mais que
dobraram e o preço mediano de uma casa disparou para mais de US$ 435.000.
Todos
precisam de uma educação decente. No entanto, hoje, nosso sistema de creche
está falido e extremamente caro. Muitas de nossas escolas públicas estão em
ruínas, com professores mal pagos e subestimados, e os estudantes americanos
estão ficando para trás em matemática, ciências e leitura em comparação com
seus colegas internacionais. O ensino superior é inacessível para milhões de
pessoas e as escolas profissionalizantes não conseguem formar os profissionais
de que precisamos desesperadamente.
Todos
precisam de uma aposentadoria segura. No entanto, quase metade dos
trabalhadores mais velhos não tem poupança para a aposentadoria e não tem ideia
de como se aposentarão com algum resquício de dignidade ou respeito. Enquanto
isso, 22% dos idosos tentam sobreviver com uma renda inferior a US$ 15.000 por
ano.
Já
chega.
Como
disse o juiz da Suprema Corte Louis Brandeis em 1933: “Podemos ter democracia
neste país ou podemos ter grande riqueza concentrada nas mãos de poucos, mas
não podemos ter as duas coisas”.
Esse
aviso é ainda mais relevante hoje.
Neste
momento crucial da história americana, precisamos criar um governo e uma
economia que funcionem para todos, ou continuaremos a cair na oligarquia, onde
a classe bilionária controla nosso governo, nossa economia e nosso futuro.
Deixem-me
dizer aos meus compatriotas americanos: sei que a vida cotidiana pode ser
desgastante, mas não devemos nos deixar levar pelo desespero. Se não nos
deixarmos dividir por Trump e seus aliados oligarcas, podemos mudar o caminho
que estamos trilhando.
A
escolha é clara. Vamos lutar juntos pela democracia e pela justiça.
Fonte:
Por Michael Hudson – tradução Antonio Martins em Outras Palavras/The Guardian

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