sábado, 27 de setembro de 2025

Processo contra Eduardo Bolsonaro no Conselho de Ética terá deputado que já o chamou de 'amigo' como relator

O deputado Delegado Marcelo Freitas (União-MG) foi escolhido nesta sexta-feira (26) como relator do processo contra Eduardo Bolsonaro (PL-SP) no Conselho de Ética da Câmara.

A definição do nome foi comunicada ao g1 pelo presidente do órgão, Fabio Schiochet (União-SC), com base em uma lista tríplice sorteada na última terça (23). "Acho que pela parte da manhã já estará no sistema", disse.

O relator é um antigo aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), tendo participado das campanhas de 2018 e 2022, e já gravou vídeo ao lado de Eduardo.

Em outubro de 2019, Marcelo Freitas se referiu a Eduardo Bolsonaro como "amigo" e disse que apoiaria a então gestão Bolsonaro.

"Meus amigos de Minas Gerais, estamos aqui com o nosso amigo, deputado Eduardo Bolsonaro, apenas para dar tranquilidade aos nossos colegas, nossos amigos do PSL, e dizer que, haja o que acontecer, nós estamos com o governo do presidente Jair Bolsonaro", disse Freitas na ocasião.

O relator também endossou o coro de aliados de Bolsonaro contra uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que impediu o ex-presidente de usar redes sociais.

Em julho deste ano, Marcelo Freitas afirmou que a medida beirava o "absurdo". Ele ainda declarou que o país enfrenta uma "ditadura do Poder Judiciário", repetindo a tese do entorno do ex-presidente.

Com todo esse histórico, caberá a Freitas avaliar preliminarmente se o processo contra Eduardo tem elementos para continuar ou para ser arquivado.

<><> Processo contra Eduardo

O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro é alvo de uma queixa apresentada pelo PT. O partido pede a cassação do parlamentar por condutas incompatíveis com o mandato.

A sigla acusa Eduardo de trabalhar em defesa de sanções dos Estados Unidos para "desestabilizar instituições republicanas" do Brasil.

Pelas regras do Conselho de Ética, depois de Eduardo apresentar a defesa, Marcelo Freitas terá até dez dias úteis para apresentar o parecer preliminar, que terá de ser votado pelos membros do órgão.

Se o conselho decidir que o processo tem de continuar, começará a fase de produção de provas. Ao todo, um procedimento no Conselho de Ética pode durar até 90 dias úteis.

<><> O relator

Ex-delegado da Polícia Federal, Marcelo Freitas está em seu segundo mandato de deputado. Ele ocupa atualmente o cargo de presidente estadual do União Brasil em Minas Gerais.

Em 2019, no seu primeiro ano de Câmara, ele foi relator, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, da reforma da Previdência enviada pelo governo Bolsonaro.

•        Bolsonaro pede trégua entre Eduardo e Valdemar, temendo rumos do PL em 2026

Nas últimas semanas, aliados que visitaram Jair Bolsonaro (PL) em sua prisão domiciliar em Brasília relataram um pedido recorrente: convencer o filho Eduardo Bolsonaro (PL-SP) a reduzir os ataques nas redes sociais. O receio de Bolsonaro não estaria diretamente ligado à polêmica sobre o tarifaço imposto pelos Estados Unidos, mas sim ao impacto das investidas virtuais contra Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, figura central nas negociações políticas da direita.

Segundo Malu Gaspar, do jornal O Globo, Bolsonaro, às vésperas de iniciar o cumprimento da pena de 27 anos e 3 meses por envolvimento na trama golpista, busca preservar sua aliança com Valdemar. O objetivo é não comprometer a articulação em torno de uma possível anistia no Congresso e a formação de uma chapa presidencial competitiva em 2026, que pode incluir um membro da família Bolsonaro.

<><> Choque público entre Valdemar e Eduardo

O clima de tensão escalou após Valdemar declarar à Folha de S. Paulo que, caso Eduardo insistisse em disputar a Presidência em 2026 sem aval do pai, “iria matar seu pai”. A frase gerou forte reação do deputado, que classificou a fala como “canalhice” em entrevista à colunista Bela Megale, do Globo, cobrando retratação. O dirigente do PL respondeu de forma ainda mais dura:

“Canalhice é xingar o próprio pai e pensar que tem votos. Os votos são do seu pai, não seus. Mas, se o seu pai te escolher, vai ter o apoio do partido. Diferente de você, respeito muito seu pai”.

Nos bastidores, Valdemar atribui a insatisfação de Eduardo a disputas financeiras, afirmando que o parlamentar reclama da desigualdade na distribuição de verbas entre ele e Michelle Bolsonaro, presidente do PL Mulher. Um aliado próximo do dirigente resumiu:

“O que ele quer que a gente faça? Fique mandando dinheiro para ele lá nos Estados Unidos? Michelle é presidente do PL Mulher e o partido tem cotas para gastar com candidaturas femininas”.

<><> Acusações e contranarrativas

Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos desde o início do ano, rebate a versão da cúpula do partido. Seus aliados afirmam que, após a vitória de Donald Trump à Presidência norte-americana, ele foi nomeado secretário de Relações Institucionais e Internacionais do PL, com promessa de estrutura para atuação internacional, mas que o compromisso não teria sido cumprido.

Bolsonaro, proibido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de manter contato com o filho desde julho, teria solicitado a interlocutores que transmitissem a Eduardo um apelo por trégua com Valdemar. Ainda assim, o deputado segue desafiando. Em resposta recente nas redes sociais, escreveu:

“Não abdiquei de tudo para trocar afagos mentirosos com víboras. Não lutei contra tiranos insanos para me sujeitar aos esquemas espúrios dos batedores de carteira da ocasião. Esse é o momento para resgatarmos a direita, não para a enfiarmos nas mãos sujas do aproveitador de ocasião”.

<><> Disputa interna na direita

As faíscas entre Eduardo e Valdemar não são novidade. Em agosto, vieram à tona queixas do deputado sobre a falta de apoio do PL durante sua campanha por sanções contra autoridades brasileiras, movimento que acabou rendendo denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Além do embate com Valdemar, Eduardo mantém atrito com Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo. Mensagens de WhatsApp reveladas pela Polícia Federal expuseram a visão crítica do deputado sobre o governador, apontado por parte da direita como alternativa presidencial em 2026. “Só para te deixar ciente: Tarcísio nunca te ajudou em nada no STF. Sempre esteve de braço cruzado vendo você se foder e se aquecendo para 2026”, escreveu Eduardo ao pai.

<><> Cenário incerto para 2026

Com Eduardo desafiando apelos do pai e Valdemar reagindo de forma contundente, o cenário político da direita segue marcado por desconfiança e disputas internas. Mesmo sob pressão judicial e afastado do debate direto, Jair Bolsonaro busca preservar a unidade no PL para manter viva a possibilidade de uma chapa competitiva em 2026.

A resistência de Eduardo, porém, indica que a tentativa de pacificação enfrenta obstáculos significativos dentro da própria base bolsonarista.

•        Sóstenes nega ser "garoto de recado" de Bolsonaro nos EUA e admite tensão com Eduardo

O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), esteve nos Estados Unidos na última quinta-feira (25), onde se reuniu com Eduardo Bolsonaro e o influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo. Embora afirme que não foi ao país para transmitir mensagens, sua viagem ganhou repercussão após ter sido combinada dias antes com o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo a coluna da jornalista Andréia Sadi, do g1, Jair Bolsonaro teme que o filho esteja adotando posições capazes de inviabilizar articulações políticas em curso, fundamentais para sua situação jurídica. Sóstenes, no entanto, reforçou que não levou ordens do ex-mandatário: “Não sou garoto de recado, só queria ouvir o Eduardo para entender como devo trabalhar”, afirmou.

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<><> Resistência às mudanças na dosimetria

Durante a conversa, o deputado foi questionado sobre a posição de Eduardo Bolsonaro a respeito do projeto de dosimetria de penas. “Isso sem chance! Nem o Bolsonaro aceitou na segunda-feira”, disse Sóstenes, lembrando de encontro recente com o ex-mandatário em Brasília.

Eduardo tem insistido em defender uma anistia ampla aos investigados pelos atos de 8 de janeiro, proposta considerada sem espaço no Congresso e vista por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) como um entrave às negociações. Esse movimento é apontado por aliados como um fator que pode prejudicar acordos capazes de favorecer Jair Bolsonaro no campo político e jurídico.

Eduardo e Paulo Figueiredo, que residem atualmente nos EUA, têm articulado junto a integrantes do governo Donald Trump a imposição de sanções contra o Brasil e autoridades brasileiras. O objetivo é influenciar o resultado do julgamento de Jair Bolsonaro, condenado pela Primeira Turma do STF a cumprir uma pena de 27 anos e três meses de prisão por tramar um golpe de Estado após sua derrota no pleito presidencial de 2022.

<><> Encontros monitorados pelo STF

A ida de Sóstenes aos Estados Unidos foi acompanhada de perto por ministros do STF, que souberam da viagem ainda na terça-feira (23). Além de Eduardo, o líder do PL também se encontrou com Paulo Figueiredo. O influenciador comentou à insatisfação do ex-mandatário com o filho: “Jogamos água nos planos deles”, declarou.

Nos bastidores, a avaliação é de que a postura de Eduardo pode ampliar divisões internas e comprometer a coesão da direita, que já enfrenta dificuldades para se organizar diante da eleição presidencial de 2026. Esse cenário se agravou após o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), sinalizar em conversas reservadas que não pretende disputar o Palácio do Planalto.

•        Valdo Cruz: Tarcísio foi na onda do Centrão e se deu mal com Bolsonaro e STF

O governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), vai ter de usar seu encontro com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para fazer ajustes na relação entre os dois.

Segundo amigos de Bolsonaro, ele ficou incomodado com as movimentações do governador paulista nas últimas semanas, quando líderes do Centrão já o davam como candidato à Presidência da República.

Nesta quinta-feira (25), por sinal, Tarcísio já fez questão de dizer que não é candidato à Presidência da República, que seu projeto é buscar a reeleição e tentar conseguir uma anistia para "seu criador", o ex-presidente da República.

O fato é que, segundo interlocutores do próprio governador, ele acabou indo na onda do Centrão, que está louco para rifar de vez Bolsonaro, e circulou por Brasília passando a imagem de que seria candidato à Presidência da República.

Seus movimentos acabaram desagradando não só Bolsonaro, mas também ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), com os quais ele sempre teve boa relação.

Ele chegou a dizer que não confiava na Justiça e atacou o ministro Alexandre de Moraes. Resultado: virou alvo de críticas dos magistrados.

Agora, o governador começa a se reposicionar. Ele entendeu ainda que o momento não é mais tão propício à direita como era no primeiro semestre.

A movimentação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, levando Donald Trump a sancionar o Brasil com um tarifaço, acabou fazendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se recuperar e desgastou os pré-candidatos da direita à Presidência da República

<><> Tarcísio avisa que está fora da disputa presidencial em 2026, diante de uma direita fragmentada

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tem dito em conversas reservadas que não pretende disputar a Presidência da República em 2026.

Segundo interlocutores, ele demonstra forte convicção de que ficará fora da corrida presidencial diante de um cenário de fragmentação da direita.

A avaliação de Tarcísio é que a atuação do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) na articulação das sanções aplicadas pelos Estados Unidos ao Brasil contribuiu para dividir ainda mais o campo conservador.

Ele tem atribuído a essa movimentação a recuperação da aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que até junho enfrentava desgaste e queda de popularidade.

<><> Estratégia focada em São Paulo

Toda a estratégia política de Tarcísio está concentrada em tentar a reeleição ao governo de São Paulo em 2026. Além da fragmentação da direita, ele tem levantado novos fatores que pesam em sua decisão, como o risco de depender do apoio da família Bolsonaro para viabilizar uma candidatura nacional.

Caso entrasse na disputa presidencial, o governador teria de deixar o cargo até abril de 2026, por exigência da legislação eleitoral. O cenário de incerteza sobre uma unidade da direita e a possibilidade de perder respaldo dos Bolsonaros pesaram para que Tarcísio manifestasse desânimo a aliados.

Segundo pessoas próximas, ele também tem ponderado a necessidade de dar segurança à própria família e evitar expô-la a um futuro político indefinido.

<><> Conflito com Eduardo Bolsonaro

No auge do tarifaço, em julho, Tarcísio chegou a participar de uma reunião virtual com Eduardo Bolsonaro e o youtuber Paulo Figueiredo — aliado do deputado.

Na ocasião, alertou que as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil trariam consequências negativas para a direita, fortaleceriam Lula e, ao final, obrigariam Donald Trump a adotar uma solução pragmática diante da pressão do setor produtivo americano. Esse cenário acabou se confirmando.

Ainda assim, Eduardo Bolsonaro manteve ataques ao governador paulista e segue dizendo que será candidato ao Planalto em 2026, mesmo diante da possibilidade de ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

<><> Partido e sucessão na direita

Tarcísio também tem reiterado a aliados que não pretende deixar o Republicanos para se filiar ao PL, como chegou a sugerir o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto. Ele tem reafirmado lealdade ao ex-presidente Jair Bolsonaro e deve visitá-lo em prisão domiciliar na segunda-feira (29), mas interlocutores ressaltam que o encontro não tratará de eleições.

Com a saída de Tarcísio do radar presidencial, cresce nos bastidores a força do governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), que vinha sendo tratado como plano B da direita.

Nas últimas semanas, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, tem aproximado Ratinho Jr. de setores estratégicos no país, inclusive, junto ao empresariado, ao mercado financeiro e atores influentes da política.

Ampliando sua visibilidade como provável candidato ao Planalto no ano que vem.

 

Fonte: g1/Brasil 247

 

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