sábado, 27 de setembro de 2025

Nuvem de Governo lança o Brasil na corrida global pela soberania de dados, diz secretário

Em entrevista à Sputnik Brasil, secretário do Ministério da Gestão e da Inovação Rogério Mascarenhas diz que, no atual contexto da geopolítica global, armazenar em território nacional dados coletados e operados pelo governo é "a nova fronteira" para os Estados.

O governo federal anunciou recentemente a consolidação da Nuvem de Governo, também conhecida como Nuvem Soberana, uma estrutura que visa fornecer mais segurança e governança a dados coletados e operados pelo poder público federal. A medida é parte da Estratégia Nacional de Cibersegurança, que tem como meta alcançar uma nova maturidade para a cibersegurança do país.

O projeto foi consolidado a partir da parceria firmada em novembro entre o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) e a Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev).

Na ocasião, a ministra da pasta Esther Dweck afirmou que a nuvem de governo "fortalece a proteção contra ameaças cibernéticas" e assegura que "informações sensíveis permaneçam sob controle nacional".

Em entrevista à Sputnik Brasil, o secretário de Governo Digital do MGI, Rogério Mascarenhas, afirmou que a iniciativa ganha ainda mais importância com o crescimento da plataforma Gov.BR, usada para acessar serviços públicos digitais, como o Meu INSS, a Carteira de Trabalho Digital e o Título de Eleitor.

Hoje, cerca de 170 milhões de brasileiros, de um total de 213 milhões, tem cadastro no serviço.

"O Gov.BR, se transformou em um grande habilitador do acesso aos serviços digitais. E esse incremento [de segurança] é programado, porque a gente vem investindo muito nisso, na segurança, em robustecer essa forma de acesso", explica.

Ele afirma que a preocupação veio à tona após o governo assumir, em 2023, e perceber que o Serpro e a Dataprev estavam incluídos no plano de desestatização do governo anterior, com licitações que permitiam o armazenamento dos dados dessas empresas em nuvens públicas em qualquer lugar do mundo.

As empresas foram retiradas do plano de desestatização em abril de 2023, mas a preocupação deu origem ao projeto da Nuvem de Governo, que, segundo Mascarenhas, vai assegurar "dois níveis de soberania".

"Soberania de dados, ou seja, que a gente tenha acesso aos nossos dados, esses dados estão residentes e hospedados no território nacional e dados que estão sobre a guarda do Estado. E a segunda soberania é a soberania operacional, que quer dizer que, caso haja uma interrupção qualquer de fornecimento, pode ser um rompimento de um cabo, [...] a gente tenha a condição de manter essa operação."

Mascarenhas acrescenta que essa preocupação não é restrita ao Brasil, mas sim um fruto do desenho da geopolítica atual, na qual guerras despertaram nos Estados a preocupação em ter a guarda de dados em território nacional e manter sua operação. Diante disso, ele aponta que a soberania de dados se tornou uma espécie de "nova fronteira" para os Estados.

"Isso hoje é uma preocupação mundial, esse movimento é bastante forte. Essas nuvens soberanas, se você olhar pesquisas internacionais, demonstram que os países vêm colocando no seu mapa de evolução ou de migração esse processo de repatriação dos dados nos próximos dois anos. Então, isso de fato é um processo mundial, não se limita só ao Brasil."

Além da Nuvem Soberana, Mascarenhas lembra que o governo lançou em 2024 o Plano IA para o Bem de Todos (PBIA), voltado para a inteligência artificial, e que a Secretaria de Governo Digital do MGI está trabalhando em um plano para orientar os órgãos públicos sobre o uso da tecnologia, incluindo o uso ético e orientações sobre a chamada alucinação dos algoritmos, que ocorre quando as ferramentas de IA produzem respostas inverídicas.

"Hoje, no governo federal, a gente tem uma expectativa de fazer uma capacitação da ordem de mais de 20 mil funcionários ou servidores que possam estar fazendo uso [da IA]. Há publicação de guias de orientação. A própria estrutura dessa Nuvem de Governo [é pensada] para que a gente possa estar fazendo uso da inteligência artificial", afirma.

•        Energia de fontes renováveis representa mais de 64% do total utilizado pela indústria

A energia renovável foi responsável por 64% do consumo elétrico das indústrias brasileiras, aponta o Balanço Energético Nacional (BEN) de 2025, divulgado nesta quinta-feira (25), Ministério de Minas e Energia (MME) e pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

De acordo com o levantamento, os percentuais exatos foram 64,4% em 2024 e 64,7% em 2023. O resultado, de acordo com a pasta mostra que as fontes renováveis estão ganhando cada vez mais espaço na indústria.

A eletricidade representou 22% do total, sendo que 88,2% dessa energia veio de fontes limpas. O bagaço da cana foi a segunda principal fonte usada, com 21,3%. Também aparecem o licor preto (9%), a lenha (8,8%), o carvão mineral (11,9%), o gás natural (9,4%), o carvão vegetal (4%), o óleo combustível (1,3%) e outras fontes (12,3%).

Em alguns setores da indústria, aqueles onde a energia é um insumo fundamental, o consumo aumentou. O destaque foi para mineração e pelotização, que cresceram 8,4%.

Em seguida vieram as indústrias de papel e celulose, com 4,6%, e a de metais não-ferrosos e outros da metalurgia, com 3,2%.

Esse crescimento segue o que aconteceu no país inteiro em 2024, quando o consumo total de energia bateu 288,3 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (tep).

O setor industrial foi responsável por 91,4 milhões de tep, ou seja, 31,7% do total. Somado com o setor de transportes, os dois representam quase 65% de toda a energia usada no Brasil, de acordo com a publicação.

Em 2024, a participação das fontes renováveis chegou a 88,2% na geração total de eletricidade do país, percentual é superior à média mundial e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

•        Ex-ministro de Minas e Energia ressalta cooperação nuclear com a Rússia: 'Vejo grandes oportunidades'

Em entrevista à Sputnik na Semana Atômica Mundial, em Moscou, Bento Albuquerque destacou importância da energia nuclear para o futuro e reforçou protagonismo russo no setor e comentou sua visita à Usina Nuclear de Leningrado: 'Ficamos impressionados'.

À Sputnik Brasil, o ex-ministro de Minas e Energia Bento Albuquerque afirmou , nesta quinta-feira (25), que acredita em "grandes oportunidades" na relação entre Brasil e Rússia no campo da energia nuclear. A fala foi proferida durante a Semana Atômica Mundial, em Moscou, na Rússia.

Segundo Albuquerque, a ajuda da Rússia no desenvolvimento brasileiro no campo nuclear é importante em seguimentos como combustível, formação de profissionais e segurança, além de tecnologia. Para o ex-ministro, que atuou no governo de Jair Bolsonaro entre 2019 e 2022, é possível utilizar o conhecimento atômico russo em áreas como agricultura, medicina, entre outros.

"Nós já temos uma longa cooperação com a Rosatom de aproximadamente 40 anos, e já há alguns anos essa cooperação bilateral tem aumentado. Vejo grandes oportunidades não só em small nuclear facilities, que a Rússia tem de mais adiantado no mundo, como também no combustível nuclear e na mineração."

Albuquerque ressaltou que o Brasil ainda é muito dependente de outros países no campo nuclear e que é preciso, com cooperação de aliados como China e Rússia, progredir nesta matriz energética, classificada pelo ex-ministro como fundamental para a independência energética.

"A energia nuclear, com outras fontes de energia, é fundamental, não só para o Brasil, mas para a maioria dos países", afirmou.

Esse tema se torna ainda mais importante pois, segundo Albuquerque, o Brasil é um país em desenvolvimento que deve ser sua população aumentar nos próximos anos. "Poderá dobrar nos próximos 50 anos. E, para isso, nós vamos necessitar de energia, e a nuclear vai ter um papel fundamental."

Bento Albuquerque acredita que países do BRICS, como Brasil, China, Índia e Rússia, serão essenciais no incentivo à transição energética para outras nações do Sul Global.

"Hoje, nós temos que descarbonizar a matriz energética do mundo. Tendo países como Brasil, Rússia, China e Índia, por meio da cooperação, nós podemos expandir isso para outros países, não só os que estão no BRICS, mas também para outros países em desenvolvimento."

<><> 'Ficamos impressionados'

Antes de participar da Semana Atômica Mundial, Albuquerque visitou a Usina Nuclear de Leningrado, em São Petersburgo, classificada pelo ex-ministro como impressionante.

"Nunca tinha conhecido uma usina daquele porte, com seis reatores. Ficamos muito impressionados. E vimos que isso aí também é um dos pontos que nós temos que estreitar a nossa relação com a Rosatom e, evidentemente, com a Rússia."

A Semana Atômica Mundial acontece entre 25 e 28 de outubro e, neste primeiro dia, contou com a presença de autoridades como o presidente de Rússia, Vladimir Putin, o presidente de Belarus, Aleksandr Lukashenko, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, e o primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed Ali.

Para o ex-ministro de Minas e Energia, a participação brasileira no evento é de extrema importância uma vez que aprofunda a cooperação em outros setores. "Nós somos países complementares e isso reforça os laços de amizade e de cooperação técnica e econômica com um importante país como a Rússia."

<><> Associação Nuclear Mundial elogia tecnologia russa e destaca crescimento global da energia atômica

A tecnologia nuclear russa é muito madura e desempenha um papel importante no desenvolvimento energético global, afirmou a diretora-geral da Associação Nuclear Mundial, Sama Bilbao y León, em entrevista à Sputnik.

De acordo com a especialista, a tecnologia russa é bem desenvolvida e conhecida em muitos países do mundo.

"A Rússia está contribuindo e ajudando muitos países interessados na energia nuclear", disse ela.

Bilbao y León destacou que há uma mudança significativa na forma como a energia nuclear é percebida em escala internacional.

"Vemos como em todo o mundo estamos fazendo o possível para manter a frota de usinas nucleares que temos hoje. Estamos ampliando a vida útil, fazendo modernizações, aumentando a capacidade das mesmas unidades e reabrindo usinas que foram fechadas prematuramente", explicou.

Segundo ela, cresce também o interesse por diferentes tipos de reatores — grandes, pequenos e até muito pequenos — que podem ser aplicados não apenas na geração de eletricidade, mas também em setores como a metalurgia e a petroquímica.

A diretora da Associação Nuclear Mundial observou ainda uma mudança no olhar da sociedade sobre a questão energética.

"A opinião pública está mudando. As pessoas em geral se tornaram muito mais práticas, muito mais pragmáticas, e percebem a importância de ter energia limpa, barata e disponível 24 horas por dia, sete dias por semana, porque isso é indispensável para o progresso, para a qualidade de vida e para o desenvolvimento socioeconômico", disse.

De acordo com Bilbao y León, a indústria nuclear é a mais segura ou uma das mais seguras e mais fiáveis que temos hoje em dia.

A Semana Atômica Mundial está acontecendo de 25 a 28 de setembro em Moscou, reunindo líderes de mais de 100 países para discutir o futuro da energia nuclear segura. O evento celebra 80 anos da indústria nuclear russa e deve resultar em cerca de 50 novos acordos, destacando a importância da energia nuclear para a demanda global por eletricidade.

<><> Pyongyang tem as capacidades para ser considerada potência nuclear de pleno direito, diz analista

A Coreia do Norte dispõe de todos os meios e recursos necessários para ser considerada uma potência nuclear plena, afirmou o especialista em programa de mísseis nucleares norte-coreano, Vladimir Khrustalev, em entrevista à Sputnik.

A declaração surge depois de estimativas sul-coreanas sobre o estoque de urânio altamente enriquecido de Pyongyang.

Na quinta-feira, o ministro da Unificação da Coreia do Sul, Chung Dong-young, afirmou que a Coreia do Norte teria cerca de 2.000 quilogramas de urânio altamente enriquecido — um número baseado em informações de inteligência sul-coreana e em avaliações públicas, segundo o ministro.

Para Khrustalev, esse número representa "mais a fronteira superior das estimativas", mas é plausível no quadro das capacidades conhecidas de Pyongyang.

"Durante muito tempo muita gente se recusou a aceitar a realidade. A RPDC [República Popular Democrática da Coreia] é uma potência nuclear plena", declarou o especialista.

Khrustalev destacou que a Coreia do Norte possui não só depósitos de minério de urânio e infraestrutura para mineração e processamento, mas capacidades para produzir hexafluoreto de urânio, enriquecer combustível e obter urânio metálico puro.

Ele lembrou que o país já realizou testes bem-sucedidos com cargas nucleares à base de urânio (em 2013) e com dispositivos em que o urânio é um entre vários materiais bélicos — citando também o teste termonuclear de 2017.

"Ainda mais importante, a Coreia do Norte domina a produção independente de um equipamento essencial: centrífugas a gás. O país possui indústrias relacionadas suficientemente desenvolvidas, o que lhe permite aumentar consistentemente a produção dos materiais relevantes com seus próprios recursos. Isso se aplica tanto aos produtos acabados quanto à introdução de novas capacidades de produção", afirmou Khrustalev.

Segundo o especialista, esse know-how permite a Pyongyang produzir, em escala significativa, não apenas urânio para ogivas, mas também plutônio para uso bélico, assim como materiais críticos para armas termonucleares, como lítio-6, trítio e deutério.

A avaliação do especialista realça os desafios para a comunidade internacional em conter a proliferação nuclear na península coreana, especialmente diante de um arsenal e uma base industrial cujo crescimento, segundo Khrustalev, pode ser sustentado internamente. As declarações evocam novos questionamentos sobre monitoramento, diplomacia e medidas de não proliferação em relação à RPDC.

 

Fonte: Sputnik Brasil

 

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