Nuvem
de Governo lança o Brasil na corrida global pela soberania de dados, diz
secretário
Em
entrevista à Sputnik Brasil, secretário do Ministério da Gestão e da Inovação
Rogério Mascarenhas diz que, no atual contexto da geopolítica global, armazenar
em território nacional dados coletados e operados pelo governo é "a nova
fronteira" para os Estados.
O
governo federal anunciou recentemente a consolidação da Nuvem de Governo,
também conhecida como Nuvem Soberana, uma estrutura que visa fornecer mais
segurança e governança a dados coletados e operados pelo poder público federal.
A medida é parte da Estratégia Nacional de Cibersegurança, que tem como meta
alcançar uma nova maturidade para a cibersegurança do país.
O
projeto foi consolidado a partir da parceria firmada em novembro entre o
Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), o Serviço
Federal de Processamento de Dados (Serpro) e a Empresa de Tecnologia e
Informações da Previdência (Dataprev).
Na
ocasião, a ministra da pasta Esther Dweck afirmou que a nuvem de governo
"fortalece a proteção contra ameaças cibernéticas" e assegura que
"informações sensíveis permaneçam sob controle nacional".
Em
entrevista à Sputnik Brasil, o secretário de Governo Digital do MGI, Rogério
Mascarenhas, afirmou que a iniciativa ganha ainda mais importância com o
crescimento da plataforma Gov.BR, usada para acessar serviços públicos
digitais, como o Meu INSS, a Carteira de Trabalho Digital e o Título de
Eleitor.
Hoje,
cerca de 170 milhões de brasileiros, de um total de 213 milhões, tem cadastro
no serviço.
"O
Gov.BR, se transformou em um grande habilitador do acesso aos serviços
digitais. E esse incremento [de segurança] é programado, porque a gente vem
investindo muito nisso, na segurança, em robustecer essa forma de acesso",
explica.
Ele
afirma que a preocupação veio à tona após o governo assumir, em 2023, e
perceber que o Serpro e a Dataprev estavam incluídos no plano de desestatização
do governo anterior, com licitações que permitiam o armazenamento dos dados
dessas empresas em nuvens públicas em qualquer lugar do mundo.
As
empresas foram retiradas do plano de desestatização em abril de 2023, mas a
preocupação deu origem ao projeto da Nuvem de Governo, que, segundo
Mascarenhas, vai assegurar "dois níveis de soberania".
"Soberania
de dados, ou seja, que a gente tenha acesso aos nossos dados, esses dados estão
residentes e hospedados no território nacional e dados que estão sobre a guarda
do Estado. E a segunda soberania é a soberania operacional, que quer dizer que,
caso haja uma interrupção qualquer de fornecimento, pode ser um rompimento de
um cabo, [...] a gente tenha a condição de manter essa operação."
Mascarenhas
acrescenta que essa preocupação não é restrita ao Brasil, mas sim um fruto do
desenho da geopolítica atual, na qual guerras despertaram nos Estados a
preocupação em ter a guarda de dados em território nacional e manter sua
operação. Diante disso, ele aponta que a soberania de dados se tornou uma
espécie de "nova fronteira" para os Estados.
"Isso
hoje é uma preocupação mundial, esse movimento é bastante forte. Essas nuvens
soberanas, se você olhar pesquisas internacionais, demonstram que os países vêm
colocando no seu mapa de evolução ou de migração esse processo de repatriação
dos dados nos próximos dois anos. Então, isso de fato é um processo mundial,
não se limita só ao Brasil."
Além da
Nuvem Soberana, Mascarenhas lembra que o governo lançou em 2024 o Plano IA para
o Bem de Todos (PBIA), voltado para a inteligência artificial, e que a
Secretaria de Governo Digital do MGI está trabalhando em um plano para orientar
os órgãos públicos sobre o uso da tecnologia, incluindo o uso ético e
orientações sobre a chamada alucinação dos algoritmos, que ocorre quando as
ferramentas de IA produzem respostas inverídicas.
"Hoje,
no governo federal, a gente tem uma expectativa de fazer uma capacitação da
ordem de mais de 20 mil funcionários ou servidores que possam estar fazendo uso
[da IA]. Há publicação de guias de orientação. A própria estrutura dessa Nuvem
de Governo [é pensada] para que a gente possa estar fazendo uso da inteligência
artificial", afirma.
• Energia de fontes renováveis representa
mais de 64% do total utilizado pela indústria
A
energia renovável foi responsável por 64% do consumo elétrico das indústrias
brasileiras, aponta o Balanço Energético Nacional (BEN) de 2025, divulgado
nesta quinta-feira (25), Ministério de Minas e Energia (MME) e pela Empresa de
Pesquisa Energética (EPE).
De
acordo com o levantamento, os percentuais exatos foram 64,4% em 2024 e 64,7% em
2023. O resultado, de acordo com a pasta mostra que as fontes renováveis estão
ganhando cada vez mais espaço na indústria.
A
eletricidade representou 22% do total, sendo que 88,2% dessa energia veio de
fontes limpas. O bagaço da cana foi a segunda principal fonte usada, com 21,3%.
Também aparecem o licor preto (9%), a lenha (8,8%), o carvão mineral (11,9%), o
gás natural (9,4%), o carvão vegetal (4%), o óleo combustível (1,3%) e outras
fontes (12,3%).
Em
alguns setores da indústria, aqueles onde a energia é um insumo fundamental, o
consumo aumentou. O destaque foi para mineração e pelotização, que cresceram
8,4%.
Em
seguida vieram as indústrias de papel e celulose, com 4,6%, e a de metais
não-ferrosos e outros da metalurgia, com 3,2%.
Esse
crescimento segue o que aconteceu no país inteiro em 2024, quando o consumo
total de energia bateu 288,3 milhões de toneladas equivalentes de petróleo
(tep).
O setor
industrial foi responsável por 91,4 milhões de tep, ou seja, 31,7% do total.
Somado com o setor de transportes, os dois representam quase 65% de toda a
energia usada no Brasil, de acordo com a publicação.
Em
2024, a participação das fontes renováveis chegou a 88,2% na geração total de
eletricidade do país, percentual é superior à média mundial e da Organização
para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
• Ex-ministro de Minas e Energia ressalta
cooperação nuclear com a Rússia: 'Vejo grandes oportunidades'
Em
entrevista à Sputnik na Semana Atômica Mundial, em Moscou, Bento Albuquerque
destacou importância da energia nuclear para o futuro e reforçou protagonismo
russo no setor e comentou sua visita à Usina Nuclear de Leningrado: 'Ficamos
impressionados'.
À
Sputnik Brasil, o ex-ministro de Minas e Energia Bento Albuquerque afirmou ,
nesta quinta-feira (25), que acredita em "grandes oportunidades" na
relação entre Brasil e Rússia no campo da energia nuclear. A fala foi proferida
durante a Semana Atômica Mundial, em Moscou, na Rússia.
Segundo
Albuquerque, a ajuda da Rússia no desenvolvimento brasileiro no campo nuclear é
importante em seguimentos como combustível, formação de profissionais e
segurança, além de tecnologia. Para o ex-ministro, que atuou no governo de Jair
Bolsonaro entre 2019 e 2022, é possível utilizar o conhecimento atômico russo
em áreas como agricultura, medicina, entre outros.
"Nós
já temos uma longa cooperação com a Rosatom de aproximadamente 40 anos, e já há
alguns anos essa cooperação bilateral tem aumentado. Vejo grandes oportunidades
não só em small nuclear facilities, que a Rússia tem de mais adiantado no
mundo, como também no combustível nuclear e na mineração."
Albuquerque
ressaltou que o Brasil ainda é muito dependente de outros países no campo
nuclear e que é preciso, com cooperação de aliados como China e Rússia,
progredir nesta matriz energética, classificada pelo ex-ministro como
fundamental para a independência energética.
"A
energia nuclear, com outras fontes de energia, é fundamental, não só para o
Brasil, mas para a maioria dos países", afirmou.
Esse
tema se torna ainda mais importante pois, segundo Albuquerque, o Brasil é um
país em desenvolvimento que deve ser sua população aumentar nos próximos anos.
"Poderá dobrar nos próximos 50 anos. E, para isso, nós vamos necessitar de
energia, e a nuclear vai ter um papel fundamental."
Bento
Albuquerque acredita que países do BRICS, como Brasil, China, Índia e Rússia,
serão essenciais no incentivo à transição energética para outras nações do Sul
Global.
"Hoje,
nós temos que descarbonizar a matriz energética do mundo. Tendo países como
Brasil, Rússia, China e Índia, por meio da cooperação, nós podemos expandir
isso para outros países, não só os que estão no BRICS, mas também para outros
países em desenvolvimento."
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'Ficamos impressionados'
Antes
de participar da Semana Atômica Mundial, Albuquerque visitou a Usina Nuclear de
Leningrado, em São Petersburgo, classificada pelo ex-ministro como
impressionante.
"Nunca
tinha conhecido uma usina daquele porte, com seis reatores. Ficamos muito
impressionados. E vimos que isso aí também é um dos pontos que nós temos que
estreitar a nossa relação com a Rosatom e, evidentemente, com a Rússia."
A
Semana Atômica Mundial acontece entre 25 e 28 de outubro e, neste primeiro dia,
contou com a presença de autoridades como o presidente de Rússia, Vladimir
Putin, o presidente de Belarus, Aleksandr Lukashenko, o diretor-geral da
Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, e o
primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed Ali.
Para o
ex-ministro de Minas e Energia, a participação brasileira no evento é de
extrema importância uma vez que aprofunda a cooperação em outros setores.
"Nós somos países complementares e isso reforça os laços de amizade e de
cooperação técnica e econômica com um importante país como a Rússia."
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Associação Nuclear Mundial elogia tecnologia russa e destaca crescimento global
da energia atômica
A
tecnologia nuclear russa é muito madura e desempenha um papel importante no
desenvolvimento energético global, afirmou a diretora-geral da Associação
Nuclear Mundial, Sama Bilbao y León, em entrevista à Sputnik.
De
acordo com a especialista, a tecnologia russa é bem desenvolvida e conhecida em
muitos países do mundo.
"A
Rússia está contribuindo e ajudando muitos países interessados na energia
nuclear", disse ela.
Bilbao
y León destacou que há uma mudança significativa na forma como a energia
nuclear é percebida em escala internacional.
"Vemos
como em todo o mundo estamos fazendo o possível para manter a frota de usinas
nucleares que temos hoje. Estamos ampliando a vida útil, fazendo modernizações,
aumentando a capacidade das mesmas unidades e reabrindo usinas que foram
fechadas prematuramente", explicou.
Segundo
ela, cresce também o interesse por diferentes tipos de reatores — grandes,
pequenos e até muito pequenos — que podem ser aplicados não apenas na geração
de eletricidade, mas também em setores como a metalurgia e a petroquímica.
A
diretora da Associação Nuclear Mundial observou ainda uma mudança no olhar da
sociedade sobre a questão energética.
"A
opinião pública está mudando. As pessoas em geral se tornaram muito mais
práticas, muito mais pragmáticas, e percebem a importância de ter energia
limpa, barata e disponível 24 horas por dia, sete dias por semana, porque isso
é indispensável para o progresso, para a qualidade de vida e para o
desenvolvimento socioeconômico", disse.
De
acordo com Bilbao y León, a indústria nuclear é a mais segura ou uma das mais
seguras e mais fiáveis que temos hoje em dia.
A
Semana Atômica Mundial está acontecendo de 25 a 28 de setembro em Moscou,
reunindo líderes de mais de 100 países para discutir o futuro da energia
nuclear segura. O evento celebra 80 anos da indústria nuclear russa e deve
resultar em cerca de 50 novos acordos, destacando a importância da energia
nuclear para a demanda global por eletricidade.
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Pyongyang tem as capacidades para ser considerada potência nuclear de pleno
direito, diz analista
A
Coreia do Norte dispõe de todos os meios e recursos necessários para ser
considerada uma potência nuclear plena, afirmou o especialista em programa de
mísseis nucleares norte-coreano, Vladimir Khrustalev, em entrevista à Sputnik.
A
declaração surge depois de estimativas sul-coreanas sobre o estoque de urânio
altamente enriquecido de Pyongyang.
Na
quinta-feira, o ministro da Unificação da Coreia do Sul, Chung Dong-young,
afirmou que a Coreia do Norte teria cerca de 2.000 quilogramas de urânio
altamente enriquecido — um número baseado em informações de inteligência
sul-coreana e em avaliações públicas, segundo o ministro.
Para
Khrustalev, esse número representa "mais a fronteira superior das
estimativas", mas é plausível no quadro das capacidades conhecidas de
Pyongyang.
"Durante
muito tempo muita gente se recusou a aceitar a realidade. A RPDC [República
Popular Democrática da Coreia] é uma potência nuclear plena", declarou o
especialista.
Khrustalev
destacou que a Coreia do Norte possui não só depósitos de minério de urânio e
infraestrutura para mineração e processamento, mas capacidades para produzir
hexafluoreto de urânio, enriquecer combustível e obter urânio metálico puro.
Ele
lembrou que o país já realizou testes bem-sucedidos com cargas nucleares à base
de urânio (em 2013) e com dispositivos em que o urânio é um entre vários
materiais bélicos — citando também o teste termonuclear de 2017.
"Ainda
mais importante, a Coreia do Norte domina a produção independente de um
equipamento essencial: centrífugas a gás. O país possui indústrias relacionadas
suficientemente desenvolvidas, o que lhe permite aumentar consistentemente a
produção dos materiais relevantes com seus próprios recursos. Isso se aplica
tanto aos produtos acabados quanto à introdução de novas capacidades de
produção", afirmou Khrustalev.
Segundo
o especialista, esse know-how permite a Pyongyang produzir, em escala
significativa, não apenas urânio para ogivas, mas também plutônio para uso
bélico, assim como materiais críticos para armas termonucleares, como lítio-6,
trítio e deutério.
A
avaliação do especialista realça os desafios para a comunidade internacional em
conter a proliferação nuclear na península coreana, especialmente diante de um
arsenal e uma base industrial cujo crescimento, segundo Khrustalev, pode ser
sustentado internamente. As declarações evocam novos questionamentos sobre
monitoramento, diplomacia e medidas de não proliferação em relação à RPDC.
Fonte:
Sputnik Brasil

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