Por
que os ricos e poderosos não conseguiam dizer não a Epstein
Foi um
dos grandes acontecimentos em Washington em 2019.
Todas
as atenções estavam voltadas para o ex-advogado de Donald Trump, Michael Cohen, que estava testemunhando perante uma
comissão da Câmara dos Representantes dos EUA (equivalente à Câmara dos
Deputados no Brasil) sobre seu antigo chefe.
Uma
integrante democrata da comissão, Stacey Plaskett, estava se preparando para
questionar Cohen e foi vista em frente às câmeras enviando mensagens de texto
para alguém em seu telefone.
Esta
semana, a identidade da outra pessoa nessa troca de mensagens veio à tona: o
bilionário condenado por crimes sexuais Jeffrey Epstein.
E-mails
que se tornaram públicos após uma intimação feita ao espólio do financista
mostram que Epstein sugeriu a Plaskett perguntar sobre um funcionário
específico do conglomerado Trump.
Ela
seguiu o conselho, ao que Epstein respondeu com uma mensagem: "Bom
trabalho".
O
episódio, que soou familiar para muita gente, dá ideia da extensão da
influência do bilionário na elite americana.
Plaskett,
representante do território das Ilhas Virgens Americanas na Câmara, negou que
estivesse buscando o conselho de Epstein. Ela afirma que trocava mensagens com
muitas pessoas naquele dia, incluindo Epstein, que era um de seus eleitores.
Como
ex-advogada, ela diz que aprendeu a colher informações de todas as fontes — até
mesmo de pessoas de quem não gostava.
"O
comportamento perverso de Epstein me enoja. Apoio fortemente as pessoas que
foram vítimas dele e admiro a coragem delas. Há muito tempo acredito e defendo
que todos os arquivos relacionados a Epstein sejam divulgados", declarou a
representante à BBC.
Plaskett
ressalta que a troca de mensagens ocorreu antes da prisão do financista por
tráfico sexual. Mas foi bem depois de sua condenação em 2008 por solicitação de
prostituição, crime tipificado na lei penal americana.
Sua
ilha particular nas Ilhas Virgens Americanas também havia sido mencionada em
uma investigação contundente do Miami Herald no ano anterior como um dos locais
onde ele teria abusado sexualmente de várias meninas menores de idade.
Seis
meses depois da conversa de Plaskett com Epstein, o magnata seria encontrado
morto em sua cela — resultado de um suicídio, de acordo com o legista
encarregado do caso.
Sua
morte e as conspirações que a cercaram desencadearam um acerto de contas que
teve repercussões em Washington e Wall Street e derrubou alguns de seus antigos
amigos.
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O fator Epstein
A troca
de mensagens com a parlamentar democrata foi apenas uma entre muitas presentes
no conjunto de mais de 20 mil páginas de documentos pessoais de Epstein
divulgados recentemente, que demonstraram mais uma vez a capacidade do
bilionário de circular pela elite mesmo após sua condenação criminal.
Como e
por que esses relacionamentos sobreviveram enquanto outros amigos cortaram
laços revela tanto sobre a dinâmica dos círculos sociais no topo da sociedade
americana quanto sobre a influência de Epstein.
"Ele
era um monstro diabólico, mas ao mesmo tempo era brilhante, no sentido de que
conseguia manter essa incrível rede com algumas das pessoas mais poderosas do
mundo", diz Barry Levine, autor de The Spider: Inside the Criminal
Web of Jeffrey Epstein and Ghislaine Maxwell ("A Aranha: Por
Dentro da Teia Criminal de Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell", em
tradução literal).
"Ele
tinha um certo carisma que o colocava em uma posição em que as pessoas
recorriam a ele."
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'Colecionador de pessoas'
Epstein
se considerava um "colecionador de pessoas", alguém que fazia
conexões para fins transacionais, observa Levine.
"Ele
usava as informações que obtinha... com a intenção, no final das contas, de
obter favores, dinheiro ou, num sentido mais sombrio, eu acho, de chantagear
alguns desses indivíduos."
A
relação entre Epstein e o político britânico Lord Peter Mandelson se tornou
alvo de escrutínio no Reino Unido e levou à demissão de Mandelson do cargo de
embaixador do nos EUA em setembro.
Documentos
divulgados pelo Congresso mostram que ele manteve contato com Epstein até o
final de 2016, depois da condenação de 2008.
Em um
e-mail de novembro de 2015, Epstein lhe parabeniza após seu aniversário:
"63 anos. Você conseguiu."
Lord
Mandelson responde cerca de 90 minutos depois, dizendo: "Por pouco. Decidi
prolongar minha vida passando mais tempo nos EUA".
Ele
negou veementemente qualquer conhecimento dos crimes ou irregularidades de
Epstein e expressou arrependimento pela comunicação contínua entre eles.
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O círculo de Epstein
Os
documentos divulgados pelo espólio de Epstein revelam um círculo social
eclético, composto por acadêmicos renomados, empresários e políticos.
Levine
afirma que não seria exagero dizer que alguns dos conhecidos mais casuais de
Epstein talvez não soubessem sobre seus abusos e que outros possam ter ficado
impressionados o suficiente com suas conexões influentes para ignorar os crimes
que ele cometia.
"As
pessoas esquecem as coisas", pontua. "As credenciais dele entre os
poderosos eram extremamente altas, e acho que provavelmente muitas pessoas
simplesmente ignoraram a condenação contra ele."
Outros
podem ter ficado deslumbrados com sua riqueza, sugeriram jornalistas e pessoas
que o conheciam.
"Uma
sentença de prisão não importa mais", disse David Patrick Columbia,
fundador do New York Social Diary, ao site de notícias Daily Beast em 2011,
após a primeira condenação de Epstein. "A única coisa que faz você ser
ostracizado na sociedade nova-iorquina é a pobreza."
O
ex-secretário do Tesouro dos EUA Larry Summers, que também foi presidente da
Universidade de Harvard, pediu conselhos amorosos a Epstein, inclusive em uma
troca de mensagens em novembro de 2018 — o mesmo mês em que a investigação do
Herald foi publicada — na qual ele pareceu encaminhar um e-mail de uma mulher
perguntando como deveria reagir.
Epstein
respondeu: "Ela já está começando a parecer carente :) legal."
As
interações de Summers com seu ex-confidente voltaram a assombrá-lo na semana
passada, levando-o a anunciar que se afastaria de seus compromissos públicos e
deixaria de lecionar em Harvard.
"Estou
profundamente envergonhado de minhas ações e reconheço a dor que elas
causaram", disse Summers.
Epstein
também teria usado suas habilidades financeiras para ajudar o renomado
linguista Noam Chomsky, com quem trocou diversas mensagens ao longo dos anos e
a quem convidou para se hospedar em suas casas.
A
adulação era mútua. Em uma carta de apoio sem data incluída no conjunto de
e-mails, Chomsky elogiou Epstein, dizendo que os dois tiveram "muitas
conversas longas e frequentemente profundas".
O
intelectual de 96 anos havia dito anteriormente ao Wall Street Journal que
Epstein o havia ajudado a transferir dinheiro entre contas sem cobrar "um
centavo sequer".
"Eu
o conhecia e nos encontrávamos ocasionalmente", afirmou ele. "O que
se sabia sobre Jeffrey Epstein era que ele havia sido condenado por um crime e
cumprido sua pena. De acordo com as leis e normas dos EUA, isso significa ficha
limpa."
Chomsky
não respondeu ao pedido de comentário da BBC.
Ele era
um dos clientes famosos de Epstein, muitos dos quais o financista ajudou a
economizar bilhões de dólares. Levine observa que o magnata "entendia o
código tributário e as finanças até certo ponto melhor do que talvez as pessoas
mais bem pagas de Wall Street".
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Os que cortaram laços
Ao
longo das 23 mil páginas dos documentos de Epstein, o nome de Donald Trump aparece mais do que
talvez qualquer outro.
Trump,
contudo, não enviou nem recebeu nenhuma das mensagens, tendo rompido relações
com Epstein.
Em
2002, Trump descreveu Epstein como um "cara fantástico". Epstein
comentaria mais tarde: "Eu fui o amigo mais próximo de Donald por 10
anos".
Mas o
relacionamento se deteriorou, segundo Trump, quando eles se desentenderam no
início dos anos 2000, dois anos antes da primeira prisão de Epstein. Em 2008,
Trump já dizia que não era "fã dele".
Ele
negou ter qualquer conhecimento sobre os crimes de tráfico sexual de Epstein. A
Casa Branca também afirmou que o presidente expulsou Epstein de seu clube
"décadas atrás por assediar suas funcionárias".
Levine
pontua que há muitas pessoas que hoje se envergonham de terem trocado mensagens
com Epstein após suas condenações, embora isso não sugira que eles tenham
participado de nenhum de seus crimes.
"Todos,
sem exceção, se arrependem do dia em que se comunicaram com Jeffrey Epstein ou
passaram tempo com ele", ressalta. "É uma das histórias mais
inacreditáveis do nosso tempo:
poder, privilégio, predação."
Houve
uma pessoa pelo menos que disse ter entendido imediatamente que Epstein era
"nojento".
Howard
Lutnick, secretário de comércio dos EUA, que foi vizinho do magnata por 10
anos, disse ao podcast do New York Post que seu primeiro encontro com Epstein
foi o último.
Pouco
depois de Lutnick se mudar para o bairro nova-iorquino do Upper East Side em
2005, ele diz que Epstein deu a ele e à sua esposa uma visita guiada à sua
grande residência.
Na sala
de jantar de Epstein, depois de ver uma maca de massagem cercada por velas,
Lutnick perguntou com que frequência ele a usava.
"Ele
disse: 'Todos os dias'. E então ele se aproximou de mim de uma forma estranha e
disse: 'E o tipo certo de massagem'."
Lutnick
disse que ele e sua esposa trocaram olhares, se desculparam e saíram.
"Decidi
que nunca mais estaria na mesma sala que aquela pessoa repugnante."
¨
De professor de matemática a bilionário: quem era Jeffrey
Epstein, acusado de tráfico sexual de menores
"Não
sou um predador sexual, sou um
infrator", declarou Jeffrey Epstein ao New York
Post em 2011. "Essa é a diferença entre um assassino e uma pessoa que
rouba um pão", acrescentou.
Em 10
de agosto de 2019, oito anos depois dessa declaração, o magnata financeiro
americano foi encontrado morto em uma cela na cidade de Nova York enquanto
esperava julgamento por acusações de tráfico sexual.
Embora
ele tenha tentado minimizar sua reputação já manchada, a história de Epstein é
a de um criminoso sexual multimilionário condenado, cuja fortuna e amizades
pareciam tê-lo libertado da justiça no passado.
Mas
depois de uma longa investigação, em julho de 2019, ele, que era amigo do
príncipe Andrew da Inglaterra e dos ex-presidentes dos Estados Unidos Bill
Clinton e Donald Trump, foi preso pelo FBI quando voltava das férias na Europa.
Mais de
4 anos após sua morte, seu caso continua surpreendendo e impactando com novos
aspectos.
Agora,
um juiz federal de Nova York ordenou a publicação de arquivos que revelam nomes
de conhecidas figuras públicas relacionadas ao empresário.
Mas
quem foi Jeffrey Epstein, protagonista de um dos maiores escândalos de tráfico
sexual dos últimos tempos?
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Como ele entrou na elite americana
Epstein,
um bilionário, investidor de sucesso e bem relacionado na esfera política e
econômica americana, começou sua carreira como professor de matemática e física
na escola de elite Dalton School, em Nova York.
Por
recomendação do pai de um estudante, em 1976 ingressou no banco de
investimentos Bear Stearns, onde se tornou sócio da empresa.
Foi lá
que construiu sua rede de contatos entre as pessoas mais ricas dos Estados
Unidos.
"Dada
a sua formação matemática, nós o colocamos em nossa divisão de produtos
especializados, onde ele aconselha nossos clientes mais ricos sobre as
implicações fiscais de seus investimentos", disse Jimmy Cayne, CEO do Bear
Stearns, à New York Magazine em 2002.
Essa
recomendação aos seus clientes sobre certas transações com vantagens fiscais
lhe rendeu o respeito dos seus superiores.
Além
disso, expandiu seus contatos a tal ponto que em 1982 lançou sua própria
empresa de investimentos: J. Epstein and Co.
A
empresa aceitou apenas clientes com ativos superiores a US$ 1 bilhão e foi um
sucesso instantâneo.
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Celebridades, artistas e políticos
Epstein
logo começou a gastar sua fortuna (em uma mansão na Flórida, um rancho no Novo
México e uma das maiores casas de Manhattan) e a socializar com celebridades,
artistas e políticos.
“Conheço
Jeff há 15 anos. Ele é um cara fantástico”, disse Donald Trump à revista New
York em 2002.
"É
muito divertido estar com ele. Dizem até que ele gosta de mulheres bonitas
tanto quanto eu, e muitas delas são mais jovens. Não há dúvida: Jeffrey gosta
de sua vida social", acrescentou Trump.
O
magnata levou figuras conhecidas em seu jato particular, como o ex-presidente
Clinton ou os atores Kevin Spacey e Chris Tucker. Ele fez uma oferta frustrada
para comprar a revista New York com o então produtor de cinema
Harvey Weinstein em 2003, mesmo ano em que fez uma doação de US$ 30 milhões
para a Universidade de Harvard.
Mas ele
também se esforçou para manter sua vida privada e evitou eventos sociais e
jantares em restaurantes.
Rosa
Monckton, ex-presidente-executiva da Tiffany & Co, disse à Vanity
Fair em 2003 que Epstein era "muito enigmático".
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Acordo controverso
Mas a
vida de luxo dele começou a ruir em 2005, quando os pais de uma menina de 14
anos disseram à polícia da Flórida que Epstein tinha abusado sexualmente da
filha deles na sua casa em Palm Beach.
A
menina contou o ocorrido e identificou outros dois menores que estavam na casa
naquele mesmo dia, que por sua vez identificaram outros.
Antes
de a polícia da Flórida levar o caso ao FBI, já tinham identificado três
dezenas de possíveis vítimas.
De
acordo com um extenso relatório do Miami Herald, que analisou mais
de 2.000 documentos, e-mails e provas da investigação federal, a maioria das
meninas eram de áreas pobres.
Epstein
teria dado dinheiro em troca de uma massagem em sua residência, oferta que na
maioria dos casos terminava em algum tipo de troca sexual.
Uma
busca policial na propriedade encontrou fotos de meninas por toda a casa.
No
entanto, em 2008, os promotores chegaram a um polêmico acordo com o magnata.
Dessa
forma, ele conseguiu evitar acusações federais de tráfico sexual, aceitando 13
meses de prisão e sendo registrado no registro federal de criminosos sexuais.
Ele
escapou assim de uma possível sentença de prisão perpétua.
Entre
os procuradores envolvidos nesse acordo estava Alexander Acosta, que foi
secretário do Trabalho na administração Trump e renunciou após a descoberta do
escândalo.
Após
sua condenação, Epstein manteve suas propriedades e bens.
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Prisão em 2019 e morte
Mas em
julho de 2019 o caso voltou à luz pública depois que Epstein foi preso em Nova
York.
Os
promotores buscavam o confisco de sua mansão naquela cidade, onde ocorreram
alguns de seus supostos crimes.
Depois
que o tribunal negou que ele pudesse pagar uma fiança, o bilionário foi detido
no Centro Correcional Metropolitano de Nova York.
O
magnata foi acusado de traficar dezenas de meninas, explorá-las e abusar
sexualmente delas e até pagá-las para procurarem outras adolescentes.
Foi
dito que ele prometeu financiar a sua educação universitária ou impulsionar as
suas carreiras no mundo da moda.
A
imprensa chegou a batizar seu jato particular de “Lolita Express”, em
referência aos menores que transportou de um estado para outro entre 1999 e
2007.
Epstein
sempre afirmou acreditar que todos tinham mais de 18 anos e que o sexo era
consensual.
Enquanto
estava sob custódia, ele foi levado brevemente ao hospital devido ao que foi
amplamente divulgado como lesões no pescoço, sobre as quais nem os funcionários
da prisão nem seus advogados comentaram oficialmente.
Na sua
última aparição no tribunal, em 31 de julho de 2019, ficou claro que passaria
pelo menos um ano na prisão, pois o julgamento contra ele só ocorreria no verão
de 2020.
O
empresário sempre negou qualquer irregularidade e se declarou inocente das
acusações contra ele.
Em
agosto de 2019, Epstein foi encontrado morto em sua cela.
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O caso de sua ex-noiva, Ghislaine Maxwell
Após
sua morte, sua ex-namorada, Ghislaine Maxwell, ganhou destaque.
A filha
mais nova do magnata da imprensa britânica Robert Maxwell foi presa em julho de
2020 sob suspeita de ajudar Epstein nos casos de abuso infantil, recrutando e
preparando vítimas menores.
Em
dezembro de 2021, um júri da cidade de Nova Iorque a considerou culpada de
cinco das seis acusações, incluindo a mais grave: tráfico sexual de menores.
Por
esse motivo, a mulher pode pegar 20 anos de prisão.
Algumas
das acusações datam de 1994 a 1997, altura em que, segundo a acusação, ela era
uma das associadas mais próximas de Epstein e tinha uma “relação íntima” com
ele.
Em
dezembro de 2020, uma das mulheres que se declarou vítima de Epstein disse à
BBC que Maxwell controlava as mulheres que estavam ao serviço do bilionário.
"Ghislaine
controlava as meninas. Ela era como a madame", disse Sarah Ransome no
programa Panorama da BBC.
Maxwell
apresentou Epstein a muitos de seus amigos ricos e poderosos, incluindo Bill
Clinton e o príncipe Andrew.
E
embora se acredite que o relacionamento romântico de Maxwell e Epstein tenha
durado apenas alguns anos, ela continuou trabalhando com ele muito depois.
Nos
documentos judiciais, ex-funcionários da mansão Epstein em Palm Beach a
descrevem como a administradora da casa, que supervisionava a equipe e cuidava
das finanças.
Num
perfil da Vanity Fair publicado em 2003, Epstein disse que
Maxwell não era uma funcionária remunerada, mas sim sua “melhor amiga”.
Durante
o julgamento, os promotores acusaram Maxwell de preparar as meninas para serem
abusadas por Epstein. Sua defesa alegou que ela estava sendo usada como bode
expiatório dos crimes do magnata após sua morte.
Após
sua condenação, Maxwell disse: “O maior arrependimento da minha vida foi
conhecer Jeffrey Epstein”.
Ela
também lamentou a dor que as vítimas sentiram, acrescentando: “Espero que a
minha condenação, juntamente com o meu duro encarceramento, as ajude a
conseguir colocar um ponto final”.
Fonte:
BBC News

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