segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Ouvir música pode reduzir risco de demência aos 70 anos, diz estudo

Ouvir música após os 70 anos de idade pode reduzir em 39% o risco de demência, segundo um novo estudo liderado pela Universidade Monash, em Melbourne, Austrália. O trabalho foi publicado na revista International Journal of Geriatric Psychiatry no dia 14 de outubro.

A pesquisa foi realizada com mais de 10.800 idosos e mostrou que, além de ouvir música, tocar um instrumento musical na terceira idade foi associado a uma redução de 35% no risco de demência.

Segundo o estudo, ouvir música diminuiu em 17% o comprometimento cognitivo, além de ter melhorado a memória episódica (lembrança de momentos cotidianos). Por outro lado, o envolvimento regular tanto na audição quanto na prática musical foi associado a uma redução de 33% no risco de demência e de 22% no risco de comprometimento cognitivo.

Para Emma Jaffa, aluna de honra da Universidade Monash e líder do estudo, as descobertas do estudo "sugerem que as atividades musicais podem ser uma estratégia acessível para manter a saúde cognitiva em adultos mais velhos, embora não seja possível estabelecer uma relação de causa e efeito".

Sem cura disponível atualmente para a demência, a importância de identificar estratégias para prevenir ou retardar o início da doença é crucial, segundo Joanne Ryan, professora da Universidade Monash e autora sênior do estudo.

"As evidências sugerem que o envelhecimento cerebral não se baseia apenas na idade e na genética, mas pode ser influenciado pelas escolhas individuais de estilo de vida e fatores ambientais. Nosso estudo indica que intervenções baseadas no estilo de vida, como ouvir e/ou tocar música, podem promover a saúde cognitiva", afirma Ryan.

<><> Outras práticas que podem prevenir demência e declínio cognitivo

Conforme envelhecemos, o cérebro passa por alterações estruturais e funcionais que podem afetar a atividade cognitiva. Porém, com mudanças no estilo de vida e a realização de algumas tarefas, é possível reverter o risco de demência e minimizar o impacto do envelhecimento cerebral.

Entre os hábitos que podem proteger o cérebro antes e durante o envelhecimento está a prática de atividades físicas regulares e a adoção de uma alimentação saudável.

Além de exercitar o corpo, é fundamental praticar a "ginástica do cérebro", ou seja, realizar atividades que estimulem a cognição. Esses estímulos incluem atividades que exigem atenção e raciocínio, como:

•        Quebra-cabeças;

•        Palavras cruzadas;

•        Jogos de tabuleiro;

•        Videogames;

•        Sudoku;

•        Cálculos matemáticos;

•        Ábacos.

Outra forma de exercitar e desafiar o cérebro é aprender novas habilidades, como um novo idioma ou explorar atividades que exigem coordenação e concentração, como um novo esporte. Aprender a tocar um instrumento, como o estudo recente sugere, também é benéfico para proteger a cognição.

•        IA pode ajudar no diagnóstico de AVC? Entenda possíveis usos

O acidente vascular cerebral (AVC) é uma das principais causas de morte e incapacidade no Brasil e no mundo. O diagnóstico rápido é fundamental para evitar sequelas graves, já que o tempo é determinante para o sucesso do tratamento. Nesse cenário, ferramentas de inteligência artificial (IA) têm ganhado espaço como aliadas no reconhecimento precoce da doença.

A tecnologia já é usada em hospitais brasileiros para auxiliar médicos a identificar sinais de AVC em exames de imagem, como tomografias e ressonâncias magnéticas. Algoritmos treinados com milhares de imagens conseguem detectar padrões que indicam a presença de um coágulo ou sangramento no cérebro, ajudando a agilizar a tomada de decisão clínica.

“Com esse aprendizado, o sistema consegue identificar automaticamente e rapidamente os sinais sutis do AVC, que em uma tomografia inicial aparecem apenas como diferentes tons de cinza, exigindo muito treinamento para um diagnóstico humano. A IA apresenta o resultado em mapas coloridos que indicam exatamente onde está o AVC isquêmico. Além disso, a tecnologia consegue diferenciar o tecido cerebral que já morreu daquele que está em sofrimento, mas ainda pode ser salvo se o tratamento for aplicado a tempo”, explica a Sheila Martins, presidente da Rede Brasil AVC.

A IA não substitui o olhar médico, mas funciona como um suporte, aumentando a precisão e diminuindo o tempo de análise. Em muitos casos, o software envia alertas em tempo real para equipes de saúde quando identifica alterações suspeitas nos exames, acelerando o início do tratamento.

“A leitura da imagem é feita de forma automática e muito rápida, o que encurta o tempo para a tomada de decisão, especialmente em locais onde não há neurologistas experientes de plantão. Além disso, a IA estende o tempo de tratamento porque permite ao médico visualizar o que já foi perdido e o que ainda pode ser salvo no cérebro do paciente. Isso torna a decisão menos dependente do relógio e mais focada na condição individual de cada cérebro”, acrescenta Martins.

<><> IA também ajuda na prevenção de AVCs

Outra frente de estudo é o uso da inteligência artificial para prever o risco de AVC em determinados pacientes, cruzando dados de histórico médico, exames laboratoriais e estilo de vida. Essa análise pode ajudar a identificar quem tem maior chance de sofrer o problema e orientar medidas preventivas.

“Existem aplicativos, como o 'riscômetro de AVC', que permitem ao paciente calcular seu risco de ter um AVC em 5 e 10 anos, identificar seus fatores de risco e acompanhar a redução desse risco à medida que adota hábitos mais saudáveis. Esses sistemas também podem enviar alertas para lembrar de tomar medicamentos ou fazer exercícios”, acrescenta a presidente da Rede Brasil AVC.

Apesar do avanço, médicos reforçam que a tecnologia ainda enfrenta desafios. Questões como custo, acesso desigual entre hospitais e a necessidade de validação contínua dos algoritmos impedem que a IA esteja amplamente disponível. Além disso, o diagnóstico definitivo e a escolha do tratamento continuam sendo responsabilidade de um especialista.

“A inteligência artificial funciona apenas como uma ferramenta de apoio e não substitui o médico. A decisão final é sempre médica. Isso ocorre porque, em algumas situações, como quando já se passaram muitas horas do AVC, a área de cérebro que já morreu pode não aparecer mais no cálculo da IA. Portanto, o médico precisa comparar a tomografia simples com o resultado do software para tomar a decisão correta. A decisão sobre o tratamento também deve levar em conta o contexto clínico geral do paciente para avaliar os riscos e benefícios”, diz Martins.

 

Fonte: CNN Brasil

 

Nenhum comentário: