terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Na Colômbia, Petro alerta para riscos à soberania digital

O presidente Gustavo Petro lançou nos últimos dias uma série de alertas diretos sobre os riscos que a Colômbia enfrenta em matéria de soberania digital, após o encarregado de negócios dos Estados Unidos, John McNamara, reunir-se com congressistas e especialistas para “explorar” mudanças na gestão dos serviços tecnológicos do Estado. A intervenção diplomática provocou preocupação e foi respondida por Petro com uma mensagem contundente: a nuvem de dados colombiana deve permanecer sob controle da Colômbia — não de potências externas.

Pelo X, o chefe de Estado destacou que os dados públicos e privados precisam estar hospedados em território nacional, deixando claro que nenhuma empresa estrangeira — por maior que seja — pode gerir informações estratégicas do país sem colocar em risco a autonomia nacional.

As declarações, interpretadas como um freio às intromissões de Washington, surgem em um momento decisivo: a licitação do serviço de nuvem pública — que definirá quem controlará grande parte do processamento digital do governo — está sendo disputada por corporações dos EUA e da China, duas potências envolvidas numa guerra tecnológica global.

<><> EUA entram no debate, mas o governo colombiano questiona suas intenções

A embaixada dos EUA afirmou que McNamara discutiu com congressistas temas como cibersegurança, proteção de dados e transparência. Contudo, o comunicado não menciona que os Estados Unidos têm interesses diretos na licitação em andamento, o que levantou dúvidas sobre a imparcialidade de suas recomendações e sobre o real objetivo da “assessoria”.

Para setores críticos, a reunião diplomática parece alinhar-se aos interesses de empresas norte-americanas que buscam assegurar o controle da infraestrutura digital colombiana, enquanto Washington pressiona para afastar competidores chineses do mercado tecnológico regional.

<><> Petro alerta para o futuro democrático do país

O presidente afirmou que o governo já possui um projeto próprio para ampliar a “capacidade computacional soberana”, condição que considera indispensável para impedir que a Colômbia fique presa à disputa geopolítica entre superpotências.

Petro foi direto ao dizer que só trabalhará com empresas que ofereçam o mais alto nível tecnológico do mundo sem comprometer a soberania nacional, um recado que demonstra sua desconfiança em relação a atores capazes de usar a infraestrutura digital como ferramenta de influência política.

Dirigindo-se ao Congresso, Petro deixou um aviso que ecoa no debate:

“O Congresso deve ter claro esse objetivo nacional indispensável para um futuro democrático.”

A frase sugere que alguns setores do Legislativo poderiam estar favorecendo interesses externos acima da agenda estratégica do Estado colombiano.

<><> Uma licitação com aroma geopolítico

A entidade estatal Colombia Compra Eficiente confirmou que o processo ainda está na fase de seleção e que sua finalidade é fortalecer a transformação digital do Estado. Porém, a disputa entre empresas dos EUA e da China transforma uma decisão técnica em um duelo diplomático de alto risco.

A nuvem pública não é apenas um serviço: é o coração digital de um país. E quem a controla, controla boa parte de seu funcionamento institucional.

<><> Soberania em jogo

A postura de Gustavo Petro revela uma tensão crescente:

a Colômbia está no centro da disputa global entre Estados Unidos e China pelo controle tecnológico da América Latina.

Nesse cenário, defender soberania digital não é uma bandeira ideológica, mas um ato de proteção nacional diante da possibilidade de que suas informações — e, por consequência, sua democracia — fiquem subordinadas a interesses externos.

<><> Petro levanta a voz contra a agressão de Trump contra a Venezuela

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, publicou uma mensagem em sua conta no X (antigo Twitter) criticando a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de ordenar o fechamento total do espaço aéreo da Venezuela, provocando forte repercussão diplomática na América Latina.“Gostaria de saber sob qual norma do direito internacional um presidente de um país pode fechar seu espaço aéreo a outra nação?”, questionou Petro na rede social. 

A postagem foi feita após Trump determinar que o espaço aéreo “sobre e ao redor da Venezuela” fosse interrompido, em meio a reiteradas ameaças de uma possível operação militar voltada à mudança de governo em Caracas. A medida foi acompanhada por advertências às companhias aéreas, pilotos e a quem mais tentasse sobrevoar o país.

O presidente colombiano afirmou ainda que, caso não exista respaldo legal para tal ato, isso colocaria em risco os próprios princípios que regem as relações entre Estados soberanos. “Digo ao mundo que um presidente estrangeiro não pode fechar o espaço aéreo nacional, ou o conceito de soberania nacional e o conceito de ‘direito internacional’ deixarão de existir”, declarou, enfatizando sua posição como presidente da CELAC.

<><> Escalada militar e bloqueio aéreo dos EUA

A medida dos Estados Unidos ocorre num contexto de forte escalada militar no mar do Caribe, próximo ao território venezuelano. A agência de aviação estadunidense recomendou a suspensão de voos para a Venezuela, levando diversas companhias internacionais a cancelarem rotas para Caracas, embora algumas empresas nacionais e regionais continuem operando no país.

A ofensiva de Washington se agravou após acusações — sem comprovações apresentadas até o momento — de que o governo venezuelano estaria envolvido com narcotráfico. Na sequência, os EUA ampliaram a recompensa oferecida pela captura do presidente da Venezuela e anunciaram a chamada “Operação Lança do Sul”, lançada em 13 de novembro. O objetivo declarado seria combater supostos “narcoterroristas” no hemisfério ocidental e “proteger” os estadunidenses das drogas que, segundo o governo Trump, estariam chegando ao país.

¨      Congresso dos EUA promete supervisão rigorosa das operações militares de Trump no Caribe

Em um raro alinhamento bipartidário, congressistas democratas e republicanos anunciaram que exercerão “supervisão rigorosa” sobre as operações militares ordenadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no mar do Caribe, diante da costa venezuelana. As informações foram publicadas originalmente pelo jornal teleSUR, que divulgou notas oficiais dos legisladores das duas câmaras do Congresso.

O anúncio ocorre após revelações sobre uma operação militar realizada em 2 de setembro, na qual o secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, teria ordenado matar todos os envolvidos em um suposto barco que transportava narcóticos. Um segundo ataque teria sido executado para eliminar sobreviventes que estavam na água — episódio já classificado por parlamentares democratas como possível “crime de guerra”.

<><> Comitês das Forças Armadas exigem esclarecimentos imediatos

O presidente do Comitê de Serviços Armados da Câmara, o republicano Mike Roger, e o membro democrata de maior hierarquia, Adam Smith, divulgaram uma nota conjunta afirmando que o colegiado está comprometido em “proporcionar uma supervisão rigorosa das operações militares do Departamento de Guerra no Caribe”.

Em sua declaração oficial, ambos afirmaram literalmente: “Nós levamos a sério os relatos de ataques posteriores contra barcos que supostamente transportavam narcóticos na região do Comando Sul e estamos tomando medidas bipartidárias para reunir um relatório completo sobre a operação em questão.”

No Senado, o republicano Roger Wicker e o democrata Jack Reed seguiram a mesma linha. Em comunicado, declararam: “O Comitê está ciente das recentes reportagens e da resposta inicial do Departamento de Guerra sobre os supostos ataques posteriores contra embarcações suspeitas de transportar narcóticos na área de responsabilidade do Comando Sul.”

Eles acrescentaram ainda: “O Comitê das Forças Armadas do Senado encaminhou investigações ao Departamento e realizaremos uma supervisão rigorosa para determinar os fatos relacionados a essas circunstâncias.”

Com base nos protocolos legislativos, o secretário Pete Hegseth deverá ser convocado a comparecer aos comitês para prestar explicações detalhadas sobre a operação.

<><> Schumer alerta que Trump conduz os EUA para “outra guerra custosa”

O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, foi ainda mais contundente ao denunciar o avanço militar ordenado por Donald Trump em direção à Venezuela.

Em mensagem publicada na rede X, Schumer afirmou literalmente: “As ações imprudentes do presidente Trump em relação à Venezuela estão levando os Estados Unidos cada vez mais perto de outra guerra custosa no exterior.”

Ele ressaltou que, segundo a Constituição dos EUA, somente o Congresso pode declarar guerra, destacando: “De acordo com nossa Constituição, o Congresso tem a autoridade exclusiva de declarar guerra — não o presidente — e o Congresso não autorizou o uso da força militar contra a Venezuela.”

Em seguida, o senador criticou o desgaste repetido das intervenções externas conduzidas por Washington: “Os norte-americanos estão cansados das guerras intermináveis no exterior, que custam a vida de inúmeros militares e drenam recursos valiosos. Isso não é uma política de ‘Estados Unidos Primeiro’.”

Schumer concluiu apelando por união bipartidária: “Precisamos que republicanos e democratas no Congresso se unam para devolver ao povo o poder de declarar guerra.”

<><> Pressão política cresce e aumenta o cerco às ações de Trump

As declarações de parlamentares das duas casas reforçam o clima de tensão em Washington diante das denúncias sobre a operação no Caribe. A possibilidade de que militares norte-americanos tenham executado sobreviventes amplia a gravidade das acusações e coloca o governo Trump sob forte fiscalização institucional.

O episódio reacende o debate sobre o controle civil do poder militar e sobre o risco de escalada de confrontos com a Venezuela, num momento em que o Caribe volta a ser palco de disputas estratégicas entre Washington e Caracas.

¨      Comunidade internacional denuncia arrogância colonial de Donald Trump ao fechar espaço aéreo da Venezuela

Organizações políticas, movimentos sociais e governos de diversas regiões do mundo condenaram neste sábado (30) a decisão unilateral do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de declarar “fechado” o espaço aéreo da Venezuela, medida que amplia a escalada de tensões no Caribe e gera preocupação sobre a segurança aeronáutica internacional. As informações foram divulgadas inicialmente pelo teleSUR, que reuniu reações de entidades da América Latina, do Caribe, da África e do Oriente Médio.

Segundo a reportagem, a decisão de Trump inclui também a suspensão dos voos regulares para o retorno de migrantes venezuelanos aos Estados Unidos e está acompanhada de um reforço militar norte-americano na região, além da autorização para operações encobertas da CIA.

<><> Condenações na América Latina: ataques à soberania e alerta sobre risco para a paz

O Partido Comunista do Uruguai (PCU) classificou a medida como “ilegal e irresponsável”, afirmando que ela “agrava mais a tensão no Caribe, onde os EUA têm uma força militar de enorme poder destrutivo”. A sigla denunciou ainda ações encobertas e ataques contra embarcações venezuelanas realizados sem qualquer prova, tanto no Caribe quanto no Pacífico.

Em nota contundente, o PCU afirmou: “A desculpa do combate ao narcotráfico se cai por si só quando o próprio Trump e seus principais chefes militares e diplomáticos reconhecem publicamente que querem derrubar o Governo venezuelano, e congressistas yanquis falam abertamente da necessidade de ficar com o petróleo venezuelano.”

A organização uruguaia recordou a longa trajetória de intervenções dos Estados Unidos na região e reforçou que América Latina e Caribe devem permanecer como uma zona de paz, conforme estabelecido pelo Tratado de Tlatelolco e pela declaração da Celac, instrumentos que, segundo o PCU, estão sendo violados por Washington.

<><> Internacional Antifascista da República Democrática do Congo denuncia “barbárie”

Da África, a Internacional Antifascista – RD Congo também condenou o ato de Trump, considerando-o “inicuo e ilegal” e apontando que a medida viola a Carta das Nações Unidas e princípios básicos da convivência pacífica.

Segundo a entidade: “É expressão da barbárie da Administração Trump, que não respeita a lei nem a coexistência pacífica entre os povos.”

A organização convocou as forças progressistas do mundo a defenderem a soberania da Venezuela, afirmando que o imperialismo “submerge novamente o planeta na bestialidade de outra época”.

<><> Movimento paraguaio fala em “arrogância colonial” e “embestida imperial”

No Paraguai, o Movimento Paraguayo de Solidaridad con la Revolución Bolivariana afirmou que “nem Trump nem ninguém tem autoridade para ameaçar a Venezuela” e classificou a ação como “nova embestida imperial de Donald Trump”.

Em tom direto, a entidade declarou que Trump age em um “arrebato de arrogancia colonial” ao tentar ditar ordens sobre o espaço aéreo venezuelano. Para o movimento, a ameaça do presidente dos Estados Unidos é “absurda e desesperada”, demonstrando que “o imperialismo estadunidense segue empenhado em impor seu domínio a força de mentiras, chantagens e provocações”.

A organização completou: “Não é e não será jamais o seu pátio traseiro.”

<><> Irã e Cuba alertam para riscos à segurança internacional

O Ministério de Relações Exteriores do Irã classificou a ação como “arbitrariedade” e alertou para as “consequências perigosas” do fechamento unilateral do espaço aéreo venezuelano. Para o porta-voz Ismail Baqai, trata-se de uma ameaça sem precedentes à segurança aeronáutica global.

“É uma arbitrariedade e uma ameaça sem precedentes para a segurança aeronáutica internacional”, afirmou.

Cuba também reagiu com firmeza. Segundo o chanceler Bruno Rodríguez Parrilla, a medida é um “ato agressivo para o qual nenhum Estado tem autoridade fora de suas fronteiras nacionais”. Em sua mensagem, o ministro acrescentou: “É uma gravíssima ameaça ao direito internacional e um incremento da escalada da agressão militar e da guerra psicológica contra o povo e o Governo venezuelanos.”

Rodríguez pediu que a comunidade internacional denuncie o que chamou de “prelúdio de um ataque ilegítimo”.

¨      Milei cria nova agência migratória inspirada em modelo de perseguição dos EUA

governo de Javier Milei anunciou nesta segunda-feira (24/11) a criação de uma nova institucionalidade, a Agência Nacional de Migração, que ainda está em fase de estruturação, mas que, quando funcione, será a responsável por colocar em prática a nova política migratória do país.

A medida foi revelada durante evento promovido pelo Ministério da Segurança Pública, encabeçado pela nova ministra da pasta, Alejandra Monteoliva, que substituiu Patricia Bullrich (eleita senadora nas legislativas de 26 de outubro).

Segundo a nova ministra, a Agência Nacional de Migração “está baseada em um desenho que o presidente Milei quer reproduzir na Argentina, de um modelo que está dando certo nos Estados Unidos no combate à imigração ilegal”.

Monteoliva especificou que o modelo que inspirou a nova agência seria o Departamento de Segurança Interna estadunidense (DHS, por sua sigla em inglês).

<><> Estrutura

A nova agência deverá absorver e extinguir a atual Polícia de Segurança Aeroportuária (PSA), além de retirar algumas atribuições de outras entidades do aparato de segurança interna do país, como a Gendarmeria Nacional – em suas tarefas relativas ao controle de presos imigrantes, especialmente nas regiões fronteiriças.

“Faz sentido que a imigração e o controle das fronteiras estejam centralizados em uma única agência, como será a partir de agora, o que demandará uma reestruturação administrativa, a realocação de recursos e a implementação de outros procedimentos, em um processo que já está em vigor”, explicou a ministra.

Nesta terça-feira (25/11), o Ministério da Segurança Pública emitiu uma nota explicando que a nova agência terá suas primeiras tropas conformadas pelos atuais membros da PSA e por integrantes de outras forças, incluindo a Gendarmeria Nacional.

O comunicado afirmou que o governo de Milei teria assinado “acordos de cooperação com outros países para o treinamento dos novos agentes em operativos específicos sobre controle de casos envolvendo imigração ilegal”.

¨      80% dos latinos nos EUA repudiam políticas migratórias de Trump, aponta pesquisa

Quatro em cada cinco latinos nos Estados Unidos (80%) acreditam que as políticas do presidente Donald Trump afetam negativamente a comunidade hispânica, de acordo com uma pesquisa do Pew Research Center divulgada na segunda-feira (24/11). O estudo reflete a crescente rejeição da população latina às medidas implementadas pelo governo atual, especialmente nas áreas de imigração e economia.

Com base em entrevistas com 8.046 adultos hispânicos, a pesquisa avalia a percepção da situação desse grupo durante o primeiro ano do segundo mandato de Trump e a compara com dados de seu primeiro mandato presidencial (2017-2021). 71% dos entrevistados acreditam que o governo Trump foi longe demais com as deportações, uma proporção maior do que em pesquisas anteriores realizadas em fevereiro e março do mesmo ano.

O medo da deportação persiste: 52% dos latinos temem que eles ou um ente querido possam ser deportados. O número diminuiu ligeiramente em relação aos 56% registrados em março, mas ainda é significativamente maior do que os 42% relatados no início do primeiro mandato do republicano.

No geral, 70% desaprovam o desempenho de Trump no cargo e 65% desaprovam a abordagem de sua administração em relação à imigração. 61% também acreditam que suas políticas econômicas pioraram as circunstâncias pessoais, com uma margem de erro de ±1,7 ponto percentual.

Apesar do pessimismo coletivo, 50% dos latinos esperam que suas finanças pessoais melhorem no próximo ano, refletindo uma mistura de preocupação e esperança. Enquanto isso, a maioria continua a ter uma visão negativa da economia nacional, com quase metade prevendo uma deterioração no curto prazo.

Mesmo entre seus próprios eleitores, Trump perdeu apoio: 81% dos latinos que votaram nele em 2024 aprovam seu desempenho, uma queda em relação aos 93% no início de seu mandato. Em contraste, quase todos os eleitores latinos de Kamala Harris desaprovam o presidente.

De acordo com uma pesquisa complementar da AP-NORC realizada entre 6 e 10 de novembro de 2025, a rejeição a Trump transcende os partidos: entre os republicanos, seu apoio caiu de 81% em março para 73% em novembro, enquanto entre os democratas, a desaprovação permanece em 95%.

 

Fonte: Brasil 247/Opera Mundi

 

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