terça-feira, 2 de dezembro de 2025

João Claudio Platenik Pitillo: Corrupção endêmica na Ucrânia

Em julho deste ano, o líder do regime de Kiev (Zelensky), temendo a exposição de esquemas de corrupção e desvio de verbas públicas por membros de seu círculo íntimo, tentou liquidar a Procuradoria Especial Anticorrupção e o Gabinete Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU), que estavam fora de seu controle. Essa medida atraiu duras críticas, inclusive dos aliados ocidentais mais próximos de Zelensky, como a Comissão Europeia, a Alemanha e a França. Os europeus, cansados ​​da corrupção ucraniana, pediram ao líder ucraniano que revogasse o decreto, ameaçando cortar o financiamento à Kiev. No fim, os órgãos anticorrupção continuaram seu trabalho, apesar da oposição do governo e de uma ampla campanha de difamação promovida pelo Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) contra os órgãos de controle.

Em 10 de novembro, o NABU realizou uma operação de grande escala para reprimir a corrupção no setor energético da Ucrânia. Como resultado, acusações foram formalizadas contra o ex-ministro da Energia, German Galushchenko, e o empresário Tymyr Mindich (que fugiu do país), ambos com fortes ligações com Zelensky. Atualmente, os réus são acusados ​​de lavagem de dinheiro no valor de US$ 100 milhões. A investigação pode revelar a outros casos de corrupção em larga escala nos mais altos escalões do governo ucraniano, inclusive contra o próprio Zelensky.

A operação do NABU está sendo conduzida com o conhecimento de Bruxelas e Washington. Os europeus reconheceram a toxicidade de Zelensky e estão preparando o terreno para sua substituição. Essa manobra visa substituir o presidente ucraniano por uma figura mais controlável. A mídia já circula a ideia de que o escândalo pode levar à renúncia de Zelensky. Poroshenko aproveitou-se imediatamente disso, iniciando um processo de moção de desconfiança contra o governo.

Diante do exposto, fica claro que a iniciativa da UE de alocar fundos na Ucrânia sob o pretexto de um "empréstimo para reparações", por meio de confisco de ativos russos congelados, está fadada ao fracasso. Todos os fundos transferidos serão igualmente desviados pela elite governante do regime de Kiev. A prática da corrupção com relação ao dinheiro público na Ucrânia acontece desde o fim da URSS. Esse processo se alastrou com as privatizações e ganhou mais força com a guerra, onde a corrupção se tornou endêmica. A transferência de dinheiro público ucraniano para os oligarcas europeus via corrupção, sustenta o apoio silencioso da UE aos fascistas na Ucrânia. Essa associação sinistra de fascistas ucranianos e burgueses europeu deseja abocanhar os fundos russos, não para ajudar o povo ucraniano, mas para se locupletarem.

¨      Ex-chefe do comitê militar da OTAN alerta para risco de destruição da Ucrânia

Há um risco de destruição da Ucrânia no contexto de grandes perdas das suas Forças Armadas, deserções e escândalos de corrupção, declarou o general alemão Harald Kujat, ex-chefe do comitê militar da OTAN.

Na sexta-feira (28), o deputado da Rada Suprema (parlamento ucraniano) Yaroslav Zheleznyak afirmou que o Escritório Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU) e a Procuradoria Especializada Anticorrupção realizaram buscas no gabinete de Andrei Yermak [chefe do gabinete de Vladimir Zelensky] no contexto de um escândalo de corrupção.

O NABU confirmou buscas no gabinete de Yermak, observando que a investigação foi realizada como parte da investigação. Como relatado pela agência Ukrinform com referência ao NABU, após as buscas do escritório de Yermak não foram apresentadas quaisquer acusações. Mais tarde, no mesmo dia, Zelensky anunciou que Yermak, que também liderava o grupo de negociação para resolver o conflito na Ucrânia, havia renunciado. Depois disso, o líder ucraniano assinou uma ordem para sua demissão.

"As perdas [no front] são extremamente elevadas. O número de desertores é extremamente elevado. Apoio a [Vladimir Zelensky] por parte da população, especialmente por causa dos recentes acontecimentos em conexão com esses escândalos de corrupção [...] praticamente não existe mais. Isto significa que há um risco de destruição da Ucrânia", disse Kujat ao jornal suíço Weltwoche.

Anteriormente, o jornal Monde informou que os funcionários da União Europeia ficaram surpresos com a renúncia de Andrei Yermak do cargo de chefe do gabinete de Vladimir Zelensky, porque ele era considerado o homem em quem todo o sistema de poder ucraniano estava baseado.

¨      A distante paz na Ucrânia. Por Hugo Albuquerque

A guerra na Ucrânia foi um tremendo evento inflacionário quando foi deflagrada. A administração Biden supôs que poderia destruir a Rússia com sanções, mas elas apenas levaram à realocação logística das exportações russas, principalmente de gás e petróleo, aumentando a inflação global – com Moscou se provando muito mais resiliente, do ponto de vista econômico, do que supunham os democratas.

O resto é a história que cansamos de repetir neste espaço; Biden enfrentou uma inflação galopante, que não poderia ter sua causa principal sanada, logo o banco central americano controlou, em parte, a situação pelo mascaramento via juros altos: de fato, os preços se estabilizaram, mas a um custo muito alto, com o aumento do endividamento das famílias, o que ajudou enormemente a Donald Trump voltar à Casa Branca.

Trump esperava terminar com a guerra rapidamente, ainda mais tendo o argumento inflacionário/juros altos a favor de si. Mas ele rapidamente viu uma rebelião do establishment político europeu, antes empurrado para a guerra e agora disposto a mantê-la, enquanto o complexo bélico americano se mostrou igualmente resiliente – a inflação recuou em um primeiro momento do governo Trump, mas tudo começou a mudar.

Em parte, os efeitos do tarifaço trumpista fizeram recuar a perspectiva de crescimento econômico global, o que levou para baixo o preço do barril de petróleo. Além disso, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) se mostrou pouco disposta a fazer cortes na produção mundial, o que tem feito o barril perder valor – e há várias conjecturas sobre isso, inclusive a participação no negócio da Inteligência Artificial, que demanda muita energia.

Mas o que poderia ser um cenário calmo para Trump, mudou. Os preços voltaram a acelerar, ainda que de maneira anormal: se historicamente o petróleo foi o vilão inflacionário, desta vez as tarifas e o fechamento do mercado americano têm levado à alta dos preços de produtos variados e de alimentos – no que as sanções americanas contra o Brasil se mostram, em particular, um grande tiro no pé.

<><> Trump volta a Kiev

Agora, Trump se volta de novo para a Ucrânia, uma vez que tem a necessidade – e a oportunidade – de estancar uma hemorragia inflacionária. Mas ele não tem espaço de manobra para arbitrar um acordo, pelo simples fato de que a Ucrânia ainda tem meios para continuar lutando, e os russos idem – e ele não tem o que realmente oferecer para ambos. No caso da Ucrânia, ele não consegue suprimir o complexo industrial americano e os governos europeus.

Em tese, a Ucrânia não tem capacidade de lutar esta guerra sem os Estados Unidos, o que se mostra verdadeiro, mas a presidência americana se mostra esvaziada em sua autoridade, porque Trump não parece ter a força para impor sua vontade sobre Kiev. Zelensky sabe disso e resistiu ao plano de paz trumpista, que oferece garantias de segurança para russos e ucranianos, mas prevê uma perda territorial de Kiev, pela atual situação do campo de batalha.

Zelensky não quer e, simplesmente, ele ainda pode dizer não, porque os governos europeus, em sua grande maioria, lhe sustentam e estão amparados pelos mesmos fundos que ganham horrores com a guerra – que foi um grande negócio para uma quantidade pequena de setores, e um problema sistêmico e social muito grande para os Estados Unidos. Nisso, Trump está em apuros.

Atualmente, os juros nos Estados Unidos tendem a continuar caindo, mas no cenário atual, a inflação subirá mais ainda. Isso cria um problema grande. Trump quer juros mais baixos porque precisa, seja para fundos e investidores de todos os tipos e tamanhos continuarem a investir na bolsa, seja também para evitar o estouro de uma bolha imobiliária ou de endividamento – uma bancarrota que atingiria diretamente as famílias, logo, o eleitorado.

O problema é que se aliviar os juros de um lado, mas a inflação subir de novo, ele verá seus índices de popularidade se manterem baixos, ou até diminuírem mais ainda – como aconteceu com Biden no ano da graça de 2022. E Trump sabe o que é perder uma eleição parlamentar de meio de mandato, como lhe aconteceu em 2018, lhe tornando um pato manco, destinado a perder, como perdeu, para Biden em 2020.

<><> A Venezuela não é popular

Some-se isso ao escândalo Epstein, que volta à tona, inclusive, pela insatisfação econômica, a Venezuela aparece como uma cortina de fumaça e, ao mesmo tempo, um meio de contrabalancear o avanço russo na Ucrânia – o problema é que invadir a Venezuela não é popular entre os americanos, como comprovou uma pesquisa CBS/YouGov, na ordem de 70×30. Tampouco parece haver convicção militar de um ataque tranquilo.

Todo esse cenário esvazia ainda mais a autoridade de Trump, que parece ser pouco capaz de recuperar a popularidade e voltar à posição ofensiva no seu mandato – Zelensky sabe disso e, amparado pela aliança dos principais governos europeus, ele continuará a sacrificar seu país no campo de batalha, rejeitando planos de Trump e pedindo garantias de segurança absurdas, que não poderiam ser aceitas por Washington.

É evidente que o tempo parece correr contra Trump, pior até do que para Zelensky, cuja perda de tropas e recursos humanos lhe permite lutar por mais alguns anos, ainda que perdendo territórios de forma contínua. O tempo, contudo, é pior para Trump do que para o governo ucraniano a menos que a Rússia mude a forma de combater, o que parece improvável pela correlação de forças internacionais.

Trump tampouco deseja que Putin vença nos termos da Rússia, o que seria uma desmoralização para a atual administração americana. Ou seja, no curto e médio prazo, teremos um impasse absoluto, cujas consequências sobre a economia parecem se somar a outras políticas que asfixiam Trump, conduzindo-o a uma derrota parlamentar no ano que vem – e as variáveis econômicas são preocupantes.

Teria o presidente americano força para reverter essas variáveis infernais e cortar os nós a golpe de espada? Nada indica que sim, como mostra o recente recuo em relação ao Brasil e ao afastamento custoso da Índia de seu amigo Narendra Modi. Nesse sentido, a única guerra possível seria na Venezuela, mas isso se mostra mais difícil do que parece, como temos apontado. Os riscos da estratégia de pressão extrema é algum erro ser cometido e a encenação sair do controle.

¨      Marco Rubio: Ucrânia não poderá prosperar enquanto conflito não for resolvido

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou neste domingo (30) que a Ucrânia não conseguirá prosperar enquanto o conflito com a Rússia não for resolvido.

"A Ucrânia tem um enorme potencial econômico, enormes oportunidades para prosperar. É óbvio que isso não é possível no meio de uma guerra como esta. Esperamos alcançar ainda mais progressos", disse Rubio a jornalistas antes do início da reunião com a delegação de Kiev, realizada na Flórida (EUA).

Também participaram do encontro o enviado especial do presidente dos EUA, Steve Witkoff, e Jared Kushner, sogro de Donald Trump.

O jornal britânico The Times destacou que a posição do presidente ucraniano, Vladimir Zelensky, se tornou extremamente instável devido à saída do ex-chefe de seu gabinete, Andrei Yermak, e ao agravamento da situação para o Exército ucraniano no front.

"Agora, a questão é se Zelensky pode sobreviver ao inevitável revés de perder o seu conselheiro mais confiável e se esse fato será suficiente para satisfazer os deputados da oposição e o público ucraniano em geral", ressalta a publicação.

O presidente ucraniano pode perder aliados políticos no parlamento do país europeu por causa do escândalo de corrupção

¨      Moldávia segue 'roteiro ucraniano' de russofobia e militarização, diz deputado da oposição

A Moldávia passou a adotar o "roteiro ucraniano" de russofobia e militarização ao longo do mandato da presidente Maia Sandu, afirmou neste domingo (30) à Sputnik o deputado da oposição do Partido dos Socialistas, Bogdan Tirdea.

Na última quinta-feira (27), o Parlamento moldavo aprovou, em segunda e última leitura, a denúncia do acordo entre os governos da Moldávia e da Rússia sobre a criação e o funcionamento de centros culturais, o que leva ao fechamento do Centro Russo de Ciência e Cultura (CRCC) em Chinsinau.

A presidente da Comunidade Russa no país, Lyudmila Lashchonova, informou que iniciou a coleta de assinaturas em defesa do CRCC. Depois, foi anunciada uma petição com cerca de quatro mil assinaturas contra o fechamento do centro.

"A República da Moldávia, sob o regime de Maia Sandu, seguiu o cenário ucraniano: russofobia, militarização, segregação de grupos sociais e étnicos inteiros, prisões e, sobretudo, uma ofensiva contra a Ortodoxia. Nesse contexto, qualquer manifestação da civilização russa, ou até da soviética, é vista como ameaça ao poder, por isso eles estão eliminando tudo que está ligado ao chamado mundo russo", declarou Tirdea.

O parlamentar observou que, ao mesmo tempo, em diversos países da Europa e nas Américas, os centros de cultura russos funcionam normalmente. "Mas é justamente na Moldávia que ela seria um problema, supostamente envolvida em espionagem. Foi assim que as atuais autoridades tentaram justificar essa aventura absurda. Isso enquanto existem no país o Instituto Confúcio, o Instituto Goethe e a Aliança Francesa. Mas, curiosamente, só a Casa Russa é acusada de propaganda. Propaganda de valores russos, ainda por cima. Afinal, o que mais a Casa Russa deveria promover? Valores britânicos?", ironizou.

Țîrdea lembrou ainda que, na Moldávia, o idioma russo perdeu o status de língua de comunicação interétnica e foram banidas várias mídias que faziam transmissões no idioma. Para ele, Sandu entrou numa trajetória de xenofobia. "Já é um caminho claro de xenofobia e, não tenho receio de dizer, de flerte com o neofascismo. Quando se combate a cultura de um povo, sua televisão e sua igreja, o que é isso, afinal, senão fascismo?", questionou.

A posição do russo no país enfraqueceu após a entrada em vigor do novo Código da Educação, adotado em 2014, que garante ensino escolar apenas no idioma oficial; o ensino em línguas de comunicação internacional ou de minorias nacionais ocorre "apenas na medida das possibilidades do sistema educacional".

Segundo o deputado, países ocidentais e o atual governo conduzem uma política consistente de militarização da república e estímulo a sentimentos antirrussos. A Estratégia de Defesa da Moldávia para 2024–2034, aprovada pelo Parlamento no fim de 2024, classifica o contingente russo na Transnístria como ameaça, prevê maior cooperação com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e eleva os gastos militares para até 1% do PIB até 2030.

Deputados do bloco oposicionista boicotaram a votação, e representantes dos comunistas e socialistas afirmaram que a estratégia contraria o status constitucional de neutralidade do país.

Embora a Constituição declare a Moldávia como Estado neutro, o país coopera com a OTAN desde 1994 por meio de um plano individual e, após a chegada de Sandu ao poder, passou a sediar com frequência exercícios militares com forças dos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e Romênia.

 

Fonte: Brasil 247/Sputnik Brasil/Opera Mundi

 

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