Segurança
do paciente ganha cor e voz em setembro
Este
ano, o “Setembro Laranja”, movimento que busca reduzir danos evitáveis durante
os cuidados médicos, concentra o olhar sobre um público especialmente
vulnerável: recém-nascidos e crianças. O slogan “Segurança do paciente desde o
início!” sintetiza o chamado global aos hospitais e unidades de saúde em todo o
mundo
Na
Bahia, a cor da campanha ilumina as fachadas do Hospital Mater Dei Salvador e
do Hospital Mater Dei Emec, em Feira de Santana. Segundo a Gerente Executiva de
Qualidade da Rede Mater Dei, Marília Corrêa, além da ação simbólica, a Rede
realiza o III Fórum Interno de Segurança do Paciente, espaço de debate sobre
práticas que reforçam a proteção do paciente, como o protocolo de parto seguro,
a adesão às Metas Internacionais de Segurança e os avanços do programa Rumo ao
Dano Zero, em vigor há três anos.
Ela
concorda com a OMS sobre a importância do Setembro Laranja que, para além de
uma simples campanha, configura-se como um chamado global à ação para garantir
que todos os pacientes recebam cuidados seguros e de qualidade, sem medo de
danos desde o início da vida.
Ainda
segundo a OMS, crianças e recém-nascidos estão entre os mais suscetíveis a
eventos adversos, seja pela vulnerabilidade fisiológica, pela dificuldade de
expressar sintomas ou pela necessidade de cálculos rigorosos na administração
de medicamentos. Também exigem equipamentos, treinamento e protocolos
especializados, nem sempre disponíveis em todos os serviços de saúde.
Para
enfrentar esses riscos, a entidade elencou cinco metas globais: 1) envolver
crianças e famílias nos cuidados, 2) aprimorar a segurança da medicação, 3)
melhorar a segurança do diagnóstico, 4) prevenir infecções associadas à
assistência e 5) reduzir riscos para recém-nascidos pequenos e doentes.
Especialistas
em saúde destacam que o envolvimento das famílias é peça-chave para fortalecer
a cultura da segurança. Ao participar ativamente das decisões sobre o
tratamento, os familiares podem ajudar a identificar sinais precoces de
complicações, garantir o cumprimento das orientações médicas e servir como elo
entre paciente e equipe de saúde.
Outro
ponto de atenção é a prevenção de infecções associadas à assistência, problema
ainda frequente em unidades hospitalares de todo o mundo. Estudos mostram que
práticas simples, como a higienização correta das mãos, o uso adequado de
equipamentos de proteção e a adoção de protocolos de esterilização, podem
salvar milhares de vidas todos os anos.
Na
prática, iniciativas como o fórum realizado pela Rede Mater Dei mostram que a
agenda global já ecoa em instituições brasileiras. “Nossas ações estão
alinhadas às metas da OMS e buscam fortalecer continuamente a cultura de
segurança do paciente”, completa Marília Correa.
Dessa
forma, o Setembro Laranja se afirma não apenas como uma campanha de
conscientização, mas como um convite à participação ativa de pacientes,
famílias e profissionais na construção de um ambiente hospitalar mais seguro,
da maternidade às demais etapas da vida.
• NOTA DE REPÚDIO E DENÚNCIA
VAZAMENTO
DE DADOS DE PESSOAS COM HIV/AIDS, FIBROMIALGIA E DOENÇA FALCIFORME
Vazamento
de dados sensíveis em Feira de Santana: Conselho Estadual de Saúde da Bahia
exige responsabilização e afastamento de gestores
O
Conselho Estadual de Saúde da Bahia (CES-BA) manifesta profundo repúdio e
indignação diante da gravíssima violação de direitos humanos ocorrida em Feira
de Santana, onde a Prefeitura publicou, no Diário Oficial do Município, uma
lista com os nomes de mais de 600 pessoas, incluindo cidadãos vivendo com HIV e
Aids, fibromialgia e doença falciforme, ao suspender o benefício do passe livre
no transporte coletivo urbano.
A divulgação de dados sensíveis configura uma
violação frontal à Lei Geral de Proteção de Dados (Lei 13.709/2018), à Lei
12.984/2014, que criminaliza a discriminação contra pessoas vivendo com HIV e
Aids, e à Lei 14.289/2022, que garante o sigilo sorológico, além de representar
grave violação de direitos às pessoas com doença falciforme e fibromialgia,
igualmente expostas à estigmatização e discriminação. Trata-se de um crime
cometido por órgão público, no exercício de sua função administrativa, com
potenciais danos psicológicos, sociais materiais e morais irreparáveis.
Exigimos a imediata responsabilização dos
envolvidos, incluindo a Prefeitura de Feira de Santana e a Secretaria Municipal
de Mobilidade Urbana, responsável pela gestão do benefício, bem como o
afastamento imediato de todos os responsáveis para que a apuração ocorra de
forma imparcial e transparente. É imprescindível que este episódio seja
investigado com rigor, para que não venha a se repetir em outras localidades.
O CES-BA se solidariza às pessoas atingidas
por este ato arbitrário, discriminatório e inaceitável, que expôs cidadãos a
constrangimentos, estigmas e riscos de exclusão social. É importante destacar
que, no caso das pessoas vivendo com HIV e Aids, o estigma histórico associado
à condição ainda resulta em práticas cruéis de discriminação, preconceito e
exclusão, apesar dos avanços da ciência e do fato de que pessoas em tratamento
com carga viral indetectável não transmitem o vírus. Estas pessoas, assim como
as demais atingidas, confiaram na segurança do sigilo de suas informações,
direito que foi gravemente violado.
“Estamos
diante de um caso gravíssimo que expôs a vida e a dignidade de centenas de
pessoas. Não aceitaremos retrocessos nem violações de direitos. O Conselho
Estadual de Saúde da Bahia exige providências imediatas e justiça em nome da
população que confiou na proteção do sigilo de suas informações pelo poder
público”, afirma Marcos Gêmeos, presidente do CES-BA.
É
fundamental destacar que o Sistema Único de Saúde (SUS) é uma conquista
histórica do povo brasileiro, referência internacional em acesso universal e
gratuito. Não podemos permitir que erros administrativos ou violações de
direitos humanos, como a ocorrida em Feira de Santana, manchem a imagem do SUS
ou reforcem percepções negativas junto à população. O que está em questão não é
a essência do sistema, mas sim a má gestão de agentes públicos que desrespeitam
princípios básicos de dignidade e confidencialidade. Valorizar o SUS significa
defender sua integridade, transparência e compromisso com a vida.
O
Conselho Estadual de Saúde da Bahia reitera seu apoio a todas as associações,
movimentos sociais e coletivos que atuam na defesa das pessoas vivendo com HIV
e Aids, Fibromialgia e Doença Falciforme, e reafirma sua missão de defesa
intransigente dos direitos das usuárias e usuários do Sistema Único de Saúde
(SUS).
Fonte:
Por Carla Santana - Assessoria de Imprensa/Ascom CES-BA

Nenhum comentário:
Postar um comentário