segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Seis erros no Pilates que podem comprometer os resultados da prática

A popularização do Pilates levou a modalidade a públicos cada vez mais diversos. Com o crescimento da prática, porém, também surgem dúvidas sobre a execução dos exercícios e os fatores que contribuem para bons resultados. Para a fisioterapeuta e especialista em Pilates Mariana Dias, proprietária de uma unidade do Instituto VOLL em Campinas, a qualidade do movimento é mais importante do que simplesmente completar uma sequência de exercícios.

“O Pilates não é sobre fazer o movimento de qualquer maneira. Existe um trabalho de controle, consciência e precisão. Muitas vezes, diminuir a amplitude ou a velocidade é justamente o que permite que a pessoa execute melhor e aproveite mais aquele exercício”, explica.

<><> A especialista aponta seis erros comuns que podem comprometer a prática:

•        1. Fazer os exercícios no automático

Repetir movimentos sem prestar atenção ao corpo pode prejudicar a qualidade da execução. No Pilates, a concentração e a consciência corporal fazem parte do exercício e ajudam o aluno a perceber como está se movimentando.

•        2. Prender a respiração

A respiração acompanha os movimentos e contribui para o controle e a organização corporal. Segurar o ar durante o esforço pode aumentar a tensão e dificultar a execução.

•        3. Confundir amplitude com qualidade

Fazer um movimento cada vez maior não significa necessariamente evoluir. Uma amplitude adequada, realizada com controle, pode ser mais eficiente do que ultrapassar os próprios limites para alcançar determinada posição.

•        4. Compensar os movimentos

Quando uma região do corpo não tem força ou mobilidade suficiente, outras partes podem tentar compensar. Identificar esses ajustes é importante para que o exercício seja realizado de maneira adequada ao seu objetivo.

•        5. Tentar acompanhar o ritmo de outra pessoa

Cada corpo tem um nível próprio de força, mobilidade, experiência e consciência corporal. Comparar a execução com a de outro aluno pode levar a movimentos inadequados ou a uma intensidade que não corresponde às necessidades individuais.

•        6. Achar que sentir dor significa que o exercício está funcionando

Esforço e desconforto muscular podem ocorrer durante a atividade física, mas a dor não deve ser considerada um indicador de eficácia. Dor aguda, persistente ou diferente do habitual merece atenção e avaliação profissional.

<><> Pilates não é uma competição

Segundo Mariana, um dos diferenciais da modalidade é a possibilidade de adaptar os exercícios a diferentes corpos e objetivos. “Temos milhares de possibilidades de exercícios e variações. Isso permite adaptar a prática para aquilo que cada pessoa precisa, seja desenvolver força, melhorar mobilidade, trabalhar consciência corporal ou simplesmente se movimentar melhor no dia a dia”, afirma.

A evolução no Pilates não precisa ser medida apenas pela capacidade de executar movimentos considerados difíceis. Melhorar a estabilidade, ganhar mobilidade, perceber mudanças na postura ou realizar atividades cotidianas com mais facilidade também pode representar progresso. Mais do que buscar uma execução esteticamente perfeita, a orientação é respeitar o próprio processo e contar com um profissional capacitado para adaptar os exercícios às necessidades individuais.

•        Treino intenso em um único esporte antes dos 12 anos pode dobrar risco de lesões

A busca por resultados e pelo sucesso no esporte pode levar crianças e adolescentes a se dedicarem intensamente a uma única modalidade desde cedo. Essa escolha, porém, pode trazer consequências para a saúde física e mental. Estudos sobre especialização esportiva precoce apontam que jovens atletas que concentram os treinos em apenas um esporte estão mais sujeitos a lesões, especialmente aquelas provocadas pela repetição excessiva de movimentos.

De acordo com o estudo Early sports specialisation and the incidence of lower extremity injuries in youth athletes: current concepts, a especialização precoce está associada a riscos de lesões nos membros inferiores. Segundo Adriano Marques de Almeida, presidente da Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte (SBRATE), a prática intensa e repetitiva pode sobrecarregar estruturas específicas do corpo e limitar a experiência motora dos jovens.

“Atletas que treinam dessa maneira colocam mais estresse em grupamentos musculares e ligamentos seletos que o esporte demanda, enquanto diminuem o desenvolvimento de outros padrões de movimentação que a prática multiesportiva proporciona”, explica o especialista.

<><> O que é a especialização esportiva precoce?

A especialização esportiva precoce ocorre quando a criança passa a se dedicar predominantemente a uma única modalidade, deixando de praticar outros esportes. A American Orthopaedic Society for Sports Medicine descreve essa prática como o compromisso com um único esporte durante oito meses ou mais por ano, em detrimento de outras modalidades, antes dos 12 anos.

O problema não está na prática esportiva desde a infância, mas na concentração dos esforços em uma única atividade, com treinos frequentes e intensos e pouca variedade de movimentos. Esse padrão pode restringir o desenvolvimento de habilidades motoras e aumentar a exposição a movimentos repetitivos. Segundo Almeida, estudos indicam que atletas que se especializam precocemente podem apresentar até o dobro do risco de lesões em comparação com aqueles que não se dedicam exclusivamente a um esporte desde cedo.

<><> Sobrecarga pode comprometer o desenvolvimento

A repetição constante dos mesmos movimentos pode impor estresse excessivo a músculos, tendões e ligamentos. Quando a carga de treinamento supera a capacidade de recuperação do organismo, aumenta a possibilidade de lesões por sobrecarga, que podem comprometer a continuidade da prática esportiva.

Além dos problemas físicos, a especialização precoce pode estar associada à limitação do desenvolvimento motor e ao burnout, caracterizado pelo esgotamento relacionado às exigências da atividade esportiva. A pressão por desempenho e a rotina intensa também podem tornar a experiência menos equilibrada para crianças e adolescentes.

A SBRATE destaca que o alerta não é contra o esporte competitivo, mas contra a aceleração excessiva das etapas de formação. A variedade de atividades físicas pode proporcionar experiências motoras diferentes e contribuir para um desenvolvimento mais amplo.

<><> Diversificar pode ser mais importante do que acelerar

A campanha One Sport Injury, mencionada no material da Associação Americana de Ortopedia, busca conscientizar pais e responsáveis sobre os riscos das lesões por sobrecarga e a importância de práticas esportivas seguras. Para Almeida, a especialização precoce oferece poucos benefícios comprovados que justifiquem os riscos envolvidos.

“Em vez de acelerar carreiras ainda em formação, o caminho deve ser mais amplo, valorizando o desenvolvimento global do jovem atleta para reduzir riscos de lesões que podem comprometer não apenas o desempenho, mas também a saúde a longo prazo”, conclui. A orientação é valorizar uma formação esportiva que respeite o desenvolvimento físico e emocional de cada criança, sem transformar a busca por resultados em uma rotina de exigências incompatíveis com sua fase de crescimento.

 

Fonte: Correio 24 horas

 

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