Reação
alérgica alimentar: quais os sintomas e o que fazer
Imunologista
e alergista do Hospital Santa Lúcia Sul, Franciane de Paula explica que reações
alérgicas alimentares apresentam diversas manifestações e a gravidade delas não
pode ser prevista com segurança. "Uma pessoa que já apresentou sintomas
leves pode ter uma reação grave em uma exposição posterior", afirma.
Nos
casos mais amenos, coceira na boca, urticária, vermelhidão na pele ou inchaço
dos lábios — esse, o mais comum — são algumas reações possíveis. Sintomas
gastrointestinais, como dor abdominal e vômitos, também podem surgir.
Os
quadros de maior gravidade podem evoluir para anafilaxia, que compromete
diferentes órgãos e sistemas ao mesmo tempo. Nesse caso, lesões de pele,
urticária, dificuldade para respirar, tosse, espirros, queda da pressão
arterial, perda de consciência e até parada cardiorrespiratória podem ocorrer.
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Como proceder
Como
até pequenas quantidades de alimento podem ser suficientes para desencadear uma
reação, a orientação médica é que aqueles que já tenham a confirmação de
alergia evitem o alimento responsável. Franciane também destaca a importância
de conhecer os sinais de alerta e como agir em emergências.
"A
primeira medida é interromper o consumo e avaliar imediatamente a presença de
sintomas e utilizar o seu plano de ação em caso de reação. Entretanto, não se
deve esperar que os sintomas se agravem para procurar ajuda quando houver
sinais de uma reação sistêmica", detalha.
Caso
haja dificuldade para respirar, sensação de garganta fechando, alteração da
voz, inchaço da língua, tontura intensa, desmaio ou sintomas que evoluam
rapidamente, o paciente deve suspeitar de anafilaxia e aplicar imediatamente
adrenalina autoinjetável, prescrita pelo médico, conforme avaliação.
"Pacientes com histórico de alergia alimentar e risco de reações graves
devem portar a caneta de adrenalina autoinjetável", reforça Franciane.
Apesar
de muitas crises terem início minutos depois da exposição, a anafilaxia
apresenta um período maior para manifestação. "O intervalo entre a
refeição e o início dos sintomas não exclui, por si só, uma reação alérgica
grave", avisa a alergista. "A principal mensagem é que a anafilaxia é
uma emergência tempo-dependente: reconhecer os sinais e administrar adrenalina
precocemente podem salvar vidas", conclui.
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Tragédia
A
família de Amanda Marinho Nascimento, de 29 anos, que morreu na lua de mel em
Portugal, conseguiu arrecadar o dinheiro necessário para custear as despesas,
trazer o corpo da enfermeira ao Brasil e realizar o sepultamento. Agora,
aguarda a realização da autópsia forense, prevista para ser feita até
segunda-feira (26/10).
De
acordo com Tiago Nascimento, marido de Amanda, ela sofreu uma reação alérgica
grave a frutos do mar após almoçar em um restaurante na cidade de Leiria, em
Portugal, na última quarta-feira (21/10). O quadro evoluiu para uma parada
cardiorrespiratória. A enfermeira foi atendida inicialmente em um hospital da
cidade. Depois, foi transferida para o Hospital Universitário de Coimbra, onde
a morte foi constatada.
Casados
há apenas 11 dias, os dois realizavam o sonho de oficializar a união e conhecer
o Vaticano. Depois de percorrerem a Itália, partiram para Portugal para visitar
parentes de Amanda. Eles voltariam nesta sexta-feira (23/10) para o Brasil.
Ao
Correio, Tiago compartilhou sua admiração e amor por Amanda. "Ela sempre
foi dedicada em tudo o que fazia. Era uma excelente enfermeira, uma mulher
incrível, doce, meiga, de uma humildade extrema. Infelizmente, veio a falecer
tão nova", lamentou. Ele aguarda o laudo para organizar o traslado do
corpo ao Brasil.
• Quando o corpo rejeita: o mistério das
alergias tardias
Essenciais
para a defesa do organismo, as reações do sistema imunológico têm como função
proteger o corpo contra agentes nocivos. No entanto, quando essa resposta
acontece de forma exagerada diante de substâncias comuns, como alimentos,
medicamentos, poeira ou cosméticos, surgem as alergias. Já as intolerâncias
alimentares, apesar de frequentemente confundidas com alergias, têm outra
origem e exigem abordagens diferentes. Entender essas distinções é fundamental
para evitar riscos à saúde e restrições desnecessárias.
Segundo
a médica alergologista e imunologista do Instituto Nutrindo Ideais Camilee
Tostes, as alergias podem se manifestar em qualquer fase da vida, embora muitas
tenham início na infância. "Elas se desenvolvem quando o sistema
imunológico passa a reagir de forma exagerada a certas substâncias que,
geralmente, não representam perigo", explica. Nesse processo, o organismo
produz anticorpos específicos, principalmente a IgE e, a partir do contato com
o agente desencadeador, ocorre a liberação de mediadores inflamatórios, como a
histamina, responsável pelos sintomas alérgicos, que podem variar de leves a
graves.
A
predisposição genética tem um papel importante nesse contexto. Ter pais
alérgicos aumenta significativamente o risco de desenvolver doenças atópicas,
como rinite, asma, dermatite atópica e alergias alimentares. Ainda assim,
Camilee destaca que genética não é destino. "O ambiente, a alimentação, o
microbioma intestinal e o estilo de vida tem um papel decisivo na expressão, ou
não, dessa predisposição", afirma.
Nem
toda alergia, porém, é permanente. Algumas, em especial na infância, podem
regredir com o tempo. Outras tendem a persistir, mas isso não significa
conviver para sempre com os sintomas. "Hoje sabemos que, ao tratar o
paciente de forma integral, controlando o ambiente, a inflamação e modulando o
sistema imunológico, é possível reduzir ou até eliminar manifestações
alérgicas", explica a especialista, sobretudo em quadros leves ou
moderados.
Uma das
confusões mais comuns ocorre entre alergia alimentar e intolerância alimentar.
Embora possam causar sintomas semelhantes, como dor abdominal, distensão,
náuseas ou manifestações na pele, os mecanismos envolvidos são diferentes. Na
alergia alimentar, há participação direta do sistema imunológico e risco de
reações imediatas e potencialmente graves, como urticária, dificuldade
respiratória e anafilaxia. Já a intolerância alimentar não envolve o sistema
imune e está relacionada, em geral, à dificuldade de digestão ou metabolização
de determinados alimentos, por deficiência enzimática, alterações da microbiota
intestinal ou inflamação da mucosa.
As
intolerâncias também costumam apresentar sintomas dependentes da quantidade
ingerida, como ocorre na intolerância à lactose. "Elas não envolvem o
sistema imunológico, diferentemente das alergias", reforça Camilee. O
atraso no surgimento dos sintomas e a sobreposição de sinais entre as duas
condições explicam por que o diagnóstico correto é tão importante.
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Mitos, sinais e diagnóstico
O
intestino desempenha papel central nesse processo. De acordo com o médico de
família da Amparo Saúde Felipe Bruno Santos da Cunha, alterações na microbiota
intestinal influenciam diretamente o surgimento de alergias e intolerâncias.
"Crianças com alergia alimentar apresentam menor diversidade de bactérias
benéficas, como Bifidobacteria e Clostridia, favorecendo respostas
inflamatórias e reduzindo a tolerância imunológica", explica. Estratégias
com probióticos e prebióticos, quando indicadas, podem ajudar a restaurar o
equilíbrio intestinal.
Outro
ponto de atenção são as alergias a medicamentos. Elas ocorrem quando o sistema
imunológico reconhece o remédio ou seus metabólitos como uma ameaça. As
manifestações podem variar desde coceira e manchas na pele até reações
sistêmicas graves. Por isso, é fundamental diferenciar alergia verdadeira de
efeitos colaterais ou reações adversas, que nem sempre envolvem mecanismos
imunológicos.
O
diagnóstico das alergias começa pela história clínica detalhada, considerada a
etapa mais importante do processo. A partir dela, podem ser solicitados testes
cutâneos, exames de sangue, testes de provocação e avaliações complementares.
"O diagnóstico moderno vai além de identificar o agente causador. Ele
busca entender por que aquele organismo está reagindo daquela forma",
afirma Camilee, destacando a importância de uma abordagem individualizada.
Alguns
sintomas indicam risco de anafilaxia e exigem atendimento médico imediato, como
vermelhidão generalizada de início súbito, inchaço dos lábios, língua ou rosto,
dificuldade respiratória, queda da pressão arterial, desmaio, vômitos
persistentes e dor abdominal intensa.
No
senso comum, ainda persistem mitos sobre o tema. Nem todo desconforto abdominal
após comer é alergia, exames sem indicação médica não diagnosticam
intolerâncias, restrições alimentares sem orientação podem causar deficiências
nutricionais e detox ou testes "milagrosos" não substituem avaliação
clínica, segundo Felipe Bruno Santos da Cunha.
As
pessoas desenvolvem reações adversas a alimentos comuns devido a condições
individuais diretamente relacionadas a fatores genéticos, ambientais e
imunológicos. A predisposição atópica, as alterações na barreira da pele e a
exposição precoce a alérgenos favorecem situações alérgicas comuns. Além disso,
a presença de doenças de pele na infância, como o eczema ou dermatite, e o
histórico familiar aumentam o risco de alergia alimentar, enquanto outros
pacientes nunca apresentaram sintomas por desenvolverem tolerância oral
adequada aos alimentos.
A
frequência e a quantidade de consumo de um alimento podem influenciar o
desenvolvimento de alergia, especialmente em indivíduos geneticamente
predispostos. A introdução tardia de alimentos potencialmente alergênicos, como
o ovo e o amendoim, após os 6 a 12 meses de vida, aumenta o risco de
sensibilização, enquanto a exposição à janela de oportunidade, aos 6 meses de
vida, pode promover tolerância imunológica. No caso de intolerâncias, os
sintomas geralmente dependem da dose ingerida, como ocorre na intolerância à
lactose.
Fonte:
Correio Braziliense

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