O
que se sabe sobre as denúncias do boicote de ônibus durante a eleição pelas
cidades do Brasil?
Relatos
de falta de ônibus neste domingo (25/10) de 2º turno das
eleições presidenciais foram registrados em diversas cidades do
país, especialmente na Bahia e em São Paulo.
Por
isso, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou
a prorrogação das eleições no Brasil inteiro até as 19h (horário de Brasília).
A
medida foi tomada após ação apresentada pela campanha do presidente e candidato
à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que alegou insuficiência de
transporte público nos municípios de Salvador, Feira de Santana e Lauro de
Freitas, na Bahia.
Zanin
afirmou que os fatos chegaram ao conhecimento do STF às 16h32 deste domingo e
que, diante da gravidade das alegações e da urgência da situação, determinou
que o encerramento da votação fosse adiado em todas as seções eleitorais do
país.
O
ministro também determinou que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) adotasse as
providências necessárias para cumprir a ordem.
Mais
cedo, às 13h, a campanha de Lula já havia pedido ao Tribunal Superior Eleitoral
(TSE) a prorrogação do horário de votação nas cidades que registraram
irregularidades.
"Isso
é um pedido ao ministro Kassio e o André Mendonça [presidente e vice-presidente
do TSE]: eles têm, se for verdade, que prorrogar esse horário eleitoral para
não permitir que as pessoas que foram prejudicadas de manhã pelo banditismo de
alguns empresários ou de alguns prefeitos sejam prejudicados", disse Lula
em declaração em São Paulo durante a tarde.
"Nós
não vamos aceitar banditismo, mau-caratismo nem de prefeito, nem de governador
e nem de empresário. Essas pessoas precisam aprender a respeitar a democracia
neste país", afirmou o presidente.
Há
também relatos nas redes sociais de reclamações em relação ao transporte
público em cidades de Alagoas e Sergipe e em Petrópolis, no Rio de Janeiro.
Belém também registrou problemas com
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O que aconteceu na Bahia?
Na
capital baiana, o presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA)
determinou a prisão em flagrante de Pablo Souza, secretário municipal de
Mobilidade de Salvador, segundo informações publicadas por Globo, UOL e CNN
Brasil.
A BBC
News Brasil pediu esclarecimentos ao TRE-BA e aguarda resposta.
A
decisão foi tomada após representação da Federação Brasil da Esperança, formada
por PT, PCdoB e PV, que denunciou uma redução superior a 50% na frota de ônibus
em relação aos dias úteis.
O
tribunal determinou o restabelecimento imediato de 100% da frota, com
frequência equivalente à dos dias úteis e gratuidade para os passageiros. A
ordem prevê multa de R$ 1 milhão por hora de descumprimento para a prefeitura e
para cada empresa responsável pelo transporte. Também determinou que a Polícia
Civil fiscalize o cumprimento da decisão, inclusive com uso de drones.
A
Prefeitura de Salvador informou que a circulação foi interrompida
temporariamente em algumas garagens por causa de ônibus que receberam adesivos
de candidatos, o que, segundo a gestão, configuraria propaganda eleitoral
irregular.
A BBC
News Brasil também cobrou esclarecimentos da prefeitura de Salvador. A
Secretaria Municipal de Mobilidade afirmou que a operação já havia sido
normalizada.
A
campanha do presidente Lula pediu ao TSE a prorrogação da votação nos três
municípios da Bahia diante da falta de transporte para os eleitores.
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E em São Paulo?
Em São
Paulo, a coligação Brasil Pronto Pra Mais, que representa a candidatura de
Lula, acionou a Justiça Eleitoral com a denúncia de que empresas de transporte
da capital estariam operando com apenas 60% da frota na capital paulista neste
domingo de 2º turno.
A
cidade teve cerca de um terço menos ônibus nas linhas no fim da manhã e início
da tarde deste domingo (25), de segundo turno, do que nos mesmos horários de
dois dias úteis daquela semana.
Levantamento
de Igor Novaes Lins, pesquisador de pós-doutorado no Centro Brasileiro de
Análise e Planejamento (Cebrap), identificou uma média de 6.924 ônibus, contra
10.099 na quarta e na sexta-feira — redução de 31,4%, ou aproximadamente 3,2
mil veículos.
Lins
registrou, minuto a minuto, as posições dos ônibus divulgadas pelo Olho Vivo,
sistema de monitoramento por GPS da SPTrans.
A BBC
News Brasil refez a comparação das médias horárias a partir da tabela fornecida
pelo pesquisador e confirmou o percentual.
A
quantidade de ônibus ficou praticamente no mesmo patamar do sábado.
A
Prefeitura havia anunciado uma operação equivalente à desse dia da semana, mas
a Justiça Eleitoral determinou que disponibilizasse toda a frota praticada em
dias úteis e mantivesse os ônibus passando com frequência semelhante à de
segunda a sexta-feira.
Segundo
o relatório de Lins, mesmo com um total de veículos semelhante ao do sábado, a
presença de ônibus nas proximidades dos bairros diminuiu em 87 dos 96 distritos
da capital.
A
redução foi de pelo menos 20% em 27 distritos. Na Vila Curuçá, chegou a 35,7%;
em São Miguel, a 33,8%; e no Jardim Ângela, a 30,8%.
A queda
também foi desigual entre as faixas de renda. Nas áreas que reúnem o quinto
mais pobre da população, a presença de ônibus caiu 18,1% em relação ao sábado.
No quinto mais rico, a redução foi de 10,6%.
O
pesquisador cruzou os registros de transporte com os resultados do primeiro
turno.
Entre
os eleitores cadastrados em locais onde Lula alcançou pelo menos 60% da soma
dos votos dele e de Flávio Bolsonaro, 42,8% estavam em endereços cujo entorno
perdeu ao menos 20% da presença de ônibus. Nos locais em que Flávio superou
Lula, a proporção foi de 29,7%.
A
Prefeitura negou redução da oferta e afirmou que havia mais ônibus do que a
demanda. A SPTrans alegou dificuldades para reorganizar as escalas após receber
a determinação judicial na véspera. Após denúncias de problemas no transporte
de eleitores, o ministro Cristiano Zanin, do STF, prorrogou a votação em duas
horas, até as 19h, nas seções com urnas ainda abertas.
A BBC
News Brasil pediu esclarecimentos à Justiça Eleitoral de São Paulo, mas ainda
não recebeu resposta.
O PT
pediu também à Justiça a prisão do secretário de Transportes da Prefeitura de
São Paulo, Celso Jorge Caldeira.
No
sábado (24/10), o juiz da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, Tiago Ducatti
Machado, determinou que a cidade disponibilizasse 100% da frota à população.
A
decisão previa multa de R$ 100 mil e responsabilização pessoal por
descumprimento.
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Outras cidades também registraram problemas
Outras
cidades também registraram problemas.
O
prefeito de Belém, Igor Normando (PSDB), disse que encaminharia ao TSE e ao TRE
do Pará denúncias contra empresas que estão descumprindo o decreto do Governo
do Estado e se recusando a oferecer transporte gratuito para quem sai de Belém
para votar em outros municípios.
Nas
redes sociais, moradores relataram dificuldade para conseguir pegar balsas e
barcos para municípios de locais como a Ilha de Marajó.
"É
um absurdo e grave que as pessoas estejam tendo seu direito ao voto prejudicado
em um momento tão importante como esse por empresas que não cumprem o que foi
determinado!", escreveu Normando.
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Eleitores esperaram horas por transporte público e
recorrem a redes sociais e até 40 km de bicicleta para chegar às urnas
Eleitores
em São Paulo e na Bahia relataram à BBC News Brasil horas de
espera e muita dificuldade para pegar transporte público e chegar às
suas zonas eleitorais neste domingo (25/10) de segundo turno.
Em
Salvador, Pedro Rocha, morador do bairro da Graça, diz ter ficado mais de 2
horas e meia esperando um ônibus para se deslocar até a sua zona eleitoral no
Trobogy.
O
percurso de cerca de 21 quilômetros leva em torno de 25 minutos de carro em um
dia sem trânsito, mas o soteropolitano precisaria de um metrô e um ônibus de
transporte público.
Pedro
não teve dificuldades com o metrô, mas ao chegar à estação Tamburugy, encontrou
dezenas de pessoas esperando pelo transporte. "Só passaram 3 ônibus em 2
horas e meia, mas não pararam porque estava escrito garagem no letreiro",
relata. "Tinha muita gente no ponto."
Ele só
conseguiu se deslocar para votar depois que cinco carros passaram pelo local e
se ofereceram para levar os passageiros até suas seções. "Só consegui
votar por causa de uma carona", diz.
Taynan
Carvalho de Sá, 38 anos, também moradora de Salvador, disse ter passado o dia
esperando o ônibus passar próximo à sua casa em Boca do Rio, na região da orla
central da cidade.
"Fiquei
desde as 8 da manhã tentando chegar ao meu local de votação", contou a
eleitora que vota no Colégio Estadual Vitor Soares, na Ribeira.
A
enfermeira ainda tentou chamar um carro por aplicativo, mas os preços estavam
mais elevados do que o normal. "Carro estava dando R$ 150 e moto R$
89", disse.
Taynan
disse que já tinha desistido de ir votar quando viu uma postagem nas redes
sociais sobre uma iniciativa de caronas solidárias na cidade. "Foi aí que
um participante do grupo veio me buscar em casa", afirmou a enfermeira.
"Mas
mesmo no trajeto de carro, não vi um ônibus circulando pela cidade",
disse.
Com
todas as dificuldades, Taynan só conseguiu chegar ao seu local de votação por
volta das 18h20 e não foi autorizada a votar – apesar da determinação do
ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, para a prorrogação
das eleições até às 19h.
"A
escola estava aberta, os funcionários estavam presentes, porém as urnas já
tinha sido encerradas às 17h e alegaram que não tinha como reiniciar",
disse. "Eu e outra eleitora não conseguimos votar."
"Fiquei
muito triste", desabafou. "Eu tentei muito."
O caso
de Taynan foi registrado em ata pela responsável pela seção eleitoral.
Além de
problemas com os ônibus, relatos nas redes sociais apontam muitos atrasos no
ferry boat que faz a travessia entre Salvador (Terminal de São Joaquim) e a
Ilha de Itaparica (Terminal de Bom Despacho).
Vicente
Coutinho foi um dos eleitores prejudicados pela demora. "O ferry boat saiu
com 1 hora e meia de atraso", contou á BBC News Brasil.
Após
diversos relatos de problemas com o transporte público em Salvador, o
presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) determinou a prisão
em flagrante de Pablo Souza, secretário municipal de Mobilidade da capital.
A
decisão foi tomada após representação da Federação Brasil da Esperança, formada
por PT, PCdoB e PV, que denunciou uma redução superior a 50% na frota de ônibus
em relação aos dias úteis.
A BBC
News Brasil pediu esclarecimentos ao TRE-BA e aguarda resposta.
A
Prefeitura de Salvador informou que a circulação de ônibus foi interrompida
temporariamente em algumas garagens por causa de ônibus que receberam adesivos
de candidatos, o que, segundo a gestão, configuraria propaganda eleitoral
irregular.
Também
foram registrados relatos de problemas em Feira de Santana e Lauro de Freitas.
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40 km de bicicleta e ônibus lotados
A
reportagem também recebeu relatos de transtornos no Estado de São Paulo.
Ricardo
Leite de Moraes vota em Campinas, mas estava em Jundiaí para passar o final de
semana. Ele afirma não ter conseguido encontrar nenhum ônibus de linha ou
particular disponível para fazer o trajeto na tarde deste domingo.
"Sempre
faço esse trajeto de ônibus e nunca tive esse problema de voltar domingo à
tarde", contou o getsor de projetos sociais à BBC News Brasil. "Mas
dessa vez só encontrei passagens para amanhã."
A
solução encontrada por Ricardo foi pegar sua bicicleta e pedalar por cerca de 1
hora e 30 minutos em um trajeto de cerca de 40 quilômetros.
"Quase
não consegui votar", disse. "Cheguei 16h [na seção eleitoral]".
Thiago
Oliveira de Souza, de 42 anos, conseguiu chegar à urna com mais facilidade, mas
relatou lotação e muitas filas no ponto de ônibus.
O
analista de sistemas mora no bairro de Jardim Mitsutani, na zona sul da cidade
de São Paulo, e vota no CEU Campo Limpo, na mesma região.
Ele
afirma fazer o trajeto de 2 quilômetros com tranquilidade em dias normais, mas
neste domingo encontrou todos os ônibus em lotaçao máxima. Ainda assim
conseguiu chegar na seção eleitoral, mas na volta para casa precisou ir a pé.
"As
pessoas estavam se empurrando para conseguir entrar no ônibus, fiquei esperando
uma opção mais vazia no ponto por um bom tempo, mas acabei desistindo",
disse.
Em São
Paulo, a coligação Brasil Pronto Pra Mais, que representa a candidatura de
Lula, acionou a Justiça Eleitoral com a denúncia de que empresas de transporte
da capital estariam operando com apenas 60% da frota na capital paulista neste
domingo de 2º turno.
A BBC
News Brasil pediu esclarecimentos à Justiça Eleitoral de São Paulo, mas ainda
não recebeu resposta.
O PT
pediu também à Justiça a prisão do secretário de Transportes da Prefeitura de
São Paulo, Celso Jorge Caldeira.
No
sábado (24/10), o juiz da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, Tiago Ducatti
Machado, determinou que a cidade disponibilizasse 100% da frota à população.
A
decisão previa multa de R$ 100 mil e responsabilização pessoal por
descumprimento.
A
Prefeitura de São Paulo informou, em nota, que encaminhou comunicado ontem para
todas as empresas de ônibus da cidade, conforme determinação do TRE-SP.
A
SPTrans afirma que o planejamento da frota de ônibus para o domingo foi
elaborado com base em "critérios técnicos e dados de demanda, considerando
a organização das jornadas de trabalho e o direito à folga dos
profissionais". Além disso, a administração municipal alega que a demanda
foi comunicada com "antecedência inferior a 12 horas".
Fonte:
BBC News Brasil

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