Os
recordes de Lula na vitória histórica de 2026
Reeleito
para um novo mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
acumulou uma série de feitos históricos neste domingo
(25/10).
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A primeira virada entre um turno e outro numa eleição presidencial
Ao
vencer Flávio Bolsonaro (PL), Lula quebrou um tabu que se mantinha desde a
redemocratização do Brasil: antes do petista, nenhum candidato à Presidência
que terminou na segunda colocação no primeiro turno havia conseguido obter uma
virada na segunda rodada.
Era um
tabu que havia se mantido em todas as eleições desde a instituição do mecanismo
do segundo turno, como 1989 – quando o próprio Lula foi derrotado –, 2002 e
2006 – quando Lula venceu –, além dos quatro pleitos entre 2010 e 2022.
Terminando
a primeira rodada de 2026 em desvantagem, 1,87 ponto atrás de Flávio Bolsonaro,
ou por cerca de 2,2 milhões de votos, Lula conseguiu conquistar cerca de 10,2
milhões de eleitores neste segundo turno, terminando
4,4 milhões de votos à frente de Flávio.
"Nunca
ganhei uma eleição no primeiro turno, mas também nunca perdi no segundo turno”,
disse Lula em discurso após o anúncio do resultado deste domingo – esquecendo,
no entanto, que havia perdido em 1989.
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A maior votação já recebida por um candidato à Presidência
Com
99,9% das urnas apuradas, Lula somou 64.255.891 votos. É a maior votação em
número de votos já recebida por um candidato à Presidência do Brasil.
Neste
caso, Lula quebrou um recorde que já lhe pertencia, obtido em 2022, quando
conseguiu 60.345.999 votos ao ser eleito na disputa de segundo turno contra
Jair Bolsonaro (PL).
Além de
derrotar um Bolsonaro pela segunda vez, o presidente dobrou a vantagem que
obteve contra Jair ao superar Flávio. Em 2022, a vantagem do petista havia sido
de 2.139.645 votos no segundo turno. Desta vez, foram 4.380.093 a mais. Em
termos percentuais, a diferença de 2022 havia sido de 1,8 ponto percentual. Em
2026, foi de 3,5 pontos.
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Único presidente eleito quatro vezes
Com um
novo mandato até o fim de 2030, Lula deve acumular 16 anos à frente da
Presidência.
Em
termos de tempo no poder, Lula ainda deve ficar atrás de Getúlio Vargas, que
acumulou 18 anos e seis meses no comando do Brasil em dois ciclos diferentes
(1930-1945 e 1951-1954).
No
entanto, Getúlio só foi eleito presidente em duas oportunidades, de maneira
indireta em 1934 e direta em 1950. Já seus períodos de 1930 a 1934 e 1937 e
1945 foram resultados de dois golpes (primeiro a Revolução de 1930 e depois a
ditadura do Estado Novo).
Lula,
por outro lado, não só foi eleito quatro vezes presidente pelo voto direto,
como seus quase 12 anos já completados como presidente são os mais longos de um
chefe do Executivo brasileiro sob a democracia.
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O presidente mais velho
A
apenas dois dias do seu aniversário de 81 anos, Lula é o político mais velho a
ganhar uma eleição presidencial na história do Brasil.
Neste
caso, ele quebrou um recorde pessoal. Em 2022, ele já havia se tornado o mais
velho ao vencer o segundo turno daquela eleição com 77 anos.
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Sete eleições como candidato
Ao se
candidatar à reeleição em 2026, Lula contou com seu nome na urna pela sétima vez
em eleições presidenciais.
Com
isso, ele superou um recorde que compartilhava com o folclórico político José
Maria Eymael (DC), que em 2022, assim como Lula, havia se apresentado como
candidato à Presidência pela sexta vez. Candidato que nunca ultrapassou
votações nanicas, Eymael não se apresentou em 2026, privando o ciclo eleitoral
do seu conhecido jingle "Ey, Ey, Eymael, um democrata cristão".
A
primeira disputa de Lula foi em 1989. Nas dez eleições diretas desde a
redemocratização, ele só não constou como candidato em 2010 e 2014 – quando a
candidatura do PT
foi assumida por Dilma Rousseff – e 2018, quando foi preso e impedido de
concorrer, tendo sido substituído por Fernando Haddad.
Nas
sete eleições, Lula acumulou três derrotas – 1989 no segundo turno, e 1994 e 1998
ainda no primeiro.
Com o
presidente se aproximando dos 81 anos, essa provavelmente foi a última
disputa presidencial com seu nome nas urnas, após mais de 35 anos de
participação em disputas, seja como candidato ou padrinho político.
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Vitória de Lula após dia de votação 'caótico' é destaque
na imprensa internacional
Os
principais veículos da imprensa internacional estão dando grande destaque à vitória de
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que terá o seu quarto
mandato presidencial após derrotar Flávio Bolsonaro (PL).
O site
do jornal americano The New York Times está noticiando a vitória de Lula como a
manchete principal — "Brasil reelege Lula, rejeitando filho de seu
antecessor" — e com cobertura em tempo real.
De
acordo com o jornal, Lula "conteve um movimento de direita" liderado
por Flávio
Bolsonaro, cujo pai foi condenado por uma tentativa de golpe após a
eleição de 2022". Problemas no transporte público e "condições
climáticas" prejudicaram a votação, acrescenta.
A BBC
News, o jornal britânico The Guardian e o jornal francês Le Monde também
destacam a vitória do petista na manchete, com cobertura em tempo real.
A BBC
News destaca que Lula conquistou a vitória após reverter o
resultado do primeiro turno.
O Le
Monde destaca no título o dia "caótico" de votação, depois de uma decisão
do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF),
prolongando o horário de votação após ação da campanha petista denunciando que
o transporte público estava sendo restrito em algumas cidades.
"Lula
vence a eleição com 51,78% dos votos contra Flavio Bolsonaro, ao final de um
dia de votação caótico", diz a manchete do jornal francês.
O
jornal argentino Clarín também deu amplo destaque à notícia da vitória de Lula,
com manchete e vários outros destaques a matérias e análises sobre o resultado
eleitoral no Brasil.
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Sudeste turbinou vitória decisiva de Lula sobre Flávio
Eleito
para um quarto
mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
(PT) terminou o segundo turno neste domingo (25/10) com uma vantagem
de 4,4 milhões de votos sobre o rival Flávio
Bolsonaro (PL), ou cerca de 3,5 pontos percentuais.
Em
relação à sua votação no primeiro turno, Lula acrescentou 10,3 milhões de votos
extras.
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Flávio vence no Sudeste, mas região deu impulso para vantagem nacional de Lula
Já
Flávio Bolsonaro terminou a corrida presidencial em primeiro lugar no Sudeste,
que concentra 66,7 milhões de eleitores, ou 41,8% do total nacional. Em pontos
percentuais, o político de extrema direita garantiu 52,76% dos votos na região,
contra 47,24% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que acabou vencendo a eleição.
À
primeira vista, o resultado no Sudeste pode ser encarado como uma pequena
derrota para Lula no contexto de uma eleição vitoriosa em termos nacionais.
Entre todas as regiões do país, Lula só ficou confortavelmente à frente de
Bolsonaro no Nordeste e levemente no Norte.
No
entanto, apesar de o Nordeste ter desempenhado mais uma vez o papel de grande
piso de votos de Lula, foi no Sudeste que ocorreu a maior movimentação de votos
em termos absolutos na direção do petista no segundo turno.
O
movimento – que ainda incluiu uma virada em Minas Gerais – ajudou o presidente
a protagonizar uma inédita virada no segundo turno, após terminar a primeira
rodada em desvantagem, cerca de 2,2 milhões de votos atrás de Flávio.
Embora
Flávio tenha terminado em primeiro lugar no Sudeste, com 26,84 milhões de
votos, contra 24,04 milhões de Lula, foi nessa região que a diferença entre os
dois candidatos sofreu a maior redução em números absolutos entre um turno e
outro.
Ambos
os candidatos cresceram na região, mas Lula conseguiu avançar mais.
Dos
10,3 milhões de votos a mais que Lula recebeu entre um turno e outro em todo o
Brasil, 4,8 milhões foram depositados no Sudeste.
Outros
2,95 milhões foram depositados no Nordeste, e 1,3 milhão no Sul. Nas regiões
Centro-Oeste e Norte, Lula também ampliou levemente a votação. Na primeira,
foram 474 mil votos a mais. Na segunda 770 mil.
Ou
seja, de todos os votos extras que Lula recebeu na segunda rodada, 46,7% vieram
do Sudeste, região que conta com os estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de
Janeiro e Espírito Santo. Ainda no Sudeste, Lula venceu em duas capitais: São
Paulo e Rio de Janeiro.
Já
Flávio Bolsonaro acrescentou 3,7 milhões de votos em todo o país entre o
primeiro e o segundo turnos. No Sudeste, o acréscimo de Flávio foi de apenas
1,94 milhão de votos.
No
final, a vantagem de 5,66 milhões de votos do senador do PL no primeiro turno
na região Sudeste acabou sendo reduzida para 2,81 milhões na segunda rodada.
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Virada em Minas Gerais
Em
Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país e considerado um estado
que reflete a eleição nacional, Lula transformou uma desvantagem de quase 589
mil votos registrada no primeiro turno para uma vantagem de 107 mil votos no
segundo.
No
estado, Lula acabou acrescentando cerca de 1,16 milhão de votos entre os dois
turnos, enquanto Flávio cresceu apenas 461 mil. Com a virada no estado, Lula
manteve uma tradição mantida desde a redemocratização: em todas as eleições
presidenciais diretas desde 1989, o vencedor de Minas Gerais também é quem leva
o comando do Planalto.
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Lula amplia votação Nordeste, que continua sendo região crucial para o PT
Principal
reduto eleitoral do PT no país, a região Nordeste
foi a região que liderou a quantidade de votos para Lula, tanto em números
absolutos quanto proporcionais.
No
segundo turno, o presidente recebeu 24,45 milhões de votos no Nordeste, 69,37%
do total na região, contra 10,79 milhões de Flávio (30,63%). Em números
absolutos, a diferença foi de 13,65 milhões a favor do petista.
Entre
um turno e outro, Lula acrescentou 2,95 milhões de votos na região, enquanto
Flávio só avançou 397 mil. Assim como já havia ocorrido em 2022 contra Jair
Bolsonaro, a votação esmagadora no Nordeste ajudou a contrabalancear a vantagem
de Flávio no Sudeste, Sul e Centro-Oeste.
Em
termos nacionais, o Sudeste respondeu por 44,87% da votação de Flávio em todo o
país e 37,41% da votação de Lula. Já o Nordeste alimentou 38,05% da votação de
Lula em todo o país, e apenas 18,05% de Flávio.
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Presidente também avançou em redutos bolsonaristas no Sul
Embora
o Sul
tenha sido no segundo turno a região onde Flávio Bolsonaro obteve sua melhor
votação proporcional, Lula também conseguiu avançar entre os eleitores do
Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul na última rodada.
Na
região, Flávio recebeu 11,3 milhões de votos, ou 62,58%, enquanto Lula obteve
6,8 milhões. No entanto, entre um turno e outro, Lula conseguiu acrescentar
mais votos que Flávio entre os sulistas. Enquanto o senador do PL obteve 866
mil votos a mais no segundo turno, Lula garantiu 1,33 milhões de votos extras
nesta rodada.
Com
isso, a vantagem de 5,04 milhões obtidas por Flávio no primeiro turno foi
reduzida para 4,58 milhões no segundo. No Paraná, Lula conseguiu cerca de 500
mil votos extras e um número pouco superior no Rio Grande do Sul.
Fonte:
DW Brasil/BBC News Brasil

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