sábado, 24 de outubro de 2026

Nova técnica de exame detecta quase 98% das lesões de câncer de rim

Um exame com uma nova abordagem de imagem conseguiu detectar 97,9% das lesões do tipo mais comum de câncer de rim, o carcinoma de células renais de células claras. Isso significa que os médicos podem visualizar com mais clareza e precisão onde o câncer está e até onde ele se espalhou.

O estudo foi apresentado no 39º Congresso Anual da Associação Europeia de Medicina Nuclear (EANM'26), realizado em Viena, na Áustria.

O exame tradicional de PET (sigla em inglês para tomografia por emissão de pósitrons) apresenta limitações. Por isso, os médicos buscaram novas alternativas.

Nesse contexto, os cientistas focaram em uma proteína chamada CAIX, encontrada em grande quantidade nas células desse tipo de câncer, mas quase ausente nos tecidos renais saudáveis.

O estudo, conduzido por cientistas da Turquia, reuniu 68 pacientes e comparou o exame tradicional com a nova abordagem.

A vantagem foi notada no tipo mais comum de câncer de rim, o carcinoma de células renais de células claras: a nova abordagem localizou 97,9% das lesões, enquanto o exame tradicional identificou menos da metade (47,1%).

Qual é a diferença entre os exames?

Os dois exames utilizam estratégias diferentes para identificar alterações no organismo. A autora do estudo, a professora Esra Arslan, explica que o novo método tem como alvo a proteína CAIX, que funciona como um marcador por estar muito presente no tumor e quase ausente no tecido renal saudável.

“Ele é expresso em uma taxa muito alta no carcinoma de células renais claras (ccRCC), enquanto a expressão no tecido renal normal permanece mínima. Isso nos dá o potencial de distinguir o tumor do tecido saudável circundante com muito mais clareza.”, diz a professora.

Já o método tradicional mede o consumo de glicose. No caso dos rins, essa abordagem apresenta limitações porque o órgão participa do processamento da glicose e da eliminação de substâncias pela urina, o que pode dificultar a identificação dos tumores nas imagens.

<><> O que muda com a descoberta?

Para os pesquisadores, a professora Esra Arslan e o professor doutor Halil Kömek, existem três aplicações para o novo exame: a avaliação inicial antes de cirurgias para a retirada do rim ou de metástases, a investigação de suspeitas de recidiva do câncer e o uso em abordagens teranósticas, que combinam diagnóstico e tratamento.

Apesar dos resultados promissores, os autores do estudo ressaltam que ainda é cedo para considerar a técnica um novo padrão global. São necessárias pesquisas mais amplas, que analisem diferentes subtipos de tumor, antes de confirmar sua aplicação na prática clínica.

<><> Entenda como funciona a nova vacina "personalizada" contra câncer de pele

Uma vacina terapêutica personalizada reduziu em 42% o risco de retorno do câncer de pele melanoma ou de morte, quando combinada ao medicamento Keytruda, em comparação com o uso isolado da imunoterapia.

O resultado é de um estudo clínico de fase 3 com 1.137 pacientes que tiveram tumores removidos cirurgicamente. Os dados detalhados foram divulgados pelas empresas farmacêuticas Merck e Moderna, responsáveis pelo desenvolvimento da vacina, na última quinta-feira (22).

A terapia, chamada “intismeran autogene”, também identificada como V940 ou mRNA-4157, utiliza RNA mensageiro para estimular o sistema imunológico a reconhecer características específicas do tumor de cada paciente.

Ela foi testada em combinação com o pembrolizumabe, princípio ativo do Keytruda, medicamento que atua no sistema imunológico para ajudar o organismo a combater o câncer.

O estudo de fase 3, chamado “INTerpath-001”, avaliou pacientes com melanoma cutâneo em estágios de IIB a IV após a remoção completa do tumor. Os participantes receberam a combinação da terapia experimental com o Keytruda ou apenas o medicamento.

<><> Como funcionou o tratamento

Após acompanhamento mediano de 24,6 meses, os pesquisadores observaram que a combinação reduziu em 42% o risco relativo de recidiva ou morte, em comparação com o uso isolado do Keytruda.

O risco de metástase à distância ou morte também foi 38% menor no grupo que recebeu a terapia personalizada.

Aos dois anos, 82,2% dos pacientes tratados com a combinação estavam vivos e sem recorrência da doença, ante 70% entre aqueles que receberam apenas o Keytruda.

No indicador que considera a ausência de metástases à distância ou morte, os índices foram de 88,5% e 80,2%, respectivamente.

Os resultados indicam um benefício adicional da terapia experimental em relação à imunoterapia isolada. No entanto, a redução de 42% se refere ao risco relativo de recidiva ou morte, e não significa que 42% dos pacientes foram curados.

<><> Tratamento é personalizado para cada paciente

A intismeran autogene é uma terapia baseada em mRNA desenvolvida para identificar alterações específicas presentes no tumor de cada pessoa.

A proposta é estimular o sistema imunológico a reconhecer essas características e reagir contra as células cancerígenas.

Diferentemente das vacinas preventivas, que buscam evitar determinadas infecções ou doenças, essa abordagem é terapêutica: é destinada a pessoas que já tiveram o diagnóstico de câncer e passaram pela retirada cirúrgica do tumor.

O Keytruda, por sua vez, é uma imunoterapia que bloqueia a ação da proteína PD-1, mecanismo utilizado por alguns tumores para escapar das defesas do organismo.

<><> Resultados ainda não comprovam aumento da sobrevida geral

Apesar dos resultados positivos em relação à recorrência e às metástases, os dados de sobrevida geral ainda não são conclusivos. O estudo continua em andamento para avaliar esse e outros desfechos clínicos.

A combinação também apresentou efeitos adversos relacionados ao tratamento em 95,8% dos pacientes, ante 90% no grupo que recebeu apenas o Keytruda.

Eventos adversos graves, classificados entre os graus 3 e 5, foram registrados em 14,2% dos participantes que receberam a combinação e em 13,4% dos que receberam somente a imunoterapia.

As empresas informaram que não foram identificados novos sinais de segurança.

A terapia personalizada ainda é investigacional. As empresas informaram que estão dialogando com autoridades regulatórias sobre os próximos passos para uma possível solicitação de aprovação.

Portanto, os resultados do estudo não significam que a vacina já esteja autorizada para uso clínico.

No Brasil, ainda não há previsão de chegada do imunizante. A CNN Brasil entrou em contato com as farmacêuticas e com a Anvisa, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.

 

Fonte: CNN Brasil

 

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