Quando
a população lota as ruas, vemos o escape da bolha com muita nitidez, diz
pesquisador
Especialista
avalia que manifestações de rua rompem o isolamento das bolhas digitais ao
levar o debate político para espaços públicos, mas alerta que algoritmos e
sistemas de recomendação podem reforçar opiniões já consolidadas e dificultar a
percepção de mudanças na intenção de voto.
Após o
primeiro turno das eleições brasileiras, manifestações em defesa da democracia
ocorreram em ao menos 80 cidades do país, entre elas as capitais Rio de
Janeiro, São Paulo, Salvador, Fortaleza, Curitiba e Porto Alegre. As
mobilizações reuniram manifestantes nas ruas sem a presença de figuras
políticas de destaque ou dos dois candidatos à Presidência, o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Ao
mesmo tempo, a influência das redes sociais na disputa eleitoral levanta
dúvidas sobre a percepção de mudanças na opinião pública. As chamadas "bolhas
digitais",
combinadas com o impulsionamento de conteúdos, podem limitar o contato dos
usuários com opiniões divergentes e dificultar a identificação de uma eventual
virada de voto.
Nesse
cenário, como distinguir as percepções formadas no ambiente virtual das
tendências políticas da sociedade?
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Manifestações aproximam ruas e redes
"Quando
a população sai das redes sociais, sai do celular e vai às ruas protestar,
quando ela lota os ambientes públicos das cidades, aí sim nós temos o escape da
bolha com muita nitidez", afirma Luiz Signates, professor da Universidade
Federal de Goiás (UFG) e da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC
Goiás) e proprietário do Instituto Signates de Pesquisa.
Na
avaliação do pesquisador, houve uma "mudança completa" no ânimo
político entre o primeiro e o segundo turnos, com o despertar da juventude,
tanto à esquerda quanto à direita, para o debate eleitoral. A reação ao
resultado da primeira etapa levou especialmente jovens de esquerda às ruas,
embora parte dos manifestantes já tivesse votado em Lula ou Flávio
Bolsonaro.
Signates
avalia que as mobilizações podem contribuir para mudanças na intenção de voto.
Em um cenário de aproximação entre os candidatos nas pesquisas, o pesquisador
considera que os atos podem sinalizar uma alteração no quadro eleitoral, embora
não sejam suficientes, por si só, para comprovar uma virada.
"O
que significa que pode haver uma virada em favor do presidente Lula",
afirma. Para ele, as manifestações também expressam uma possível resistência
popular a um eventual governo Flávio Bolsonaro, que poderia enfrentar oposição
nas ruas,
especialmente entre jovens de esquerda e setores da população dependentes de
benefícios e serviços sociais.
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Campanha marcada pela linguagem das redes
O ciclo
eleitoral de 2026 também evidenciou a relevância das plataformas digitais para
a articulação política e a comunicação com o eleitorado. Candidatos com forte
presença nas redes, como Erika Hilton (PSOL) e Lucas Pavanato (PL), ganharam
espaço em um cenário no qual políticos com trajetórias mais longas, como Marina
Silva (Rede) e Ciro Gomes (PSDB), perderam o pleito.
"O
debate que aconteceu entre o Lula e Flávio Bolsonaro [na Band], entre os dois
candidatos, foi um debate sobretudo pautado por frases curtas para proporcionar
cortes para a internet", observa Signates.
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Sputnik Brasil
O
pesquisador ressalta, porém, que as redes sociais não são o único espaço de
disputa política. As manifestações presenciais levam o debate a ambientes
públicos e podem alcançar pessoas que não acompanham diretamente a mobilização
política nas redes. Ao mesmo tempo, imagens e vídeos dos atos voltam a circular
nas plataformas, onde são novamente submetidos aos filtros dos algoritmos.
Assim,
as ruas e as redes tem uma relação mão dupla: as mobilizações interferem no
cotidiano das cidades e alimentam as discussões digitais, enquanto os
conteúdos compartilhados na internet podem influenciar a maneira como os
acontecimentos são percebidos.
O
componente emocional também pesa na disputa, segundo Signates. O receio em
relação a um ou outro candidato pode influenciar a decisão dos eleitores, seja
pelo temor de redução de benefícios sociais e de mudanças em políticas
públicas, seja pela rejeição à continuidade do atual governo.
"Aquilo
que acontece nas redes sociais fazem parte da nossa realidade cotidiana. O que
nós não podemos fazer é reduzir tudo às redes sociais."
Como as
bolhas interferem na percepção política?
Para o
analista, o problema não está na existência de uma conexão entre o ambiente
virtual e a vida cotidiana, mas na possibilidade de os usuários receberem
informações limitadas a determinadas perspectivas políticas.
"O
contrário de virtual não é real. Ou seja, aquilo que acontece nas redes sociais
são parte da realidade simbólica da sociedade."
O
pesquisador destaca que algoritmos, robôs e sistemas de inteligência artificial
podem direcionar conteúdos conforme os interesses que as plataformas atribuem a
cada usuário. Esse mecanismo tende a reforçar opiniões e sentimentos
preexistentes, reduzindo o contato com posições divergentes.
Como
consequência, pessoas expostas repetidamente a informações favoráveis a um
candidato podem acreditar que essa preferência é predominante na sociedade.
Diante de um resultado eleitoral diferente do esperado, um eleitor que
desconheça o funcionamento desses filtros pode até suspeitar de fraude, por não
compreender como o candidato que aparecia menos em seu ambiente digital
conseguiu vencer.
Para
Signates, essa distorção prejudica a compreensão da realidade política e o
acesso à diversidade de informações necessária para uma decisão eleitoral
livre.
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Sputnik Brasil
Entretanto,
as bolhas digitais não explicam, isoladamente, o comportamento do eleitorado
brasileiro. Em uma eleição polarizada, na qual as preferências permanecem
divididas, a influência das
plataformas
encontra limites.
"Se
esse 'embolhamento' fosse de fato tão eficiente, nós não teríamos [...] as
vontades políticas divididas. O Brasil é um país muito mais complexo. E o que
nós estamos vendo é que isso interfere, mas não consegue ser hegemônico a ponto
de vencer com grande facilidade", afirma.
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Eleitores consolidados e indecisos
A
influência das redes também varia conforme o grau de identificação política de
cada eleitor. Segundo Signates, pessoas com posições consolidadas tendem a
manter suas escolhas mesmo diante de informações desfavoráveis ao candidato que
apoiam.
"Acontece,
e isso os estudos nossos mostram, muito pouco diálogo, muito pouco debate
verdadeiro dentro das redes sociais. As redes sociais propiciam
posicionamentos, opiniões já consolidadas."
O
pesquisador explica que a identificação política pode condicionar a
interpretação dos fatos. "Se eu tenho uma crença muito forte, eu tendo a
não prestar atenção ou a ignorar elementos que possam fragilizar essa minha
crença", afirma.
Como
exemplo, menciona eleitores que mantêm o apoio a um candidato mesmo diante de
acusações de corrupção, por considerarem que ele representa seus valores ou suas convicções
religiosas.
Há,
contudo, uma parcela intermediária do eleitorado que não se identifica
plenamente com nenhum dos candidatos ou mantém ressalvas em relação a ambos.
Mais suscetível a novas informações, às críticas de lideranças e às opiniões de
pessoas próximas, esse grupo pode reconsiderar o voto, optar pelo candidato que
considera menos desfavorável ou até anular a escolha.
"Eu
não acredito sinceramente que num quadro polarizado como esse em que a gente se
encontra o eleitor convicto, tenha ou não razão, dificilmente altera o voto
dele", afirma Signates.
A
combinação entre eleitores com posições consolidadas e aqueles que ainda
avaliam as alternativas ajuda a explicar por que a circulação de conteúdos e as
mobilizações públicas não se traduzem necessariamente em mudanças imediatas nas
intenções de voto. Para o pesquisador, a dimensão emocional ocupa um papel
central nesse processo.
"O
processo é muito mais emocional do que racional pelo que a gente tem
observado."
¨
Assim se encara a ultradireita. Por Antonio Martins
A
centelha foi lançada em Niterói na segunda-feira (5/10), ainda na ressaca do
resultado de domingo. Alguém propôs aos estudantes da Universidade Federal
Fluminense (UFF) tirar o nó na garganta gritando nas ruas contra as ameaças do
“neo”fascismo à democracia e à própria ideia de Brasil. Faltam registros
escritos (oh, ditadura das imagens!), mas no vídeo uma voz feminina e jovem
cumpre, em menos de um minuto, o que faltou a Lula 3, ao longo de quase quatro
anos. Convida a lutar por uma pauta clara e popular: o fim da jornada 6×1, um
orçamento digno para a Educação, “para o bandejão, para os nossos cursos”.
Ressalta a submissão de Flávio a Trump. Conclui: “ser jovem é ser antifascista,
é lutar pelo poder do povo”.
Sua
mensagem mobiliza de imediato — e repercute. Na terça e quarta, milhares de
estudantes tomam as ruas em Salvador (UFBA e Uneb) Recife (Universidades Rural
e Federal, onde um incêndio suspeito consumiu um edifício e equipamentos
valiosos, horas depois), Belém, Caxias-MA, Porto Alegre, Florianópolis,
Curitiba, Goiânia, Santa Maria-RS, Vitória, para contar apenas as que estão
documentadas nas redes da UNE e da Mídia Ninja.
No dia
7, o rastilho parece ter se espalhado, por meio da ETEC-Heliópolis (em São
Paulo), aos secundaristas. No mesmo dia, no Rio, uma manifestação gigante tomou
a Avenida Rio Branco e desaguou na Cinelândia. Pode ter reunido 100 mil, um
público que foi além dos estudantes. As iniciativas são tomadas de forma
autônoma, por DCEs e Centros Acadêmicos, mas a diretoria da UNE tenta
estabelecer um calendário que inclui, além de assembleias (até 9/10),
panfletagens em terminais de ônibus e metrô, Universidade nos Bairros e um dia
nacional de manifestações articuladas.
Das
ruas, a onda antifascista foi às redes. Na segunda, o deputado André Janones
(Rede-MG) lançou o Exército do Lula, uma corrente de transmissão por meio da
qual ele orienta ações destinadas a “furar a bolha” do WhatsApp. Chegou a 4
milhões e foi censurada por um ministro do Supremo vinculado até o pescoço nas
tramoias de Daniel Vorcaro e Flavio Bolsonaro.
A
grandeza das mobilizações e a rapidez com que foram convocadas têm importância
política ainda maior que seus números. Elas desmentem o mito sustentado, ao
longo dos últimos quatro anos, pelos defensores do modelo ultraconservador de
governança adotado por Lula 3. Segundo esta crença, os movimentos sociais
estavam estruturalmente desmobilizados, e não restava ao governo outro caminho,
senão implementar seu programa de modo lento e rebaixado, por meio de
negociações com o Congresso (leia-se Centrão). O exemplo da UNE é emblemático.
Jamais organizou protesto estudantil relevante, diante de seguidos bloqueios de
recursos para Educação ou mesmo das ameaças do Ministério da Fazenda de
eliminar a destinação obrigatória de um percentual do Orçamento para a área.
E as
jornadas iniciadas esta semana serão ainda mais relevantes para o futuro, seja
ele qual for. Se Lula vencer em 25/10, estará diante de um Congresso sedento de
retrocessos e feroz. Manter-se impotente diante deste covil será aceitar a
condição de fantoche. Querendo escapar, terá à disposição o elixir das ruas. Já
em caso de vitória do bolsonarismo, a mobilização ensaiada agora será ainda
mais indispensável — ou o único, ou o principal antídoto contra a escalada
“neo”fascista.
Enquanto
os estudantes inundavam as ruas, surgiram sinais de que, mesmo sem ter sido
eleito. Flávio Bolsonaro já quer o pior — mas talvez não possa tudo o que
deseja. Na terça-feira, ao receber o apoio de Ronaldo Caiado para o segundo
turno, o candidato anunciou a intenção de servir-se da nova maioria
ultraconservadora no Congresso para “mudar a Constituição” e “redemocratizar” o
país. A expressão facial de Caiado sugeriu que ele próprio considerou temerária
a fala, já que a Carta atual foi escrita precisamente para substituir a que
fora imposta pelos militares em 1969. O que significaria esta
“redemocratização”, enunciada pelo líder de uma corrente política que já tentou
golpe de Estado? No dia seguinte, Flávio desmentiu-se parcialmente, afirmando
referir-se “apenas” a PECs que já defende, como a da redução da maioridade
penal, a de uma reforma (de que tipo?) do Judiciário e a de mudanças na
mini-reforma tributária de 2024.
Um
alarme mais alto soou nesta mesma quarta. Matéria da Folha de S.Paulo revelou:
o candidato que se apresenta como “antissistema” manteve, nos últimos meses,
sucessivos encontros com banqueiros e outros barões das finanças. Juntos,
buscam um “ajuste fiscal” de brutalidade inédita. Incluiria medidas como deixar
de reajustar as aposentadorias e o BPC segundo o salário mínimo, e eliminar a
destinação obrigatória de receitas à Saúde e Educação.
Os
rentistas a quem os assessores econômicos de Flávio apresentaram a sugestão a
aplaudiram. Ainda mais, ao saber que o candidato pretende ver proposta votada
no Congresso ainda este ano, antes de sua eventual posse. Ao fazê-lo, tentaria
poupar a nova legislatura, de composição mais próxima à ultradireita, do
desgaste.
Entre a
opinião pública, porém, a ideia pegou mal. Tanto que, nesta quinta, Flávio
viu-se obrigado a declarar que as conversas com os banqueiros não passavam de
fake news, e que manterá os reajustes das aposentadorias. Ainda assim,
confirmou a ideia de uma redução de gastos sociais da ordem de 2% do PIB.
Deixou de dizer quais serão, nesse caso, as vítimas — e por que poupará os
rentistas, o 0,1% da população que parasita, sozinho, 9% do PIB sem nada
produzir…
Numa
outra frente, que também revela o desconforto da ultradireita com as chamadas
“pautas do povo”, o bolsonarismo pula miudinho para não se queimar no debate da
PEC que reduz a jornada de trabalho e proíbe a escala 6×1. Ela começou a
tramitar no plenário do Senado nesta terça-feira. O presidente da casa, Davi
Alcolumbre, fala em votar, em primeira rodada (são necessárias duas), na
próxima semana.
A
ultradireita percebeu que sua tática inicial (ausentar-se das sessões) pode ser
muito desgastante. Agora, pensa em uma artimanha: aprovar a proposta no Senado
com uma alteração qualquer, em relação ao texto da Câmara. Isso devolveria o
texto aos deputados e garantiria uma protelação que pode ser fatal à proposta,
se a última palavra couber ao próximo Congresso.
A saia
justa revela uma enorme oportunidade perdida pelo governo. O constrangimento da
direita e ultradireita, e de seu candidato, seria imensamente maior se Lula
tivesse deflagrado — como foi muitas vezes sugerido — uma campanha popular para
pressionar os parlamentares pela redução da jornada…
As ruas
animadas pelo impulso antifascista. O candidato da ultradireita obrigado a
recuos. Para que os primeiros dias da campanha pelo segundo turno fossem
melhores, faltou apenas um sinal de ânimo — e, em especial, iniciativas
políticas novas — por parte da campanha de Lula. Este produto continua muito
escasso.
A
partir de segunda-feira, o candidato promoveu uma série longa de reuniões “de
avaliação” da campanha. Encontrou-se com caciques petistas, com
parlamentares-influenciadores, com o núcleo de sua campanha. Ouviu
recomendações ligadas à comunicação.
O poder
de comunicação do presidente é estupendo. Mas mudar a postura diante do celular
resolverá seus problemas? Na segunda-feira, começou a circular um vídeo em que
o comunicador Pedro Dória sugere algo distinto, escorado por uma vasta pesquisa
sobre os resultados do primeiro turno, comparados aos de 2022.
A
análise mostra que, embora tenha se manifestado em todo o país, o recuo de Lula
concentrou-se num setor social específico: a população com renda entre 2 e 5
salários mínimos, em particular a que habita as franjas das grandes metrópoles
(Osasco-SP, Betim-MG e Ananindeua-PA), por exemplo, ou das cidades médias, de
até 50 mil eleitores. Este grupo, que foi essencial para as vitórias de Lula 1,
2 e 3 e de Dilma 1 e 2, teria bandeado para Flávio. Não é fascista, nem nunca
foi esquerdista. Beneficiou-se das políticas que o tirou, no início da década,
de uma pobreza profunda.
Mas
quer mais — e talvez nenhum setor social precise, tanto quanto este, de
políticas públicas. Uma UBS que atenda de forma eficiente. Uma creche e escola
pública que funcione em período integral. Transporte coletivo mais humano e
rápido. Ruas urbanizadas. Segurança pessoal e segurança sobre o futuro, com
menos riscos de perder o emprego e a renda. Controle dos juros e da dívida. Se
possível, direito a trabalhar menos.
Ora, é
esta exatamente a faixa que mais sofreu com a mediocridade das políticas
públicas de Lula 3 – sempre diminuídas pela obsessão de Fernando Haddad e do
mercado financeiro por “disciplina fiscal”. Não seria o caso de o presidente,
no esforço final de luta pela reeleição, acenar para este setor de alguma
maneira? Faça os cálculos. Tome, por exemplo, os entregadores que trabalham
para plataformas. Devem compor hoje um grupo de 1 milhão de pessoas,
intensamente conectadas à vida urbana e em diálogo com ela. Que se passaria se
Lula 3 assumisse suas dores e propusesse ao Congresso um abono-férias de R$ 3
mil, pago uma vez por ano?
Este
direito, que teria repercussão direta sobre 1 milhão de famílias e repercutiria
muito além delas, custaria ao Estado 3 bilhões de reais. Representam, em
relação ao R$ 1 trilhão que o Brasil paga por ano à rapinagem dos rentistas,
míseros 0,3%. Em outras palavras, um dia de juros, frente aos 365 dias em que a
sociedade serve o 0,01% mais rico.
Fonte:
Sputnik Brasil/Correio da Cidadania

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