Novo
Trump? Eduardo Bolsonaro fala em enviar tropas dos EUA ao Brasil se Flávio
perder eleição
O
ex-deputado Eduardo Bolsonaro sugeriu nesta sexta-feira (23) o envio de fuzileiros
navais dos Estados Unidos ao Brasil caso seu irmão, Flávio Bolsonaro (PL-RJ),
perca a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração
foi feita durante uma entrevista ao vivo ao programa americano Louder with
Crowder, apresentado pelo comentarista conservador Steven Crowder.
A dois
dias do segundo turno, Eduardo também defendeu que Flávio deixe o país em caso
de derrota e voltou a questionar a confiabilidade das urnas eletrônicas, sem
apresentar provas de fraude.
A
referência aos militares americanos surgiu depois que um espectador perguntou,
pelo chat do programa transmitido no YouTube, se a família Bolsonaro tinha
algum plano para ajudar o ex-presidente Jair Bolsonaro caso Flávio não vencesse
a disputa.
“Send
the Marines” (“Mandem os fuzileiros navais”), respondeu Eduardo, rindo.
Embora
a resposta tenha sido dada em tom de brincadeira, Crowder prosseguiu com
comentários sobre uma eventual intervenção americana no Brasil. O apresentador
afirmou que uma operação desse tipo provocaria protestos da esquerda e
mencionou até uma ação de helicóptero para retirar Jair Bolsonaro da prisão.
“Haveria
gente na esquerda furiosa com isso. Gente nas ruas dizendo que isso é
construção de nação, que somos um império do mal”, afirmou o comentarista,
antes de acrescentar que alguma coisa precisaria ser feita.
Eduardo
participou presencialmente do programa nos Estados Unidos, país onde passou a
viver em 2025. O ex-deputado perdeu o mandato parlamentar por excesso de faltas
às sessões da Câmara e mantém relações políticas com setores conservadores
americanos próximos ao presidente Donald Trump.
Não há
indicação de que o governo dos Estados Unidos tenha considerado ou anunciado
qualquer operação militar relacionada à eleição brasileira.
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Eduardo defende que Flávio deixe o Brasil
Na
sequência da conversa, Eduardo afirmou que o irmão deveria deixar o país caso
fosse derrotado nas urnas. A justificativa apresentada foi o receio de que
Flávio passe a enfrentar investigações após perder o mandato de senador e a
imunidade parlamentar.
O
ex-deputado alegou que Lula teria ameaçado o irmão durante o debate
presidencial promovido pela Band e pelo Estadão, ao mencionar a possibilidade
de investigações depois da eleição.
“Ele
disse isso abertamente, no meio do debate. Ele estava ameaçando meu irmão”,
afirmou Eduardo, ao apresentar sua interpretação da fala do presidente.
Em
seguida, declarou: “Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que meu irmão
saia do país. Com certeza. Com certeza”.
A
declaração ocorre em um momento decisivo da disputa presidencial. Lula e Flávio
se enfrentam no segundo turno neste domingo (25), após o senador receber 47,03%
dos votos válidos no primeiro turno, contra 45,16% do presidente.
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Sem provas, Eduardo volta a questionar as urnas
Durante
a entrevista, Eduardo também lançou suspeitas sobre a apuração eleitoral
brasileira. O ex-deputado criticou a ausência de cédulas impressas e afirmou
que o sistema obrigaria os eleitores a confiar exclusivamente nas máquinas.
“O
problema é que nós não usamos papel, não há contagem pública dos votos, e você
precisa confiar na máquina”, declarou.
Em
outro momento, afirmou que o Brasil utiliza um sistema eletrônico centralizado
e alegou que a definição do vencedor dependeria de um pequeno grupo de
funcionários em Brasília.
A
descrição não corresponde ao funcionamento da apuração eleitoral brasileira. Os
votos são registrados nas urnas eletrônicas, que emitem boletins com os
resultados de cada seção eleitoral. Esses documentos podem ser conferidos e
comparados com os dados divulgados pela Justiça Eleitoral.
O Tribunal Superior Eleitoral
(TSE) também realiza testes públicos de segurança e procedimentos de auditoria.
Nunca foi comprovada fraude capaz de comprometer os resultados das eleições
realizadas com urnas eletrônicas no Brasil.
As
declarações de Eduardo retomam questionamentos utilizados pelo bolsonarismo em
eleições anteriores, especialmente na disputa presidencial de 2022, quando Jair
Bolsonaro contestou repetidamente a confiabilidade do sistema de votação.
Desta
vez, porém, os ataques ocorrem acompanhados de uma sugestão de intervenção
militar estrangeira, ainda que em tom jocoso, e da defesa de que o próprio
candidato presidencial deixe o Brasil caso seja derrotado.
A
entrevista também expõe a tentativa de levar a disputa política brasileira ao
público conservador americano, em um momento em que os eleitores estão prestes
a decidir quem governará o país pelos próximos quatro anos.
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Eduardo Bolsonaro abriu empresa no Bahrein com passaporte italiano
Em 30
de janeiro deste ano, Eduardo Bolsonaro postou uma foto com o Príncipe Herdeiro e
Primeiro-Ministro do Reino do Bahrein, Sheik Salman bin Hamad Al Khalifa, ao
lado do seu irmão, o candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL). Ambos apareciam vestidos nos trajes
tradicionais do país. “No mundo árabe, a candora é o equivalente ao terno e
gravata. Vestir a roupa tradicional é mais do que estilo, é respeito.
Diplomacia se faz com gestos. E gestos constroem confiança, proximidade e
resultados reais para Bahrein e Brasil”, escreveu Eduardo, que tem pretensões
de assumir o Ministério de Relações Exteriores se seu irmão vencer as eleições
no próximo domingo.
Eduardo
participava da comitiva oficial do candidato ao lado de Paulo Figueiredo e dos
deputados federais Paulo Bilynskyj (PL-SP) e Rodrigo Valadares (União
Brasil-SE). A viagem incluiu uma visita ao palácio e um festival de corridas de
cavalos promovido pela monarquia.
Mas o
que Eduardo não mencionou no post do Instagram é que ele mantinha uma relação
bem mais firme com o país.
Uma
investigação da Agência Pública constatou que ele manteve uma empresa no
Bahrein para realizar atividades de consultoria em gestão. Aberta em 19 de
setembro de 2024, a The Next Level LLC funcionou oficialmente por pouco mais de
um ano e teve suas atividades encerradas em setembro do ano passado por não ter
renovado o registro de companhia limitada. O capital inicial era de cerca de R$
130 mil.
Um
detalhe chama a atenção: o irmão do candidato presidencial Flávio Bolsonaro
(PL) registrou a empresa como cidadão italiano. Tanto Eduardo quanto seu irmão
Carlos possuem passaporte italiano, fruto dos antepassados dos Bolsonaro na
cidade de Anguillara Veneta, no norte do país.
A
informação pode ampliar controvérsias em torno do lobby de Eduardo para gerir o
Itamaraty e liderar a diplomacia brasileira. E abre dúvidas se ele não teria
aberto empresas em outros países como cidadão italiano e não brasileiro.
Eduardo
Nantes Bolsonaro, cujo nome, em árabe, aparece no Portal de Registro Comercial
(SIJILAT) no Bahrein como ورانوسلوب ستنان ودراودإ, não respondeu aos questionamentos da
Agência Pública sobre qual era a finalidade da empresa.
Mas ela
foi aberta exatamente no mesmo período em que ele e o irmão Flávio buscavam
fundos para viabilizar a realização do filme “Dark Horse”, cinebiografia de
Jair Bolsonaro, que recebeu aporte de US$ 13 milhões do banqueiro Daniel
Vorcaro. Foi em dezembro de 2024 que Flávio conheceu Daniel Vorcaro em uma
reunião online, e nos meses seguintes, até meados de 2025, Fabiano Zettel
passou a coordenar o repasse dos valores em parcelas de cerca de US$ 2 milhões.
Foi um período de grande mobilização para buscar apoio para o projeto familiar.
Em maio
deste ano, o deputado federal Mário Frias Filho (PL-SP), produtor do filme e
detentor dos direitos sobre a história de vida de Bolsonaro – como revelou a
Pública – acompanhou Eduardo em uma nova viagem até o Bahrein. Realizada entre
12 e 18 de maio, segundo Mário Fias, a visita ocorreu a convite do Conselho de
Desenvolvimento Econômico do país (EDB, na sigla em inglês).
Segundo
levantamento da jornalista Juliana Dal Piva na sua coluna no ICL Notícias, Eduardo
Bolsonaro esteve ao menos nove vezes no Bahrein desde 2019. Quatro destas
viagens ocorreram durante o governo de Jair Bolsonaro. Depois disso, outras
três coincidiram com momentos de pressão judicial do STF contra o ex-deputado
federal.
A mais
recente ocorreu em 8 de outubro, entre o primeiro e o segundo turno das
eleições. Ele voltou a visitar o palácio e a se encontrar com o Sheikh Salman
bin Hamad Al Khalifa, além do ministro de economia e finanças, para discutir
cooperação econômica e comercial.
As
fotos foram feitas no mesmo dia em que o ministro do STF Alexandre de Moraes
decretou sua prisão pelo crime de coação no curso do processo, devido ao lobby
realizado junto ao governo Trump por retaliações contra o Brasil. Alexandre
mandou ainda cancelar os passaportes de Eduardo.
O
ex-deputado, foragido da justiça brasileira, usou seu passaporte italiano para
entrar no país e postou vídeos xingando o ministro do STF e passeando pelo
aeroporto do Bahrein e dos EUA livremente.
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Marcos Coimbra: “Flávio Bolsonaro colocou em risco o que
tinha de mais precioso”
O
sociólogo e especialista em pesquisas eleitorais Marcos Coimbra avalia que o
desempenho de Flávio Bolsonaro (PL) no debate presidencial promovido pela Band
pode representar um ponto de inflexão na disputa do segundo turno contra o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista ao Boa Noite 247,
Coimbra afirmou que a estratégia de confronto adotada pelo candidato do PL pode
comprometer justamente o apoio dos eleitores que não fazem parte de sua base
ideológica e cuja adesão é necessária para conquistar a Presidência da
República.
“Flávio
Bolsonaro colocou em risco o que ele tinha de mais precioso”, afirmou Coimbra,
ao analisar a postura do candidato durante o confronto televisivo. Segundo ele,
a agressividade pode mobilizar os setores mais identificados com o
bolsonarismo, mas tende a produzir uma reação diferente entre os eleitores que
ainda avaliam suas escolhas ou que podem reconsiderar o voto.
O
especialista recorreu ao conhecimento acumulado em pesquisas qualitativas para
explicar por que o comportamento de Flávio pode ter consequências eleitorais.
Coimbra lembrou uma orientação do publicitário Duda Mendonça, responsável por
campanhas presidenciais, que sintetizava a reação dos eleitores diante de
candidatos que adotavam estratégias de ataque: “Quem bate perde”.
De
acordo com Coimbra, essa máxima não se refere aos segmentos que já apoiam um
candidato independentemente de seu comportamento. Seu significado está
relacionado à reação dos eleitores que não possuem identificação partidária
consolidada e que observam os debates para formar ou confirmar suas opiniões.
“Eu
duvido que isso produza efeito na massa do eleitorado. Produz um efeito
altamente positivo na meia dúzia de radicais daquele lado”, declarou. Para ele,
a tentativa de desestabilizar o adversário pode satisfazer os apoiadores mais
mobilizados, mas não necessariamente contribui para ampliar a votação.
Coimbra
considera que Flávio Bolsonaro adotou uma estratégia inspirada no influenciador
Pablo Marçal e no presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na avaliação do
sociólogo, o candidato procurou reproduzir gestos, formas de expressão e
interrupções destinadas a impedir que Lula desenvolvesse seus argumentos.
O
resultado, segundo ele, foi a exposição de características que podem dificultar
a aproximação com setores do eleitorado que não compartilham desse estilo de
atuação política.
“Eu
acho que ele se tornou uma figura, uma caricatura de si mesmo”, afirmou.
O
sociólogo argumentou que Flávio poderia ter se beneficiado de uma postura menos
confrontadora. Como vinha demonstrando resistência nas pesquisas eleitorais,
sua candidatura não precisava necessariamente assumir riscos durante o debate.
Uma apresentação voltada à exposição de propostas, segundo Coimbra, poderia
preservar o apoio já conquistado sem provocar questionamentos adicionais sobre
sua capacidade de exercer a Presidência.
“Ele
podia ganhar mais jogando parado do que fazendo esse papel ridículo que ele
fez, inspirado no seu professor, o Pablo Marçal”, disse.
A
avaliação de Coimbra é que o comportamento do candidato pode ter provocado
consequências que ultrapassam a percepção imediata de quem venceu ou perdeu o
debate. Ao examinar a cobertura da imprensa no dia seguinte, ele identificou
sinais de questionamento sobre Flávio Bolsonaro em setores que, até então,
tratavam sua candidatura como uma alternativa política aceitável.
O
especialista citou manifestações de articulistas da Folha de S.Paulo
como exemplos de uma possível mudança na maneira de avaliar o candidato.
Segundo ele, comentários publicados após o debate sugeriam que determinadas
características de Flávio passaram a ser consideradas um problema para sua
própria candidatura.
Coimbra
ressaltou, entretanto, que essa percepção ainda não permite afirmar que houve
uma alteração efetiva na intenção de voto. Trata-se, por enquanto, de uma
hipótese sobre os efeitos políticos do confronto, cuja confirmação depende de
pesquisas realizadas após a transmissão.
“A
impressão que me deu é de que começa uma pequena quebra num modo de olhar para
a eleição que estava claramente favorecendo essa contraposição do presidente
Lula com esse cidadão”, afirmou.
Para
explicar o risco eleitoral da estratégia de Flávio, Coimbra também recuperou a
experiência de Geraldo Alckmin na eleição presidencial de 2006. Naquele segundo
turno, o então candidato do PSDB adotou uma postura de maior agressividade
contra Lula, diferente do comportamento que havia caracterizado sua trajetória
política.
Segundo
o sociólogo, Alckmin chegou à reta final da disputa em uma situação
desfavorável e tentou mobilizar os setores mais combativos de seu eleitorado. A
mudança de postura, contudo, não conseguiu reverter a tendência de derrota.
Coimbra
observou que Alckmin abandonou posteriormente aquela forma de atuação e
continuou conquistando vitórias eleitorais, incluindo novas eleições para o
governo de São Paulo.
A
comparação serve, na análise do especialista, para demonstrar que estratégias
de confronto podem funcionar como tentativas de mobilização de uma base já
existente, mas não oferecem necessariamente condições para conquistar os votos
que faltam a uma candidatura.
No caso
de Flávio Bolsonaro, Coimbra considera que o problema pode ser ainda maior
porque o candidato não estava obrigado a assumir uma postura de confronto para
preservar sua competitividade. A decisão de apostar na agressividade teria
introduzido um elemento de risco em uma disputa marcada por diferenças
reduzidas nas pesquisas.
O
especialista também levantou a possibilidade de que a própria campanha do PL
reavalie a estratégia antes do debate da TV Globo, previsto para a sexta-feira
anterior à votação. Ele acredita que pesquisas qualitativas e levantamentos de
intenção de voto poderão indicar se houve rejeição ao comportamento apresentado
na Band.
“Eu
acho que o Flávio Bolsonaro vai procurar fazer diferente”, afirmou, deixando
claro que se trata de uma expectativa, e não de uma informação sobre decisões
internas da campanha.
Para
Coimbra, o episódio pode produzir uma consequência decisiva caso parte dos
eleitores que vinham considerando votar em Flávio passe a questionar essa
escolha. O sociólogo não afirmou que esse movimento já ocorreu, mas sustentou
que a experiência de outras eleições mostra como acontecimentos da reta final
podem alterar percepções que pareciam consolidadas.
Sua
conclusão é que Flávio Bolsonaro assumiu um risco ao privilegiar uma linguagem
voltada aos apoiadores mais radicalizados, justamente no momento em que
precisava conquistar a confiança de eleitores situados fora desse núcleo. A
dimensão desse possível desgaste, segundo a análise apresentada, dependerá de
como o eleitorado reagirá nos dias que antecedem o segundo turno.
Fonte:
ICL Notícias/Brasil 247

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