Quaest:
medo de vitória de Flávio Bolsonaro supera receio de reeleição de Lula
A
pesquisa Quaest divulgada nesta quarta (21) mostra que o medo de uma eventual
vitória de Flávio Bolsonaro voltou a superar numericamente o receio de uma
reeleição de Lula. Segundo o levantamento, 44% dos entrevistados temem o
retorno da família Bolsonaro ao poder, ante 42% que dizem temer outro mandato
do presidente.
A
pesquisa Quaest aponta que o medo da volta da família Bolsonaro ao poder voltou
a superar numericamente o receio de uma reeleição do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva (PT). Segundo o levantamento, 44% dos entrevistados disseram
temer uma eventual vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), enquanto 42%
afirmaram ter mais medo de um novo mandato de Lula.
Na
edição anterior da pesquisa, realizada na semana passada, os dois cenários
apareciam empatados, com 43% das menções cada. Os novos dados indicam,
portanto, uma leve oscilação favorável ao aumento da preocupação com um retorno
da família Bolsonaro ao Palácio do Planalto.
O
levantamento, divulgado por um portal de notícias do país, também registrou
crescimento entre os eleitores que afirmam temer quaisquer um dos resultados de
domingo (25). Esse grupo passou de 3% para 6% em uma semana. Já a parcela dos
entrevistados que declarou não ter medo de nenhum dos dois cenários recuou de
6% para 4%.
De
acordo com a série histórica da Quaest, esta é a primeira vez desde 14 de
agosto que o temor em relação ao retorno da família Bolsonaro supera o receio
de continuidade do Partido dos Trabalhadores (PT) no governo. Naquele
levantamento, 45% apontavam medo de uma vitória de Flávio Bolsonaro, ante 41%
que demonstravam preocupação com a permanência do PT no poder.
Foram
entrevistadas 2.154 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 17 e 20 de
outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para
menos, o nível de confiança é de 95%, e o estudo está devidamente registrado no
Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
• Campanha de Lula aposta em rejeição a
Flávio Bolsonaro para virar eleição na reta final
A
campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acredita que ainda há
espaço para ampliar o apoio ao petista e conquistar votos decisivos na reta
final do segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL). Apesar das diferenças nas
estratégias eleitorais, os dois candidatos avaliam que a eleição permanece
indefinida e que ambos têm possibilidades de vitória no próximo domingo (25).
As
informações são do jornalista Caio Junqueira, da CNN Brasil, que ouviu
integrantes das duas campanhas após a divulgação das pesquisas eleitorais desta
quarta-feira (21). Enquanto os aliados de Lula apostam na recuperação do
presidente e no aumento da rejeição ao adversário, o entorno de Flávio
considera que a maior parte dos votos já está consolidada.
<><>
Campanha de Lula aposta em desgaste de Flávio Bolsonaro
A
avaliação entre os petistas é de que Lula conseguiu recuperar espaço nos
últimos dias após a exposição de pontos considerados negativos da candidatura
de Flávio Bolsonaro. Entre os episódios destacados estão a mudança de
posicionamento do senador sobre a proposta de emenda à Constituição (PEC) que
prevê o fim da escala de trabalho 6×1 e as possíveis consequências de seu
programa econômico para os direitos sociais.
Integrantes
da campanha governista acreditam que esses temas contribuíram para ampliar a
resistência ao candidato do PL e abriram oportunidades para conquistar
eleitores que ainda não decidiram definitivamente seu voto.
A
pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira reforça essa leitura entre os
aliados do presidente. Segundo o levantamento, a rejeição a Flávio Bolsonaro
chegou a 52%, enquanto a de Lula ficou em 47%. A diferença de cinco pontos
percentuais é considerada relevante pelos petistas em uma disputa marcada pelo
equilíbrio nas intenções de voto.
Na
avaliação da campanha de Lula, a mobilização dos eleitores que não compareceram
às urnas no primeiro turno também poderá influenciar o resultado. Os
estrategistas governistas entendem que esse grupo continua sendo decisivo, ao
lado dos cidadãos que podem reconsiderar suas escolhas diante das críticas
dirigidas ao adversário.
A
intenção é manter a pressão sobre Flávio Bolsonaro até o dia da votação,
concentrando o discurso em questões econômicas, sociais e em investigações que
envolvem o senador.
Uma
fonte da campanha resumiu à CNN Brasil a estratégia para os últimos dias:
<><> “Willer Thomaz, Bolsa Família e tesouraço”.
A
referência ao advogado Willer Thomaz diz respeito à investigação sobre sua
relação com Flávio Bolsonaro. Já a menção ao Bolsa Família e ao chamado
“tesouraço” está associada à intenção de explorar o contraste entre as
políticas sociais do governo Lula e os possíveis cortes de gastos previstos no
programa econômico do candidato do PL.
<><>
Aliados de Flávio Bolsonaro consideram votos consolidados
Na
campanha de Flávio Bolsonaro, a interpretação do cenário eleitoral é diferente.
Os aliados do senador avaliam que os votos estão praticamente cristalizados
entre os dois candidatos, deixando pouco espaço para mudanças expressivas de
preferência até domingo.
Diante
desse diagnóstico, o entorno do candidato considera que a abstenção não deverá
exercer influência determinante sobre o resultado. A principal disputa, segundo
essa avaliação, envolve os eleitores que escolheram outros candidatos no
primeiro turno.
De
acordo com os números utilizados pela campanha de Flávio, aproximadamente 60%
desse eleitorado pretende votar no senador, enquanto 30% manifesta preferência
por Lula. Os 10% restantes não deverão comparecer às urnas.
Esses
percentuais sustentam a percepção dos aliados do candidato do PL de que ele
possui vantagem na transferência dos votos de eleitores que não apoiaram nenhum
dos dois finalistas na primeira etapa da eleição.
Fontes
próximas a Flávio também atribuem parte da recuperação de Lula ao fato de o
presidente disputar a reeleição e contar com a estrutura administrativa do
governo federal.
Entre
os fatores mencionados estão medidas implementadas nos últimos dias, como o
pagamento do reajuste do Bolsa Família, e o avanço de investigações
relacionadas ao senador, incluindo a apuração sobre seus vínculos com o
advogado Willer Thomaz.
Essa
interpretação, contudo, corresponde à avaliação política dos integrantes da
campanha de Flávio Bolsonaro, e não a uma conclusão demonstrada pelas pesquisas
eleitorais.
• Flávio já tem 200 decretos prontos para
serem assinados; maioria sobre legislação trabalhista. Por Renato Souza
O
senador Flávio Bolsonaro (PL) já tem o texto pronto de mais de 200 decretos,
para serem assinados caso seja vencedor da eleição para presidente da
República. A informação foi repassada ao Correio por aliados do parlamentar. De
acordo com as fontes ouvidas pela reportagem, a maioria dos decretos trata de
regulação de normas trabalhistas, inclusive sobre o fim da escala 6×1 e a
organização da jornada de trabalho.
O
senador pretende fazer uma espécie de “decretaço” assim que assumir o cargo,
podendo ocorrer já no primeiro dia de mandato. Além de alteração na legislação
trabalhista, o congressista também pretende fazer um “revogaço” de decretos
assinados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Outra área importante
que seria afetada, de acordo com as fontes, é a ambiental, com a criação de
normas restringindo fiscalização de órgãos ambientais sobre áreas de vegetação
que estão em terras consideradas privadas ou que não estão classificadas como
de proteção ambiental.
Dezenas
de decretos também foram pensados para alterar normas econômicas, inclusive a
organização administrativa do Poder Executivo, acabando com muitos conselhos,
comitês e grupos de trabalho, que são vistos como iniciativas que aumentam o
custo da máquina pública sem resultados relevantes para o país. Nos primeiros
três meses, também estão previstas medidas para privatizar entes estatais, que
precisariam ser chanceladas pelo Congresso Nacional.
A
maioria dos decretos teria de ser encaminhada ao parlamento, inclusive por meio
da edição de medidas provisórias, que precisam do crivo dos deputados e
senadores para continuarem em vigor. No entanto, aliados do senador acreditam
que não haveria dificuldades em aprovar as medidas diante da nova configuração
do Congresso. Procurado para comentar o caso, por meio de sua assessoria de
campanha, Flávio Bolsonaro não se manifestou sobre o caso.
• Nunes Marques nega atuação do TSE em
alterações de locais de votação, diz mídia
O
presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, disse que a Corte não decide sobre
mudanças de locais de votação entre turnos e atribuiu a responsabilidade aos
TREs. Segundo ele, cerca de 400 seções foram alteradas para o segundo turno,
volume 94% menor que o registrado em 2022, e os eleitores devem verificar com
antecedência onde votar.
O
presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques,
afirmou que a Corte não participa das decisões sobre mudanças de locais de
votação entre o primeiro e o segundo turno. Segundo a mídia brasileira, o
ministro afirmou que a responsabilidade pelas alterações cabe aos Tribunais
Regionais Eleitorais (TREs), a partir de solicitações feitas pelos cartórios
eleitorais.
De
acordo com o ministro, as trocas de locais ocorrem por razões como problemas
estruturais nos prédios, condições climáticas adversas ou questões de
segurança. Ele ressaltou que o TSE não valida nem autoriza essas mudanças, que
são decididas diretamente pelas instâncias regionais.
Nunes
Marques também afirmou que o número de locais alterados neste segundo turno é
94% menor do que o registrado no mesmo período das eleições de 2022. A
declaração ocorre após a divulgação de informações divergentes sobre a
quantidade de seções afetadas antes da votação de domingo (25).
Na
sexta-feira (16), a Justiça Eleitoral informou que mais de 4,3 mil seções
teriam alterações. Na terça-feira (20), porém, o total foi reduzido para cerca
de 400, após atualização dos dados enviados pelos TREs. Segundo o TSE, parte da
diferença decorre de registros relacionados a transferências provisórias
realizadas ainda no primeiro turno.
O
ministro explicou que as informações são inseridas pelas zonas eleitorais no
Sistema Elo e atualizadas gradualmente conforme os procedimentos para o segundo
turno são concluídos, mas que o funcionamento da plataforma teria contribuído
para interpretações equivocadas sobre o alcance das mudanças, segundo sua
percepção.
Para
esclarecer a situação, o TSE solicitou diretamente aos 27 tribunais regionais a
relação dos endereços efetivamente modificados. O levantamento mais recente
aponta Minas Gerais com 17 locais alterados, seguido por Maranhão, com 13, e
Pará, com 11.
A
Justiça Eleitoral alerta que os números ainda podem mudar até o dia da votação,
caso novos problemas exijam transferências.
Enquanto
os TREs se comprometeram a divulgar as alterações, o TSE orienta os eleitores a
consultar previamente o e-Título ou o Autoatendimento Eleitoral. O Ministério
Público Eleitoral também recomendou reforço na comunicação aos eleitores
afetados, com avisos em canais oficiais e nos antigos locais de votação.
• Uma aposta civilizatória. Por Marco
Mondaini
Apenas
quatro dias nos separam da eleição presidencial mais importante da história que
se seguiu à Constituição Federal brasileira promulgada em 5 de outubro de 1988.
Corrijo-me. Apenas quatro dias nos separam da eleição presidencial mais
importante da história republicana brasileira principiada em 15 de novembro de
1889.
As
razões para um tal juízo histórico são muitas e o espaço de um artigo de
opinião é insuficiente para enumerá-las, o que me obriga a destacar aquela que
muitos de nós situados no campo democrático-popular e socialista consideramos
como sendo a mais importante e central de todas: a questão democrática e dos
direitos humanos – direitos civis, políticos, sociais e à diversidade.
A
eleição de 25 de outubro de 2026 colocará frente a frente, sem mediações, dois
projetos visceralmente antagônicos quanto à manutenção da democracia e dos
direitos humanos, em suas múltiplas dimensões acima assinaladas, com destaque
na atual conjuntura histórica para as da preservação da soberania nacional e do
combate a todas as modalidades de desigualdade existentes em nosso país.
Democracia
e direitos humanos estes arduamente conquistados nos últimos 137 anos de vida
republicana pelas classes e grupos sociais subalternizados, inobstante os
trágicos hiatos autoritários não apenas das ditaduras do Estado Novo e Militar,
entre 1937-1945 e 1964-1985, respectivamente, mas também durante o regime
oligárquico da República Velha, entre 1889 e 1930.
Guardadas
as enormes diferenças existentes, as candidaturas do presidente Lula (PT) e do
senador Flávio Bolsonaro (PL) trazem em si a memória histórica das lutas
travadas entre republicanos (derrotados) e falangistas na Guerra Civil
Espanhola, e entre partigiani (vitoriosos) e fascistas durante as duas décadas
de ditadura mussoliniana na Itália monárquica – ainda que, na Espanha e na
Itália da primeira metade do século passado, as armas estivessem no lugar das
urnas eletrônicas.
O
presidente Lula e o filho 01 de Jair Bolsonaro representam estruturalmente dois
polos socioeconômicos e ideopolíticos opostos presentes na sociedade brasileira
desde a queda do regime monárquico, ainda que tragam consigo as marcas
profundas do nosso sistema escravocrata. Como todos sabem – apesar das
tentativas da mídia corporativa de convencer a opinião pública do contrário –,
não são polos igualmente extremistas pelo seu desprezo em relação às regras do
jogo de um Estado de Direito Democrático, mas sim por terem em vista, por um
lado, a defesa da democracia e dos direitos humanos, e, por outro lado, o
aniquilamento de ambos sob os escombros do regime erigido em 1988.
Já
ficaram para trás os tempos em que se falava da existência de uma esquerda
democrática e de uma esquerda autoritária no Brasil, o que não significa dizer
que não continuem a existir personalidades e grupelhos, só enxergáveis com o
auxílio de um microscópio, que tratam a democracia e os direitos humanos como,
nada mais nada menos que, um engodo responsável pela preservação do modo de
produção capitalista, o qual somente seria sepultado por intermédio da ditadura
do proletariado, que, historicamente, no decorrer do século XX, nos países em
que vigorou o socialismo de caserna, foi a ditadura do partido único.
Num
movimento radicalmente inverso, a direita brasileira, que nunca teve vínculos
orgânicos e duradouros com a democracia e, diga-se de passagem, nem mesmo com o
liberalismo político – tendo-os mandado ambos às favas nos momentos históricos
em que avançaram processos de socialização da política e de ampliação dos
direitos sociais, a exemplo de 1964 –, desde o golpe
jurídico-parlamentar-midiático de 2016 contra a presidenta Dilma Rousseff,
aderiu de maneira majoritária às concepções autoritárias de sociedade e de
Estado, arrastando consigo uma perigosíssima base de massas – a ponto do seu
Partido Liberal ser, de fato e por ironia da história, um partido que abriga no
seu interior o neofascismo.
A “onda
vermelha” que tomou conta do país a partir de baixo no dia seguinte ao primeiro
turno das eleições, impulsionada especialmente pela juventude estudantil,
representou uma resposta veloz ao “sinal de alarme” que soou na noite do dia 4
de outubro. Seu ímpeto foi responsável pelo deslocamento rápido de um
“pessimismo da razão” que poderia resultar num estado de resignação e letargia,
para um “otimismo da vontade” que não dá sinais de ufanismo irresponsável.
A
virada é uma incógnita, mas a disposição de luta demonstrada nas ruas aponta um
caminho a ser seguido caso ela aconteça e se dê início ao quarto mandato
presidencial do Lula e sexto encabeçado pelo Partido dos Trabalhadores.
Tenho
plena consciência de que, em grande medida, o que foi dito acima não passa de
um conjunto de platitudes. Entretanto, o enorme risco de sermos derrotados no
próximo domingo parece sinalizar que metade do eleitorado brasileiro concorda
com um projeto de “mudança” de natureza antidemocrática ou não consegue
identificar na candidatura de Flávio Bolsonaro um perigo para a democracia, ou
ainda, não se preocupa minimamente com o fato de viver sob um regime
democrático ou um regime que restrinja, em maior ou menor medida, as liberdades
democráticas.
Ainda
assim, é preciso reiterar, em alto e bom som, a platitude de que quatro dias
nos separam de uma eleição que definirá o futuro da democracia e dos direitos
humanos no Brasil não apenas no curto prazo de um mandato de quatro anos, como
se estivéssemos em meio a uma situação de normalidade democrática, diante de
uma escolha rotineira fundada no princípio da alternância de governo. Não.
Nós
estamos atravessando uma situação de “emergência democrática” e os eleitores
brasileiros decidirão no próximo 25 de outubro os destinos da democracia e dos
direitos humanos no curto e médio prazo, com implicações possivelmente
irreversíveis para as gerações vindouras. Assim, para a salvação e o mais que
desejável aprofundamento da democracia e dos direitos humanos no Brasil, a
reeleição do presidente Lula é bem mais que a única alternativa possível.
Trata-se
de uma aposta civilizatória!
Fonte:
Sputnik Brasil/A Terra é Redonda

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