sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Quaest: medo de vitória de Flávio Bolsonaro supera receio de reeleição de Lula

A pesquisa Quaest divulgada nesta quarta (21) mostra que o medo de uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro voltou a superar numericamente o receio de uma reeleição de Lula. Segundo o levantamento, 44% dos entrevistados temem o retorno da família Bolsonaro ao poder, ante 42% que dizem temer outro mandato do presidente.

A pesquisa Quaest aponta que o medo da volta da família Bolsonaro ao poder voltou a superar numericamente o receio de uma reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo o levantamento, 44% dos entrevistados disseram temer uma eventual vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), enquanto 42% afirmaram ter mais medo de um novo mandato de Lula.

Na edição anterior da pesquisa, realizada na semana passada, os dois cenários apareciam empatados, com 43% das menções cada. Os novos dados indicam, portanto, uma leve oscilação favorável ao aumento da preocupação com um retorno da família Bolsonaro ao Palácio do Planalto.

O levantamento, divulgado por um portal de notícias do país, também registrou crescimento entre os eleitores que afirmam temer quaisquer um dos resultados de domingo (25). Esse grupo passou de 3% para 6% em uma semana. Já a parcela dos entrevistados que declarou não ter medo de nenhum dos dois cenários recuou de 6% para 4%.

De acordo com a série histórica da Quaest, esta é a primeira vez desde 14 de agosto que o temor em relação ao retorno da família Bolsonaro supera o receio de continuidade do Partido dos Trabalhadores (PT) no governo. Naquele levantamento, 45% apontavam medo de uma vitória de Flávio Bolsonaro, ante 41% que demonstravam preocupação com a permanência do PT no poder.

Foram entrevistadas 2.154 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 17 e 20 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, o nível de confiança é de 95%, e o estudo está devidamente registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

•        Campanha de Lula aposta em rejeição a Flávio Bolsonaro para virar eleição na reta final

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acredita que ainda há espaço para ampliar o apoio ao petista e conquistar votos decisivos na reta final do segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL). Apesar das diferenças nas estratégias eleitorais, os dois candidatos avaliam que a eleição permanece indefinida e que ambos têm possibilidades de vitória no próximo domingo (25).

As informações são do jornalista Caio Junqueira, da CNN Brasil, que ouviu integrantes das duas campanhas após a divulgação das pesquisas eleitorais desta quarta-feira (21). Enquanto os aliados de Lula apostam na recuperação do presidente e no aumento da rejeição ao adversário, o entorno de Flávio considera que a maior parte dos votos já está consolidada.

<><> Campanha de Lula aposta em desgaste de Flávio Bolsonaro

A avaliação entre os petistas é de que Lula conseguiu recuperar espaço nos últimos dias após a exposição de pontos considerados negativos da candidatura de Flávio Bolsonaro. Entre os episódios destacados estão a mudança de posicionamento do senador sobre a proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 e as possíveis consequências de seu programa econômico para os direitos sociais.

Integrantes da campanha governista acreditam que esses temas contribuíram para ampliar a resistência ao candidato do PL e abriram oportunidades para conquistar eleitores que ainda não decidiram definitivamente seu voto.

A pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira reforça essa leitura entre os aliados do presidente. Segundo o levantamento, a rejeição a Flávio Bolsonaro chegou a 52%, enquanto a de Lula ficou em 47%. A diferença de cinco pontos percentuais é considerada relevante pelos petistas em uma disputa marcada pelo equilíbrio nas intenções de voto.

Na avaliação da campanha de Lula, a mobilização dos eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno também poderá influenciar o resultado. Os estrategistas governistas entendem que esse grupo continua sendo decisivo, ao lado dos cidadãos que podem reconsiderar suas escolhas diante das críticas dirigidas ao adversário.

A intenção é manter a pressão sobre Flávio Bolsonaro até o dia da votação, concentrando o discurso em questões econômicas, sociais e em investigações que envolvem o senador.

Uma fonte da campanha resumiu à CNN Brasil a estratégia para os últimos dias: <><> “Willer Thomaz, Bolsa Família e tesouraço”.

A referência ao advogado Willer Thomaz diz respeito à investigação sobre sua relação com Flávio Bolsonaro. Já a menção ao Bolsa Família e ao chamado “tesouraço” está associada à intenção de explorar o contraste entre as políticas sociais do governo Lula e os possíveis cortes de gastos previstos no programa econômico do candidato do PL.

<><> Aliados de Flávio Bolsonaro consideram votos consolidados

Na campanha de Flávio Bolsonaro, a interpretação do cenário eleitoral é diferente. Os aliados do senador avaliam que os votos estão praticamente cristalizados entre os dois candidatos, deixando pouco espaço para mudanças expressivas de preferência até domingo.

Diante desse diagnóstico, o entorno do candidato considera que a abstenção não deverá exercer influência determinante sobre o resultado. A principal disputa, segundo essa avaliação, envolve os eleitores que escolheram outros candidatos no primeiro turno.

De acordo com os números utilizados pela campanha de Flávio, aproximadamente 60% desse eleitorado pretende votar no senador, enquanto 30% manifesta preferência por Lula. Os 10% restantes não deverão comparecer às urnas.

Esses percentuais sustentam a percepção dos aliados do candidato do PL de que ele possui vantagem na transferência dos votos de eleitores que não apoiaram nenhum dos dois finalistas na primeira etapa da eleição.

Fontes próximas a Flávio também atribuem parte da recuperação de Lula ao fato de o presidente disputar a reeleição e contar com a estrutura administrativa do governo federal.

Entre os fatores mencionados estão medidas implementadas nos últimos dias, como o pagamento do reajuste do Bolsa Família, e o avanço de investigações relacionadas ao senador, incluindo a apuração sobre seus vínculos com o advogado Willer Thomaz.

Essa interpretação, contudo, corresponde à avaliação política dos integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro, e não a uma conclusão demonstrada pelas pesquisas eleitorais.

•        Flávio já tem 200 decretos prontos para serem assinados; maioria sobre legislação trabalhista. Por Renato Souza

O senador Flávio Bolsonaro (PL) já tem o texto pronto de mais de 200 decretos, para serem assinados caso seja vencedor da eleição para presidente da República. A informação foi repassada ao Correio por aliados do parlamentar. De acordo com as fontes ouvidas pela reportagem, a maioria dos decretos trata de regulação de normas trabalhistas, inclusive sobre o fim da escala 6×1 e a organização da jornada de trabalho.

O senador pretende fazer uma espécie de “decretaço” assim que assumir o cargo, podendo ocorrer já no primeiro dia de mandato. Além de alteração na legislação trabalhista, o congressista também pretende fazer um “revogaço” de decretos assinados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Outra área importante que seria afetada, de acordo com as fontes, é a ambiental, com a criação de normas restringindo fiscalização de órgãos ambientais sobre áreas de vegetação que estão em terras consideradas privadas ou que não estão classificadas como de proteção ambiental.

Dezenas de decretos também foram pensados para alterar normas econômicas, inclusive a organização administrativa do Poder Executivo, acabando com muitos conselhos, comitês e grupos de trabalho, que são vistos como iniciativas que aumentam o custo da máquina pública sem resultados relevantes para o país. Nos primeiros três meses, também estão previstas medidas para privatizar entes estatais, que precisariam ser chanceladas pelo Congresso Nacional.

A maioria dos decretos teria de ser encaminhada ao parlamento, inclusive por meio da edição de medidas provisórias, que precisam do crivo dos deputados e senadores para continuarem em vigor. No entanto, aliados do senador acreditam que não haveria dificuldades em aprovar as medidas diante da nova configuração do Congresso. Procurado para comentar o caso, por meio de sua assessoria de campanha, Flávio Bolsonaro não se manifestou sobre o caso.

•        Nunes Marques nega atuação do TSE em alterações de locais de votação, diz mídia

O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, disse que a Corte não decide sobre mudanças de locais de votação entre turnos e atribuiu a responsabilidade aos TREs. Segundo ele, cerca de 400 seções foram alteradas para o segundo turno, volume 94% menor que o registrado em 2022, e os eleitores devem verificar com antecedência onde votar.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que a Corte não participa das decisões sobre mudanças de locais de votação entre o primeiro e o segundo turno. Segundo a mídia brasileira, o ministro afirmou que a responsabilidade pelas alterações cabe aos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), a partir de solicitações feitas pelos cartórios eleitorais.

De acordo com o ministro, as trocas de locais ocorrem por razões como problemas estruturais nos prédios, condições climáticas adversas ou questões de segurança. Ele ressaltou que o TSE não valida nem autoriza essas mudanças, que são decididas diretamente pelas instâncias regionais.

Nunes Marques também afirmou que o número de locais alterados neste segundo turno é 94% menor do que o registrado no mesmo período das eleições de 2022. A declaração ocorre após a divulgação de informações divergentes sobre a quantidade de seções afetadas antes da votação de domingo (25).

Na sexta-feira (16), a Justiça Eleitoral informou que mais de 4,3 mil seções teriam alterações. Na terça-feira (20), porém, o total foi reduzido para cerca de 400, após atualização dos dados enviados pelos TREs. Segundo o TSE, parte da diferença decorre de registros relacionados a transferências provisórias realizadas ainda no primeiro turno.

O ministro explicou que as informações são inseridas pelas zonas eleitorais no Sistema Elo e atualizadas gradualmente conforme os procedimentos para o segundo turno são concluídos, mas que o funcionamento da plataforma teria contribuído para interpretações equivocadas sobre o alcance das mudanças, segundo sua percepção.

Para esclarecer a situação, o TSE solicitou diretamente aos 27 tribunais regionais a relação dos endereços efetivamente modificados. O levantamento mais recente aponta Minas Gerais com 17 locais alterados, seguido por Maranhão, com 13, e Pará, com 11.

A Justiça Eleitoral alerta que os números ainda podem mudar até o dia da votação, caso novos problemas exijam transferências.

Enquanto os TREs se comprometeram a divulgar as alterações, o TSE orienta os eleitores a consultar previamente o e-Título ou o Autoatendimento Eleitoral. O Ministério Público Eleitoral também recomendou reforço na comunicação aos eleitores afetados, com avisos em canais oficiais e nos antigos locais de votação.

•        Uma aposta civilizatória. Por Marco Mondaini

Apenas quatro dias nos separam da eleição presidencial mais importante da história que se seguiu à Constituição Federal brasileira promulgada em 5 de outubro de 1988. Corrijo-me. Apenas quatro dias nos separam da eleição presidencial mais importante da história republicana brasileira principiada em 15 de novembro de 1889.

As razões para um tal juízo histórico são muitas e o espaço de um artigo de opinião é insuficiente para enumerá-las, o que me obriga a destacar aquela que muitos de nós situados no campo democrático-popular e socialista consideramos como sendo a mais importante e central de todas: a questão democrática e dos direitos humanos – direitos civis, políticos, sociais e à diversidade.

A eleição de 25 de outubro de 2026 colocará frente a frente, sem mediações, dois projetos visceralmente antagônicos quanto à manutenção da democracia e dos direitos humanos, em suas múltiplas dimensões acima assinaladas, com destaque na atual conjuntura histórica para as da preservação da soberania nacional e do combate a todas as modalidades de desigualdade existentes em nosso país.

Democracia e direitos humanos estes arduamente conquistados nos últimos 137 anos de vida republicana pelas classes e grupos sociais subalternizados, inobstante os trágicos hiatos autoritários não apenas das ditaduras do Estado Novo e Militar, entre 1937-1945 e 1964-1985, respectivamente, mas também durante o regime oligárquico da República Velha, entre 1889 e 1930.

Guardadas as enormes diferenças existentes, as candidaturas do presidente Lula (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) trazem em si a memória histórica das lutas travadas entre republicanos (derrotados) e falangistas na Guerra Civil Espanhola, e entre partigiani (vitoriosos) e fascistas durante as duas décadas de ditadura mussoliniana na Itália monárquica – ainda que, na Espanha e na Itália da primeira metade do século passado, as armas estivessem no lugar das urnas eletrônicas.

O presidente Lula e o filho 01 de Jair Bolsonaro representam estruturalmente dois polos socioeconômicos e ideopolíticos opostos presentes na sociedade brasileira desde a queda do regime monárquico, ainda que tragam consigo as marcas profundas do nosso sistema escravocrata. Como todos sabem – apesar das tentativas da mídia corporativa de convencer a opinião pública do contrário –, não são polos igualmente extremistas pelo seu desprezo em relação às regras do jogo de um Estado de Direito Democrático, mas sim por terem em vista, por um lado, a defesa da democracia e dos direitos humanos, e, por outro lado, o aniquilamento de ambos sob os escombros do regime erigido em 1988.

Já ficaram para trás os tempos em que se falava da existência de uma esquerda democrática e de uma esquerda autoritária no Brasil, o que não significa dizer que não continuem a existir personalidades e grupelhos, só enxergáveis com o auxílio de um microscópio, que tratam a democracia e os direitos humanos como, nada mais nada menos que, um engodo responsável pela preservação do modo de produção capitalista, o qual somente seria sepultado por intermédio da ditadura do proletariado, que, historicamente, no decorrer do século XX, nos países em que vigorou o socialismo de caserna, foi a ditadura do partido único.

Num movimento radicalmente inverso, a direita brasileira, que nunca teve vínculos orgânicos e duradouros com a democracia e, diga-se de passagem, nem mesmo com o liberalismo político – tendo-os mandado ambos às favas nos momentos históricos em que avançaram processos de socialização da política e de ampliação dos direitos sociais, a exemplo de 1964 –, desde o golpe jurídico-parlamentar-midiático de 2016 contra a presidenta Dilma Rousseff, aderiu de maneira majoritária às concepções autoritárias de sociedade e de Estado, arrastando consigo uma perigosíssima base de massas – a ponto do seu Partido Liberal ser, de fato e por ironia da história, um partido que abriga no seu interior o neofascismo.

A “onda vermelha” que tomou conta do país a partir de baixo no dia seguinte ao primeiro turno das eleições, impulsionada especialmente pela juventude estudantil, representou uma resposta veloz ao “sinal de alarme” que soou na noite do dia 4 de outubro. Seu ímpeto foi responsável pelo deslocamento rápido de um “pessimismo da razão” que poderia resultar num estado de resignação e letargia, para um “otimismo da vontade” que não dá sinais de ufanismo irresponsável.

A virada é uma incógnita, mas a disposição de luta demonstrada nas ruas aponta um caminho a ser seguido caso ela aconteça e se dê início ao quarto mandato presidencial do Lula e sexto encabeçado pelo Partido dos Trabalhadores.

Tenho plena consciência de que, em grande medida, o que foi dito acima não passa de um conjunto de platitudes. Entretanto, o enorme risco de sermos derrotados no próximo domingo parece sinalizar que metade do eleitorado brasileiro concorda com um projeto de “mudança” de natureza antidemocrática ou não consegue identificar na candidatura de Flávio Bolsonaro um perigo para a democracia, ou ainda, não se preocupa minimamente com o fato de viver sob um regime democrático ou um regime que restrinja, em maior ou menor medida, as liberdades democráticas.

Ainda assim, é preciso reiterar, em alto e bom som, a platitude de que quatro dias nos separam de uma eleição que definirá o futuro da democracia e dos direitos humanos no Brasil não apenas no curto prazo de um mandato de quatro anos, como se estivéssemos em meio a uma situação de normalidade democrática, diante de uma escolha rotineira fundada no princípio da alternância de governo. Não.

Nós estamos atravessando uma situação de “emergência democrática” e os eleitores brasileiros decidirão no próximo 25 de outubro os destinos da democracia e dos direitos humanos no curto e médio prazo, com implicações possivelmente irreversíveis para as gerações vindouras. Assim, para a salvação e o mais que desejável aprofundamento da democracia e dos direitos humanos no Brasil, a reeleição do presidente Lula é bem mais que a única alternativa possível.

Trata-se de uma aposta civilizatória!

 

Fonte: Sputnik Brasil/A Terra é Redonda

 

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