Lula
fez 16 afirmações verdadeiras e Flávio Bolsonaro contou 10 mentiras no debate
da Band
O presidente Lula (PT), candidato à reeleição,
fez 16 afirmações verdadeiras e teve apenas duas declarações consideradas
falsas durante o debate promovido pela Band no domingo (18), enquanto o senador
Flávio Bolsonaro (PL) contou 10 mentiras e teve apenas duas falas corretas ao
longo do confronto. O levantamento com a checagem em tempo real das declarações
prestadas pelos postulantes ao Palácio do Planalto foi realizado e divulgado
pela agência Aos Fatos.
De
acordo com o placar final divulgado pela checagem, Lula obteve 16 declarações
classificadas como “Verdadeiro”, cinco como “Não é bem assim” e duas
classificadas como “Falso”. Por outro lado, Flávio Bolsonaro registrou dez
declarações classificadas como “Falso”, nove no selo “Não é bem assim” e obteve
apenas dois acertos classificados como “Verdadeiro”.
A
checagem apontou que Flávio Bolsonaro acumulou uma série de alegações
incorretas ou distorcidas durante o debate. O candidato mentiu ao afirmar que o
“Careca do INSS” teria feito parte do governo Lula, assim como mentiu ao
declarar que não há investigações contra o filho de Lula pela fraude do INSS.
Também é falso que a criminalidade tenha explodido no país ou que o atual
governo seja recordista em criminalidade, além de ser inverídica a afirmação de
que Lula e Janja teriam gasto R$ 7 bilhões em viagens.
O
senador do PL voltou a mentir ao declarar que somente a bancada do PT
apresentou emendas para flexibilizar as regras de controle dos descontos do
INSS e que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), teria
sido o responsável por prender Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Flávio também inventou que houve um recorde de empresas fechadas na atual
gestão, que o governo Lula não tomou providências sobre o tarifaço imposto
pelos Estados Unidos, que o presidente teria ido ao país norte-americano para
defender organizações criminosas e que a gestão do PT consideraria que
agressores sexuais de crianças seriam apenas doentes e não criminosos.
Além
das mentiras diretas, Flávio Bolsonaro teve nove declarações no selo “Não é bem
assim”. O candidato disse que o governo atual coloca marginais perigosos nas
ruas e alegou incorretamente que a taxa de juros caiu 2% por ter ficado à
frente no primeiro turno. Ele distorceu dados ao reiterar que 73% dos
presidiários votaram em Lula e ao atribuir ao governo o recorde de mulheres
assassinadas, fato ocorrido por conta de melhorias na qualidade dos registros.
Flávio também omitiu seu apoio a projetos de lei para retirar a numeração de
munições de forças de segurança, prometeu criar um prontuário eletrônico único
que já existe no país, deu declarações imprecisas sobre a vacinação de Lula com
imunizantes comprados na gestão anterior, omitiu que os brasileiros já podem
vender produtos pela internet de suas casas e sugeriu incorretamente que os
roubos de celular não teriam caído, quando na verdade diminuíram.
Entre
os raros pontos em que o parlamentar esteve correto, o Aos Fatos registrou
apenas duas afirmações verdadeiras: a indicação de que o atual governo deixa
uma dívida de R$ 11 trilhões e o apontamento do recorde de mulheres espancadas.
Já a
participação de Lula no debate da Band destacou-se por um alto índice de
precisão factual, alcançando 16 afirmações verdadeiras. O presidente acertou ao
citar que a Constituição de 1988 estabeleceu a segurança pública como
responsabilidade dos Estados, mas fixou princípios para forças federais, e ao
pontuar a aprovação da Lei Antifacção enviada ao Legislativo para aumentar
penas de integrantes de facções. Lula também acertou fatos históricos e
econômicos, lembrando que foi o primeiro presidente a obter dois graus de
investimento (entre 2007 e 2010), que o PIB cresceu 7,5% em 2010, que sua
gestão criou o MEI (que hoje soma 17,5 milhões de registros), que quitou a
dívida com o FMI, deixou R$ 270 bilhões em reservas e bancarizou 22 milhões de
brasileiros.
Em
termos de embate direto e histórico legislativo, Lula acertou ao destacar que
Flávio Bolsonaro votou sozinho contra a ampliação da licença-maternidade em
2009, quando era deputado estadual no Rio de Janeiro. O presidente também
acertou ao informar que a PF e a CGU desarticularam esquemas de descontos
indevidos no INSS, que o governo devolveu mais de R$ 3,5 bilhões a aposentados
afetados, que Flávio ganha o mesmo salário que ele, que o senador defendeu no
Senado a retirada de marcação de munições e que Jair Bolsonaro (PL) liberou
mais de um milhão de armas e adquiriu 1,1 bilhão de munições. Lula lembrou
ainda com precisão que a inflação dos alimentos atingiu 56,17% sob Bolsonaro,
frente a 13% em sua gestão atual, e acertou ao indicar que, até setembro de
2026, o Aos Fatos contabilizou 43 mentiras contadas por Flávio.
Nas
duas únicas declarações classificadas como falsas, Lula disse erroneamente que
o país só voltou a crescer acima de 3% após a sua volta ao Planalto e afirmou
que o governo ou todos os governos do PT realizaram a maior demarcação de
terras indígenas do país.
Lula
também teve cinco declarações checadas na categoria “Não é bem assim”: quando
atribuiu a si a prisão de Daniel Vorcaro; ao citar que a Polícia Federal
investiga seu filho; ao declarar que nenhum condenado do chamado ‘Mensalão’
integra o governo atual; ao mencionar a compra de uma casa por Flávio, errando
o valor de R$ 10 milhões para o preço correto de R$ 6 milhões (sendo R$ 3,1
milhões financiados pelo BRB); e ao expor a interferência do senador para
evitar a prisão do policial envolvido na morte da criança Ana Clara.
• Lula critica debate da Band: ”eu me
senti muito incomodado de debater com miliciano”
O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez duras críticas ao senador Flávio
Bolsonaro (PL-RJ) após o debate presidencial realizado pela TV Bandeirantes no
domingo (18). Em vídeo divulgado nesta segunda-feira (19) em seu canal no
WhatsApp, Lula afirmou ter se sentido incomodado ao enfrentar o adversário, a
quem chamou de “miliciano” e acusou de recorrer a mentiras durante o confronto
eleitoral.
“Eu me
senti muito incomodado em participar de um debate com o miliciano, uma pessoa
desqualificada, e que não é possível tirar dele uma única meia verdade, porque
ele foi preparado para mentir, foi preparado para desrespeitar a sabedoria do
povo brasileiro. O povo brasileiro não merece isso”, declarou o presidente.
Antes
de criticar Flávio Bolsonaro, Lula ressaltou sua experiência em negociações e
debates com lideranças políticas nacionais e internacionais. O presidente citou
encontros com dirigentes como Donald Trump, George W. Bush, Bill Clinton,
Barack Obama, Vladimir Putin e Emmanuel Macron para contrastar sua trajetória
com a experiência do adversário.
“Eu já
conversei com muita gente, já negociei com muita gente, já debati com muita
gente”, afirmou.
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Lula destaca recuperação econômica e critica trajetória de Flávio
Na
sequência, o presidente defendeu os resultados de suas administrações e afirmou
que encontrou o país em dificuldades econômicas tanto ao assumir seu primeiro
mandato, em 2003, quanto ao retornar ao Palácio do Planalto.
“Veja,
eu peguei o Brasil quebrado em 2003, fiz o Brasil se transformar na sétima
economia em 2010. Agora pegamos outra vez o Brasil quebrado, totalmente
quebrado, sem ministério, sem farmácia popular, sem merenda escolar”, declarou.
Lula
também destacou indicadores econômicos que considera positivos, como inflação e
massa salarial, mas reconheceu que a pobreza continua sendo um desafio para o
país.
“Recuperamos
o Brasil, temos a menor inflação, temos a maior massa salarial, mas ainda o
povo está na miséria. E para fazer mais é preciso alguém que tenha competência
para fazer”, afirmou.
O
presidente passou então a questionar a experiência profissional e a proximidade
de Flávio Bolsonaro com a realidade dos trabalhadores brasileiros. Na avaliação
de Lula, o adversário não possui vivência suficiente das condições enfrentadas
pela população.
“Não
pode acreditar numa pessoa que nunca entrou de ônibus, uma pessoa que nunca
conheceu um chão de fábrica, nunca conheceu o trabalho, não sabe o que é uma
carteira profissional”, disse.
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Presidente afirma que não abandonará o Brasil
Na
parte final da gravação, Lula adotou um discurso de mobilização eleitoral e
afirmou que pretende continuar defendendo seu projeto político. O presidente
também associou a disputa presidencial à manutenção dos avanços que atribui ao
seu governo e à posição internacional do Brasil.
“Então,
companheiros e companheiras, é o seguinte: a luta continua. Vamos ganhar essas
eleições. Vamos ganhar essas eleições, porque o Brasil não pode ser jogado para
trás”, declarou.
Em
seguida, Lula reforçou sua disposição de permanecer na disputa e convocou seus
apoiadores a participarem da votação.
“Eu não
vou abandonar esse país e vocês também não”, concluiu o presidente.
As
declarações foram feitas após o primeiro debate entre os candidatos no segundo
turno da eleição presidencial, em um momento de intensificação do confronto
político entre Lula e Flávio Bolsonaro.
• Flávio Playboy: arrogância, falta de
transparência e o risco de entregar o Brasil a quem foge de explicações. Por
Francisco Calmon
Flávio
Bolsonaro se comportou como um playboy arrogante, pretensioso, constrangedor e
desrespeitoso, tanto com seu debatedor quanto com as regras do debate.
Intimidador, tratou a responsabilidade de governar uma nação como se fosse uma
brincadeira, enquanto transforma a própria imagem em espetáculo, com dancinhas
e encenações para as redes sociais. Mas governar o Brasil não é fazer dancinha:
é assumir responsabilidades, respeitar a Constituição e prestar contas à
população.
Sua
reação ao desafio de Lula para abrir os sigilos bancário e telefônico e
esclarecer a origem de seu patrimônio revelou a real intenção de sua
candidatura, dobrar os esquemas no qual ele e sua família estão inseridos,
continuar a expandir seu patrimônio sem esclarecer como e entregar o Brasil de bandeja para Trump.
Ao não
aceitar expressamente a proposta nos termos apresentados, Flávio deixou uma
pergunta incontornável: por que não assumir o compromisso público com a
transparência? A publicidade e a transparência são princípios constitucionais
da administração pública, previstos no artigo 37 da Constituição. Embora isso
não signifique que todo candidato seja automaticamente obrigado a divulgar suas
contas bancárias privadas, quem pretende governar o país precisa compreender
que a confiança pública exige explicações, coerência e responsabilidade.
Flávio
lembra Fernando Collor, cuja passagem pela Presidência terminou em impeachment,
em meio a denúncias de corrupção. A comparação serve de alerta político: o
Brasil já pagou caro por apostar em figuras vendidas como solução, mas cercadas
de controvérsias. No caso de Flávio, as investigações e controvérsias
envolvendo suspeitas de rachadinha, evolução patrimonial e relações políticas
precisam ser tratadas com seriedade, sem que a lentidão dos processos substitua
o esclarecimento dos fatos. Também é necessário examinar as relações políticas
que vêm sendo questionadas publicamente, inclusive aquelas envolvendo
milicianos e redes de desinformação.
Não
podemos normalizar a falta de transparência nem aceitar que o debate público
seja reduzido a provocações, intimidação e encenação. O Brasil precisa de
respostas, não de performances. Se Flávio afirma não ter nada a esconder, que
considere autorizar formalmente o acesso às informações bancárias pertinentes e
esclareça a origem e a evolução de seu patrimônio perante as autoridades
competentes.
Flávio,
o Brasil quer respostas. Quem pretende governar uma nação precisa estar
disposto a prestar contas. Transparência não é favor: é compromisso com a
democracia.
Ao não
aceitar abrir o seu sigilo bancário e telefônico Flávio passa recibo de que têm
a temer, de que tem muito a esconder.
Fonte:
Brasil 247

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