quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Lula fez 16 afirmações verdadeiras e Flávio Bolsonaro contou 10 mentiras no debate da Band

 O presidente Lula (PT), candidato à reeleição, fez 16 afirmações verdadeiras e teve apenas duas declarações consideradas falsas durante o debate promovido pela Band no domingo (18), enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) contou 10 mentiras e teve apenas duas falas corretas ao longo do confronto. O levantamento com a checagem em tempo real das declarações prestadas pelos postulantes ao Palácio do Planalto foi realizado e divulgado pela agência Aos Fatos.

De acordo com o placar final divulgado pela checagem, Lula obteve 16 declarações classificadas como “Verdadeiro”, cinco como “Não é bem assim” e duas classificadas como “Falso”. Por outro lado, Flávio Bolsonaro registrou dez declarações classificadas como “Falso”, nove no selo “Não é bem assim” e obteve apenas dois acertos classificados como “Verdadeiro”.

A checagem apontou que Flávio Bolsonaro acumulou uma série de alegações incorretas ou distorcidas durante o debate. O candidato mentiu ao afirmar que o “Careca do INSS” teria feito parte do governo Lula, assim como mentiu ao declarar que não há investigações contra o filho de Lula pela fraude do INSS. Também é falso que a criminalidade tenha explodido no país ou que o atual governo seja recordista em criminalidade, além de ser inverídica a afirmação de que Lula e Janja teriam gasto R$ 7 bilhões em viagens.

O senador do PL voltou a mentir ao declarar que somente a bancada do PT apresentou emendas para flexibilizar as regras de controle dos descontos do INSS e que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), teria sido o responsável por prender Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Flávio também inventou que houve um recorde de empresas fechadas na atual gestão, que o governo Lula não tomou providências sobre o tarifaço imposto pelos Estados Unidos, que o presidente teria ido ao país norte-americano para defender organizações criminosas e que a gestão do PT consideraria que agressores sexuais de crianças seriam apenas doentes e não criminosos.

Além das mentiras diretas, Flávio Bolsonaro teve nove declarações no selo “Não é bem assim”. O candidato disse que o governo atual coloca marginais perigosos nas ruas e alegou incorretamente que a taxa de juros caiu 2% por ter ficado à frente no primeiro turno. Ele distorceu dados ao reiterar que 73% dos presidiários votaram em Lula e ao atribuir ao governo o recorde de mulheres assassinadas, fato ocorrido por conta de melhorias na qualidade dos registros. Flávio também omitiu seu apoio a projetos de lei para retirar a numeração de munições de forças de segurança, prometeu criar um prontuário eletrônico único que já existe no país, deu declarações imprecisas sobre a vacinação de Lula com imunizantes comprados na gestão anterior, omitiu que os brasileiros já podem vender produtos pela internet de suas casas e sugeriu incorretamente que os roubos de celular não teriam caído, quando na verdade diminuíram.

Entre os raros pontos em que o parlamentar esteve correto, o Aos Fatos registrou apenas duas afirmações verdadeiras: a indicação de que o atual governo deixa uma dívida de R$ 11 trilhões e o apontamento do recorde de mulheres espancadas.

Já a participação de Lula no debate da Band destacou-se por um alto índice de precisão factual, alcançando 16 afirmações verdadeiras. O presidente acertou ao citar que a Constituição de 1988 estabeleceu a segurança pública como responsabilidade dos Estados, mas fixou princípios para forças federais, e ao pontuar a aprovação da Lei Antifacção enviada ao Legislativo para aumentar penas de integrantes de facções. Lula também acertou fatos históricos e econômicos, lembrando que foi o primeiro presidente a obter dois graus de investimento (entre 2007 e 2010), que o PIB cresceu 7,5% em 2010, que sua gestão criou o MEI (que hoje soma 17,5 milhões de registros), que quitou a dívida com o FMI, deixou R$ 270 bilhões em reservas e bancarizou 22 milhões de brasileiros.

Em termos de embate direto e histórico legislativo, Lula acertou ao destacar que Flávio Bolsonaro votou sozinho contra a ampliação da licença-maternidade em 2009, quando era deputado estadual no Rio de Janeiro. O presidente também acertou ao informar que a PF e a CGU desarticularam esquemas de descontos indevidos no INSS, que o governo devolveu mais de R$ 3,5 bilhões a aposentados afetados, que Flávio ganha o mesmo salário que ele, que o senador defendeu no Senado a retirada de marcação de munições e que Jair Bolsonaro (PL) liberou mais de um milhão de armas e adquiriu 1,1 bilhão de munições. Lula lembrou ainda com precisão que a inflação dos alimentos atingiu 56,17% sob Bolsonaro, frente a 13% em sua gestão atual, e acertou ao indicar que, até setembro de 2026, o Aos Fatos contabilizou 43 mentiras contadas por Flávio.

Nas duas únicas declarações classificadas como falsas, Lula disse erroneamente que o país só voltou a crescer acima de 3% após a sua volta ao Planalto e afirmou que o governo ou todos os governos do PT realizaram a maior demarcação de terras indígenas do país.

Lula também teve cinco declarações checadas na categoria “Não é bem assim”: quando atribuiu a si a prisão de Daniel Vorcaro; ao citar que a Polícia Federal investiga seu filho; ao declarar que nenhum condenado do chamado ‘Mensalão’ integra o governo atual; ao mencionar a compra de uma casa por Flávio, errando o valor de R$ 10 milhões para o preço correto de R$ 6 milhões (sendo R$ 3,1 milhões financiados pelo BRB); e ao expor a interferência do senador para evitar a prisão do policial envolvido na morte da criança Ana Clara.

•        Lula critica debate da Band: ”eu me senti muito incomodado de debater com miliciano”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez duras críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após o debate presidencial realizado pela TV Bandeirantes no domingo (18). Em vídeo divulgado nesta segunda-feira (19) em seu canal no WhatsApp, Lula afirmou ter se sentido incomodado ao enfrentar o adversário, a quem chamou de “miliciano” e acusou de recorrer a mentiras durante o confronto eleitoral.

“Eu me senti muito incomodado em participar de um debate com o miliciano, uma pessoa desqualificada, e que não é possível tirar dele uma única meia verdade, porque ele foi preparado para mentir, foi preparado para desrespeitar a sabedoria do povo brasileiro. O povo brasileiro não merece isso”, declarou o presidente.

Antes de criticar Flávio Bolsonaro, Lula ressaltou sua experiência em negociações e debates com lideranças políticas nacionais e internacionais. O presidente citou encontros com dirigentes como Donald Trump, George W. Bush, Bill Clinton, Barack Obama, Vladimir Putin e Emmanuel Macron para contrastar sua trajetória com a experiência do adversário.

“Eu já conversei com muita gente, já negociei com muita gente, já debati com muita gente”, afirmou.

<><> Lula destaca recuperação econômica e critica trajetória de Flávio

Na sequência, o presidente defendeu os resultados de suas administrações e afirmou que encontrou o país em dificuldades econômicas tanto ao assumir seu primeiro mandato, em 2003, quanto ao retornar ao Palácio do Planalto.

“Veja, eu peguei o Brasil quebrado em 2003, fiz o Brasil se transformar na sétima economia em 2010. Agora pegamos outra vez o Brasil quebrado, totalmente quebrado, sem ministério, sem farmácia popular, sem merenda escolar”, declarou.

Lula também destacou indicadores econômicos que considera positivos, como inflação e massa salarial, mas reconheceu que a pobreza continua sendo um desafio para o país.

“Recuperamos o Brasil, temos a menor inflação, temos a maior massa salarial, mas ainda o povo está na miséria. E para fazer mais é preciso alguém que tenha competência para fazer”, afirmou.

O presidente passou então a questionar a experiência profissional e a proximidade de Flávio Bolsonaro com a realidade dos trabalhadores brasileiros. Na avaliação de Lula, o adversário não possui vivência suficiente das condições enfrentadas pela população.

“Não pode acreditar numa pessoa que nunca entrou de ônibus, uma pessoa que nunca conheceu um chão de fábrica, nunca conheceu o trabalho, não sabe o que é uma carteira profissional”, disse.

<><> Presidente afirma que não abandonará o Brasil

Na parte final da gravação, Lula adotou um discurso de mobilização eleitoral e afirmou que pretende continuar defendendo seu projeto político. O presidente também associou a disputa presidencial à manutenção dos avanços que atribui ao seu governo e à posição internacional do Brasil.

“Então, companheiros e companheiras, é o seguinte: a luta continua. Vamos ganhar essas eleições. Vamos ganhar essas eleições, porque o Brasil não pode ser jogado para trás”, declarou.

Em seguida, Lula reforçou sua disposição de permanecer na disputa e convocou seus apoiadores a participarem da votação.

“Eu não vou abandonar esse país e vocês também não”, concluiu o presidente.

As declarações foram feitas após o primeiro debate entre os candidatos no segundo turno da eleição presidencial, em um momento de intensificação do confronto político entre Lula e Flávio Bolsonaro.

•        Flávio Playboy: arrogância, falta de transparência e o risco de entregar o Brasil a quem foge de explicações. Por Francisco Calmon

Flávio Bolsonaro se comportou como um playboy arrogante, pretensioso, constrangedor e desrespeitoso, tanto com seu debatedor quanto com as regras do debate. Intimidador, tratou a responsabilidade de governar uma nação como se fosse uma brincadeira, enquanto transforma a própria imagem em espetáculo, com dancinhas e encenações para as redes sociais. Mas governar o Brasil não é fazer dancinha: é assumir responsabilidades, respeitar a Constituição e prestar contas à população.

Sua reação ao desafio de Lula para abrir os sigilos bancário e telefônico e esclarecer a origem de seu patrimônio revelou a real intenção de sua candidatura, dobrar os esquemas no qual ele e sua família estão inseridos, continuar a expandir seu patrimônio sem esclarecer como e  entregar o Brasil de bandeja para Trump.

Ao não aceitar expressamente a proposta nos termos apresentados, Flávio deixou uma pergunta incontornável: por que não assumir o compromisso público com a transparência? A publicidade e a transparência são princípios constitucionais da administração pública, previstos no artigo 37 da Constituição. Embora isso não signifique que todo candidato seja automaticamente obrigado a divulgar suas contas bancárias privadas, quem pretende governar o país precisa compreender que a confiança pública exige explicações, coerência e responsabilidade.

Flávio lembra Fernando Collor, cuja passagem pela Presidência terminou em impeachment, em meio a denúncias de corrupção. A comparação serve de alerta político: o Brasil já pagou caro por apostar em figuras vendidas como solução, mas cercadas de controvérsias. No caso de Flávio, as investigações e controvérsias envolvendo suspeitas de rachadinha, evolução patrimonial e relações políticas precisam ser tratadas com seriedade, sem que a lentidão dos processos substitua o esclarecimento dos fatos. Também é necessário examinar as relações políticas que vêm sendo questionadas publicamente, inclusive aquelas envolvendo milicianos e redes de desinformação.

Não podemos normalizar a falta de transparência nem aceitar que o debate público seja reduzido a provocações, intimidação e encenação. O Brasil precisa de respostas, não de performances. Se Flávio afirma não ter nada a esconder, que considere autorizar formalmente o acesso às informações bancárias pertinentes e esclareça a origem e a evolução de seu patrimônio perante as autoridades competentes.

Flávio, o Brasil quer respostas. Quem pretende governar uma nação precisa estar disposto a prestar contas. Transparência não é favor: é compromisso com a democracia.

Ao não aceitar abrir o seu sigilo bancário e telefônico Flávio passa recibo de que têm a temer, de que tem muito a esconder.

 

Fonte: Brasil 247

 

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