segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Esmael Morais: Aliados de Flávio Bolsonaro temem “bala de prata” de Lula

Apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL) temem que uma “bala de prata” favoreça o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na reta final do segundo turno. Segundo o relato levado ao Blog do Esmael, a preocupação convive com a confiança desse grupo de que os votos do candidato bolsonarista estariam consolidados.

Na avaliação desses apoiadores, Flávio Bolsonaro poderia terminar a disputa com vantagem de dois pontos percentuais. Trata-se de uma expectativa política do grupo, sem levantamento apresentado que sustente esse placar, e não de uma projeção do resultado eleitoral.

No vocabulário das campanhas, “bala de prata” é uma revelação ou um acontecimento de grande impacto capaz de mudar o rumo da disputa. A expressão traduz a aposta em um episódio que provoque desgaste no adversário e alcance eleitores que resistiram aos ataques anteriores.

O temor relatado inclui a hipótese de uma megaoperação da Polícia Federal (PF) no início da semana. Não há, nas informações apresentadas ao Blog, documento, anúncio ou outro elemento que confirme essa possibilidade. Também não há evidência de articulação entre a campanha de Lula e uma eventual ação policial.

A suspeita, portanto, permanece no terreno da especulação. O fato de operações policiais não serem antecipadas publicamente não serve como confirmação de que alguma esteja preparada, muito menos de que teria finalidade eleitoral.

A leitura desses apoiadores contém uma tensão: eles consideram o voto em Flávio Bolsonaro resistente ao desgaste, mas receiam um acontecimento capaz de romper essa estabilidade. A confiança em uma vitória apertada vem acompanhada do medo de perder o controle da agenda na reta final.

Do lado petista, a descrição pública é outra. Apuração do Blog do Esmael aponta que a campanha de Lula considera a eleição indefinida e não trata nenhuma das frentes de disputa como uma “bala de prata”. Essa avaliação tampouco permite confirmar ou descartar acontecimentos futuros.

O dado político desse bastidor é o receio relatado entre apoiadores de Flávio Bolsonaro. Transformá-lo em notícia sobre uma operação já marcada, ou em acusação de uso eleitoral da PF, exigiria provas que não foram apresentadas.

•        O tiroteio à espera de Flávio Bolsonaro. Por Moisés Mendes

Um estagiário do marketing do PL não teria dificuldades para selecionar os piores momentos de Flávio Bolsonaro na entrevista a Renata Lo Prete, no Jornal Nacional. Dos 40 minutos, 80% têm os piores momentos, mesmo que, sob o ponto de vista da extrema direita, possam ter sido lacradores e bons para cortes.

O estagiário apresentaria o levantamento aos líderes do bolsonarismo e eles diriam o seguinte: esses não são os piores, mas os melhores momentos. E assim teríamos, dentro do próprio PL, alguns incrédulos achando que a entrevista foi um desastre, e os chefões comemorando o que teria sido um sucesso. Como Tarcísio de Freitas comemorou.

Mas a velha direita, a direita comida pela jiboia do bolsonarismo este ano, mas que continua com a cabeça de fora, essa direita antiga, que abarca todo o centrão, sabe que a entrevista foi desastrosa. Flávio vai divulgar os cortes na propaganda, os tios do zap já estão disseminando suas lacrações, mas no conjunto a conversa foi precária.

O pessoal do não-é-bem-assim vai dizer que uma entrevista nunca é metabolizada pelo eleitor médio, que decide só dar uma espiada, e que ideias, encadeamentos, argumentação e coerência não contam numa hora dessas. É o que mais se repete: uma entrevista não vale quase nada hoje, quando os votos estão quase decididos.

Dito de outra forma, não serão as virtudes, os dribles e as barbeiragens de Flávio e Lula, nesse tipo de programa na TV, que irão provocar alterações substanciais nas preferências eleitorais, e logo agora a uma semana da eleição.

O problema é que o corte que favorece Flávio, que falava olhando para a câmera (para o eleitor) e não para a entrevistadora, também pode ser um corte contra ele. E o corte mais devastador é o que circula desde a noite de sexta-feira, sobre a história do “detalhezinho” da identificação das munições que vão parar nas mãos dos bandidos.

Renata Lo Prete fez a pergunta que, pelo que sei, nunca ninguém havia feito daquela forma a Flávio Bolsonaro. Por que o senhor apoiou um projeto de lei que retira de munições usadas pelas forças de segurança as identificações que as definem como equipamentos de Estado, de instituições do governo?

O projeto é criação de Jair Bolsonaro, com aval de Flávio, e está numa gaveta do Senado desde 2019. Não avança por ser absurdo demais até para parte da direita ainda com escrúpulos. Flávio Bolsonaro apadrinhou e ajudou a radicalizar a ideia do pai no Senado.

Jair Bolsonaro queria impedir ou dificultar controles de armas. Um grupo da extrema direita foi adiante na Câmara e decidiu revogar integralmente o artigo 23 do Estatuto do Desarmamento. Seriam eliminadas as marcas identificadoras das munições, para que cápsulas de balas usadas por forças de segurança, que caem nas mãos dos bandidos, não pudessem mais ser rastreadas.

O que mais eles queriam? Tornar impossível o rastreamento de munições usadas em chacinas, com ou sem participação de policiais? Permitir que ‘colecionadores’ de armas e clubes de tiro usassem essas munições sem controle? Facilitar a vida do crime organizado e de milicianos?

Flávio não respondeu por que apoiou o projeto e se referiu à proposta sobre a eliminação da identificação dos cartuchos como “detalhezinho”. O que isso pode interferir na decisão de quem ainda vacila sobre sua escolha no segundo turno? Se as entrevistas e o debate deste domingo na Bandeirantes não interferem, qual seria o sentido desses embates?

Se uma entrevista desastrada não interfere em nada, mesmo que reafirme a cumplicidade do sujeito com quem usa munição das polícias. Se um debate em que ele pode ser massacrado por Lula não tem o poder de mudar voto. E se a uma semana da eleição as coisas continuarão imutáveis, as entrevistas e o debate seriam inúteis num jogo jogado.

Não teria efeito algum nem o fato de que, pela primeira vez no jornalismo brasileiro, uma entrevistadora alertou um candidato a presidente da República de que ele deveria parar de argumentar a partir de fatos não comprovados, ou seja, não com base em ilações, mas em fake news.

As mentiras e a história dos cartuchos sem marcação expuseram a farsa do discurso do sujeito de que seu governo vai caçar bandidos e enquadrar o crime organizado como estrutura terrorista. Mas não os que usam balas sem marcação.

O estagiário do PL, os chefes do partido, os marqueteiros e Flávio Bolsonaro podem fazer as contas do que ganharam e do que podem perder com os cortes das lacrações produzidas na entrevista. Não ganharão sempre.

E precisam se preparar para o duelo que vai acontecer na Bandeirantes no domingo, agora com Lula, e não com Renata Lo Prete. O terrivelmente despreparado Flávio Bolsonaro vai para um tiroteio que nunca enfrentou.

•        O maior insulto de Flávio Bolsonaro. Por Eduardo Guimarães

“O insulto é a razão de quem não tem razão.” — Francisco de Quevedo

Ó afronta malvada proferida pelos infames, tens o condão de ferver o sangue nas veias, fazer a mão fechar sob ímpeto de confrontação, mas cede diante da pequenez do agressor.

Temia assistir à sabatina de Flávio Bolsonaro na Globo. Tinha a certeza de que me afrontaria com mentiras e as conhecidas e surradas “Táticas Maluf”.

Comparar essa irrelevância rastejante ao inesquecível ícone das direitas dos Anos de Chumbo, o “doutor Paulo”, porém, ultrapassa a fronteira do bom senso.

Lembrei-me do verbo “malufar” ao ouvir, do presidente Lula, uma frase sobre a saudade que tinha de debater com Brizola, Fernando Henrique Cardoso, José Serra e até com Maluf.

Sim, eram debates inteligentes, regados a ironias e tiradas espetaculares. Hoje, insultos proferidos em português de sarjeta, ao rés do chão.

>>> O Brasil foi insultado gravemente na noite anterior. Senão, vejamos:

1 – Flávio Bolsonaro mentiu ao negar que a sua campanha já prometeu planos de privatizar estatais

2 – Tentou enganar o público ao dizer que a exploração do petróleo na margem equatorial poderia trazer mais de R$ 100 bilhões agora, sem estudos

3 – Flávio mentiu ao dizer que a produtora de “Dark Horse” prestou contas de todos os gastos; PF a investiga justamente por não prestar contas

4 – Não é possível afirmar que os repasses de Vorcaro para o filme sejam um dinheiro totalmente lícito, como disse Flávio. Há provas de que o dinheiro sumiu

5 – Não é verdade que a PF confirmou a veracidade de um suposto áudio em que Vorcaro diz ter financiado um documentário sobre Lula

6 – É falso que a tentativa de golpe em 8 de janeiro de 2023 tenha se limitado à invasão de prédios públicos; teve até planos de assassinato do presidente

7 – Não é verdade que o atual governo seja recordista em criminalidade

8 – É mentira que, no governo Lula, houve recorde de empresas fechadas

9 – Tampouco o Brasil é recordista em firmas que trocaram o país pelo Paraguai

10 – Flávio Dino jamais entrou sem escolta em qualquer favela do Rio ou em qualquer outra

11 – A Constituição não prevê o direito à legítima defesa, diferentemente do que afirmou Flávio Bolsonaro

12 – É absurdo afirmar que o Estatuto do Desarmamento permite que criminosos comprem armas de guerra

13 – O candidato da extrema-direita prometeu criar “prontuário único eletrônico” com informações de saúde de doentes, mas isso já existe

Parei no 13 por razões óbvias – não resisti, pois Flávio contou ainda mais mentiras nos míseros 40 minutos da entrevista.

Flávio insultou a inteligência de muitos, mas insulto maior foi contra os que o apoiam, pois mente assim na certeza de que são tolos o bastante para acreditarem em algo que diz.

•        Elias Jabbour: ‘Flávio Bolsonaro quer um Brasil submisso aos EUA; Lula, o oposto’

O deputado federal eleito pelo Rio de Janeiro Elias Jabbour (PCdoB) afirmou, em entrevista ao Boa Noite 247, que a disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) representa um confronto entre dois projetos de inserção do Brasil no cenário internacional. Segundo ele, enquanto Lula defende uma política externa baseada no multilateralismo e na autonomia das relações diplomáticas e comerciais, Flávio Bolsonaro propõe um alinhamento aos interesses dos Estados Unidos que pode comprometer a soberania brasileira.

“O Flávio Bolsonaro é, pela primeira vez, o candidato que fala abertamente ser pró-Estados Unidos”, declarou Jabbour. Para o deputado eleito, a posição do candidato do PL não se limita à aproximação diplomática com Washington, mas envolve compromissos que poderiam subordinar decisões estratégicas do Brasil à política externa norte-americana.

Jabbour mencionou declarações de Flávio Bolsonaro durante uma viagem a Dallas, nos Estados Unidos, quando, segundo seu relato, o candidato apresentou o Brasil como uma alternativa para reduzir a dependência norte-americana em relação às terras raras chinesas. Na avaliação do parlamentar eleito, esse posicionamento revela a disposição de colocar recursos brasileiros a serviço de uma estratégia geopolítica definida por Washington.

“Ele ofereceu um governo de transição aos Estados Unidos, ele comemorou tarifa e esteve com o Trump sentado numa posição de subserviência total”, afirmou. Jabbour também criticou a disposição atribuída a Flávio de integrar uma iniciativa de segurança hemisférica associada ao governo norte-americano, interpretando a proposta como parte de uma reorganização das relações políticas na América Latina sob influência dos Estados Unidos.

Para o deputado eleito, o conjunto dessas posições aponta para um modelo de política externa que reduziria a capacidade do Brasil de estabelecer prioridades próprias nas relações internacionais. “Ele é a subserviência total e é uma ameaça claramente neocolonial para o Brasil, como nunca antes na história desse país”, declarou.

Na avaliação de Jabbour, a principal diferença entre os dois candidatos está na maneira como compreendem a posição brasileira diante das disputas entre as potências econômicas. Enquanto Flávio Bolsonaro tenderia a vincular o país à estratégia norte-americana, Lula buscaria preservar relações com diferentes centros de poder, sem transformar essas parcerias em compromissos de alinhamento automático.

“O Lula é o oposto, porque o Lula representa o multilateralismo, representa o Brasil que não cabe no quintal de ninguém”, afirmou.

O deputado eleito argumentou que a política externa conduzida por Lula demonstra a possibilidade de manter relações econômicas e diplomáticas com países que possuem interesses divergentes. Ele citou os vínculos comerciais com a China, o diálogo com os Estados Unidos, as negociações com a União Europeia e a ampliação das relações com países africanos e outras nações do Sul Global.

“O Lula trata tão bem com a China quanto com os Estados Unidos. O Lula não coloca os seus dois pés numa canoa só. Ele trata igual a todo mundo”, disse Jabbour, ao defender uma estratégia que permita ao Brasil negociar com diferentes parceiros sem comprometer sua capacidade de decisão.

Segundo ele, a relação entre Brasília e Washington durante o governo Lula demonstra que a defesa da soberania não significa necessariamente o rompimento com os Estados Unidos. Mesmo diante das pressões e medidas adotadas pelo governo de Donald Trump, Jabbour considera que Lula procurou manter os canais diplomáticos e comerciais, preservando a autonomia brasileira.

O parlamentar eleito ressaltou que o Brasil precisa estabelecer relações com as potências a partir de seus próprios interesses econômicos e políticos. Nesse sentido, a diversificação das parcerias internacionais seria um instrumento para ampliar a capacidade de negociação do país, evitando a dependência de um único centro de poder.

Essa diferença, segundo Jabbour, adquire importância diante da disputa entre Estados Unidos e China, que envolve mercados, investimentos, tecnologia e o controle de recursos naturais. Na interpretação do deputado eleito, um eventual governo Flávio Bolsonaro poderia transformar o Brasil em participante da estratégia norte-americana de contenção da influência chinesa, mesmo que isso contrariasse interesses comerciais brasileiros.

Jabbour considera que a política externa não pode ser tratada como uma questão separada do desenvolvimento nacional. As decisões sobre alianças internacionais, investimentos e acesso a mercados têm consequências sobre a capacidade do Brasil de financiar sua economia, ampliar sua indústria e preservar instrumentos de soberania.

Para ele, o risco de uma política de alinhamento automático está justamente em transferir para outro país a definição das prioridades brasileiras. Ao contrário, a estratégia defendida por Lula permitiria negociar com diferentes parceiros e utilizar essas relações para atender às necessidades nacionais.

“É uma agenda completamente diferente da agenda de Flávio Bolsonaro no que concerne à agenda internacional”, afirmou.

Ao concluir sua análise, Jabbour sustentou que a eleição presidencial envolve uma escolha sobre o papel que o Brasil pretende desempenhar no mundo. De um lado, segundo sua avaliação, estaria um projeto de alinhamento aos Estados Unidos; de outro, a continuidade de uma política externa voltada à diversificação de parcerias e à preservação da autonomia nacional.

Para o deputado federal eleito, a diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro ultrapassa o campo das relações diplomáticas e diz respeito à própria capacidade do Estado brasileiro de decidir seu futuro sem subordinação aos interesses de outras potências.

 

Fonte: Brasil 247

 

Nenhum comentário: