Esmael
Morais: Aliados de Flávio Bolsonaro temem “bala de prata” de Lula
Apoiadores
de Flávio Bolsonaro (PL) temem que uma “bala de prata” favoreça o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na reta final do segundo turno. Segundo o relato
levado ao Blog do Esmael, a preocupação convive com a confiança desse grupo de
que os votos do candidato bolsonarista estariam consolidados.
Na
avaliação desses apoiadores, Flávio Bolsonaro poderia terminar a disputa com
vantagem de dois pontos percentuais. Trata-se de uma expectativa política do
grupo, sem levantamento apresentado que sustente esse placar, e não de uma
projeção do resultado eleitoral.
No
vocabulário das campanhas, “bala de prata” é uma revelação ou um acontecimento
de grande impacto capaz de mudar o rumo da disputa. A expressão traduz a aposta
em um episódio que provoque desgaste no adversário e alcance eleitores que
resistiram aos ataques anteriores.
O temor
relatado inclui a hipótese de uma megaoperação da Polícia Federal (PF) no
início da semana. Não há, nas informações apresentadas ao Blog, documento,
anúncio ou outro elemento que confirme essa possibilidade. Também não há
evidência de articulação entre a campanha de Lula e uma eventual ação policial.
A
suspeita, portanto, permanece no terreno da especulação. O fato de operações
policiais não serem antecipadas publicamente não serve como confirmação de que
alguma esteja preparada, muito menos de que teria finalidade eleitoral.
A
leitura desses apoiadores contém uma tensão: eles consideram o voto em Flávio
Bolsonaro resistente ao desgaste, mas receiam um acontecimento capaz de romper
essa estabilidade. A confiança em uma vitória apertada vem acompanhada do medo
de perder o controle da agenda na reta final.
Do lado
petista, a descrição pública é outra. Apuração do Blog do Esmael aponta que a
campanha de Lula considera a eleição indefinida e não trata nenhuma das frentes
de disputa como uma “bala de prata”. Essa avaliação tampouco permite confirmar
ou descartar acontecimentos futuros.
O dado
político desse bastidor é o receio relatado entre apoiadores de Flávio
Bolsonaro. Transformá-lo em notícia sobre uma operação já marcada, ou em
acusação de uso eleitoral da PF, exigiria provas que não foram apresentadas.
• O tiroteio à espera de Flávio Bolsonaro.
Por Moisés Mendes
Um
estagiário do marketing do PL não teria dificuldades para selecionar os piores
momentos de Flávio Bolsonaro na entrevista a Renata Lo Prete, no Jornal
Nacional. Dos 40 minutos, 80% têm os piores momentos, mesmo que, sob o ponto de
vista da extrema direita, possam ter sido lacradores e bons para cortes.
O
estagiário apresentaria o levantamento aos líderes do bolsonarismo e eles
diriam o seguinte: esses não são os piores, mas os melhores momentos. E assim
teríamos, dentro do próprio PL, alguns incrédulos achando que a entrevista foi
um desastre, e os chefões comemorando o que teria sido um sucesso. Como
Tarcísio de Freitas comemorou.
Mas a
velha direita, a direita comida pela jiboia do bolsonarismo este ano, mas que
continua com a cabeça de fora, essa direita antiga, que abarca todo o centrão,
sabe que a entrevista foi desastrosa. Flávio vai divulgar os cortes na
propaganda, os tios do zap já estão disseminando suas lacrações, mas no
conjunto a conversa foi precária.
O
pessoal do não-é-bem-assim vai dizer que uma entrevista nunca é metabolizada
pelo eleitor médio, que decide só dar uma espiada, e que ideias, encadeamentos,
argumentação e coerência não contam numa hora dessas. É o que mais se repete:
uma entrevista não vale quase nada hoje, quando os votos estão quase decididos.
Dito de
outra forma, não serão as virtudes, os dribles e as barbeiragens de Flávio e
Lula, nesse tipo de programa na TV, que irão provocar alterações substanciais
nas preferências eleitorais, e logo agora a uma semana da eleição.
O
problema é que o corte que favorece Flávio, que falava olhando para a câmera
(para o eleitor) e não para a entrevistadora, também pode ser um corte contra
ele. E o corte mais devastador é o que circula desde a noite de sexta-feira,
sobre a história do “detalhezinho” da identificação das munições que vão parar
nas mãos dos bandidos.
Renata
Lo Prete fez a pergunta que, pelo que sei, nunca ninguém havia feito daquela
forma a Flávio Bolsonaro. Por que o senhor apoiou um projeto de lei que retira
de munições usadas pelas forças de segurança as identificações que as definem
como equipamentos de Estado, de instituições do governo?
O
projeto é criação de Jair Bolsonaro, com aval de Flávio, e está numa gaveta do
Senado desde 2019. Não avança por ser absurdo demais até para parte da direita
ainda com escrúpulos. Flávio Bolsonaro apadrinhou e ajudou a radicalizar a
ideia do pai no Senado.
Jair
Bolsonaro queria impedir ou dificultar controles de armas. Um grupo da extrema
direita foi adiante na Câmara e decidiu revogar integralmente o artigo 23 do
Estatuto do Desarmamento. Seriam eliminadas as marcas identificadoras das
munições, para que cápsulas de balas usadas por forças de segurança, que caem
nas mãos dos bandidos, não pudessem mais ser rastreadas.
O que
mais eles queriam? Tornar impossível o rastreamento de munições usadas em
chacinas, com ou sem participação de policiais? Permitir que ‘colecionadores’
de armas e clubes de tiro usassem essas munições sem controle? Facilitar a vida
do crime organizado e de milicianos?
Flávio
não respondeu por que apoiou o projeto e se referiu à proposta sobre a
eliminação da identificação dos cartuchos como “detalhezinho”. O que isso pode
interferir na decisão de quem ainda vacila sobre sua escolha no segundo turno?
Se as entrevistas e o debate deste domingo na Bandeirantes não interferem, qual
seria o sentido desses embates?
Se uma
entrevista desastrada não interfere em nada, mesmo que reafirme a cumplicidade
do sujeito com quem usa munição das polícias. Se um debate em que ele pode ser
massacrado por Lula não tem o poder de mudar voto. E se a uma semana da eleição
as coisas continuarão imutáveis, as entrevistas e o debate seriam inúteis num
jogo jogado.
Não
teria efeito algum nem o fato de que, pela primeira vez no jornalismo
brasileiro, uma entrevistadora alertou um candidato a presidente da República
de que ele deveria parar de argumentar a partir de fatos não comprovados, ou
seja, não com base em ilações, mas em fake news.
As
mentiras e a história dos cartuchos sem marcação expuseram a farsa do discurso
do sujeito de que seu governo vai caçar bandidos e enquadrar o crime organizado
como estrutura terrorista. Mas não os que usam balas sem marcação.
O
estagiário do PL, os chefes do partido, os marqueteiros e Flávio Bolsonaro
podem fazer as contas do que ganharam e do que podem perder com os cortes das
lacrações produzidas na entrevista. Não ganharão sempre.
E
precisam se preparar para o duelo que vai acontecer na Bandeirantes no domingo,
agora com Lula, e não com Renata Lo Prete. O terrivelmente despreparado Flávio
Bolsonaro vai para um tiroteio que nunca enfrentou.
• O maior insulto de Flávio Bolsonaro. Por
Eduardo Guimarães
“O
insulto é a razão de quem não tem razão.” — Francisco de Quevedo
Ó
afronta malvada proferida pelos infames, tens o condão de ferver o sangue nas
veias, fazer a mão fechar sob ímpeto de confrontação, mas cede diante da
pequenez do agressor.
Temia
assistir à sabatina de Flávio Bolsonaro na Globo. Tinha a certeza de que me
afrontaria com mentiras e as conhecidas e surradas “Táticas Maluf”.
Comparar
essa irrelevância rastejante ao inesquecível ícone das direitas dos Anos de
Chumbo, o “doutor Paulo”, porém, ultrapassa a fronteira do bom senso.
Lembrei-me
do verbo “malufar” ao ouvir, do presidente Lula, uma frase sobre a saudade que
tinha de debater com Brizola, Fernando Henrique Cardoso, José Serra e até com
Maluf.
Sim,
eram debates inteligentes, regados a ironias e tiradas espetaculares. Hoje,
insultos proferidos em português de sarjeta, ao rés do chão.
>>>
O Brasil foi insultado gravemente na noite anterior. Senão, vejamos:
1 –
Flávio Bolsonaro mentiu ao negar que a sua campanha já prometeu planos de
privatizar estatais
2 –
Tentou enganar o público ao dizer que a exploração do petróleo na margem
equatorial poderia trazer mais de R$ 100 bilhões agora, sem estudos
3 –
Flávio mentiu ao dizer que a produtora de “Dark Horse” prestou contas de todos
os gastos; PF a investiga justamente por não prestar contas
4 – Não
é possível afirmar que os repasses de Vorcaro para o filme sejam um dinheiro
totalmente lícito, como disse Flávio. Há provas de que o dinheiro sumiu
5 – Não
é verdade que a PF confirmou a veracidade de um suposto áudio em que Vorcaro
diz ter financiado um documentário sobre Lula
6 – É
falso que a tentativa de golpe em 8 de janeiro de 2023 tenha se limitado à
invasão de prédios públicos; teve até planos de assassinato do presidente
7 – Não
é verdade que o atual governo seja recordista em criminalidade
8 – É
mentira que, no governo Lula, houve recorde de empresas fechadas
9 –
Tampouco o Brasil é recordista em firmas que trocaram o país pelo Paraguai
10 –
Flávio Dino jamais entrou sem escolta em qualquer favela do Rio ou em qualquer
outra
11 – A
Constituição não prevê o direito à legítima defesa, diferentemente do que
afirmou Flávio Bolsonaro
12 – É
absurdo afirmar que o Estatuto do Desarmamento permite que criminosos comprem
armas de guerra
13 – O
candidato da extrema-direita prometeu criar “prontuário único eletrônico” com
informações de saúde de doentes, mas isso já existe
Parei
no 13 por razões óbvias – não resisti, pois Flávio contou ainda mais mentiras
nos míseros 40 minutos da entrevista.
Flávio
insultou a inteligência de muitos, mas insulto maior foi contra os que o
apoiam, pois mente assim na certeza de que são tolos o bastante para
acreditarem em algo que diz.
• Elias Jabbour: ‘Flávio Bolsonaro quer um
Brasil submisso aos EUA; Lula, o oposto’
O
deputado federal eleito pelo Rio de Janeiro Elias Jabbour (PCdoB) afirmou, em
entrevista ao Boa Noite 247, que a disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula
da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) representa um confronto entre dois
projetos de inserção do Brasil no cenário internacional. Segundo ele, enquanto
Lula defende uma política externa baseada no multilateralismo e na autonomia
das relações diplomáticas e comerciais, Flávio Bolsonaro propõe um alinhamento
aos interesses dos Estados Unidos que pode comprometer a soberania brasileira.
“O
Flávio Bolsonaro é, pela primeira vez, o candidato que fala abertamente ser
pró-Estados Unidos”, declarou Jabbour. Para o deputado eleito, a posição do
candidato do PL não se limita à aproximação diplomática com Washington, mas
envolve compromissos que poderiam subordinar decisões estratégicas do Brasil à
política externa norte-americana.
Jabbour
mencionou declarações de Flávio Bolsonaro durante uma viagem a Dallas, nos
Estados Unidos, quando, segundo seu relato, o candidato apresentou o Brasil
como uma alternativa para reduzir a dependência norte-americana em relação às
terras raras chinesas. Na avaliação do parlamentar eleito, esse posicionamento
revela a disposição de colocar recursos brasileiros a serviço de uma estratégia
geopolítica definida por Washington.
“Ele
ofereceu um governo de transição aos Estados Unidos, ele comemorou tarifa e
esteve com o Trump sentado numa posição de subserviência total”, afirmou.
Jabbour também criticou a disposição atribuída a Flávio de integrar uma
iniciativa de segurança hemisférica associada ao governo norte-americano,
interpretando a proposta como parte de uma reorganização das relações políticas
na América Latina sob influência dos Estados Unidos.
Para o
deputado eleito, o conjunto dessas posições aponta para um modelo de política
externa que reduziria a capacidade do Brasil de estabelecer prioridades
próprias nas relações internacionais. “Ele é a subserviência total e é uma
ameaça claramente neocolonial para o Brasil, como nunca antes na história desse
país”, declarou.
Na
avaliação de Jabbour, a principal diferença entre os dois candidatos está na
maneira como compreendem a posição brasileira diante das disputas entre as
potências econômicas. Enquanto Flávio Bolsonaro tenderia a vincular o país à
estratégia norte-americana, Lula buscaria preservar relações com diferentes
centros de poder, sem transformar essas parcerias em compromissos de
alinhamento automático.
“O Lula
é o oposto, porque o Lula representa o multilateralismo, representa o Brasil
que não cabe no quintal de ninguém”, afirmou.
O
deputado eleito argumentou que a política externa conduzida por Lula demonstra
a possibilidade de manter relações econômicas e diplomáticas com países que
possuem interesses divergentes. Ele citou os vínculos comerciais com a China, o
diálogo com os Estados Unidos, as negociações com a União Europeia e a
ampliação das relações com países africanos e outras nações do Sul Global.
“O Lula
trata tão bem com a China quanto com os Estados Unidos. O Lula não coloca os
seus dois pés numa canoa só. Ele trata igual a todo mundo”, disse Jabbour, ao
defender uma estratégia que permita ao Brasil negociar com diferentes parceiros
sem comprometer sua capacidade de decisão.
Segundo
ele, a relação entre Brasília e Washington durante o governo Lula demonstra que
a defesa da soberania não significa necessariamente o rompimento com os Estados
Unidos. Mesmo diante das pressões e medidas adotadas pelo governo de Donald
Trump, Jabbour considera que Lula procurou manter os canais diplomáticos e
comerciais, preservando a autonomia brasileira.
O
parlamentar eleito ressaltou que o Brasil precisa estabelecer relações com as
potências a partir de seus próprios interesses econômicos e políticos. Nesse
sentido, a diversificação das parcerias internacionais seria um instrumento
para ampliar a capacidade de negociação do país, evitando a dependência de um
único centro de poder.
Essa
diferença, segundo Jabbour, adquire importância diante da disputa entre Estados
Unidos e China, que envolve mercados, investimentos, tecnologia e o controle de
recursos naturais. Na interpretação do deputado eleito, um eventual governo
Flávio Bolsonaro poderia transformar o Brasil em participante da estratégia
norte-americana de contenção da influência chinesa, mesmo que isso contrariasse
interesses comerciais brasileiros.
Jabbour
considera que a política externa não pode ser tratada como uma questão separada
do desenvolvimento nacional. As decisões sobre alianças internacionais,
investimentos e acesso a mercados têm consequências sobre a capacidade do
Brasil de financiar sua economia, ampliar sua indústria e preservar
instrumentos de soberania.
Para
ele, o risco de uma política de alinhamento automático está justamente em
transferir para outro país a definição das prioridades brasileiras. Ao
contrário, a estratégia defendida por Lula permitiria negociar com diferentes
parceiros e utilizar essas relações para atender às necessidades nacionais.
“É uma
agenda completamente diferente da agenda de Flávio Bolsonaro no que concerne à
agenda internacional”, afirmou.
Ao
concluir sua análise, Jabbour sustentou que a eleição presidencial envolve uma
escolha sobre o papel que o Brasil pretende desempenhar no mundo. De um lado,
segundo sua avaliação, estaria um projeto de alinhamento aos Estados Unidos; de
outro, a continuidade de uma política externa voltada à diversificação de
parcerias e à preservação da autonomia nacional.
Para o
deputado federal eleito, a diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro ultrapassa o
campo das relações diplomáticas e diz respeito à própria capacidade do Estado
brasileiro de decidir seu futuro sem subordinação aos interesses de outras
potências.
Fonte:
Brasil 247

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