segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Quem está votando na extrema-direita na América Latina?

A guinada para a extrema-direita está se impondo na América Latina. O ciclo progressista parece estar se esgotando para dar origem não só a uma direita generalizada, mas a uma espécie de fascistização cada vez mais pronunciada. Esta mudança para uma extrema direita com conotações fascistas ou fascistoides é parcialmente atribuível a fatores externos, como a interferência israelita e estadunidense, mas a interferência não é suficiente para explicar porque é que milhões de eleitores latino-americanos estejam preferindo a atual extrema-direita a projetos da esquerda popular, reformista, social-democrata e nacional-popular.

A atual guinada parece obedecer não a um único fator explicativo, mas a múltiplas causas estruturais e conjunturais que motivam de forma diferente os vários eleitores de extrema-direita. Considerar estes sujeitos em sua diversidade pode ajudar-nos a compreender algo tão multifacetado e complexo como a fascistização atual. Para entender o que está acontecendo, nada melhor do que tentar caracterizar quem a está fazendo acontecer.

Atualmente podemos distinguir pelo menos trinta classes de eleitores de extrema direita na América Latina:

1. Aqueles movidos pelo seu ódio e pelo seu medo, os racistas e sexistas, os xenófobos e homófobos, os misóginos e antifeministas, os islamofóbicos e antissionistas.

2. Os exploradores e opressores de sempre, os inimigos eternos de impostos e direitos, aqueles que se agarram aos seus privilégios.

3. Os alienados, aqueles que se apegam ao respeito pelos privilégios alheios, os aliados incondicionais de seus opressores e exploradores, aqueles que se identificam com seus agressores, com seus senhores patriarcais e coloniais, com os próprios poderes que os dominam.

4. Os complexados, os que traem a si mesmos, os cipaios e malinchistas, os afrancesados ​​e os que vendem a pátria.

5. Aqueles que se creem empresários por serem empresários de si mesmos, que se convencem de ser capitalistas por encarregarem-se da própria exploração, que fantasiam estar entre os proprietários apenas porque se possuem a si mesmos e colocam-se à venda.

6. Aqueles que imaginam ascender ao votar nos que estão em cima, se enriquecem ao votar nos ricos, empoderar-se ao votar nos poderosos, embranquecer-se ao votar nos brancos e nos embranquecidos.

7. Os que apenas dão crédito à quem tanto os despreza por estes terem aprendido a desprezarem a si mesmos.

8. Aqueles que foram retirados da pobreza por um governo de esquerda para que se identificassem com os ricos, menosprezando os pobres e odiando a esquerda.

9. Aqueles fraudados por governos de esquerda que permaneceram subordinados ao capital, que não ousaram fazer nada impossível, que não concretizaram as fantasias que neles foram projetadas ou que eles próprios alimentaram em campanhas eleitorais e discursos demagógicos.

10. Os marginalizados entre os marginalizados, os mais sofridos e ressentidos, aqueles que invejam e odeiam até mesmo o povo, aqueles esquecidos até pelos governos que fizeram todo o possível para não esquecer ninguém.

11. Aqueles que desconfiam de quem fala em justiça, quando no mundo parece haver apenas injustiça.

12. Aqueles que apenas conseguem confiar em líderes que reafirmam e confirmam o que já existe — líderes abertamente injustos, irracionais e perversos; líderes que, assim, refletem fielmente o mundo capitalista em que vivemos.

13. Aqueles que confiam apenas no próprio gozo, que desconfiam de todo o resto, que já não aspiram a nenhuma verdade, que querem apenas mentiras das quais possam gozar.

14. Aqueles que querem apenas gozar, enxergam tudo como um espetáculo e entediam-se com algo tão sensato, cinzento, monótono e previsível quanto às opções da esquerda moderada.

15. Aqueles que não decidem, aqueles que simplesmente se deixam arrastar, aqueles que agora seguem a moda neofascista.

16. Aqueles que acreditaram em um fascista porque não havia um comunista com quem pudessem compreender o que sentiam — sua fúria, seu desespero e seu desejo de mudar tudo.

17. Aqueles que buscam uma firmeza, uma ousadia e uma radicalidade que se perderam na esquerda, e que vão procurar na extrema-direita.

18. Aqueles que preferem a contundência do pior à indefinição do medíocre.

19. Aqueles que preferem uma extrema-direita conservadora a uma esquerda inconsistente, que se deslocou para a direita.

20. Aqueles que, de forma empática, não se envergonham da extrema-direita sem vergonha, mas sim da esquerda que se envergonha de si mesma.

21. Aqueles que preferem submeter-se ao capital diretamente, em vez de fazê-lo por meio de mediações políticas e mistificações ideológicas.

22. Aqueles que deixaram de entender o que significam a esquerda e a direita.

23. Aqueles que votam como se estivessem participando de um video game; os inconscientes do que está em jogo, absortos diante de suas telas que, em vez de mostrar o planeta devastado pelo capitalismo, o ocultam.

24. Os bots encarnados, aqueles que já não possuem mais inteligência além da artificial, programados algoritmicamente por figuras de extrema-direita como Elon Musk, Peter Thiel, David Sacks, Marc Andreessen e Ben Horowitz.

25. Os pervertidos por um cristianismo perverso, presos nas redes evangélicas pentecostais e neopentecostais, obcecados pela teologia da prosperidade, apoiadores incondicionais de Israel e firmemente posicionados contra o aborto, contra o feminismo e contra o casamento igualitário.

26. Os conservadores, os reacionários, aqueles que reagem defensivamente ao desgaste e ao descrédito de velhos poderes patriarcais, raciais e de classe.

27. Aqueles que são assombrados pelo fantasma do comunismo que volta a rondar o mundo.

28. Os fascistas de sempre, aqueles que permaneciam escondidos e que, finalmente, podem sair do armário e exibir, sem qualquer pudor, a sua vilania.

29. Aqueles que, de forma pragmática, preferem estar entre os algozes do que entre as suas vítimas; entre os canalhas do que entre os derrotados; entre os israelenses do que entre os palestinos.

30. Aqueles capazes de celebrar o genocídio em Gaza, de rir diante dos escombros, de se alegrar ou zombar ao ver fotografias de crianças palestinas assassinadas ou mutiladas.

Cada tipo de eleitor personifica uma razão para votar na ultradireita. Cada razão deve ser refutada de forma diferente. Cada refutação exige uma perspectiva estratégica particular. Não pode haver uma estratégia única para enfrentar, de maneira eficaz, o atual voto latino-americano na extrema-direita.

¨      Eduardo Bolsonaro vive noite de celebridade na festa da extrema direita nos EUA. Por Isabela Dias e Mother Jones

Na noite de quarta-feira (14), empresários conservadores, influenciadores digitais e autoridades do governo dos Estados Unidos se reuniram no Andrew W. Mellon Auditorium, na capital Washington, D.C., para a festa de gala da Hispanic Heritage, organizado pela plataforma financeira Latino Wall Street. O homenageado do evento foi Javier Milei, presidente da Argentina. Seu principal aliado no Brasil, Eduardo Bolsonaro, foi um dos convidados de honra.  Na entrada, convidados trajados com roupas brilhantes e smokings cercaram Eduardo para tirar selfies e apertos de mão. Muitos perguntavam sobre o pai, Jair Bolsonaro, que cumpre em casa a pena de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Outros demonstravam entusiasmo com a liderança do irmão Flávio Bolsonaro no primeiro turno da disputa presidencial contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

Eduardo conversou com veículos de comunicação identificados com o movimento MAGA (“Make America Great Again”, um dos slogans de Donald Trump), como a ex-boxeadora Cara Castronuova, uma das correspondentes da Casa Branca alinhadas ao governo. Ele também posou ao lado de Javier Negre, comunicador espanhol apelidado de “Rei Midas da viralidade”. Negre é sócio de Fernando Cerimedo, marqueteiro argentino de extrema direita, detido em agosto na Bolívia, acusado de envolvimento em ataque a tiros contra a ex-companheira.     Em determinado momento, na entrada do evento, uma mulher que parecia ser uma das convidadas segurou o braço de Eduardo e ambos olharam para baixo, compenetrados. Eles rezavam pelo Brasil. Quem também tietava Eduardo Bolsonaro era a autointitulada diplomata espiritual, consultora de direitos humanos e empresária gaúcha Luciana Pananos, que mora nos EUA.  Do lado de dentro, iniciada a cerimônia, os oradores no palco falavam sobre acabar com a criminalidade e derrotar o socialismo na América Latina. Na plateia, os convidados, que pagaram entre US$ 3 mil e US$ 10 mil para participar do evento, saboreavam almôndegas de wagyu (carne bovina de origem japonesa), pato defumado com amoras, abacate recheado grelhado e filé-mignon bovino defumado.  “Vamos expulsar o ditador comunista do Brasil”, bradou o homenageado da noite, Javier Milei, após abraçar calorosamente Eduardo, que deu chutes no ar como se estivesse expulsando Lula do posto. O presidente da Argentina disse ainda que os conservadores “não podem ceder um centímetro em nossa reconquista do hemisfério”. 

<><> “Um discurso inspirador”

Após a fala de Milei, Eduardo discursou. Ele ponderou que o resultado da eleição ainda não estava definido. Mas o tom era abertamente comemorativo. “Quando confirmarmos a vitória do meu irmão, o senador Flávio Bolsonaro, como presidente do Brasil, vamos entrar em uma nova era, que eu chamo de Era de Ouro da América Latina!” O deputado cassado adotava um dos slogans de Donald Trump, que costuma dizer que o país vive uma nova “era de ouro” sob sua batuta. “Temos tudo para ser iguais aos Estados Unidos”, completou Eduardo.

Durante o discurso, ele também louvou outros presidentes de extrema direita na América Latina, como Nayib Bukele, de El Salvador, e o colombiano Abelardo de la Espriella. “Amamos todos aqueles que dificultam a vida dos criminosos”, declarou, acrescentando que “pela primeira vez veremos todos os países [da América Latina] combatendo o narcoterrorismo”. O público aprovou e aplaudiu entusiasmado. Um empresário do setor imobiliário que atua em Honduras disse à reportagem que considerou o discurso “inspirador” e que o Brasil deveria adotar o “modelo Bukele”. 

Flávio e Eduardo já visitaram o CECOT, o megacomplexo penitenciário para onde o governo Trump enviou imigrantes que, segundo relatos, foram torturados. Se a vitória de Flávio Bolsonaro se concretizar, o Brasil pode integrar a coalizão Escudo das Américas, formada por 19 países da região e liderada pelos EUA.   “O melhor ainda está por vir”, declarou Eduardo Bolsonaro, prometendo libertar o Brasil, começando por seu pai.

Mais que entusiasta da candidatura do irmão à Presidência, Eduardo é um dos nomes mais cotados para se tornar o próximo ministro das Relações Exteriores do Brasil em um eventual governo de Flávio. Desde que se mudou para os EUA, no início de 2025, o filho 03 de Bolsonaro perdeu o mandato de deputado federal por faltar a mais de 80% das sessões e também foi despojado do emprego como investigador da Polícia Federal por abandono de posto.  No início de outubro, o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes expediu um mandado de prisão contra ele, após sua condenação a mais de quatro anos de prisão por fazer lobby junto ao governo Trump contra o Judiciário brasileiro. Mas, no universo MAGA, Eduardo é uma estrela e a eleição de seu irmão é tratada como um fato consumado.

Em conversa com jornalistas antes do evento, Eduardo descartou as preocupações com a ingerência dos EUA nas eleições brasileiras e voltou a repetir alegações sem fundamento que já foram contestadas: segundo ele, durante o governo de Joe Biden, a agência oficial de ajuda humanitária USAID, fechada por Trump em 2025, financiou ONGs e veículos de comunicação sob o pretexto de combater a desinformação, com o objetivo de impedir a reeleição de Jair Bolsonaro em 2022. “O Brasil já sofreu uma interferência internacional. O que eu vejo agora é justamente o oposto”, afirmou. A primeira medida de um eventual governo de seu irmão seria “expurgar esse câncer chamado Alexandre de Moraes” do STF, disse ele, referindo-se ao ministro como um “tirano”. Caso contrário, seu irmão não conseguiria governar, na opinião do deputado cassado. Perguntado se voltaria para o Brasil mesmo com o pedido de prisão, Eduardo negou. “Eu não vou puxar uma cadeia sendo inocente, não”, afirmou.

Eduardo circulava pelo salão de baile acompanhado de perto pelo blogueiro de extrema direita Allan dos Santos. Foragido nos EUA desde 2021, quando teve prisão decretada, o blogueiro é investigado em dois inquéritos sobre a criação de milícias digitais e propagação de fake news. Presença frequente em eventos conservadores nos EUA, Eduardo também conversou informalmente com Matt Schlapp, presidente da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), e sua mulher, Mercedes, que mencionou os Bolsonaro em seu discurso e previu que Flávio será eleito presidente do Brasil. “Colocamos a América Latina de volta nos trilhos”, afirmou ela.

Já no fim da noite, enquanto os convidados dançavam ao som de La Bamba, Conga e Macarena, a reportagem conversou com Lena Ruseva, que vestia um longo vestido vermelho estampado com o rosto de Trump e a frase “Drill, baby, drill” (“Perfure, baby, perfure”, slogan de Trump em alusão à exploração de petróleo). Autodenominada artista America First, Ruseva contou que Milei havia gostado tanto do retrato que ela fez dele especialmente para a ocasião que quis ficar com a obra. Ela também demonstrou orgulho do quadro que teria dado de presente a Trump em um de seus aniversários. Algumas de suas obras estavam expostas no salão e seriam leiloadas, com lances iniciais de US$ 10 mil. Entre elas, havia uma representação da bandeira americana com o contorno da América Latina. Eduardo Bolsonaro assinou a obra com letras douradas.“Disse a ele que ficaria com o quadro até que se tornasse o próximo presidente do Brasil”, contou ela.

¨      O voto no exterior importa? Por Jana Silverman

No dia 25 de outubro, mais de 916 mil brasileiros residentes no exterior terão que cumprir o mesmo dever que os seus conterrâneos que vivem dentro das fronteiras nacionais do Brasil: exercer seu voto para Presidente no segundo turno. Entretanto, por diversas razões, um número recorde de eleitores brasileiros morando fora do território nacional se abstiveram de votar no primeiro turno no dia 4 de outubro. Qual a importância do voto no exterior na contenda eleitoral atual, e, pensando estrategicamente, faria sentido para a esquerda tentar estimular mais esse voto nas vésperas do segundo turno das eleições presidenciais deste ano?

Para as eleições de 2026, os cidadãos aptos a votar no exterior totalizaram mais de 916 mil pessoas, equivalente a quase 0,5% do eleitorado total brasileiro. Esse número cresceu expressivamente em relação ao número de eleitores no exterior em 2022, quando apenas 695 mil brasileiros fora do país eram cadastrados pelo TSE. Entretanto, os impactos políticos do aumento no tamanho no colégio eleitoral no exterior foram anulados na prática, com um índice médio de abstenção que chegou a 62,7%.  As taxas de abstenção bateram recordes não apenas nos EUA, onde a contundente maioria dos eleitores não compareceu em grande parte por medo das rondas ostensivas da polícia migratória ICE em localidades onde as urnas eram posicionadas, mas também em outras localidades, incluindo Lisboa, que registrava apenas 36% de comparecimento, e Nagoia, no Japão, com só 37% de comparecimento.

Em termos dos resultados eleitorais no exterior, no primeiro turno houve uma leve preferência pela candidatura de Lula, que recebeu 47,6% dos votos válidos, com Flávio Bolsonaro chegando em segundo lugar com 43,5%, segundo os dados oficiais do TSE. Existe margem para o voto lulista crescer ainda mais fora do país no 2º turno? Ao examinar os dados, parece pouco provável. Muitas das maiores seções eleitorais no exterior com votos expressivos a favor do candidato do PT também se encontravam entre as seções com menores níveis de abstenção.  Como exemplo, a seção eleitoral do distrito consular de Dublin, na Irlanda, registrou uma votação de 72,6% para o candidato petista, enquanto a seção só registrava 49,7% de abstenção (mais de 13% a menos do que a média total de abstenção). De forma semelhante, Lula obteve 81,1% dos votos válidos na seção consular de Berlim, que registrou uma taxa de abstenção de apenas 45,5%.  

Por outro lado, na seção consular de Miami, a candidatura de Flávio Bolsonaro captou 78,8% dos votos totais e a abstenção foi em torno de 66%.  As seções consulares de Boston e Orlando registraram tendências similares, tanto com respeito às preferências eleitorais, quanto aos níveis de abstenção. Desta maneira, podemos constatar que existe claramente a possibilidade de crescimento de votos em benefício do candidato de extrema direita no 2º turno, caso um clima de maiores garantias democráticas se fortaleça entre a comunidade brasileira nos EUA.  Então, apesar da reação instintiva dos militantes de esquerda de sempre “proteger o voto” desde uma perspectiva de respeito absoluto pelos direitos civis e políticos consagrados no marco constitucional interno e nos tratados internacionais dos direitos humanos, uma campanha para estimular o voto no exterior, ainda mais em localidades como os EUA e o Japão, provavelmente seria um tiro no pé para todos os empenhados nas atividades de “vira voto” nesses semanas e dias cruciais antes do segundo turno. 

Dado isso, devemos parar de prestar atenção ao voto no exterior e focar apenas em aumentar as margens eleitorais para a candidatura do Lula dentro do país? Eu argumentaria que não, por duas razões principais. Primeiro, porque o comportamento eleitoral no exterior funciona como “formador de opinião”.  Quem melhor do que os brasileiros que moram na Argentina sob as mazelas impostas por Milei (onde mais de 66% dos eleitores votaram em Lula) para contar sobre as impossibilidades de fazer as contas fecharem no final do mês com a imposição de políticas econômicas hiper-neoliberais? Quem melhor do que os brasileiros que moram sob a égide neofascista de Meloni em Roma (onde 58% dos brasileiros votaram pelo PT) para contar sobre como a xenofobia e o racismo estrutural promovido desde as mais altas esferas do governo só serve para dividir e enfraquecer a classe trabalhadora?

Segundo, dadas as margens apertadíssimas de vitória registradas em diversas eleições presidenciais na América Latina este ano, literalmente cada voto tem um valor intrínseco alto. As eleições colombianas, em junho, se decidiram por uma diferença de menos de 260 mil votos (de um total de 25.669.478 votos validos, ou seja, apenas 1%). A porcentagem contundente de 63,8% de votos para o candidato de extrema direita, Abelardo de la Espriella, entre os eleitores no exterior, ajudou muito para consolidar a sua vitória estreita contra o candidato de esquerda, Ivan Cepeda Castro.  Do mesmo modo, o resultado do segundo turno das eleições presidenciais no Peru, que também se realizaram em junho deste ano, foi decidido por uma margem de menos de 50 mil votos a favor da candidata neofacista Keiko Fujimori, que construiu essa margem captando 76,5% do voto dos peruanos que residem atualmente nos EUA. Por mais que o tamanho do Brasil impossibilite comparações quantitativas com países com colégios eleitorais menores, como a Colômbia e o Peru, isto não significa que não veremos um resultado eleitoral igualmente estreito no dia 25 de outubro. Em tempos de fake news, bolhas algorítmicas e polarização política, poucas eleições no mundo estão sendo decididas por margens significativas. Por isso devemos nos importar sim (de forma estratégica) com o voto dos brasileiros no exterior, para poder garantir que o Brasil se mantenha como um baluarte democrático, não apenas em benefício do povo brasileiro, mas de toda a humanidade. 

 

Fonte: Por David Pavón-Cuéllar - Tradução Rodrigo Gonsalves, em Jacobin Brasil/Agencia Pública

 

Nenhum comentário: