segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Diana Pichinine: A fascistização do Brasil

O fenômeno político da atual ascensão dos novos fascismos, e, mais que isso, o caso do retorno dessa ultradireita numa segunda eleição democrática (caso de Donald Trump nos EUA) por escolha popular, apesar dos malogros desses primeiros governos, nos obriga a refletir sobre o que se passa na expectativa das parcelas da população que estão recolocando essas lideranças no poder. Que as elites da Faria Lima estejam apostando nessa reeleição é perfeitamente compreensível, pois elas estão votando pelos seus próprios interesses. Que as classes médias altas também estejam trabalhando pela vitória da ultradireita e pela derrota do trabalhismo petista também é compreensível, pois elas constituem a parcela da população (a base social do antipetismo) que projeta fazer parte dessas elites.

A circunstância mais desafiadora à análise política atual é a adesão significativa dos pobres e do lumpem-proletariado a um projeto de poder que já se revelou completamente refratário aos interesses populares. Pois, nesse caso, observamos que a adesão ao fascismo social e político não lhes trará absolutamente a uma trajetória de ascensão social. Então, resta a pergunta: o que na proposta fascista de poder que os levou a votar contra seus próprios interesses?

É lugar comum na ciência política, mas também entre muitos analistas políticos progressistas, pelo menos desde a experiência nazifascista na Europa, tentar explicar esse fenômeno “ilógico” de duas maneiras: ou argumentando a respeito do ressentimento político das classes médias (mas, lembremos que a votação no candidato de ultradireita foi bastante expressiva na classe trabalhadora); ou argumentando que foi por “burrice” que o eleitor de baixa renda deu um tiro no próprio pé.

O argumento acerca do ressentimento político nutrido pelas antigas oligarquias do período pré-bismarckiano nascido da perda de prestígio, privilégios e queda do poder aquisitivos sofridos com a unificação da Alemanha, foi usado, por exemplo, por Norbert Elias para tentar explicar a ascensão do Nacional-socialismo e o clima de “Ovo da Serpente” que este imprimiu à República de Weimar.

O outro argumento também bastante mobilizado para explicar a adesão das massas ao fascismo seria a ignorância política embalada por uma reação emocional e irracional. Esses argumentos podem valer para a experiência do fascismo histórico, substantivo, mas auxiliam pouco a compreensão de como esse fenômeno vem se dando nas chamadas democracias liberais, sobretudo as frágeis democracias do Sul Global. Afirmamos isso porque as circunstâncias históricas dessas experiências autoritárias no século XX em nada se parecem com aquelas em ação na atual fase do capitalismo.

As experiências fascistas argentina e brasileira, por exemplo, precisam ser compreendidas a partir tanto do processo histórico da formação desses países como Estados nacionais, quanto pela conjuntura geopolítica criada pelas transformações estruturais (econômicas, políticas, sociais e culturais) trazidas pelo assim chamado “capitalismo de plataforma”. Nesse sentido, concordamos com a tese de Vladimir Safatle em seu último livro. Vladimir Safatle nos chama a atenção para o fato de que é necessário compreender a íntima relação existente entre o “fascismo restrito” das democracias liberais e o fascismo institucionalizado. A seu ver, a verdade é que, mutatis mutandis, a sociabilidade fascista dos dias atuais encontra-se em total continuidade com a sociabilidade experimentada nos períodos de fascismo restrito encapsulado nas ditas democracias liberais. A esse argumento de Vladimir Safatle, acrescentamos que é necessário olhar com bastante atenção para as especificidades dos processos históricos de cada país.

<><> A luta política como campo de batalha

Essa interpretação de Vladimir Safatle não encontrou eco imediato entre os analistas políticos, sobretudo porque, historicamente, o movimento fascista sempre esteve associado a um posicionamento político baseado em afetos irracionais: a violência endógena, a ficcionalização de um inimigo interno, a guerra como léxico político etc.

Aqui precisamos observar que o próprio Vladimir Safatle entende a construção dos diferentes tipos de sociabilidade como baseadas num “circuito de afetos”, nascido e alimentado em consonância com os regimes políticos vigentes. Em “Como construir esteticamente um povo: Sobre certo modernismo sombrio e sua atualidade” ele afirma: “Creio que perderemos dimensões fundamentais do fenômeno fascista se não o compreendermos como uma batalha pela formação da sensibilidade social, pelo cultivo dos afetos e pela produção do horizonte sensível da política. A ordem sensível é o fundamento da imaginação social, de seus limites e formas, e o controle da imaginação e da sensibilidade é o fundamento de todo e qualquer poder. Por ter consciência disso, o fascismo é um projeto estético, uma reconstrução da sensibilidade que define os limites do visível e do perceptível no interior da ordem social”.

Assim, segundo ele, perderemos dimensões fundamentais do fenômeno político da ascensão dos novos fascismos se não os compreendermos como travando ativamente uma batalha pela formação da sensibilidade social, o que não significa em absoluto afirmar que a escolha pelo fascismo é sempre e necessariamente irracional. Muito pelo contrário. Observando a história de construção do nosso país, perceberemos que, pelo menos desde o período integralista, o fascismo nunca desapareceu do cenário nacional. Mais até que o campo progressista, os autoritarismos políticos levam a sério a necessidade de disputar a formação da sensibilidade social, e essa é uma escolha política racional.

Portanto, precisamos distinguir entre esses dois movimentos: uma coisa é compreender que, ontologicamente, toda força política fará essa disputa pelo domínio da afetividade social; outra coisa é afirmar que toda escolha fascista é irracional. A ultradireita entendeu bem essa lição e está ganhando de lavada essa batalha, ao ponto de podermos afirmar que a sociedade brasileira está sendo atravessada em seus mais diversos estratos sociais pelo fascismo social. O campo progressista vem capitulando diante dessa disputa pela comunicação com a sociedade brasileira, e, nesse cenário, o fascismo cresce em proporções numéricas e simbólicas.

Muito da nossa dificuldade em compreender os circuitos afetivos que dão subsídio à experiência atual do fascismo social está relacionada à ficção de que a práxis política está ancorada em determinantes puramente racionais. Vladimir Safatle acerta precisamente quando nos apresenta a atual experiência do fascismo social como uma reação racional e pragmática ao afunilamento político, econômico e social posto em nosso horizonte pelo sistema capitalista neoliberal. A história da formação de nossa nacionalidade é marcada desde sempre pela violência e desigualdade.

É preciso compreender que todas as características do fascismo social atual (moralização da política, interdição do debate público pelo “lugar de Fala”, autoritarismo, preservação das hierarquias de classe, violência de Estado etc.) mantêm-se em fluxo contínuo em relação ao período colonial. Colonização, escravidão, expropriação do trabalho produtivo, objetificação da natureza, violência generalizada (mas capitaneada pelas políticas de segurança do Estado, e pela extraordinária letalidade do aparato policial brasileiro), divisão de classes, hegemonia da cultura moral da competição, do individualismo e da guerra permanente. Esse é o subsolo patético da nossa política, inclusive nos períodos de fascismo restrito e de afirmação dos valores republicanos.

A sociabilidade brasileira é violenta e autoritária desde sempre, mas esse seu traço não se confunde com a conservação de um possível resquício de arcaísmo da economia patriarcal e do personalismo próprio à cultura da sociedade patriarcal latifundiária. Como afirma Florestan Fernandes, o autoritarismo brasileiro não é um resquício arcaico do período colonial, mas, antes, a consequência das escolhas feitas pelas nossas elites dominantes em nosso processo de modernização (periférica). O autoritarismo do período colonial se atualizou no projeto de modernização capitalista tal como implementado pelo Estado brasileiro. Ou seja, o fascismo social brasileiro é, antes, o outro lado da cabeça de Janus do capitalismo e da democracia liberal. Essa modernização, que se consolidou a partir de 1930, acelerando o surto urbanizador e comercial, na medida em que se deu nos quadros do modo de produção capitalista, teve como prioridade o projeto de incluir os setores médios como um dos maiores beneficiários desse novo modelo de desenvolvimento, ao mesmo tempo em que pretende excluir propositalmente os negros, mestiços, racializados e pobres.

A política de “embranquecimento”, levada a cabo pelo Estado brasileiro em fins do século XIX, traduziu explicitamente o anseio das classes dominantes e das classes médias brasileiras por evitar que nosso país se tornasse uma nação racializada. Capitalismo, autoritarismo e racismo formam a tríade padroeira da história brasileira.

<><> Violência e autoritarismo

Esse processo de desenvolvimento das forças produtivas internas, acelerou o surto urbanizador e comercial nas grandes capitais. Se de um lado, esse processo virá a assimilar os setores médios urbanos (rapidamente os europeus, que já dominavam o comércio e a moedagem pela experiência obtida em seus países de origem, tornaram-se as figuras de proa da economia urbana, baseada sobretudo no comércio); de outro lado, esse mesmo Estado e seus tentáculos (as instituições republicanas recém-nascidas durante a passagem ao regime de democracia liberal) trabalharão incansavelmente para excluir os dejetos sociais (negros, mestiços e pobres) da convivência cidadã.

Daí podermos inferir que tal modernização à brasileira foi pensada estrategicamente para que, como afirma Jessé Souza, restasse aos negros, aos brancos pobres e à classe trabalhadora em geral, “o pior ponto de partida para a integração à (nova) ordem competitiva”: “Para Florestan Fernandes, o abandono de toda essa população à própria sorte foi o principal fator responsável pela situação de penúria e desorganização econômica e moral desses estratos, que tiveram lançados sobre os ombros a responsabilidade de criar os dispositivos necessários à sua integração na nova ordem. Assim, não é difícil vislumbrar o futuro de marginalização social e pobreza econômica aos quais essa população estava condenada”.

Diante das vicissitudes resultantes de um processo autoritário de modernização, dominado pelos interesses do grande capital nacional (submetido ao grande capital internacional do Norte Global), vivemos no Brasil um nível de violência social absurdo. Mas, o manto que as classes dominantes lançam para disfarçar essa sociabilidade violenta quer nos fazer acreditar que capitalismo e fascismo representam dois modos antagônicos de gestão da vida social. No entanto, a verdade observável pelo nosso processo histórico de constituição enquanto país e sociedade é que o sistema capitalista se sustenta e se reproduz no revezamento histórico entre períodos democráticos e períodos autoritários.

Agora, voltemos ao questionamento feito no início desse texto: que razões explicam que a classe trabalhadora e o lumpem-proletariado tenham sido seduzidos pelo projeto político fascista nas últimas eleições? Por que corremos o risco de devolver o governo do país ao projeto fascista bolsonarista? É preciso levar a sério essa pergunta. Afirmar que a adesão ao fascismo é pragmática e racional não significa dizer que se trata de uma reação legítima. Em determinadas condições sociais, o indivíduo pode fazer um cálculo semelhante a: se a sociedade já não consegue garantir proteção e recursos para todos, alguém será excluído; portanto, é racional tentar permanecer entre aqueles que serão protegidos. Vladimir Safatle associa essa lógica à intensificação neoliberal da competição e à destruição dos mecanismos de solidariedade e de pertencimento de classe.

Nesse sentido, “racional” não significa justo, verdadeiro ou universalmente razoável. Significa racionalidade estratégica ou instrumental: dados certos fins – sobreviver, manter posição social, preservar privilégios –, a exclusão de outros pode aparecer ao agente como um meio coerente para alcançá-los. O afunilamento social provocado pelas necessidades estruturais de reprodução do modo-de-produção capitalista, tais como o sucateamento das políticas públicas de proteção social, a violência social endógena, o alto índice de desemprego, a miséria, o empobrecimento crescente das classes mais vulneráveis, a uberização da força de trabalho etc. são condições vividas hoje no regime de democracia liberal.

Também salta aos olhos a perda do horizonte de vida digna através do trabalho pela classe que vive do trabalho, além da ilusão que a mesma vive de que o auto empreendedorismo e o esforço pessoal a conduzirá a um mundo de liberdade, sucesso e bem-estar. Nessas circunstâncias, o cálculo racional feito pelos setores da população que estão apoiando o bolsonarismo é o de que, independente do regime político e ideológico, o melhor governo (o mais promissor) é aquele que permitirá que seu destino social não naufrague como o Titanic.

As elites e parte das classes médias que aderiram ao fascismo sabem que o retorno de um governo autoritário desfavorecerá os subalternos sociais e todos aqueles que forem identificados como inimigos, mas esses setores sociais apaziguam sua consciência pensando: sim, a violência aumentará, mas como seria possível fazer uma omelete sem quebrar os ovos?

¨      Neofascismo. Por Fernando Nogueira da Costa

O historiador Nigel Copsey destaca três transformações especialmente relevantes para a reemergência do fascismo sob nova vestimenta: a internacionalização das redes sociais, a atuação metapolítica e o revisionismo histórico. A partir de suas contribuições, pode-se distinguir quatro fases aproximadas: (i) 1945–1960: sobrevivência e reorganização. Antigos fascistas e simpatizantes formam partidos, associações e redes intelectuais. (ii) 1960–1980: radicalização e disputa cultural. Convivem grupos eleitorais, movimentos de rua, organizações violentas e correntes intelectuais da Nova Direita. (iii) 1980–2000: adaptação à democracia eleitoral. Parte da direita radical abandona referências fascistas explícitas e enfatiza nacionalismo, imigração, identidade e soberania. (iv) Século XXI: expansão digital e internacionalização. Redes sociais, influenciadores, organizações transnacionais e lideranças populistas ampliam a circulação de narrativas nacionalistas, identitárias e antissistema. Essa periodização é uma síntese interpretativa. Não significa todos os movimentos ultraconservadores necessariamente terem percorrido as mesmas etapas nem que a direita radical atual descender diretamente de organizações fascistas.

A comparação entre o o neofascismo e o nazifascismo histórico exige distinguir o fascismo italiano, o nazismo alemão e as diferentes direitas radicais contemporâneas.

A diferença mais importante está na relação com a democracia. O nazifascismo histórico consolidou ditaduras de partido único. Parte da direita radical contemporânea disputa eleições e aceita alguns procedimentos democráticos, mas questiona aspectos centrais do liberalismo político, como a proteção das minorias, o pluralismo e a independência das instituições. O cientista político Cas Mudde propõe distinguir a direita radical populista, porque aceita formalmente a soberania popular e a competição eleitoral, da extrema direita propriamente dita, porque esta rejeita a democracia como princípio. Essa distinção evita considerar automaticamente fascista qualquer movimento nacionalista, conservador ou populista.

Quanto ao antifascismo, é necessário distinguir dois fenômenos. O primeiro é a continuidade do antifascismo democrático, entendido como defesa do pluralismo e das liberdades contra movimentos autoritários. O segundo é a transformação da expressão Antifa em uma categoria utilizada por determinados movimentos e governos de direita, como o do Imperador Donald, para designar um adversário associado à violência política, ao radicalismo de esquerda e à desordem. Não se trata propriamente de a extrema-direita ter adotado o antifascismo histórico como ideologia antagônica. O fenômeno mais documentado é a ressignificação negativa do termo antifascista pela extrema direita, apresentado como ameaça à ordem democrática.

Em 22 de setembro de 2025, Donald Trump assinou uma ordem executiva designando a Antifa como organização terrorista doméstica. O documento caracteriza o movimento como violento, anarquista e contrário às instituições americanas, determinando medidas de investigação e repressão a operações consideradas ilegais. Essa é a posição oficial do governo Trump, não uma conclusão acadêmica sobre a totalidade do antifascismo.

Especialistas jurídicos, consultados pelo PolitiFact, observaram: a Antifa constitui um conjunto descentralizado de grupos e ativistas, sem direção nacional única. Questionaram a existência de fundamento jurídico para designar um movimento doméstico dessa natureza como organização terrorista. É importante reconhecer simultaneamente dois princípios: (a) atos concretos de violência política devem ser investigados e punidos, independentemente da ideologia dos responsáveis; e (b) a oposição pacífica ao fascismo não pode ser equiparada automaticamente ao terrorismo.

A inversão discursiva é um mecanismo político e pode ser resumido assim. O significado histórico do antifascismo foi resistência ao fascismo e defesa de liberdades, segundo diferentes correntes políticas. A ressignificação política de “Antifa” como representação de uma ameaça violenta e revolucionária busca como efeito possível a deslegitimação indiscriminada de adversários, caso a acusação seja estendida da violência comprovada à oposição democrática. Essa interpretação é compatível com a literatura sobre disputas narrativas e construção de ameaças políticas, mas não demonstra todos os governos de direita adotarem a mesma estratégia.

O significado político para o Brasil foi a constituição, desde 2022, de uma Frente Ampla Democrática e/ou Antifascista. A contribuição desse debate, para o Brasil contemporâneo, está em demonstrar historicamente como forças políticas com projetos diferentes podem cooperar para defender instituições democráticas diante de ameaças autoritárias. Essa experiência permite formular uma distinção relevante. Uma frente antifascista não precisa ser uma frente socialista. Pode reunir liberais, conservadores democráticos, social-democratas, socialistas, movimentos populares e cidadãos sem identificação partidária. O fundamento da cooperação é a defesa de regras comuns: eleições legítimas, alternância de poder, liberdade de expressão, direitos individuais, pluralismo partidário e rejeição à violência política.

No Brasil, a aliança eleitoral entre Lula e Geraldo Alckmin, em 2022 e se repetindo em 2026, pode ser interpretada como um exemplo contemporâneo de coalizão democrática ideologicamente heterogênea. Isso não significa que todos os seus participantes se definissem como antifascistas ou compartilhassem o mesmo diagnóstico sobre o bolsonarismo. A comparação com o fascismo histórico deve apoiar-se em comportamentos verificáveis – por exemplo, tentativas de subverter resultados eleitorais, ameaças às instituições ou legitimação da violência política –, e não apenas em diferenças programáticas.

O Dicionário de política permite chegar a uma conclusão histórica fundamental: o antifascismo foi simultaneamente um movimento de resistência e uma fórmula de convergência entre adversários ideológicos. A derrota do nazifascismo em 1945 não eliminou todas as organizações e ideias fascistas. O neofascismo surgiu imediatamente no pós-guerra, assumindo formas eleitorais, culturais, subversivas e terroristas. Ao longo das décadas, algumas dessas correntes adaptaram suas linguagens às instituições democráticas e às transformações tecnológicas. Outras permaneceram explicitamente vinculadas à herança fascista.

A literatura contemporânea recomenda, porém, não confundir três categorias: (i) conservadorismo democrático, (ii) direita radical populista e (iii) neofascismo. Elas podem apresentar aproximações e sobreposições, mas não são equivalentes. Finalmente, a utilização negativa do termo Antifa por governos e movimentos de direita revela uma disputa pelo significado político do próprio antifascismo. A defesa das instituições democráticas precisa ser distinguida de atos de violência – e estes devem ser julgados individualmente.

A principal lição histórica do verbete pode ser sintetizada assim: “o antifascismo democrático não exige unanimidade ideológica”. Exige adversários políticos reconhecerem limites comuns ao exercício do poder, preservando a possibilidade de continuar discordando dentro da democracia. Essa é a razão pela qual a experiência das frentes antifascistas do século XX continua relevante para compreender os problemas democráticos do século XXI.

 

Fonte: A Terra é Redonda

 

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