sábado, 17 de outubro de 2026

Empresa ligada a investigado no escândalo do INSS bancou viagens de Flávio Bolsonaro em jatos de luxo na Europa

Uma empresa vinculada ao setor de apostas online e ligada ao advogado Willer Tomaz contratou viagens de jato executivo para o senador Flávio Bolsonaro e seus familiares na Europa, em 2025. Os pagamentos aparecem em documentos de uma investigação da Polícia Federal sobre suspeitas de movimentação de recursos provenientes de fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As informações foram reveladas pela Folha de S.Paulo, que também identificou conexões empresariais entre os responsáveis pelos voos e contratos milionários firmados com a Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj).

Os deslocamentos foram contratados por meio da Cathedral Holdings S.A., sociedade registrada em Portugal que controla a Rede Loto, operadora da marca de apostas BestBet. Entre os acionistas da Cathedral está Willer Tomaz, advogado e empresário que mantém uma relação de amizade com Flávio Bolsonaro.

Os documentos reunidos pela Polícia Federal apontam a contratação de pelo menos três trechos de viagens envolvendo o senador e o empresário. Em 11 de abril de 2025, ambos viajaram de Lisboa, em Portugal, para Nice, na Riviera Francesa, em uma aeronave operada pela NetJets, companhia especializada em aviação executiva.

Em 23 de maio, Flávio e Willer realizaram novos deslocamentos, acompanhados de familiares. O grupo partiu de Cascais, em Portugal, com destino a Nice e, posteriormente, seguiu para Paris.

<><> Empresa controladora da bet aparece nos comprovantes

Os registros encontrados no computador de Willer Tomaz indicam que os bilhetes foram adquiridos pela Cathedral Holdings S.A., sociedade constituída em Portugal em janeiro de 2023.

A empresa possui acionistas brasileiros, entre eles Willer, sua esposa, sua irmã, Jorge Barbosa Dias e Igor Mateus Barbosa Moura, parente de Dias.

A Cathedral é a única acionista da Rede Loto, registrada no Brasil em fevereiro de 2023 e autorizada pela Loterj a explorar apostas no estado do Rio de Janeiro em maio daquele ano.

A defesa da empresa sustenta, entretanto, que os custos das viagens foram assumidos pessoalmente por Willer, e não pela operadora de apostas.

“Os deslocamentos foram passeios de lazer entre amigos e suas famílias, custeados por Willer e sem contrapartida de qualquer natureza”, afirmou a defesa.

Flávio Bolsonaro também confirmou sua relação de amizade com o empresário e rejeitou qualquer interpretação de irregularidade.

“Associar essa afinidade pessoal a suposições de irregularidades é mera ilação, sem qualquer fundamento nos fatos”, declarou o senador.

<><> Indicação atribuída a Flávio Bolsonaro e autorização da Loterj

Outro aspecto que chama a atenção é a rapidez com que a Rede Loto conseguiu autorização para operar no mercado de apostas fluminense.

A empresa foi registrada em fevereiro de 2023. Em abril, exatamente no dia em que a Loterj publicou pela primeira vez um edital para licenciamento de empresas do setor, apresentou 132 páginas de documentos para solicitar sua habilitação.

A autorização foi concedida no mês seguinte, por meio de despacho assinado por Hazenclever Cançado, então presidente da autarquia.

Pessoas familiarizadas com os procedimentos da Loterj afirmaram que a indicação de Cançado para o comando da instituição teria partido de Flávio Bolsonaro. A informação, contudo, não constitui uma conclusão formal da Polícia Federal. Procurado, Cançado não comentou.

A velocidade do procedimento provocou questionamentos da empresa Modelo Informática, que solicitou a impugnação do processo. O pedido não chegou a ser avaliado.

A Loterj afirmou que a Rede Loto apresentou todos os documentos exigidos pelo edital e que não foram identificados impedimentos legais à concessão da autorização.

“Do ponto de vista da regulamentação, é o que é exigido legalmente. E nenhum dos integrantes apresentou qualquer impedimento”, declarou a autarquia.

<><> Empresário ligado a Flávio também aparece em negócio de R$ 188 milhões

As conexões empresariais de Willer Tomaz com a Loterj não se limitam à Rede Loto.

O advogado figura como beneficiário final de outra empresa contratada pela autarquia fluminense, que faturou R$ 188 milhões entre junho de 2023 e agosto de 2026.

O volume de recursos movimentados amplia a importância dos vínculos empresariais identificados, embora o faturamento, isoladamente, não demonstre irregularidade.

Outro personagem mencionado é Jorge Barbosa Dias, sócio da Cathedral. Ele respondeu a um processo por jogo ilegal e lavagem de dinheiro em 2022, mas foi absolvido em 2023. Segundo a assessoria de Willer, a absolvição transitou em julgado.

<><> Escândalo do INSS amplia questionamentos sobre relações empresariais

Os documentos relativos às viagens aparecem no contexto de uma investigação da Polícia Federal sobre suspeitas de repasses de recursos provenientes de fraudes contra beneficiários da Previdência Social.

A presença dos comprovantes no material investigativo não significa, entretanto, que tenha sido demonstrado que os voos foram financiados com dinheiro desviado do INSS ou que Flávio Bolsonaro tenha participado das fraudes investigadas.

O que os registros indicam é que uma sociedade empresarial vinculada a uma operadora de apostas contratou viagens internacionais em aeronaves executivas utilizadas pelo senador e por pessoas de seu círculo pessoal.

A combinação entre viagens privadas, relações com empresários do setor de apostas, autorizações concedidas pela Loterj e contratos milionários com a autarquia fluminense levanta questionamentos sobre a proximidade entre interesses empresariais e agentes políticos.

As revelações reforçam a importância de esclarecer a origem dos recursos utilizados nos deslocamentos, as relações comerciais entre as empresas envolvidas e os critérios adotados pela Loterj na concessão de autorizações e na contratação de operadores do setor de apostas.

•        Marketing de Vorcaro sugeriu adiar evento com Alexandre de Moraes em Londres após sanções da Lei Magnitsky

 Uma produtora dos eventos de Daniel Vorcaro sugeriu ao banqueiro adiar um fórum jurídico patrocinado pelo Banco Master em Londres com a presença do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes após o anúncio de sanções da Lei Magnitsky pelo governo dos Estados Unidos contra o magistrado, informa o jornal O Estado de São Paulo. O evento seria realizado em agosto de 2025, mas acabou sendo cancelado após o receio de que as sanções dos EUA também atingissem os organizadores do evento. Procurados pelo jornal, Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, não se manifestaram.

Mensagens extraídas pela Polícia Federal (PF) do celular de Vorcaro apontam que Moraes coordenava eventos privados com autoridades organizados pelo banqueiro no exterior. O ministro mandava convites e vetava convidados.

Nos diálogos, Ana Matos — que foi superintendente de Comunicação e Marketing do Master de janeiro de 2023 a dezembro de 2025 — relatou a Vorcaro em 22 de julho de 2025 que estava definindo a programação do fórum com o ministro Alexandre e a mulher dele, a advogada Viviane Barci de Moraes. Ela afirmou, no entanto, que temia que a realização do evento provocasse desgaste ao Banco Master e atrapalhasse a operação de venda ao Banco Regional de Brasília (BRB).

“Passei o dia aqui com Vivi Moraes e o ministro fechando o programa do evento. Eles alteraram bastante coisa, mas está ficando bom. Vou te mandar. Vc na abertura e encerramento. Eles vão querer divulgar aos convidados. Eu disse que precisava falar com vc antes. Meu receio eh atrapalhar BRB”, afirmou Ana Matos. Vorcaro, então, pediu que seu nome fosse retirado do evento e que a divulgação fosse adiada.

No dia 30 de julho, quando Donald Trump anunciou as sanções da Lei Magnitsky, os diálogos demonstram uma tensão com a realização desse evento. Às 9h51, Ana Matos disse a Vorcaro que estava com Viviane Barci e que Moraes estava “ligando muitas vezes ao dia”. Um dia depois, Ana Matos relatou preocupação de que outros ministros iriam cancelar a participação no evento por causa do episódio.

Moraes foi alvo de sanções do governo Trump em um contexto de pressão das autoridades norte-americanas para que ele recuasse no julgamento de Jair Bolsonaro por liderar uma organização criminosa em uma tentativa de golpe de Estado. A gestão Trump alegou que Moraes promovia uma “caça às bruxas” contra Bolsonaro e seus apoiadores, conforme declarou o próprio presidente dos Estados Unidos.

A Lei Magnitsky impõe sanções financeiras a estrangeiros acusados de corrupção ou violações graves de direitos humanos, além de proibir a entrada no país. A decisão do governo norte-americano bloqueou contas bancárias e travou o acesso do ministro ao sistema financeiro dos Estados Unidos, impedindo que ele acessasse eventuais ativos que tivesse em território norte-americano. Moraes e Viviane foram retirados da lista de sancionados pela Magnitsky em 12 de dezembro de 2024.

•        Vorcaro comemorou matéria do Globo que revelou seu contrato com esposa de Alexandre de Moraes

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, comemorou a divulgação de uma reportagem que revelou a contratação do escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pela instituição financeira. Em conversa com o empresário Augusto Lima, em abril de 2025, Vorcaro elogiou a publicação, apesar da repercussão envolvendo a relação comercial entre o banco e a família do magistrado.

As mensagens foram recuperadas pela Polícia Federal (PF) a partir do celular do ex-banqueiro e obtidas pela CNN Brasil. Segundo a emissora, o diálogo ocorreu depois que Lima encaminhou a Vorcaro uma reportagem do jornal O Globo intitulada “Banco Master contratou mulher de Alexandre de Moraes”. Ao receber o link, o empresário respondeu: “Melhor matéria que fizeram nossa na semana”.

A reação ocorreu em um momento em que a relação contratual entre o Banco Master e o escritório de Viviane começava a ganhar exposição pública. Na ocasião, a reportagem informava a existência do acordo com a banca de advocacia da esposa e dos dois filhos do ministro, mas ainda não revelava os valores envolvidos.

Posteriormente, a Polícia Federal identificou um contrato que previa pagamentos de R$ 131 milhões ao escritório. Informações obtidas por meio de quebras de sigilo realizadas pela CPI do Crime Organizado apontaram que a banca recebeu R$ 80 milhões entre 2024 e 2025.

A diferença entre o valor previsto e o montante efetivamente transferido decorreu da interrupção do contrato após a prisão de Vorcaro, segundo as informações divulgadas.

<><> Conversas mostram contato frequente entre Vorcaro e Augusto Lima

O material extraído do aparelho do ex-banqueiro também revela que Vorcaro e Augusto Lima mantinham comunicação frequente, mesmo depois de Lima ter deixado oficialmente a sociedade do Banco Master, em maio de 2024.

Os registros mostram que os dois empresários trocavam informações sobre acontecimentos do mercado financeiro e discutiam notícias relacionadas a autoridades e ao ambiente político.

Lima costumava encaminhar reportagens ao antigo sócio, incluindo publicações envolvendo Alexandre de Moraes. Em março de 2025, por exemplo, enviou uma notícia sobre a decisão do ministro de determinar o arquivamento da investigação contra o então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), relacionada aos atos de 8 de janeiro de 2023.

Seis minutos depois do envio dessa reportagem, Vorcaro telefonou para Lima, conforme os registros analisados pela Polícia Federal.

No mês seguinte, ocorreu a troca de mensagens sobre a contratação do escritório de Viviane Barci de Moraes. Foi nessa ocasião que Vorcaro classificou a notícia sobre o acordo como a melhor reportagem produzida a respeito do banco naquela semana.

As conversas indicam a continuidade da relação entre os antigos parceiros de negócios e o acompanhamento de notícias envolvendo o ministro do STF, mas não esclarecem os motivos pelos quais Vorcaro avaliou positivamente a publicação sobre o contrato.

<><> PF identificou edição de contrato atribuída a Moraes

Outro elemento da investigação envolve a análise técnica do documento contratual firmado entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes.

De acordo com relatório da Polícia Federal citado pela CNN Brasil, os metadados de um arquivo digital indicaram que a última modificação do contrato foi realizada por um usuário identificado com o nome de Alexandre de Moraes.

O documento havia sido enviado pela própria advogada a Vorcaro por meio de um aplicativo de mensagens e foi posteriormente recuperado pelos investigadores durante a análise do celular do ex-banqueiro.

Segundo a corporação, os registros digitais apontam o nome e o usuário associado ao ministro como responsáveis pela última alteração do arquivo. A identificação nos metadados, por si só, não esclarece qual modificação foi realizada nem comprova a participação direta do magistrado na negociação comercial.

A informação acrescentou um novo elemento às apurações sobre a relação entre o escritório da família de Moraes e a instituição financeira de Vorcaro, especialmente diante dos valores previstos no acordo.

<>< Advogada afirmou ter consultado ministro sobre possíveis impedimentos

Em manifestação divulgada anteriormente, Viviane Barci de Moraes explicou que havia consultado o marido para verificar se existiam restrições jurídicas à contratação de seu escritório pelo Banco Master.

Segundo a advogada, a consulta foi feita a Moraes “na condição de marido da sócia diretora do referido escritório, sobre a eventual existência de impedimentos legais para a contratação nos termos propostos na minuta contratual, tais como ações no STF sobre sua relatoria ou mesmo participação em julgamentos de interesse do possível cliente”.

•        Defesas preveem devolução do Caso Master a Mendonça após o 2º turno das eleições

As equipes de defesa do banqueiro Daniel Vorcaro e de outros investigados apostam que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, devolverá os processos do Caso Master ao ministro André Mendonça após o segundo turno das eleições, informa Igor Gadelha, do Metrópoles.

A expectativa entre os advogados do banqueiro e de outras figuras enroladas nas investigações é de que Fachin manterá sob sua condução apenas as petições que citam outros integrantes do Supremo, entre eles, o ministro Alexandre de Moraes.

Antes da realização do primeiro turno, Fachin avocou para si a relatoria da discussão sobre a suposta relação entre Vorcaro e Moraes e determinou a remessa à Presidência do STF dos processos relacionados aos casos Master e INSS.

A decisão do presidente do Supremo foi tomada em 12 de setembro. Desde então, os dois rumorosos casos ficaram paralisados, à espera de uma nova definição de Fachin sobre a condução dos processos.

Nesta semana, o ministro discutiu o tema com a Polícia Federal (PF). Após a reunião, Fachin emitiu uma nota dizendo que aguarda a Procuradoria-Geral da República (PGR) para decidir os “encaminhamentos devidos”.

“A Presidência registrou que aguarda pronunciamento da Procuradoria-Geral da República na Petição (PET) 16704 para o fim de levar a efeito os encaminhamentos devidos, inclusive com relação a pedidos a serem analisados”, diz a nota divulgada pelo gabinete do presidente da Corte.

A expectativa das defesas é de que a situação seja destravada após a votação do segundo turno, com a devolução dos autos a Mendonça, ministro que vinha conduzindo as investigações relacionadas ao caso.

 

Fonte: Brasil 247

 

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