quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Valerio Arcary: Dias que valem por anos

Aconteceu algo raro, nos últimos quatro dias, algo extraordinário, colossal, magnífico e emocionante. Na noite de sexta-feira dia 9 de outubro em Belo Horizonte e depois, no domingo na Avenida Paulista, e no feriado em Copacabana, imensas manifestações de massa, na escala de centenas de milhares de pessoas, tomaram as ruas. Eram pessoas de distintas gerações, com grande presença tanto de estudantes como de adultos e idosos, com seus cartazes e incansáveis cânticos, em ativa participação e uma intensa disposição de luta.

A esquerda não fez nada tão grandioso nos últimos trinta e cinco anos, o intervalo de uma geração. O que estava presente era a vontade de anunciar, em alto e bom som, que não vamos perder esta eleição sem luta. A base social da esquerda brasileira se vestiu de vermelho, e mostrou a cara para demonstrar ao país que não se rende. O mais próximo foram as Jornadas de Junho de 2013, mas com as limitações políticas e contradições sociais, que conduziram a um desastre histórico a partir de 2015/16.

Foram tão poderosas que deixaram o campo bolsonarista na defensiva, e obrigaram Flávio Bolsonaro a apoiar a votação do fim da jornada 6×1. Muitos jovens que foram às ruas com a esquerda, pela primeira vez, descobriram a alegria de compartilhar um projeto político coletivo, e muitos veteranos lembraram o impacto da força social de choque “Diretas Já” e do “Fora Collor”. Milhões se mobilizaram, mesmo inquietos diante do perigo, porque sabem que têm razão de lutar até o fim, e acreditam que a vitória é ainda possível. Essa vontade é que pode mudar tudo até o domingo dia 25 de outubro.

Era possível que a fagulha das mobilizações da juventude, desde a noite da segunda-feira de 5 de outubro, fosse uma centelha que contagiasse a base social da esquerda. Elas iniciaram em forma auto-organizada e espontânea. Nenhuma das organizações sindicais, populares ou políticas da esquerda as convocou. Vieram de baixo para cima como uma reação ao resultado eleitoral do domingo à noite.

Era possível, mas ninguém poderia ter certeza. Não poucas vezes as “explosões” estudantis cumprem um papel de vanguarda social, e se esgotam antes de que as grandes massas entrem em cena. Mas desta vez não foi assim. Há uma percepção de urgência diante do perigo colocando em movimento milhões de pessoas. Na terça-feira de manhã a UNE fez um chamado nacional. O despertar da nova geração se estendeu por todo o país e, já na noite de terça-feira dia 6, os estudantes do Mackenzie, uma universidade particular em que o peso das forças reacionárias tem uma longa história, ao serem proibidos de fazer uma assembleia, ocuparam a Rua Maria Antônia, um local simbólico, pelos confrontos de 1968.

De quarta em diante foi uma avalanche da juventude por todo o país. Mas o mais espetacular, o mais maravilhoso, o mais sensacional veio em seguida, quando as mobilizações deram um salto de qualidade. Os trabalhadores e as organizações de mulheres, os LGBT’s e os movimentos negros, os ambientalistas e os artistas entraram cena e tudo mudou de dimensão.

Apostar que a faísca do movimento estudantil poderia incendiar Atos de massas era a melhor tática. O comando da campanha Lula compreendeu que era necessário trazer para a primeira linha os jovens quadros que se elegeram deputados federais, e que era vital reposicionar Lula em “ligação direta” nas redes sociais. Foi, porém, com algum atraso que respondeu ao chamado que vinha das ruas, ainda que a tempo de aproveitar o impulso de resistência, e garantir a presença de Lula em São Paulo.

Foi um erro não garantir sua ida ao Rio de Janeiro na segunda-feira. Mas estas hesitações não diminuem que a campanha teve uma vitória impressionante. Estamos de diante de um febril ativismo de esquerda nas redes sociais. Essa força que ocupou as ruas e redes não pode se perder. Temos doze dias que valem por anos.

Ao longo do fim de semana se precipitou uma crise sem precedentes no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), porque Kassio Nunes Marques decidiu censurar o grupo de Whatsapp de André Janones. Sua decisão foi anulada pelo corregedor do Tribunal e, na sequência, reiterada. Este abuso de poder indica até onde vai o perigo autoritário, ainda antes do segundo turno, o que sugere o que podermos esperar para depois.

O mesmo Kassio Nunes Marques se negou a autorizar a investigação das interferências de Donald Trump e as manipulações da Big Techs. Mas não é menos importante que a fração liberal burguesa tenha “subido no muro”. A grande mídia comercial desvalorizou o significado das gigantescas mobilizações de massas de apoio a Lula. Esta indiferença não é neutralidade jornalística.

Trata-se uma precificação do desenlace eleitoral para se proteger diante de uma possível vitória do bolsonarismo com medo de represálias. Ninguém com um mínimo de juízo pode desconhecer que o regime democrático estará ameaçado nos seus alicerces com a derrota de Lula e a ascensão ao poder de uma corrente de extrema-direita extremista liderada por um grupo fascistoide. A lição destes dois episódios do fim de semana é trágica.

A esquerda tem nas suas mãos a responsabilidade de defender todas as conquistas econômico-sociais desde o fim da ditadura, inclusive, as democráticas. A classe dominante, mesmo aqueles que não são bolsonaristas, se rendeu diante da iminência da catástrofe.

Ninguém pode prever qual será o desfecho destas eleições. Mas ainda que muito difícil ficou demonstrado que a virada é possível. O papel da direção da campanha Lula será decisivo a partir de agora. Não haverá tempo para corrigir erros de cálculo. A anulação das dívidas dos MEI’s foi uma decisão emergencial inteligente. Vai ser preciso aproveitar as novas denúncias das relações de Vorcaro com personalidades do bolsonarismo como Nunes Marques.

Mas permanece intacto o maior desafio:

(i)      anunciar, honestamente, com sentido autocrítico, um programa audacioso de mudanças – mais reformas, mais futuro, mais esperança;

(ii)      abraçar com coragem uma tática eleitoral de denúncia implacável da catástrofe apocalíptica para ampliar a rejeição do bolsonarismo entre os indecisos que não se interessam por política explicando tudo, pacientemente, na TV, nas redes e nas conversas, mas com empatia de quem entende suas hesitações.

(iii)     Uma linha de campanha de ousadia, inflamando a mobilização a “quente” com grandes Atos de massas. Sem estas iniciativas será difícil reduzir a abstenção na base eleitoral do lulismo, a chave da disputa. Não esquecer que os debates na televisão serão muito importantes. A imprevisibilidade nos atormenta, mas devemos lutar até o fim.

•        Uma disputa plebiscitária. Por Rodrigo de Abreu Pinto

No primeiro turno, a campanha de Lula olhou para trás. Na que deve ser a última eleição do presidente, a aposta foi exibir o legado acumulado em três mandatos e projetar, a partir dele, mais quatro anos.

A estratégia esbarrou num dado teimoso: o atual mandato do presidente Lula é mal avaliado. Na véspera da votação, em levantamento da Quaest, a aprovação era de 44%, contra 49% de desaprovação. As urnas confirmaram o diagnóstico. Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno na frente, ainda que por margem estreita, 47% contra 45% de Lula.

Em eleições assim, com um candidato à reeleição, a disputa é plebiscitária. Vota-se a favor ou contra a continuidade de quem está no poder.

Aqui, a primeira pergunta que o eleitor responde é “você quer mais quatro anos de Lula?”, e a maioria já disse que não (55% dos eleitores votaram em Flávio Bolsonaro, Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema). Resta a segunda, a que de fato decidirá o segundo turno: “mesmo que a continuidade de Lula não seja o ideal, você prefere um governo de Flávio Bolsonaro?”.

É essa que a campanha de Lula precisa responder até o dia 25 de outubro. Menos legado, mais retrato do que seria o governo de Flávio Bolsonaro. Se o primeiro turno apostou na esperança, o segundo terá de trabalhar o afeto oposto, o medo.

Até aqui, esse medo, onde existe, é pequeno demais para o tamanho da ameaça. No Datafolha de 6 a 8 de outubro, 46% não votariam em Lula de jeito nenhum, contra 43% que rejeitam Flávio Bolsonaro. A irritação com o presente ainda pesa mais que o receio do futuro.

Para a esquerda, que se reconhece na defesa de sonhos e projetos, trocar a esperança pelo medo é incômodo. Mas só essa flexibilidade tática pode adiar o fim do mundo, ao menos para que nos organizemos melhor para 2030, apoiados nos jovens progressistas que acabam de chegar ao Congresso. Um deles, Jones Manoel (PSol-PE), eleito deputado federal com 249 mil votos, resumiu a questão: “O objetivo da gente é ganhar a eleição, e não provar que Lula é maravilhoso”.

Por falar em fim do mundo, o filósofo Günther Anders enfrentou dilema parecido diante do risco nuclear. Depois que a bomba atômica varreu Hiroshima e Nagasaki do mapa, dizia-se por toda parte que o mundo vivia a “Era do Medo”. Günther Anders respondeu: “Nada é mais falso que o chavão popular de que já vivemos na ‘Era do Medo’. Tentam nos convencer disso somente aqueles que têm medo de que criemos o verdadeiro medo, isto é, aquele medo adequado ao perigo”.

Para Günther Anders, vivia-se, na verdade, a era da banalização do medo. As pessoas não sentiam medo suficiente e, por isso, quase ninguém cobrava dos governos proteção efetiva contra o risco atômico. Daí o seu conselho: “Amedronte seu vizinho como a si mesmo”. É o que falta fazer agora.

Nesse ponto, vale uma distinção. É verdade que o bolsonarismo também vive do medo, mas de um medo que divide. Elege parte da população como ameaça (o morador da periferia tratado como bandido, o nordestino acusado de “votar errado”, o “comunista” que ameaçaria a família, o imigrante que roubaria empregos e os gays e lésbicas, agentes da “ideologia de gênero”) e vende proteção a quem está do outro lado da linha.

Não é desse medo que se trata aqui. Trata-se do que o sociólogo Ulrich Beck examinou no clássico Sociedade de risco, ao tratar do medo diante de acidentes nucleares, da contaminação química e da crise ambiental. Um medo que, por ser de todos, produz solidariedade.

Com um eventual governo de Flávio Bolsonaro, há três razões principais para esse medo, e todas precisam chegar ao eleitor: (a) a perda de direitos sociais, com ataques aos programas sociais e à legislação trabalhista, incluindo a manutenção da escala 6×1; (b) a milicianização e a captura da máquina pública, na esteira das relações de Flávio com figuras como o miliciano Adriano da Nóbrega, o ex-assessor Fabrício Queiroz e o banqueiro Daniel Vorcaro; e (c) a entrega de todas as chaves da República a um só partido, dado que o PL já terá, a partir de 2027, a maior bancada da Câmara e também do Senado.

Bom lembrar que o PT já fez esse movimento no segundo turno de 2006. As conquistas dos quatro anos até ali, que ocupavam o centro da campanha como resposta ao mensalão, cederam lugar à associação de Geraldo Alckmin à privatização da Petrobras, do Banco do Brasil e dos Correios. Resultado: o tucano, que saiu do primeiro turno com quase 40 milhões de votos, terminou o segundo com 37,5 milhões.

Parte de quem vota em Lula já entendeu isso, ainda bem. O melhor exemplo é a série Revelando, disponível no YouTube, uma iniciativa do podcast Calma Urgente em parceria com o ICL Notícias e a Mídia Ninja, dedicada a expor os riscos de um eventual governo Flávio. Os episódios lançados até aqui trataram das relações de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, de sua atuação na defesa de policiais acusados de homicídio, de sua PEC para a privatização das praias e das suas ameaças à imagem de Nossa Senhora Aparecida.

A lição, porém, parece ainda não ter chegado à própria campanha, a julgar pelos três primeiros programas do horário eleitoral deste segundo turno, cada um com cinco minutos de duração. No primeiro programa, só um minuto e meio (os 45 segundos iniciais e os 45 finais) tratou de Flávio Bolsonaro. No segundo, apenas os 30 segundos finais. Já no terceiro, um minuto e meio (os 45 segundos iniciais e outros 45 na segunda metade) foi dedicado a Flávio Bolsonaro. Em nenhum dos três programas, as críticas diretas a Flávio Bolsonaro ocuparam mais de 30% do tempo.

Faltam menos de duas semanas. Günther Anders pedia coragem para ter medo, e é exatamente o que falta à campanha: coragem para dizer, com todas as letras, o que seria o Brasil sob Flávio Bolsonaro.

•        Morto, amordaçado. Por Samuel Kilsztajn

Em 8 de janeiro de 2023, Jair Messias Bolsonaro, do Partido Liberal, tentou tomar o poder por meio de um golpe fracassado, que o levou à prisão. Nas eleições de 2026, o Partido Liberal tornou-se o maior partido tanto na Câmara dos Deputados, com 121 das 513 cadeiras; como no Senado, com uma bancada de 28 dos 81 parlamentares.

Em 8 de novembro de 1923, Adolf Hitler, do Partido Nazista, também tentou tomar o poder por meio de um golpe fracassado, que o levou à prisão. Nas eleições de 1932, o Partido Nazista tornou-se o maior partido do Parlamento alemão, com 230 das 608 cadeiras. Em 1933, a partir de negociações com as elites conservadoras, Hitler foi nomeado chanceler e o Parlamento aprovou, em total desacordo com a ordem constitucional, uma lei que conferiu a Hitler plenos poderes para legislar e governar o país sem o consentimento parlamentar. A Lei de Plenos Poderes ao chanceler foi aprovada sob condições de repressão e intimidação dos parlamentares e abriu caminho para o completo desmantelamento da democracia alemã.

O III Reich, concebido para durar um milênio, durou intermináveis 12 anos e mergulhou a Alemanha e o mundo em uma das maiores catástrofes da história, destruição, morte e um rastro de sofrimento que invadiu a humanidade. Embora tenha nascido depois da Segunda Guerra Mundial, vivi os horrores da guerra desde sempre, sendo filho de dois sobreviventes de uma família que perdeu nove em cada dez de seus membros – ele como escravo em campos de concentração, ela deportada para a Sibéria.

Por obra do destino, nos últimos dias de 1953, ancoramos no Novo Mundo, nestas terras de imigrantes, que, de nativos, só têm os indígenas – quando aqui chegamos, nem sequer sabíamos que existia um país com o nome de Brasil. Poucos meses depois Getúlio Vargas se suicidou e, em 1961, fomos surpreendidos pela crise política desencadeada pela renúncia de Jânio Quadros. Meus pais pouco entendiam o que aqui se passava e, para desgosto deles, seu filho, que aqui escreve, aos dezesseis anos de idade, envolveu-se em política e acabou preso e torturado durante a Ditadura Militar que tomou conta do país por longos 21 anos.

No sábado, 10 de outubro de 2026, entre os dois turnos da eleição presidencial, voltando do Parque da Água Branca, fui fisgado pela Revelação, que o motorista do ônibus ia cantarolando enquanto seguia pela Avenida São João: “quando a gente tenta, de toda maneira, dele se guardar, sentimento ilhado, morto, amordaçado, volta a incomodar”.

O que há de errado com a democracia quando ela elege deputados e senadores que apoiam um governo que valoriza a ditadura, debocha da Constituição, arquiteta um golpe fracassado e, ainda assim, conquista maioria no Congresso?

O que buscam os eleitores? Sonham com o bezerro de ouro? Querem se apossar da Amazônia e acossar ainda mais uma vez os povos indígenas exterminados desde o “descobrimento” e, mais recentemente, com a ocupação do Planalto Central, a construção de um museu futurista a céu aberto, a expansão da fronteira agrícola e a abertura da Transamazônica? Querem flexibilizar as regras ambientais e favorecer o garimpo, o agronegócio e a exploração dos recursos naturais? Querem suprimir os já parcos direitos trabalhistas e sociais e privatizar o Estado? Querem escolas cívico-militares e facilitar o acesso às armas? Querem utilizar o voto para extinguir o próprio voto e instaurar um regime militar? Servem-se do voto para acabar com as eleições e a democracia? Um voto suicida?

O que há de errado com uma democracia quando o voto é usado para abolir as próprias regras do jogo democrático? Acordei no meio da noite impelido a escrever este texto e agora me deu um cansaço medonho…

… saio para fazer aula de Tai Chi – isto deve me fazer bem. Mas, no caminho, lembro que estou sem a roupa apropriada e a sapatilha. Mas não faz mal, isso se ajeita. Também estou sem o documento que devo apresentar para fazer a aula e sequer lembro o meu número de matrícula. Consegui o número de matrícula e vou apanhar o ônibus que vai me levar à aula de Tai Chi. Mas agora não lembro mais meu número de matrícula, não sei qual ônibus devo tomar, nem onde fica a academia. Mas não faz mal…

… fico angustiado. Não faz mal? Isso poderia ser corriqueiro para uma pessoa normal, não para mim, que sou extremamente metódico, que é a forma que me faz sobreviver neste mundo caótico. Então acordo do sonho e volto a escrever este texto para dizer que não estou com a roupa apropriada, estou sem a minha carteira, não sei meu número de matrícula, qual é o ônibus que devo apanhar, nem qual é o caminho que devo seguir…

Nota: Durante as eleições municipais de outubro de 2024, eu estava viajando. Na volta, levei os cartões de embarque e fiquei na fila para justificar o meu (não) voto. Mas a funcionária da Justiça Eleitoral disse: “Meu senhor, com a sua idade, o senhor não precisa mais justificar o seu (não) voto”. No dia 4 de outubro de 2026, tive um problema com a burocracia estatal: levei meu título de eleitor original e a cópia autenticada da carteira de identidade que carrego comigo. O mesário disse que a minha foto (de 1982), na cópia, estava irreconhecível. Informou que eu poderia apresentar a carteira de trabalho, desde que fosse original (e eu expliquei que a foto na carteira era de boa qualidade, mas que eu tinha então 17 anos de idade). Voltei para casa e trouxe a carteira de trabalho, mas ele não aceitou. Dentro dela, contudo, estava minha carteira de identidade original, que acabou sendo aceita. Mas não acabou por aí: ele queria a digital; informei que não funcionava; tentaram várias vezes e, por fim, a mesária usou a digital dela, que funcionou (achei estranho, mas faz parte das normas) e consegui votar. Agora, para o segundo turno, já sei, devo levar a carteira de identidade original.

 

Fonte: A Terra é Redonda

 

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