Valerio
Arcary: Dias que valem por anos
Aconteceu
algo raro, nos últimos quatro dias, algo extraordinário, colossal, magnífico e
emocionante. Na noite de sexta-feira dia 9 de outubro em Belo Horizonte e
depois, no domingo na Avenida Paulista, e no feriado em Copacabana, imensas
manifestações de massa, na escala de centenas de milhares de pessoas, tomaram
as ruas. Eram pessoas de distintas gerações, com grande presença tanto de
estudantes como de adultos e idosos, com seus cartazes e incansáveis cânticos,
em ativa participação e uma intensa disposição de luta.
A
esquerda não fez nada tão grandioso nos últimos trinta e cinco anos, o
intervalo de uma geração. O que estava presente era a vontade de anunciar, em
alto e bom som, que não vamos perder esta eleição sem luta. A base social da
esquerda brasileira se vestiu de vermelho, e mostrou a cara para demonstrar ao
país que não se rende. O mais próximo foram as Jornadas de Junho de 2013, mas
com as limitações políticas e contradições sociais, que conduziram a um
desastre histórico a partir de 2015/16.
Foram
tão poderosas que deixaram o campo bolsonarista na defensiva, e obrigaram
Flávio Bolsonaro a apoiar a votação do fim da jornada 6×1. Muitos jovens que
foram às ruas com a esquerda, pela primeira vez, descobriram a alegria de
compartilhar um projeto político coletivo, e muitos veteranos lembraram o
impacto da força social de choque “Diretas Já” e do “Fora Collor”. Milhões se
mobilizaram, mesmo inquietos diante do perigo, porque sabem que têm razão de
lutar até o fim, e acreditam que a vitória é ainda possível. Essa vontade é que
pode mudar tudo até o domingo dia 25 de outubro.
Era
possível que a fagulha das mobilizações da juventude, desde a noite da
segunda-feira de 5 de outubro, fosse uma centelha que contagiasse a base social
da esquerda. Elas iniciaram em forma auto-organizada e espontânea. Nenhuma das
organizações sindicais, populares ou políticas da esquerda as convocou. Vieram
de baixo para cima como uma reação ao resultado eleitoral do domingo à noite.
Era
possível, mas ninguém poderia ter certeza. Não poucas vezes as “explosões”
estudantis cumprem um papel de vanguarda social, e se esgotam antes de que as
grandes massas entrem em cena. Mas desta vez não foi assim. Há uma percepção de
urgência diante do perigo colocando em movimento milhões de pessoas. Na
terça-feira de manhã a UNE fez um chamado nacional. O despertar da nova geração
se estendeu por todo o país e, já na noite de terça-feira dia 6, os estudantes
do Mackenzie, uma universidade particular em que o peso das forças reacionárias
tem uma longa história, ao serem proibidos de fazer uma assembleia, ocuparam a
Rua Maria Antônia, um local simbólico, pelos confrontos de 1968.
De
quarta em diante foi uma avalanche da juventude por todo o país. Mas o mais
espetacular, o mais maravilhoso, o mais sensacional veio em seguida, quando as
mobilizações deram um salto de qualidade. Os trabalhadores e as organizações de
mulheres, os LGBT’s e os movimentos negros, os ambientalistas e os artistas
entraram cena e tudo mudou de dimensão.
Apostar
que a faísca do movimento estudantil poderia incendiar Atos de massas era a
melhor tática. O comando da campanha Lula compreendeu que era necessário trazer
para a primeira linha os jovens quadros que se elegeram deputados federais, e
que era vital reposicionar Lula em “ligação direta” nas redes sociais. Foi,
porém, com algum atraso que respondeu ao chamado que vinha das ruas, ainda que
a tempo de aproveitar o impulso de resistência, e garantir a presença de Lula
em São Paulo.
Foi um
erro não garantir sua ida ao Rio de Janeiro na segunda-feira. Mas estas
hesitações não diminuem que a campanha teve uma vitória impressionante. Estamos
de diante de um febril ativismo de esquerda nas redes sociais. Essa força que
ocupou as ruas e redes não pode se perder. Temos doze dias que valem por anos.
Ao
longo do fim de semana se precipitou uma crise sem precedentes no TSE (Tribunal
Superior Eleitoral), porque Kassio Nunes Marques decidiu censurar o grupo de
Whatsapp de André Janones. Sua decisão foi anulada pelo corregedor do Tribunal
e, na sequência, reiterada. Este abuso de poder indica até onde vai o perigo
autoritário, ainda antes do segundo turno, o que sugere o que podermos esperar
para depois.
O mesmo
Kassio Nunes Marques se negou a autorizar a investigação das interferências de
Donald Trump e as manipulações da Big Techs. Mas não é menos importante que a
fração liberal burguesa tenha “subido no muro”. A grande mídia comercial
desvalorizou o significado das gigantescas mobilizações de massas de apoio a
Lula. Esta indiferença não é neutralidade jornalística.
Trata-se
uma precificação do desenlace eleitoral para se proteger diante de uma possível
vitória do bolsonarismo com medo de represálias. Ninguém com um mínimo de juízo
pode desconhecer que o regime democrático estará ameaçado nos seus alicerces
com a derrota de Lula e a ascensão ao poder de uma corrente de extrema-direita
extremista liderada por um grupo fascistoide. A lição destes dois episódios do
fim de semana é trágica.
A
esquerda tem nas suas mãos a responsabilidade de defender todas as conquistas
econômico-sociais desde o fim da ditadura, inclusive, as democráticas. A classe
dominante, mesmo aqueles que não são bolsonaristas, se rendeu diante da
iminência da catástrofe.
Ninguém
pode prever qual será o desfecho destas eleições. Mas ainda que muito difícil
ficou demonstrado que a virada é possível. O papel da direção da campanha Lula
será decisivo a partir de agora. Não haverá tempo para corrigir erros de
cálculo. A anulação das dívidas dos MEI’s foi uma decisão emergencial
inteligente. Vai ser preciso aproveitar as novas denúncias das relações de
Vorcaro com personalidades do bolsonarismo como Nunes Marques.
Mas
permanece intacto o maior desafio:
(i) anunciar, honestamente, com sentido
autocrítico, um programa audacioso de mudanças – mais reformas, mais futuro,
mais esperança;
(ii) abraçar com coragem uma tática eleitoral
de denúncia implacável da catástrofe apocalíptica para ampliar a rejeição do
bolsonarismo entre os indecisos que não se interessam por política explicando
tudo, pacientemente, na TV, nas redes e nas conversas, mas com empatia de quem
entende suas hesitações.
(iii) Uma linha de campanha de ousadia,
inflamando a mobilização a “quente” com grandes Atos de massas. Sem estas
iniciativas será difícil reduzir a abstenção na base eleitoral do lulismo, a
chave da disputa. Não esquecer que os debates na televisão serão muito
importantes. A imprevisibilidade nos atormenta, mas devemos lutar até o fim.
• Uma disputa plebiscitária. Por Rodrigo
de Abreu Pinto
No
primeiro turno, a campanha de Lula olhou para trás. Na que deve ser a última
eleição do presidente, a aposta foi exibir o legado acumulado em três mandatos
e projetar, a partir dele, mais quatro anos.
A
estratégia esbarrou num dado teimoso: o atual mandato do presidente Lula é mal
avaliado. Na véspera da votação, em levantamento da Quaest, a aprovação era de
44%, contra 49% de desaprovação. As urnas confirmaram o diagnóstico. Flávio
Bolsonaro terminou o primeiro turno na frente, ainda que por margem estreita,
47% contra 45% de Lula.
Em
eleições assim, com um candidato à reeleição, a disputa é plebiscitária.
Vota-se a favor ou contra a continuidade de quem está no poder.
Aqui, a
primeira pergunta que o eleitor responde é “você quer mais quatro anos de
Lula?”, e a maioria já disse que não (55% dos eleitores votaram em Flávio
Bolsonaro, Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema). Resta a
segunda, a que de fato decidirá o segundo turno: “mesmo que a continuidade de
Lula não seja o ideal, você prefere um governo de Flávio Bolsonaro?”.
É essa
que a campanha de Lula precisa responder até o dia 25 de outubro. Menos legado,
mais retrato do que seria o governo de Flávio Bolsonaro. Se o primeiro turno
apostou na esperança, o segundo terá de trabalhar o afeto oposto, o medo.
Até
aqui, esse medo, onde existe, é pequeno demais para o tamanho da ameaça. No
Datafolha de 6 a 8 de outubro, 46% não votariam em Lula de jeito nenhum, contra
43% que rejeitam Flávio Bolsonaro. A irritação com o presente ainda pesa mais
que o receio do futuro.
Para a
esquerda, que se reconhece na defesa de sonhos e projetos, trocar a esperança
pelo medo é incômodo. Mas só essa flexibilidade tática pode adiar o fim do
mundo, ao menos para que nos organizemos melhor para 2030, apoiados nos jovens
progressistas que acabam de chegar ao Congresso. Um deles, Jones Manoel
(PSol-PE), eleito deputado federal com 249 mil votos, resumiu a questão: “O
objetivo da gente é ganhar a eleição, e não provar que Lula é maravilhoso”.
Por
falar em fim do mundo, o filósofo Günther Anders enfrentou dilema parecido
diante do risco nuclear. Depois que a bomba atômica varreu Hiroshima e Nagasaki
do mapa, dizia-se por toda parte que o mundo vivia a “Era do Medo”. Günther
Anders respondeu: “Nada é mais falso que o chavão popular de que já vivemos na
‘Era do Medo’. Tentam nos convencer disso somente aqueles que têm medo de que
criemos o verdadeiro medo, isto é, aquele medo adequado ao perigo”.
Para
Günther Anders, vivia-se, na verdade, a era da banalização do medo. As pessoas
não sentiam medo suficiente e, por isso, quase ninguém cobrava dos governos
proteção efetiva contra o risco atômico. Daí o seu conselho: “Amedronte seu
vizinho como a si mesmo”. É o que falta fazer agora.
Nesse
ponto, vale uma distinção. É verdade que o bolsonarismo também vive do medo,
mas de um medo que divide. Elege parte da população como ameaça (o morador da
periferia tratado como bandido, o nordestino acusado de “votar errado”, o
“comunista” que ameaçaria a família, o imigrante que roubaria empregos e os
gays e lésbicas, agentes da “ideologia de gênero”) e vende proteção a quem está
do outro lado da linha.
Não é
desse medo que se trata aqui. Trata-se do que o sociólogo Ulrich Beck examinou
no clássico Sociedade de risco, ao tratar do medo diante de acidentes
nucleares, da contaminação química e da crise ambiental. Um medo que, por ser
de todos, produz solidariedade.
Com um
eventual governo de Flávio Bolsonaro, há três razões principais para esse medo,
e todas precisam chegar ao eleitor: (a) a perda de direitos sociais, com
ataques aos programas sociais e à legislação trabalhista, incluindo a
manutenção da escala 6×1; (b) a milicianização e a captura da máquina pública,
na esteira das relações de Flávio com figuras como o miliciano Adriano da
Nóbrega, o ex-assessor Fabrício Queiroz e o banqueiro Daniel Vorcaro; e (c) a
entrega de todas as chaves da República a um só partido, dado que o PL já terá,
a partir de 2027, a maior bancada da Câmara e também do Senado.
Bom
lembrar que o PT já fez esse movimento no segundo turno de 2006. As conquistas
dos quatro anos até ali, que ocupavam o centro da campanha como resposta ao
mensalão, cederam lugar à associação de Geraldo Alckmin à privatização da
Petrobras, do Banco do Brasil e dos Correios. Resultado: o tucano, que saiu do
primeiro turno com quase 40 milhões de votos, terminou o segundo com 37,5
milhões.
Parte
de quem vota em Lula já entendeu isso, ainda bem. O melhor exemplo é a série
Revelando, disponível no YouTube, uma iniciativa do podcast Calma Urgente em
parceria com o ICL Notícias e a Mídia Ninja, dedicada a expor os riscos de um
eventual governo Flávio. Os episódios lançados até aqui trataram das relações
de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, de sua atuação na defesa de policiais
acusados de homicídio, de sua PEC para a privatização das praias e das suas
ameaças à imagem de Nossa Senhora Aparecida.
A
lição, porém, parece ainda não ter chegado à própria campanha, a julgar pelos
três primeiros programas do horário eleitoral deste segundo turno, cada um com
cinco minutos de duração. No primeiro programa, só um minuto e meio (os 45
segundos iniciais e os 45 finais) tratou de Flávio Bolsonaro. No segundo,
apenas os 30 segundos finais. Já no terceiro, um minuto e meio (os 45 segundos
iniciais e outros 45 na segunda metade) foi dedicado a Flávio Bolsonaro. Em
nenhum dos três programas, as críticas diretas a Flávio Bolsonaro ocuparam mais
de 30% do tempo.
Faltam
menos de duas semanas. Günther Anders pedia coragem para ter medo, e é
exatamente o que falta à campanha: coragem para dizer, com todas as letras, o
que seria o Brasil sob Flávio Bolsonaro.
• Morto, amordaçado. Por Samuel Kilsztajn
Em 8 de
janeiro de 2023, Jair Messias Bolsonaro, do Partido Liberal, tentou tomar o
poder por meio de um golpe fracassado, que o levou à prisão. Nas eleições de
2026, o Partido Liberal tornou-se o maior partido tanto na Câmara dos
Deputados, com 121 das 513 cadeiras; como no Senado, com uma bancada de 28 dos
81 parlamentares.
Em 8 de
novembro de 1923, Adolf Hitler, do Partido Nazista, também tentou tomar o poder
por meio de um golpe fracassado, que o levou à prisão. Nas eleições de 1932, o
Partido Nazista tornou-se o maior partido do Parlamento alemão, com 230 das 608
cadeiras. Em 1933, a partir de negociações com as elites conservadoras, Hitler
foi nomeado chanceler e o Parlamento aprovou, em total desacordo com a ordem
constitucional, uma lei que conferiu a Hitler plenos poderes para legislar e
governar o país sem o consentimento parlamentar. A Lei de Plenos Poderes ao
chanceler foi aprovada sob condições de repressão e intimidação dos
parlamentares e abriu caminho para o completo desmantelamento da democracia
alemã.
O III
Reich, concebido para durar um milênio, durou intermináveis 12 anos e mergulhou
a Alemanha e o mundo em uma das maiores catástrofes da história, destruição,
morte e um rastro de sofrimento que invadiu a humanidade. Embora tenha nascido
depois da Segunda Guerra Mundial, vivi os horrores da guerra desde sempre,
sendo filho de dois sobreviventes de uma família que perdeu nove em cada dez de
seus membros – ele como escravo em campos de concentração, ela deportada para a
Sibéria.
Por
obra do destino, nos últimos dias de 1953, ancoramos no Novo Mundo, nestas
terras de imigrantes, que, de nativos, só têm os indígenas – quando aqui
chegamos, nem sequer sabíamos que existia um país com o nome de Brasil. Poucos
meses depois Getúlio Vargas se suicidou e, em 1961, fomos surpreendidos pela
crise política desencadeada pela renúncia de Jânio Quadros. Meus pais pouco
entendiam o que aqui se passava e, para desgosto deles, seu filho, que aqui
escreve, aos dezesseis anos de idade, envolveu-se em política e acabou preso e
torturado durante a Ditadura Militar que tomou conta do país por longos 21
anos.
No
sábado, 10 de outubro de 2026, entre os dois turnos da eleição presidencial,
voltando do Parque da Água Branca, fui fisgado pela Revelação, que o motorista
do ônibus ia cantarolando enquanto seguia pela Avenida São João: “quando a
gente tenta, de toda maneira, dele se guardar, sentimento ilhado, morto,
amordaçado, volta a incomodar”.
O que
há de errado com a democracia quando ela elege deputados e senadores que apoiam
um governo que valoriza a ditadura, debocha da Constituição, arquiteta um golpe
fracassado e, ainda assim, conquista maioria no Congresso?
O que
buscam os eleitores? Sonham com o bezerro de ouro? Querem se apossar da
Amazônia e acossar ainda mais uma vez os povos indígenas exterminados desde o
“descobrimento” e, mais recentemente, com a ocupação do Planalto Central, a
construção de um museu futurista a céu aberto, a expansão da fronteira agrícola
e a abertura da Transamazônica? Querem flexibilizar as regras ambientais e
favorecer o garimpo, o agronegócio e a exploração dos recursos naturais? Querem
suprimir os já parcos direitos trabalhistas e sociais e privatizar o Estado?
Querem escolas cívico-militares e facilitar o acesso às armas? Querem utilizar
o voto para extinguir o próprio voto e instaurar um regime militar? Servem-se
do voto para acabar com as eleições e a democracia? Um voto suicida?
O que
há de errado com uma democracia quando o voto é usado para abolir as próprias
regras do jogo democrático? Acordei no meio da noite impelido a escrever este
texto e agora me deu um cansaço medonho…
… saio
para fazer aula de Tai Chi – isto deve me fazer bem. Mas, no caminho, lembro
que estou sem a roupa apropriada e a sapatilha. Mas não faz mal, isso se
ajeita. Também estou sem o documento que devo apresentar para fazer a aula e
sequer lembro o meu número de matrícula. Consegui o número de matrícula e vou
apanhar o ônibus que vai me levar à aula de Tai Chi. Mas agora não lembro mais
meu número de matrícula, não sei qual ônibus devo tomar, nem onde fica a
academia. Mas não faz mal…
… fico
angustiado. Não faz mal? Isso poderia ser corriqueiro para uma pessoa normal,
não para mim, que sou extremamente metódico, que é a forma que me faz
sobreviver neste mundo caótico. Então acordo do sonho e volto a escrever este
texto para dizer que não estou com a roupa apropriada, estou sem a minha
carteira, não sei meu número de matrícula, qual é o ônibus que devo apanhar,
nem qual é o caminho que devo seguir…
Nota:
Durante as eleições municipais de outubro de 2024, eu estava viajando. Na
volta, levei os cartões de embarque e fiquei na fila para justificar o meu
(não) voto. Mas a funcionária da Justiça Eleitoral disse: “Meu senhor, com a
sua idade, o senhor não precisa mais justificar o seu (não) voto”. No dia 4 de
outubro de 2026, tive um problema com a burocracia estatal: levei meu título de
eleitor original e a cópia autenticada da carteira de identidade que carrego
comigo. O mesário disse que a minha foto (de 1982), na cópia, estava
irreconhecível. Informou que eu poderia apresentar a carteira de trabalho,
desde que fosse original (e eu expliquei que a foto na carteira era de boa
qualidade, mas que eu tinha então 17 anos de idade). Voltei para casa e trouxe a
carteira de trabalho, mas ele não aceitou. Dentro dela, contudo, estava minha
carteira de identidade original, que acabou sendo aceita. Mas não acabou por
aí: ele queria a digital; informei que não funcionava; tentaram várias vezes e,
por fim, a mesária usou a digital dela, que funcionou (achei estranho, mas faz
parte das normas) e consegui votar. Agora, para o segundo turno, já sei, devo
levar a carteira de identidade original.
Fonte:
A Terra é Redonda

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