México:
Alta aprovação de Sheinbaum se deve à sua forma de 'tourear' Donald Trump, diz
analista
Especialistas
ouvidos pelo Mundioka atribuem popularidade da presidente mexicana em pesquisa
de presidentes da América Latina à defesa da soberania, aos programas sociais e
à condução das relações com Washington.
Em uma
pesquisa realizada pela empresa de opinião pública CB Global Data em outubro, a
presidente do México, Claudia Sheinbaum, é a líder latino-americana mais
popular, com 69% de aprovação e um índice de rejeição de 28,3%.
É a
segunda vez que Sheinbaum ocupa a liderança do ranking, tendo tirado Nayib
Bukele, presidente de El Salvador, que agora está em segundo lugar, com 68,3%.
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, está em oitavo lugar, com
45,3%.
Em
relação à líder mexicana, o sucesso na popularidade se dá em meio à pressão
exercida por Washington: crise migratória entre fronteiras e ações estadunidenses
contra o narcotráfico
ameaçam a segurança do país, enquanto há questões tarifárias colocadas na
relação comercial entre os dois países.
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Discurso de soberania e pautas sociais
O que
pode explicar esse nível de aprovação de Sheinbaum pode ser a combinação de
alguns fatores, como os bons resultados de programas sociais de seu governo e
seu discurso pragmático com os EUA — defendendo a soberania do México enquanto negocia com
Donald Trump, presidente norte-americano, no que pode —, explica Alexandre
Coelho, doutor em relações internacionais pela Universidade de São Paulo e
fellow da Helsinki Geoconomics Society.
"Ou
seja, a Sheinbaum acaba combinando diversas frentes ao mesmo tempo, e que são
difíceis de combinar, mas ela consegue fazer programas sociais, mais defesa de
soberania, e também ela toma muito cuidado com a questão das contas
públicas", afirma o também professor de relações internacionais da
Fundação Armando Alves Penteado (FAAP) ao Mundioka, podcast da Sputnik Brasil.
"Então
ela está tendo essa maestria de fazer isso. Eu acho que isso é que dá o apoio,
a população apoia isso. E, veja, para você ter um índice alto desse, não é só
um nicho específico da população, pelo contrário, você pode somar a elite mais
a população menos favorecida."
A
experiência mexicana também pode oferecer elementos ao debate sobre as
dificuldades de comunicação da esquerda brasileira com parcelas do eleitorado,
especialmente após o resultado do primeiro turno das eleições de 2026. Para
Coelho, um dos aspectos a observar é a capacidade de Sheinbaum de conciliar a
manutenção dos programas sociais com a responsabilidade fiscal e as políticas
de segurança pública.
"Ela
não colocou de lado as preocupações fiscais para, ao mesmo tempo, conseguir
manter os benefícios e as questões sociais. Ela tentou trabalhar esses dois
pontos juntos e, ao mesmo tempo, a segurança também", explica. Os dados
fiscais e sociais ajudam a contextualizar a avaliação. Em 2025, o déficit
orçamentário do México caiu de 5% para 3,9% do PIB, enquanto os gastos com
desenvolvimento social atingiram 13,1% do PIB, segundo a Secretaria da Fazenda
do país.
Na
segurança pública, dados preliminares do governo apontaram uma redução de quase
40% na média diária de homicídios entre setembro de 2024 e dezembro de 2025.
O
pesquisador ressalta, contudo, que a experiência mexicana não deve ser tratada
como uma fórmula pronta para o Brasil. As diferenças políticas, sociais e
econômicas entre os dois países precisam ser consideradas antes de qualquer
tentativa de reproduzir as políticas adotadas pelo governo de Sheinbaum.
"Pegar
políticas públicas, ou a forma de lidar com questões de política externa, ou o
que a gente vê em outro país, e aplicar, como uma receita pronta, em outro,
como o caso do Brasil, isso não funciona. […] O que está funcionando no México
não necessariamente vai funcionar aqui no Brasil."
Coelho
pondera ainda que o índice de aprovação da presidente mexicana não garante a
manutenção do apoio popular até as próximas eleições. Como avalia, o desempenho
de Sheinbaum deve ser acompanhado ao longo do mandato, considerando tanto os
resultados de suas políticas públicas quanto a capacidade de responder às
demandas da população.
Somando
à conversa, João Estevam, professor de relações internacionais da Universidade
Anhembi Morumbi, pontua que a forma como a presidente lida com Donald Trump,
principalmente, afeta a sua popularidade com os mexicanos, dada a integração
econômica entre os dois países e a influência de Washington sobre questões comerciais
e de segurança
no México.
Ao
mesmo tempo, Estevam ressalta que as medidas internas, como a valorização da
renda dos trabalhadores e as reformas sociais, são fundamentais para
compreender o apoio à presidente.
Além
disso, a redução das tensões com o governo Trump pode representar um ganho
político para Sheinbaum, que busca preservar a autonomia mexicana sem
interromper a cooperação bilateral. Segundo o professor, a capacidade de
negociar com Washington sem demonstrar subordinação, aliada aos resultados
domésticos, ajuda a fortalecer a imagem da mandatária.
"Eu
diria que esses são os três fatores principais que a gente tem que analisar: a
postura política "de igual para igual", não subordinada aos Estados
Unidos; o grau de capitalização política, com as reformas socioeconômicas
internas; e também essa ausência, ou essa diminuição, nas tensões com os
Estados Unidos."
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México e Canadá: como cada um lida com os EUA?
Estevam
ressalta que a economia dos EUA está mais atrelada à do México, na comparação
com o Canadá. Em 2024, mais de 80% das exportações mexicanas de mercadorias
tiveram como destino o mercado estadunidense, enquanto os Estados Unidos
responderam por 75,9% das exportações
canadenses.
Os dois países também mantêm cadeias produtivas integradas com Washington,
especialmente nos setores automotivo, eletrônico e energético.
Segundo
o especialista, essa dependência limita a margem de manobra da política externa
mexicana, uma vez que eventuais restrições comerciais impostas pelos EUA podem
afetar diretamente a economia do país. A vulnerabilidade também se estende aos
investimentos diretos, às fontes de financiamento e aos empréstimos
internacionais.
"Quando
você tem um processo de integração e de dependência tão forte, você tem um
conjunto de instabilidades possíveis, a depender da posição que a economia mais
forte vai tomar."
Apesar
disso, o México pode buscar alternativas por meio da cooperação com outros
países e organizações internacionais, além de ampliar mecanismos de
financiamento e investimentos externos, inclusive com a China. Estevam cita a
Aliança do Pacífico como uma das instituições regionais que podem contribuir
para diversificar as relações internacionais mexicanas.
"Tudo
depende de muita capacidade de negociação diplomática que um governo tem."
Para Estevam, o governo de Claudia Sheinbaum precisa recorrer ao pragmatismo
diplomático para buscar alternativas à dependência dos EUA, sem ignorar a
importância da relação econômica bilateral.
Para
Coelho, a postura mexicana diante de Washington se caracteriza pela combinação
de firmeza na defesa da soberania nacional e cautela nas relações diplomáticas.
Sheinbaum adota um tom mais cuidadoso ao lidar com Donald Trump, enquanto o
primeiro-ministro canadense, Mark Carney, tem respondido de maneira mais
contundente às pressões norte-americanas.
No
final de agosto, o Canadá e os EUA encerraram suas
negociações
após medidas impostas por Washington de última hora terem sido rejeitadas por
Ottawa, como restrições comerciais e eliminação da rotulagem bilíngue
obrigatória para o inglês e o francês. Nos dias seguintes, a Casa Branca
retomou tarifas adicionais de 50% sobre determinados produtos canadenses,
enquanto o governo do Canadá anunciou novas tarifas retaliatórias sobre cerca
de US$ 20 bilhões em exportações estadunidenses.
"Eu
tenho a impressão de que a Sheinbaum consegue, com um discurso, com um perfil
muito diplomático, 'tourear' o Donald Trump."
O
especialista acrescenta que a presidente mexicana também demonstra disposição
para estabelecer limites, como no envio de tropas à fronteira quando
necessário, sem descartar concessões em questões econômicas e de segurança.
Na sua
avaliação, as diferenças entre os dois países também passam pela relação com a
China. O México já mantém vínculos econômicos com Pequim, enquanto a
aproximação canadense e as tentativas de estabelecer novos acordos com os
chineses acrescentaram uma fonte de tensão às relações entre Ottawa e
Washington.
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'É ideológico': Milei privatiza empresa de água de Buenos
Aires e prepara venda de outros ativos
O
governo argentino vendeu 90% da AySA, responsável pelo abastecimento de água de
14 milhões de pessoas, por US$ 340,2 milhões (R$ 1,7 bilhão) e prepara a
privatização de hidrelétricas, ferrovias de carga e parte do setor nuclear para
obter divisas em um ano eleitoral.
O presidente da
Argentina, Javier Milei, avança com seu programa de privatização acelerada de
ativos estatais. O governo adjudicou 90% das ações da Água e Saneamento da
Argentina (AySA), maior empresa do setor no país, responsável pelo atendimento
à população de Buenos Aires e de sua região metropolitana. O consórcio vencedor
ofereceu US$ 340,2 milhões, valor que ficou abaixo das expectativas oficiais.
Quando
lançou a licitação, em maio, o governo estimava arrecadar cerca de US$ 500
milhões (R$ 2,5 bilhões). A disputa também teve participação limitada: das 17
empresas que demonstraram interesse no processo, apenas dois consórcios, ambos
argentinos, apresentaram propostas formais.
O grupo
vencedor reúne capital financeiro internacional, empresários locais e uma
operadora brasileira de saneamento (controlada pela Equipav), que ficará
responsável pela gestão técnica do
serviço.
O sócio majoritário, com 55% de participação no consórcio, é um veículo de
investimento registrado em Londres em agosto, menos de um mês antes da
apresentação das propostas.
A
operação devolve o serviço à iniciativa privada 20 anos depois de sua
reestatização, quando o então presidente Néstor Kirchner (2003-2007) rescindiu
o contrato após repetidos descumprimentos dos investimentos previstos.
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Privatizações avançam sobre energia e transportes
A venda
abre uma nova etapa do programa de privatizações do governo Milei. Em 11 de
novembro, serão abertas as propostas para três linhas ferroviárias de carga,
importantes para o transporte de grãos,
minerais e insumos
destinados à formação de Vaca Muerta. Em dezembro, vencem as concessões de
quatro usinas hidrelétricas nas províncias de Mendoza, na região andina,
Chubut, na Patagônia, e Santiago del Estero, no norte do país.
A etapa
mais sensível está prevista para 2027, quando o governo pretende vender 44% da
Nucleoeléctrica Argentina, empresa responsável pela operação das três usinas
nucleares do país, além de duas usinas termelétricas da Energía Argentina.
O
governo pretende arrecadar aproximadamente US$ 1,5 bilhão (R$ 7,5 bilhões) em
2027 com privatizações e concessões para cobrir compromissos
da dívida externa
antes do fim do mandato de Milei. O ano também será marcado pelas eleições
presidenciais, período que historicamente aumenta a volatilidade cambial e
reduz o apetite dos investidores pela dívida argentina.
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'Não é uma decisão econômica, é ideológica'
Para o
historiador Alejandro Olmos Gaona, especialista em dívida externa e processos
de privatização, a venda da AySA não se explica por razões econômicas. "O
que chama a atenção nessa decisão é que ela não responde a uma questão
econômica: nos últimos tempos, a empresa deixou de ser deficitária, em parte
devido ao forte reajuste das tarifas promovido pelo governo. Não é uma decisão
econômica. O argumento é ideológico: abrir espaço para o setor privado,
independentemente da empresa em questão", afirmou à Sputnik.
Segundo
o historiador, os principais efeitos serão sentidos pela população. "Se a
empresa passar para as mãos da iniciativa privada, o Estado deixará de ter
responsabilidade direta perante os usuários em uma questão muito sensível. O
problema passará a ser tratado entre agentes privados, que poderão ter mais
liberdade para definir tarifas, inclusive em períodos de dificuldades
econômicas", disse.
Em
entrevista à Sputnik, o deputado nacional
peronista
Pablo Yedlin, integrante da oposição reunida na coalizão Unión por la Patria,
também criticou as privatizações. "Essas privatizações atingem diretamente
setores estratégicos do país, sobretudo porque o processo está fora de
controle. Tudo o que for vendido será muito difícil de recuperar",
advertiu.
O
parlamentar também questionou a venda parcial da empresa que opera as três
usinas nucleares argentinas. "Privatizar a Nucleoeléctrica ou as empresas
responsáveis pela energia nuclear é contraditório com o discurso de defesa
da soberania
adotado pelo governo, por exemplo, em relação às Malvinas", afirmou, em
referência à reivindicação argentina sobre o arquipélago.
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Venda de ativos busca garantir dólares para a dívida
Entre
os especialistas, há consenso de que o governo precisa reforçar as reservas em
moeda estrangeira para atravessar o ano eleitoral sem grandes turbulências
financeiras. Moisés Solorza, ex-secretário de Energia da província de Tierra
del Fuego, no sul da Argentina, afirmou à Sputnik que o governo precisa obter
divisas com urgência para pagar os compromissos previstos para 2027.
"Por
recomendação do Fundo Monetário
Internacional,
o governo precisa urgentemente conseguir divisas para enfrentar os vencimentos
do próximo ano, que ultrapassam US$ 20 bilhões [R$ 100,5 bilhões]. A situação é
de desespero, o que é compreensível diante dos problemas financeiros aos quais
estamos acostumados", declarou.
Solorza
também manifestou preocupação com a segurança energética do país, que, segundo
ele, ficará nas mãos de operadores que não teriam condições de garantir sua
integridade, especialmente no setor nuclear. Sobre a possibilidade de um futuro
governo de orientação política diferente reestatizar as empresas vendidas,
Olmos Gaona afirmou que a legislação pode ser modificada.
"Uma
lei pode ser revogada por outra sem nenhum problema. Não existem leis imutáveis
nem normas jurídicas que não possam ser alteradas. A qualquer momento, as
coisas podem mudar, e aquilo que hoje é considerado absolutamente válido pode
deixar de ser no futuro", concluiu.
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Argentina pede a tribunal internacional que Reino Unido
suspenda exploração de petróleo nas Malvinas
O
governo argentino solicitou nesta terça-feira (13) ao Tribunal do Mar que o
Reino Unido interrompa a exploração de hidrocarbonetos na bacia norte das Ilhas
Malvinas, esteja ela para começar, esteja em andamento. O pedido vale também
para o projeto Sea Lion.
Em
comunicado, a presidência argentina também pediu o fim das ações
britânicas
que, segundo Buenos Aires, dificultam o cumprimento de suas obrigações de
proteger e preservar o meio marinho, conforme os artigos 192 e 194 da Convenção
das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM).
"A
república argentina reafirma, mais uma vez, seus legítimos e imprescritíveis
direitos de soberania sobre as Ilhas Malvinas, Geórgia do Sul e Sandwich do Sul
e os espaços marítimos circundantes. Por história e por direito: as Malvinas
são argentinas", acrescenta a reivindicação.
Desde a
Constituição de 1994, foi estabelecido que as Malvinas são causa perpétua e
irrenunciável do Estado argentino e que serão buscadas por meios exclusivamente
pacíficos.
Em
setembro, porém, o presidente da Argentina, Javier Milei, anunciou a criação de
um Conselho de Segurança Nacional e de uma base naval na Terra do Fogo, e o
endurecimento das sanções contra empresas que exploram petróleo
nas Malvinas sem autorização.
O
anúncio foi feito logo após o presidente estadunidense, Donald Trump, anunciar
que os EUA podem rever a neutralidade sobre o embate entre Argentina e Reino
Unido em torno das
Malvinas,
sugerindo que poderia não apoiar o lado britânico.
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Projeto Sea Lion
O alvo
do governo Milei é o projeto Sea Lion, desenvolvido pela petroleira israelense
Navitas, em parceria com a britânica Rockhopper, que prevê a extração de
petróleo na bacia norte das Malvinas, região que a Argentina reivindica como
parte de sua plataforma continental.
Um dia
após o anúncio de Milei, o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar
Ben-Gvir, pediu ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que
reconheça as Malvinas como "território argentino ocupado".
A
reinvestida argentina ocorre em um momento de abalo nas relações do Reino Unido
com EUA e Israel. Washington busca retaliar o governo britânico pela decisão de
não apoiar a guerra dos EUA no Irã, restringindo o uso de suas bases por tropas
norte-americanas. Em entrevista a um jornalista britânico, ao ser questionado
sobre apoiar o Reino Unido em uma disputa com a Argentina, Trump respondeu:
"Seu país não esteve lá para me ajudar", em referência ao conflito
iraniano.
Em
paralelo, o Reino Unido anunciou sanções contra os assentamentos israelenses na
Cisjordânia, território palestino ocupado ilegalmente por Israel.
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Único país da América Latina terá contração econômica
entre 2026 e 2027, diz FMI
O Fundo
Monetário Internacional (FMI) prevê que o PIB da Bolívia diminua 3% este ano e
1,5% em 2027, em contraste com o crescimento moderado que o restante da região
manterá. Além disso, o órgão antecipa uma nova aceleração da inflação no país
para o próximo ano.
O
resultado tornaria a nação sul-americana a única da América
Latina e do Caribe com crescimento negativo em ambos os anos, segundo o
relatório "Perspectivas da economia mundial" de outubro, divulgado pela instituição
internacional.
O órgão
projeta que o produto interno bruto (PIB) do país diminuirá 3% em 2026 e 1,5%
em 2027, em contraste com as demais economias regionais, que registrariam
diferentes níveis de crescimento.
Dessa
forma, o FMI reduziu suas previsões para a América Latina e o Caribe e estima
uma expansão econômica de 2,3% em 2026 e 2,5% em 2027, em um cenário
internacional
condicionado por dificuldades globais crescentes.
Quanto
aos preços, o órgão prevê que a inflação média da Bolívia passe de 19,5% em
2025 para 12,7% em 2026. No entanto, antecipa que o indicador voltará a subir
para 15,8% em 2027.
As
perspectivas coincidem com as estimativas do Banco Mundial, que na semana
anterior projetou uma contração de 2,8% para a economia boliviana em 2026, o
que representaria o pior desempenho da região.
Em
situação semelhante encontra-se o Haiti, apontado pelo Banco Mundial como a
outra nação com as projeções econômicas mais desfavoráveis da região. Segundo
suas estimativas, o país caribenho registraria uma
queda de 1,5% neste ano.
Nessa
mesma trajetória está o Brasil, uma das principais economias latino-americanas,
que atualmente também enfrenta uma revisão para baixo de suas perspectivas. O
FMI prevê um crescimento de 2,2% em 2026 e de 1,9% em 2027, devido às condições monetárias restritivas e à
retirada do apoio fiscal.
O órgão
alertou que as tensões internacionais, incluindo a guerra no Oriente Médio e os
problemas no fornecimento de
energia,
elevam os custos de produção e transporte. Além disso, advertiu que fenômenos
climáticos associados ao El Niño, como secas e inundações, poderiam afetar a
produção agrícola e pressionar para cima os preços internacionais dos
alimentos.
Fonte:
Sputnik Brasil

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