Hamilton
Mourão foi o único senador contra o fim da escala 6x1; confira todos os votos
Em votação quase
unânime, o Senado aprovou nesta quarta-feira (14/10) o fim da escala
6x1. Nos dois turnos de votação, o placar foi de 75 a 1, e, em ambos, o único
voto contrário foi de Hamilton Mourão (Republicanos-RS), militar e
vice-presidente de Jair Bolsonaro (PL).
Dada a
ampla aprovação popular da medida apontada por pesquisas de opinião, a mudança
recebeu o apoio tanto de parlamentares governistas quanto da oposição, embora a
proposta tenha se tornado uma importante bandeira do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva (PT) na eleição. Só Mourão destoou desse posicionamento entre os
senadores da oposição presentes na sessão.
Mourão
não discursou durante os debates que precederam a votação, mas deu uma
entrevista ao portal Intercept defendendo sua posição. "Trabalhadores
perderão emprego, o Estado vai perder renda, o Estado vai perder
arrecadação", argumentou Mourão, que já havia votado contra a matéria na
Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.
Perguntado
pelo Intercept sobre a posição de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — candidato à
Presidência que mudou de
posição e votou a favor da proposta nessa quarta-feira, apesar de
seguir defendendo outra Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que instaura um
regime de horas trabalhadas —, Mourão destacou sua independência. "Flávio
é o Flávio, eu sou Hamilton Mourão. Volto a dizer, um senador tem um mandato de
um Estado. O meu voto é majoritário, não é proporcional. Quase 2,6 milhões de
gaúchos e gaúchos votarem em mim." O general da reserva foi eleito senador
em 2022, com mandato previsto para acabar em 2031.
<><>
Como o fim da escala 6x1 foi aprovado
A PEC
que reduz o tempo máximo de trabalho semanal de 44 horas para 40 horas e dá fim
da escala de trabalho 6x1 — jornada em que o trabalhador só tem um dia de folga
na semana, foi aprovada com 75 votos, bem acima dos 49 senadores que eram
necessários. A votação ocorreu em dois turnos realizados praticamente em
sequência. Como não houve alterações em relação ao texto que havia sido
aprovado na Câmara em maio, a proposta já poderá ser promulgada pelo Congresso.
O fim
da escala 6x1 é resultado de uma campanha lançada após um vídeo do então
balconista de farmácia Rick Azevedo viralizar no final de 2023. Ele foi eleito
vereador no Rio de Janeiro pelo PSOL no ano seguinte e acaba de conquistar uma
vaga na Câmara dos Deputados, que assumirá em 2027. Com o impacto do desabafo
de Azevedo nas redes sociais, o fim da escala 6x1 tomou proporções nacionais
como demanda de trabalhadores, com apoio da deputada federal Erika Hilton
(PSOL-SP).
Em
fevereiro de 2025, ela apresentou uma PEC que foi juntada à outra, apresentada
em 2019 pelo então deputado petista Reginaldo Lopes — que já havia sido
"engavetada" pelo Congresso.
O fim
da escala 6x1 também se tornou uma das principais bandeiras de campanha de
Lula, que busca usar a mudança do regime de trabalho para impulsionar sua
tentativa de reeleição contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). Seu adversário
estava contra o fim da escala 6x1, mas decidiu votar a favor em meio ao forte
apelo popular da proposta. Caso promulgada, a proposta estabelece 60 dias para
a implementação do patamar mínimo de duas folgas semanais.
<><>
Como votaram os senadores no primeiro turno
Na
primeira etapa de votação, foram registrados 76 votantes presentes.
>>>
AUSÊNCIAS
Ciro
Nogueira
Marcio
Bittar
Rogerio
Marinho
Sergio
Moro
>>>
VOTARAM NÃO
Hamilton
Mourão
>>>
VOTARAM SIM
Alan
Rick
Alessandro
Vieira
Ana
Paula Lobato
Angelo
Coronel
Astronauta
Marcos Pontes
Beto
Faro
Camilo
Santana
Carlos
Fávaro
Carlos
Portinho
Carlos
Viana
Chico
Rodrigues
Cid
Gomes
Cleitinho
Confúcio
Moura
Damares
Alves
Daniella
Ribeiro
Dr.
Hiran
Dra.
Eudócia
Eduardo
Braga
Eduardo
Gomes
Efraim
Filho
Eliziane
Gama
Esperidião
Amin
Fabiano
Contarato
Fernando
Dueire
Flávio
Arns
Flávio
Bolsonaro
Giordano
Humberto
Costa
Irajá
Ivete
da Silveira
Izalci
Lucas
Jader
Barbalho
Jaime Bagattoli
Jaques Wagner
Jayme Campos
Jorge
Kajuru
Jorge
Seif
Jussara
Lima
Laércio
Oliveira
Leany
Lemos
Lucas
Barreto
Luis
Carlos Heinze
Magno
Malta
Mara
Gabrilli
Marcelo
Castro
Marcos
Rogério
Marcos
do Val
Nelsinho
Trad
Omar
Aziz
Oriovisto
Guimarães
Otto
Alencar
Paulo
Paim
Plínio
Valério
Professora
Dorinha Seabra
Randolfe
Rodrigues
Renan
Calheiros
Renan
Filho
Renzo
Braz
Roberta
Acioly
Rogério
Carvalho
Romário
Sargento
Reginauro
Soraya
Thronicke
Styvenson
Valentim
Sérgio
Petecão
Teresa
Leitão
Tereza
Cristina
Vanderlan
Cardoso
Veneziano
Vital do Rêgo
Wellington Fagundes
Weverton
Wilder Morais
Zenaide Maia
Zequinha
Marinho
<><>
Como votaram os senadores no segundo turno
No
segundo turno, também foram registrados 76 votantes presentes — mas dessa vez
Dr. Hiran, que havia votado no primeiro turno, se ausentou; enquanto Ciro
Nogueira, que não havia votado no primeiro turno, se manifestou na segunda
etapa.
>>>
AUSÊNCIAS
Dr.
Hiran
Marcio
Bittar
Rogerio
Marinho
Sergio
Moro
>>>
VOTARAM NÃO
Hamilton
Mourão
>>>
VOTARAM SIM
Alan
Rick
Alessandro
Vieira
Ana
Paula Lobato
Angelo
Coronel
Astronauta
Marcos Pontes
Beto
Faro
Camilo
Santana
Carlos
Fávaro
Carlos
Portinho
Carlos
Viana
Chico
Rodrigues
Cid
Gomes
Ciro
Nogueira
Cleitinho
Confúcio
Moura
Damares
Alves
Daniella
Ribeiro
Dra.
Eudócia
Eduardo
Braga
Eduardo
Gomes
Efraim
Filho
Eliziane
Gama
Esperidião
Amin
Fabiano
Contarato
Fernando
Dueire
Flávio
Arns
Flávio
Bolsonaro
Giordano
Humberto
Costa
Irajá
Ivete
da Silveira
Izalci
Lucas
Jader
Barbalho
Jaime
Bagattoli
Jaques
Wagner
Jayme
Campos
Jorge
Kajuru
Jorge
Seif
Jussara
Lima
Laércio
Oliveira
Leany
Lemos
Lucas
Barreto
Luis
Carlos Heinze
Magno
Malta
Mara
Gabrilli
Marcelo
Castro
Marcos
Rogério
Marcos
do Val
Nelsinho
Trad
Omar
Aziz
Oriovisto
Guimarães
Otto
Alencar
Paulo
Paim
Plínio
Valério
Professora
Dorinha Seabra
Randolfe
Rodrigues
Renan
Calheiros
Renan
Filho
Renzo
Braz
Roberta
Acioly
Rogério
Carvalho
Romário
Sargento
Reginauro
Soraya
Thronicke
Styvenson
Valentim
Sérgio
Petecão
Teresa
Leitão
Tereza
Cristina
Vanderlan
Cardoso
Veneziano
Vital do Rêgo
Wellington Fagundes
Weverton
Wilder Morais
Zenaide Maia
Zequinha
Marinho
¨
Mães solo celebram fim da escala 6x1
Às 5h,
Luciana de Almeida, de 36 anos, já está de pé para começar a organizar o dia.
Arruma as duas filhas caçulas, serve o café da manhã e segue para deixá-las na
escola, em Realengo, no Rio de Janeiro. Filhas em sala de aula, a operadora de
caixa embarca no transporte público por 1h30 para chegar ao supermercado onde
trabalha na escala 6x1,
em Campo Grande, a cerca de 20 quilômetros. Almoço às 15h, saída registrada no
ponto às 17h50 e, duas horas depois, perto das 20h, Luciana está de volta em
casa, liberando o filho mais velho de 15 anos do cuidado com as irmãs, de 4
anos e 1 ano e 8 meses.
No
único dia de folga que tem na semana, sobra pouco para o descanso diante das
tarefas domésticas. Muitas vezes, ainda faz faxinas para conseguir uma renda
extra para sustentar a família como mãe solo, conta. "Estou com o corpo e,
principalmente, com a mente muito cansados", diz Luciana, que trabalha na
escala 6x1 no comércio desde os 18 anos. "No dia depois da folga, eu
continuo trabalhando cansada."
Não é
de se estranhar que, nos últimos meses, a carioca acompanhou atenta às
discussões da PEC que encerrou essa modalidade de trabalho. Na quarta-feira
(14/10), para celebração de Luciana, o Senado aprovou por 75 a 1 o fim da
escala 6x1 e a redução da jornada máxima de trabalho no Brasil.
Segundo
o Ministério do Trabalho, no final de 2025, a escala 6x1 era a realidade de
14,8 milhões de trabalhadores no Brasil, que representam pouco mais de um terço
da mão de obra formal. A implementação ocorrerá em duas fases. A primeira terá
início 60 dias após a promulgação do texto, garantindo o fim da escala 6x1 e
reduzindo a jornada de trabalho de 44 para 42 horas semanais. Depois de 14
meses, a carga horária será reduzida de 42 para 40 horas semanais.
Após a
aprovação no Senado, o texto ainda precisará ser promulgado em sessão solene
pelas Mesas Diretoras da Câmara e do Senado para, enfim, ser publicado e passar
a integrar a Constituição. Assim, passados todos esses prazos, a carioca vai
viver agora a primeira experiência em sua vida com duas folgas na semanas. "Vai
mudar muita coisa", diz. "Vou conseguir descansar, resolver coisas da
minha vida, até fazer um extra se conseguir."
Outro
ponto de virada na vida de Luciana será acompanhar mais a vida dos filhos que,
segundo ela, está "passando" sem que ela esteja presente. Foi nas
férias desse ano, em uma rotina em casa, que ela teve essa reflexão:
"Estou vendo a vida dos meus filhos passar, não consigo ir em festa de dia
das mães, junina, nada", diz. "Preciso ter tempo com minhas filhas,
ter algum lazer ou mesmo ficar em casa descansando", relata.
A
carioca diz não saber como será a readaptação na empresa onde trabalha e que
vive uma expectativa pela eleição presidencial. Isso porque diz não saber o que
aconteceria com uma eventual eleição de Flávio Bolsonaro (PL) para presidente .
Flávio,
que é senador, se
posicionara, na terça-feira, pela primeira vez, a favor do fim da escala 6x1
— e votou pela aprovação. Até então, ele dizia que a proposta era
"oportunista", por ir a votação às vésperas das eleições.
A
proposta foi apresentada por parlamentares da esquerda e uma das maiores
bandeiras da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
(PT). "A maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da 6x1, então eu
vou votar a favor do fim da 6x1", disse Flávio. O senador também segue
defendendo uma "jornada flexível", na qual, segundo ele, empregador e
empregado chegariam a um consenso sobre as condições de trabalho.
Antes
da votação, o líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante disse
que Flávio vai insistir, depois das eleições, na votação da chamada "PEC
das horas". A proposta, de autoria de Rogerio Marinho (PL-RN), prevê que o
trabalhador escolha entre seguir o regime de trabalho tradicional previsto pela
CLT, ou um regime flexível baseado em horas trabalhadas.
<><>
'Sinto alívio pelas mais novas'
Em São
Paulo, a gerente comercial Fabiane da Conceição, 50 anos, também comemorou a
aprovação do fim da escala 6x1. Foram 20 anos de sua vida se dedicando ao
trabalho com apenas uma folga na semana. Há 30 dias, a paulistana assumiu um
novo emprego na escala 5x2, mas diz que guarda na memória as dificuldades que
enfrentou, especialmente na relação com os dois filhos que criou sozinha. "Sinto
hoje que perdi a maior parte das coisas que enxergo importante na criação dos
filhos. Não os vi aprender a andar, não os levei ao primeiro dia da
escola", conta Fabiane, emocionada. "Eu não posso me arrepender
porque era o que dava nosso sustento, mas não deixo de sentir a dor. Me sinto
aliviada quando penso em pessoas mais jovens e outras mulheres que vão viver
uma situação que não às leve à exaustão física e mental e à exclusão
materna."
Fabiane
passou por lojas no comércio e serviços na indústria alimentícia, automotiva e
petrolífera. Mãe de dois filhos e vítima de violência doméstica por parte do
ex-marido, ela não tinha uma rede de apoio para auxiliá-la. "Lembro que,
30 anos atrás, eu ganhava R$ 400 reais e pagava R$ 180 para alguém pegar meus
filhos na escola e ficar com eles até o momento que eu chegava em casa, às
20h", lembra. Ela encarava 2 horas no transporte entre Sapopemba, onde
morava, na Zona Leste da capital paulista, e a Barra Funda, onde trabalhava, na
Zona Oeste. "Sempre tive total noção da qualidade de vida que eu não
tinha. Mas o fator financeiro me exigia, era isso ou não tinha dinheiro em
casa. Deixou de ser escolha para mim muito cedo", completa. A paulistana
diz que a relação com os filhos acabou ficando marcada por mágoas deixadas por
sua ausência em casa. "Me dói muito saber que o tempo que eu tinha era
pouco para eles. Que sentiam minha falta", diz. "Pela primeira vez,
mães como eu poderiam ter dia de lazer, organizar a vida, ficar em casa e poder
descansar."
Fonte:
BBC News Brasil

Nenhum comentário:
Postar um comentário