Herpes
pode descompensar o diabetes? Infectologista explica
Uma
crise de herpes pode ir além das bolhas e da ardência na pele. Para quem vive
com diabetes, a infecção também pode dificultar o cuidado com a glicose. Esse é
um dos principais alertas do infectologista Igor Marinho.
“Inclusive,
o herpes pode causar a descompensação de doenças como, por exemplo, o próprio
diabetes”, afirma o médico durante a entrevista.
A
conversa parte de uma dúvida de quem enfrenta episódios recorrentes: qual é a
relação entre herpes, diabetes e as defesas do organismo? Ao longo do programa,
Marinho explica as diferenças entre as infecções, aborda o acompanhamento das
crises e destaca a vacinação contra o herpes-zóster.
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Por que uma crise de herpes merece atenção no diabetes?
Na
entrevista, o infectologista explica que o estado de saúde da pessoa influencia
a manifestação da infecção. Quando a glicose permanece elevada e o diabetes
está fora das metas de tratamento, as defesas do organismo podem ficar
comprometidas.
“Então
o herpes tem uma relação direta com a sua condição imunológica naquele
momento”, diz Marinho.
A
relação entre diabetes e infecções funciona nos dois sentidos. Segundo a
Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), a hiperglicemia pode prejudicar
mecanismos de defesa, enquanto uma infecção pode piorar o controle glicêmico.
No caso
específico do herpes-zóster, a diretriz da SBD também aponta maior risco de
desenvolver a doença entre pessoas com diabetes. Por isso, é importante
distinguir esse quadro do herpes simples, em vez de tratar todas as infecções
como se tivessem o mesmo comportamento.
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Herpes na boca e herpes-zóster são diferentes
Uma das
explicações centrais do DiabetesCast é que o nome parecido pode gerar confusão.
O simples está associado aos vírus HSV-1 e HSV-2. O primeiro é a principal
causa do herpes oral, enquanto o segundo está mais ligado ao genital. Ambos,
porém, podem provocar infecção na região genital, conforme a Organização
Mundial da Saúde (OMS).
As
manifestações podem incluir pequenas bolhas agrupadas, feridas, ardência e dor.
Mesmo quando as lesões desaparecem, o vírus permanece no organismo e pode
voltar a se manifestar.
O
herpes-zóster, conhecido popularmente como cobreiro, tem outra origem: é
causado pela reativação do vírus varicela-zóster, o mesmo da catapora. O quadro
costuma provocar dor e lesões em uma faixa da pele, geralmente de um lado do
corpo, acompanhando a região de um nervo.
“Mas o
grande detalhe do herpes zóster é que ele costuma durar mais tempo e ele
costuma ser muito mais doloroso”, explica Marinho.
Segundo
os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), uma das
possíveis complicações é a neuralgia pós-herpética, dor que pode persistir
depois do desaparecimento das lesões.
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Por que pode voltar depois de anos?
O
episódio também aborda a capacidade desses vírus de permanecerem no organismo
sem provocar sintomas o tempo todo. Esse período é chamado de latência.
“A
manifestação pode acontecer não somente meses depois de eu ter entrado em
contato com o vírus, mas às vezes até anos depois”, afirma o infectologista.
Isso
ajuda a entender por que o surgimento de lesões não significa, necessariamente,
que a infecção foi adquirida recentemente. No herpes simples, também é possível
transmitir o vírus mesmo sem feridas visíveis, de acordo com a OMS.
Para
quem tem crises frequentes, Marinho recomenda acompanhamento para avaliar o
tratamento e investigar fatores que possam estar associados às recorrências.
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Crises repetidas podem exigir tratamento preventivo
Ter
várias vezes não significa que a pessoa precise apenas esperar as lesões
desaparecerem. Durante o DiabetesCast, o médico explica que, em determinadas
situações, o profissional pode prescrever antivirais por um período prolongado
para reduzir as recorrências do herpes simples.
“É uma
medicação para evitar que isso acabe se manifestando tanto”, resume.
A
decisão depende da avaliação individual. Na conversa, o infectologista também
destaca a importância de observar o controle do diabetes, o sono e outras
condições de saúde.
Os
antivirais ajudam a tratar e prevenir manifestações, mas não eliminam o vírus
do organismo. A OMS informa que ainda não há vacina licenciada contra o herpes
simples.
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Existe vacina contra o herpes-zóster?
A
prevenção do herpes-zóster ocupa parte importante da entrevista. Diferentemente
do herpes simples, essa doença pode ser prevenida com vacina.
Segundo
a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a vacina recombinante é indicada
para pessoas a partir dos 50 anos e, desde os 18 anos, para imunocomprometidos
ou pessoas com risco aumentado de herpes-zóster. O esquema tem duas doses, e a
indicação deve considerar a situação clínica.
“Então,
procure o seu médico, pergunte sobre a importância de tomar essa vacina”,
orienta Marinho.
O
infectologista também lembra que ter apresentado herpes-zóster anteriormente
não impede uma nova ocorrência. Por isso, quem já teve a doença também deve
discutir a vacinação com o profissional de saúde, conforme as recomendações
para sua faixa etária e condição clínica.
Fonte:
Um Diabético

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