sábado, 17 de outubro de 2026

Meta bloqueia conteúdos políticos pró-Lula e contra Flávio acusando terrorismo e nudez

Imagine de uma noite para a outra você ficar sem o seu WhatsApp, Instagram e sem seu número de telefone? Foi o que aconteceu com a arquiteta e urbanista Carolina Martins, 43 anos, moradora de Brasília. Ela coordena uma comunidade no WhatsApp de mobilização para “virar voto” em prol da candidatura de Lula. A comunidade tem um grupo de bate-papo e ambos foram suspensos pela Meta (dona do WhatsApp, Instagram e Facebook) sob a alegação de “atividade relacionada a organizações terroristas”.

A suspensão ocorreu no último dia 8 de outubro e o grupo ficou paralisado por pelo menos três dias. Martins adoeceu. Teve uma crise de fibromialgia e ficou acamada boa parte do tempo. Até agora ela conta que está sem seu número, que foi bloqueado, e só está conseguindo voltar aos aplicativos e à gestão do grupo pois adquiriu outro chip de telefone.

“Eu tenho fibromialgia, então assim, fiquei tão estressada, sem andar. Para além das outras coisas, dos atentados à soberania, nossa liberdade de reunião e de expressão, teve toda essa parte da minha saúde emocional”, contou a arquiteta à Agência Pùblica.

Martins já está com o Instagram ativo novamente e com a comunidade, que tem agora 895 participantes. Antes do bloqueio, a comunidade tinha atingido o limite de mil membros. Por intermédio de uma amiga ela conseguiu contato com a Meta e apurou que o bloqueio teria se dado por uma suposta “falha de tradução” de um monitoramento da comunidade que apontou “disruptive behaviour” (comportamento perturbador), o que teria sido interpretado como terrorismo.

<><> Meta bloqueia vídeo crítico a Flávio por “nudez infantil”

Já o professor e artesão Karl Hadzic Júnior, 47 anos, morador de São Paulo, republicou em sua timeline o vídeo viral “como mãe de menina, meu voto jamais será dessa família”, postado originalmente pela professora paraense Vanessa Silva, no dia 7 de outubro, e que teve quase 45 mil compartilhamentos e 115 mil curtidas. O vídeo foi bloqueado pela Meta também no dia 8 de outubro, sob a acusação de ter ferido padrões de comunidade sobre nudez infantil.

O vídeo começa com uma foto de Silva abraçada com a filha, sem expor nenhuma região sensível da garota. A publicação utiliza um vídeo de Flávio Bolsonaro que ficou conhecido em 2023 no qual ele aparece sem camisa, supostamente imitando o irmão Jair Renan, dizendo: “sou filho do presidente, quer me dar?”.

O vídeo de Silva segue no ar, mas foi sinalizado com um filtro do Instagram que aparece antes da reprodução, informando sobre “conteúdo sensível”. A professora contou à Pública que várias pessoas que publicaram o vídeo nos stories disseram a ela que a publicação foi suspensa ou até mesmo tiveram as contas bloqueadas.

A Pública procurou a Meta para ouvir a companhia sobre casos relatados nessa reportagem, mas não houve resposta.

<><> MPF pede esclarecimentos à Meta após levantamento indicar parcialidade nos bloqueios

Tanto o caso de Marins, quanto de Júnior foram compilados pela organização social brasileira Ctrl+Z, voltada ao enfrentamento dos abusos e do modelo de operação das grandes empresas de tecnologia, que reuniu mais de mil denúncias de usuários de produtos da Meta e do X que relatam casos de bloqueio ou suspensão de contas e postagens relacionados às eleições.

A Pública mostrou como esse levantamento indica que a Meta tem barrado mais conteúdos pró-Lula e progressistas que pró-Flávio. Reportagem da Folha mostrou que funcionários da Meta admitiram em mensagens internas que a “conta de Lula estava ‘limitada’ em comparação à de Flávio, e que isso seria negativo pela “alta chance” de haver ação jurídica”.

O levantamento da Ctrl+Z ganhou apoio das organizações de direitos humanos Conectas, Artigo 19 e Sleeping Giants Brasil e transformou-se em uma representação à Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão do Ministério Público Federal (MPF) que abriu uma investigação no último dia 13 e pediu, no dia seguinte, uma série de esclarecimentos à Meta.

A reportagem da Pública teve acesso ao ofício do MPF, à representação e a um anexo contendo 74 relatos de casos envolvendo suspensões e bloqueios de posts e perfis de usuários do Instagram e do WhatsApp. Dos 74 relatos, recolhidos entre 25 de setembro e 9 de outubro, 33 (44,5%) aconteceram no dia 8 de outubro.

O levantamento foi iniciado pela CTRL+Z em 25 de setembro, dois dias após a Meta ter suspendido o perfil no Instagram do projeto Revelando Brasil, que postou no YouTube o vídeo viral sobre as ligações entre a igreja Batista da Lagoinha e o escândalo do Banco Master. Devido à repercussão do caso, a Meta liberou o perfil novamente.

<><> Meta é investigada por violação da liberdade de expressão

A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC) apura na investigação a regularidade e a legalidade das práticas de moderação de conteúdo adotadas pelo X e pela Meta, e verifica se a companhia está violando a liberdade de expressão dos usuários.

Segundo as organizações, os atingidos formam um conjunto heterogêneo de perfis orgânicos, sem vínculo direto com candidaturas, partidos, federações ou coligações. A denúncia narra que a maioria dos afetados são cidadãos comuns, mas há dezenas de influenciadores, comunicadores, pesquisadores e movimentos estudantis e sociais.

“Ao que tudo indica, há falhas graves na moderação e aplicação irregular da lei, com conteúdos políticos classificados erroneamente como exploração sexual infantil ou terrorismo”, afirmam os autores da denúncia ao MPF.

O procedimento da PFDC apura como se dá a moderação automatizada de conteúdo e restrições desproporcionais ou injustificadas aplicadas a perfis, publicações e funcionalidades de cidadãos, jornalistas, veículos independentes de imprensa, entidades estudantis e movimentos sociais nas plataformas controladas pela Meta.

A PFDC remeteu cópia integral do procedimento ao coordenador-Geral de fiscalização da ANPD, Fabrício Madruga, pois as organizações autoras da denúncia relatam a aplicação de sanções recorrentes por sistemas automatizados/algorítmicos sem notificação adequada, a ausência de motivação individualizada e a falta de canais efetivos de revisão aos donos dos perfis, o que fere deveres de transparência das plataformas digitais e a forma como tratam os dados dos clientes.

À Meta e ao X, o MPF indaga se as medidas de moderação noticiadas foram promovidas, indicando a conta ou publicação atingida, as plataformas em que foram aplicadas, a data e o horário de sua adoção e sua duração; a natureza exata da medida adotada e seus fundamentos fáticos e jurídicos; se a medida permanece em vigor ou foi revertida, indicando, neste último caso, a data da reversão e as suas razões; os procedimentos adotados para garantir a notificação prévia, a motivação individualizada e o canal de recurso ao usuário e se há mecanismos internos de auditoria e correção de erros de moderação em massa.

O MPF deu cinco dias para a Meta e para o X responderem ao ofício e quer uma explicação para cada medida de moderação tomada contra cada perfil listado na representação feita pelas ONGs. Esse prazo vence no início da última semana antes da votação do segundo turno.

Ainda em relação a cada uma dessas medidas, devem ser esclarecidos seus fundamentos jurídicos ou contratuais. Deve ser informado, para cada caso, se a medida de moderação foi adotada espontaneamente pela empresa, se foi a Meta quem identificou a irregularidade ou se houve denúncia, notificação ou reclamação apresentada por terceiros ou se a Meta cumpria ordem judicial.

A reportagem questionou a Meta sobre as denúncias e o procedimento do MPF, que ainda não respondeu.

<><> Bloqueios em série de perfis progressistas

Em conjunto, os casos compilados pela CTRL+Z descrevem restrições à liberdade de expressão no ambiente digital em diferentes níveis: perda do perfil inteiro, retirada de uma publicação, bloqueio apenas para quem acessa do Brasil, restrição de mensagens e dificuldade de publicar ou republicar conteúdo. Em alguns relatos, houve recuperação posterior; em outros, o acesso continuava indisponível na data da manifestação. Vários denunciantes relataram não ter recebido explicação individualizada ou não ter conseguido recorrer.

Uma categoria importante de contas que sofreram restrições são aquelas vinculadas a coletivos ou organizações. Por exemplo, a União Paranaense dos Estudantes — UPE Paraná (@upeparana) relatou a derrubada de seu antigo perfil quando este se aproximava de 600 mil visualizações.

O coordenador do Diretório Acadêmico Alfredo Balena, da UFMG, informou que a conta da entidade foi apagada um dia depois de uma postagem de apoio a um dos candidatos à Presidência da República e a candidaturas em Minas Gerais. Houve restrição também ao perfil do DCE da UFMG, cuja suspensão ocorreu durante uma mobilização estudantil.

O perfil do Movimento Sem Terra no Pará teria sido desativado desde a noite de 2 de outubro, mesmo após o setor de comunicação ter realizado os procedimentos de autenticação solicitados pela plataforma.

A representação também relata o bloqueio de perfis de jornalistas como Eduardo Moreira, dono do ICL, de postagens da Mídia Ninja, Folha de S. Paulo e Amado Mundo.

•        Meta admite restrições a contas de Lula e recomendação irregular de Flávio Bolsonaro

Documentos internos da Meta revelam que a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrentou restrições no Instagram durante a disputa eleitoral de 2026, enquanto o perfil de Flávio Bolsonaro (PL) recebeu recomendações automáticas consideradas irregulares pelas próprias equipes da plataforma. As mensagens mostram que funcionários reconheceram os problemas, discutiram possíveis consequências jurídicas e cobraram providências dos engenheiros responsáveis pelos sistemas. As informações foram divulgadas pela Folha de São Paulo, que obteve conversas internas de funcionários da companhia.

Os registros apontam que Lula ficou impedido de impulsionar determinadas publicações por quase 24 horas, enquanto o perfil de Flávio Bolsonaro apareceu em sugestões de busca no Instagram e seu canal de apoio foi exibido em resultados do WhatsApp, contrariando restrições estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Meta atribui os episódios a falhas técnicas e nega qualquer favorecimento político.

Um dos registros mais relevantes envolve uma mensagem do funcionário identificado como A. G., que reconheceu que a conta de Lula estava “limitada” em comparação à de Flávio Bolsonaro. O empregado também demonstrou preocupação com a “alta chance” de uma ação judicial em decorrência do episódio.

A avaliação ocorreu após uma falha registrada em 9 de outubro, quando o perfil oficial do presidente perdeu temporariamente a possibilidade de pagar para ampliar o alcance de publicações já disponíveis no feed do Instagram.

A restrição não interrompeu completamente a publicidade da campanha. Anúncios anteriormente contratados continuaram circulando, e a equipe de Lula ainda conseguia promover conteúdos por meio dos chamados dark posts, publicações publicitárias que não aparecem diretamente no perfil do anunciante.

Entretanto, a impossibilidade de impulsionar postagens do feed comprometeu uma das principais estratégias de divulgação eleitoral na rede social. Essa modalidade permite ampliar a distribuição de conteúdos já publicados e contribui para o desempenho das campanhas nos mecanismos de entrega da plataforma.

Segundo cálculos da própria campanha petista, aproximadamente 1,3 milhão de pessoas deixaram de receber os anúncios durante o período de restrição.

<><> Funcionários cobraram solução urgente para problema na conta de Lula

As mensagens obtidas pela Folha mostram que o episódio provocou preocupação entre os funcionários da Meta encarregados de acompanhar as operações eleitorais brasileiras.

A explicação inicialmente apresentada foi a existência de um problema técnico no gerenciador de anúncios. Engenheiros da empresa nos Estados Unidos foram acionados, mas a solução demorou várias horas.

Nas conversas, integrantes da equipe brasileira demonstraram insatisfação com o tempo de resposta e avaliaram que os responsáveis pela engenharia talvez não tivessem compreendido a urgência da situação, especialmente por envolver a conta publicitária do presidente da República durante uma campanha eleitoral.

Os funcionários relataram ter solicitado a classificação da ocorrência como SEV2, categoria utilizada para identificar problemas graves que exigem atendimento prioritário.

A preocupação também envolvia a repercussão política da falha. A funcionária identificada como M. A. afirmou que, mesmo depois de resolvido o problema, seria necessário definir como explicar o ocorrido aos integrantes da campanha de Lula.

Outro funcionário, identificado como M. V., informou que deputados envolvidos na campanha presidencial já estavam cobrando esclarecimentos sobre as restrições.

Inicialmente, a empresa relacionou a dificuldade a uma interrupção global de dados que havia afetado mais de 3 mil contas em 7 de outubro. O problema prejudicou, entre outras funcionalidades, a visualização das métricas de determinadas publicações.

Os registros, contudo, apontam diferenças entre os episódios. A falha global ocorreu no dia 7 e durou aproximadamente cinco horas, enquanto a restrição enfrentada pela campanha de Lula aconteceu no dia 9 e persistiu por quase 24 horas.

A campanha de Flávio Bolsonaro também teria sido atingida pelo problema global, com dificuldades para realizar um impulsionamento em 7 de outubro. Diante da situação, a equipe do candidato do PL teria desistido daquela operação e adotado outras formas de divulgação.

<><> Perfil de Flávio apareceu em recomendações proibidas pelo TSE

Outro conjunto de mensagens internas revela problemas relacionados às recomendações automáticas de candidatos nas plataformas da Meta.

As regras eleitorais estabelecidas pelo TSE proíbem que perfis e canais de candidatos sejam promovidos por mecanismos de recomendação algorítmica. A finalidade é impedir que as plataformas favoreçam determinadas candidaturas por meio de seus sistemas de distribuição de conteúdo.

Apesar dessa proibição, funcionários da Meta identificaram que o perfil de Flávio Bolsonaro aparecia nas sugestões de busca do Instagram no início de outubro, enquanto contas de outros candidatos não recebiam o mesmo tratamento.

As conversas mostram que os próprios empregados reconheceram a irregularidade. O perfil de Flávio não deveria ser recomendado automaticamente, mas estava sendo exibido aos usuários.

Ao mesmo tempo, a conta de Lula apresentava um problema inverso: não aparecia corretamente nem mesmo quando os usuários pesquisavam seu nome exato, situação em que a exibição deveria ser permitida.

A justificativa técnica apresentada internamente foi que o nome de Lula era excessivamente longo para o funcionamento adequado do sistema de busca. Os funcionários afirmaram que a falha havia sido corrigida, embora ainda existissem diferenças nos resultados apresentados para pesquisas relacionadas aos dois candidatos.

A recomendação indevida do perfil de Flávio foi reconhecida nas conversas como uma falha da plataforma.

<><> Canal de apoio a Flávio também foi exibido em buscas no WhatsApp

Os problemas de recomendação não ficaram restritos ao Instagram. Registros internos apontam que o WhatsApp também apresentou resultados incompatíveis com as limitações eleitorais impostas pelo TSE.

Ao pesquisar pelo termo “Exército do Lula”, usuários recebiam resultados que incluíam o Canal do Lula, o canal “Tropa do Flávio”, de apoio ao candidato do PL, e o Partido dos Trabalhadores.

Pelas regras aplicáveis às plataformas, canais eleitorais não podem ser sugeridos automaticamente aos usuários. Sua localização nas buscas deve depender da inserção do nome exato.

O canal “Exército do Lula” é administrado pelo deputado federal André Janones. Nesta semana, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, determinou sua retirada do ar, mas o canal posteriormente voltou a funcionar.

A decisão judicial também foi discutida por funcionários da Meta. Em uma das mensagens, M. V. relatou ter recebido reclamações de políticos de esquerda sobre a determinação.

O empregado, entretanto, afirmou enxergar “o copo meio cheio” na situação. Segundo sua avaliação, caso a mesma medida tivesse atingido o candidato Renan Santos, a reação poderia ter sido mais intensa, com um protesto diante do escritório da empresa.

<><> Registros também apontam problemas enfrentados pela campanha de Flávio

As conversas internas indicam que as falhas nos sistemas da Meta não atingiram exclusivamente a campanha petista.

Em 23 de setembro, contas publicitárias de Lula e Flávio Bolsonaro ficaram temporariamente impedidas de publicar anúncios por aproximadamente uma hora. O bloqueio foi provocado por uma identificação equivocada de “atividade suspeita”.

Outro episódio envolvendo o candidato do PL ocorreu em 1º de outubro, quando diversos anúncios de sua campanha foram rejeitados após os sistemas da plataforma detectarem possível utilização de inteligência artificial.

Naquele período, o uso da tecnologia estava submetido a restrições estabelecidas pelo TSE. A campanha de Flávio, entretanto, contestou a identificação e afirmou que não havia utilizado inteligência artificial nos conteúdos.

Os registros mostram ainda que funcionários da Meta demonstravam preocupação com o avanço de suspeitas de interferência da empresa na eleição brasileira.

Nas conversas, integrantes da equipe avaliaram que seria importante apresentar também os episódios que afetaram Flávio Bolsonaro, diante da percepção de que ganhava força uma narrativa de possível favorecimento eleitoral.

Apesar do reconhecimento de erros e restrições, as mensagens obtidas pela Folha não apresentam admissão de interferência deliberada da Meta no processo eleitoral. As discussões se concentram principalmente na gravidade das falhas, nas diferenças de funcionamento dos sistemas e na demora para solucionar os problemas.

<><> Meta nega favorecimento e atribui episódios a falhas técnicas

Procurada pela reportagem, a Meta rejeitou as suspeitas de que seus sistemas tenham sido utilizados para beneficiar qualquer candidatura.

Em manifestação encaminhada à Folha, a companhia afirmou que “as alegações de que atua para interferir no processo eleitoral ou favorecer uma candidatura são falsas e não encontram respaldo nos fatos.”

A empresa sustentou que os problemas identificados tiveram origens diferentes, envolvendo interrupções técnicas de alcance internacional, erros específicos de funcionamento e mecanismos de aplicação das normas eleitorais brasileiras.

Segundo a Meta, “os episódios citados pela reportagem tiveram causas distintas: falhas técnicas globais, um erro específico prontamente corrigido e a aplicação de normas eleitorais brasileiras que valem igualmente para todas as candidaturas.”

A companhia também afirmou que parte das ocorrências não se limitou ao Brasil e atingiu anunciantes de outros países.

“Alguns desses episódios tiveram alcance amplo e afetaram diferentes contas e anunciantes em diferentes países. Não damos tratamento preferencial a candidato, partido ou posição política, e nossos sistemas não são projetados ou operados para fazê-lo”, declarou a empresa.

<><> Campanha de Flávio contesta informações sobre bloqueios

A campanha de Flávio Bolsonaro também foi procurada para comentar os registros internos referentes ao bloqueio de anúncios em setembro e à rejeição de publicações em outubro.

Em resposta, a equipe do candidato negou que os episódios tenham provocado dificuldades em seus perfis e canais oficiais.

“As informações apresentadas pela reportagem não procedem. A campanha cumpre todas as regras da plataforma e do TSE e, por isso, não registrou nenhum problema com a conta de anúncio do candidato, que segue operando de maneira adequada e sem interrupção.”

Questionada sobre a atuação da Meta no processo eleitoral brasileiro, a campanha afirmou reconhecer que as plataformas estão submetidas à regulamentação nacional e que essas exigências podem influenciar os resultados de divulgação dos candidatos.

“A campanha entende que a plataforma está sujeita às regras da eleição brasileira e que, em função disso, o alcance e outras métricas do candidato podem ser afetados, o que tem sido compensado com estudos mais profundos e com o altíssimo rigor técnico da equipe.”

<><> Restrições ampliam debate sobre o papel das plataformas nas eleições

Os episódios ocorreram em um cenário no qual a Meta ocupa posição central no mercado brasileiro de publicidade política digital.

O Google deixou de comercializar anúncios eleitorais no país em 2024, enquanto o Kwai mantém uma oferta limitada desse tipo de publicidade. Com isso, Instagram e Facebook passaram a concentrar uma parcela relevante das possibilidades de impulsionamento pago disponíveis às campanhas.

A importância desses serviços aumentou diante das regras do TSE que impedem a recomendação algorítmica de perfis eleitorais. Nesse ambiente, a contratação de anúncios se tornou um dos principais instrumentos para ampliar o alcance de conteúdos políticos nas redes sociais.

As mensagens internas obtidas pela Folha evidenciam que erros técnicos podem produzir efeitos distintos sobre candidaturas, mesmo quando não há comprovação de interferência intencional.

No caso de Lula, a impossibilidade de impulsionar publicações por quase um dia teve impacto estimado pela própria campanha em mais de um milhão de visualizações potenciais perdidas. Já as recomendações indevidas relacionadas a Flávio Bolsonaro expuseram inconsistências nos mecanismos que deveriam assegurar o cumprimento das determinações eleitorais.

A documentação também revela dificuldades de coordenação entre as equipes responsáveis pelo atendimento político no Brasil e os engenheiros encarregados de corrigir falhas nos sistemas da empresa.

Embora a Meta sustente que aplica as mesmas regras a todos os candidatos, os registros mostram que o funcionamento de suas ferramentas e a velocidade de resposta a problemas técnicos se tornaram questões relevantes para a disputa eleitoral de 2026.

 

Fonte: Por Marcelo Oliveira, na Pública/Brasil 247

 

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