sábado, 17 de outubro de 2026

Modelo para Flávio Bolsonaro, Milei fracassa na Argentina: salários caem e endividamento das famílias bate recorde

Milei fracassou na Argentina! Não é a esquerda que está dizendo. O que leremos abaixo é o resumo apresentado pela Folha para artigo publicado por Joseph Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia em 2001, Laura Carvalho, professora da Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo (USP), e Martin Guzmán, professor da Universidade Columbia.

“O experimento econômico de Javier Milei, assentado em corte de gastos, corrosão de aposentadorias e salários pela inflação e alto endividamento externo, fracassou e nem sequer é replicável no Brasil, sustentam os autores, ao contrário da ideia de modelo para o país defendida pelo campo bolsonarista”.

Os três economistas refletem sobre a possibilidade de adoção do plano destrutivo de Milei por Flávio Bolsonaro, como vem sendo anunciado por setores não só do fascismo, mas também da velha direita liberal brasileira.

A resposta é não, não há como fazer a mesma coisa. Porque as realidades são diferentes e porque os resultados são desastrosos. O artigo lembra que o arrocho de Milei, que provocou recessão e quebra de empresas, foi alcançado principalmente por meio do corte de gastos com infraestrutura, ciência e universidades públicas e da corrosão, pela inflação, do valor real das aposentadorias e dos salários do setor público.

“O governo também reduziu os impostos dos mais ricos e ofereceu benefícios fiscais generosos a grandes investimentos, sobretudo no setor de commodities”, escrevem os autores do artigo. O desastre inclui até mesmo a volta da inflação, a queda do consumo, o aumento da pobreza e a fome, especialmente entre idosos e crianças.

Os economistas fazem uma lista de danos. Os salários reais caíram quase 8% desde que ele assumiu o cargo, enquanto o desemprego subiu de 5,7% para 7,9%. A informalidade aumentou à medida que trabalhadores desempregados assumiram postos de baixa remuneração no setor de serviços.

“A queda da renda real tem deixado um número cada vez maior de famílias com dificuldade para pagar as dívidas. A inadimplência atingiu níveis recordes: 12,8% dos empréstimos bancários às famílias estão em atraso, ante 4,5% um ano antes. Isso equivale a 6 milhões de argentinos – mais de um quarto de todos os tomadores de crédito – e expressa, de longe, o maior nível de aperto financeiro das famílias desde que o Banco Central começou a compilar esses dados”.

As conclusões não contêm novidades: “O experimento de Milei fracassou. O seu único êxito parcial, a redução da inflação, teve um custo enorme: o sistema produtivo argentino está mais pobre, os trabalhadores têm menos oportunidades e o setor público, ainda mais endividado com o Fundo Monetário Internacional (FMI) do que quando Milei assumiu o cargo, depende perigosamente de apoio externo para sustentar o peso”.

Este é o trecho final do artigo, que destaca o fato de que o Brasil tem reservas internacionais e não deve ao FMI, ao contrário da situação argentina:

“A eleição presidencial brasileira opõe dois futuros econômicos muito diferentes. Um busca uma economia mais desenvolvida, com uma base produtiva mais diversificada, inovadora e rica. O outro aponta para uma dependência maior de commodities, um mercado interno em retração e a condição de Estado cliente dos Estados Unidos (EUA). O que está em jogo no segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro não é só a democracia brasileira, mas também a prosperidade econômica que o país tanto trabalhou para conquistar”.

¨      Argentina perde 32 mil empregadores sob Milei, mas equipe de Flávio Bolsonaro defende seu modelo econômico

O jornal La Nación publicou neste sábado (10) dados oficiais confirmando que 32.290 empresas fecharam suas portas na Argentina desde o início do governo de Javier Milei, em dezembro de 2023. Já o total de empresários, a maior parte que já foi entusiasta do presidente da “motosserra”, caiu de 512.357 para 480.067 – uma queda de 6,3%. A devastação no país vizinho é impressionante. Mesmo assim, “El Loco” ainda é tratado como modelo pela equipe econômica de Flávio Bolsonaro.

Os dados são da Superintendência de Riscos do Trabalho (SRT), órgão do próprio governo argentino. Segundo reportagem do site g1, da Globo, a queda do número de empresas e empresários “ocorre em meio ao consumo enfraquecido, custos elevados de energia e aumento de 34,7% na importação de bens de consumo. O cenário acompanha o corte de gastos públicos para conter a inflação. Em julho, o comércio e a indústria encolheram, mas a mineração cresceu”.

<><> Produção industrial recuou 12%

Para a Confederação Argentina da Média Empresa (CAME), o maior motivo dessa tragédia é que o aumento das contas de serviços públicos e o endividamento das famílias deixaram menos dinheiro disponível para outras compras. “Com o orçamento apertado, os consumidores têm gastos prioritários essenciais”. Já a União Industrial Argentina (UIA) culpa os custos de energia, a carga tributária e as condições de financiamento pelas dificuldades das pequenas e médias fábricas. “Com vendas fracas, esses gastos comprometem parcela maior do faturamento”.

Outro fator de pressão é a maior concorrência de produtos estrangeiros após a redução de barreiras às atuais. No primeiro semestre de 2026, as compras de bens de consumo do exterior cresceram 34,7% em relação ao mesmo período de 2023. Nesse intervalo, a produção industrial argentina recuperou 12%. O violento corte dos gastos públicos imposto pelo “anarcocapitalista” Javier Milei também teve forte impacto na economia.

<><> Setor privado perde 120 mil empregos em junho

Já o site UOL confirma, na postagem nesse domingo (11), que a queda brusca do número de empresas “ocorre em paralelo com a redução dos postos de trabalho formais. Dados do Sistema Integrado Previdenciário Argentino (SIPA) indicam que o setor privado perdeu cerca de 120 mil empregos formais em junho, na comparação com o mesmo mês de 2025. O total de trabalhadores registrados no setor chegou a 6,096 milhões, ante 6,216 milhões um ano antes”.

Diante desses números, “o Banco Mundial projeta sua projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) argentino em 2026, de 3,6% para 2,1%. Analistas do mercado financeiro, por sua vez, passaram a projetar expansão entre 1,2% e 1,5% neste ano. Javier Milei assumiu a Presidência em dezembro de 2023 com a promessa de reduzir a inflação, cortar gastos públicos e reorganizar as contas do país. As medidas de ajuste fiscal e redução da participação do O estado na economia, no entanto, tem sido acompanhado por dificuldades em diferentes segmentos da atividade econômica no país”.

<><> Um em cada três argentinos vive na pobreza

Já uma reportagem da BBC News do final de setembro mostrou que “um em cada três argentinos vive na pobreza”;

A matéria mostra ainda que “os estudos estão caindo em relação ao custo de vida, os serviços básicos são mais caros – após cortes nos subsídios – e grande parte da indústria manufatureira local foi afetada pela abertura às mesmas, que pôs fim a uma longa história de políticas de proteção à indústria nacional”.

<><> Milei é a “inspiração” de Daniella Marques 

A BBC News conclui: “O debate em torno do fechamento de empresas, da perda de empregos formais, das dívidas e do custo de vida continuará – especialmente a partir de outubro, quando o aumento do imposto sobre combustíveis entrará em vigor. É provável que se intensifique consideravelmente no próximo ano, quando os argentinos forem às urnas para as próximas eleições presidenciais”.

Será que Daniella Marques – que presidiu a Caixa Econômica Federal na gestão do fascista Jair Bolsonaro, depois virou conselheira do Digimais, o sinistro banco do “bispo” Edir Macedo, e hoje é chefona econômica de Flávio Rachadinha – tem algo a falar sobre esses novos dados oficiais da Argentina? Na recente conferência empresarial do Grupo Esfera, ela bravatou que El Loco é “um ótimo exemplo” de gestão da economia. “Vamos usar de inspiração no que foi feito pelo governo de Javier Milei”. Os brasileiros que se cuidem para não cavar a própria sepultura!

¨      Governo Milei eliminou mais de 370 mil empregos formais na Argentina

Mais de 370 mil empregos registrados foram perdidos na Argentina desde que o presidente Javier Milei assumiu o cargo em novembro de 2023. De acordo com dados do Sistema Integrado de Pensões da Argentina (SIPA) até julho de 2026, o emprego no setor privado vem caindo há 14 meses consecutivos, com a perda de até 13.808 vagas somente naquele mês.

A contração do mercado de trabalho é uma resposta ao severo plano de ajuste fiscal, à queda da atividade econômica, à perda do poder de compra dos salários e ao aumento persistente dos custos fixos, como aluguel e tarifas de serviços públicos. Soma-se a isso a abertura do mercado às importações em detrimento da produção nacional, um cenário que já levou ao fechamento de aproximadamente 30 mil empresas em todo o país.

O impacto negativo do modelo de “reconversão produtiva” está afetando quase todas as atividades econômicas. Os setores de manufatura e comércio estão entre os mais atingidos, com mais de 90 mil empregos perdidos, enquanto a construção civil eliminou mais de 100.000 postos de trabalho formais.

O setor de trabalhadores domésticos registrou uma queda de 22 mil postos de trabalho, mostrando uma leve estabilização nos níveis observados no início de 2025, após anos de declínio. Setores como mineração, petróleo e intermediação financeira registraram, em conjunto, quase 10 mil postos de trabalho a menos em comparação com dezembro de 2023. Apenas os setores de agricultura e pesca apresentaram aumentos marginais, com ganhos de menos de 10 mil postos de trabalho.

Em uma análise publicada nas redes sociais, o advogado trabalhista e pesquisador do Instituto de Estudos e Formação da CTA Autónoma, Luis Campos, alertou que julho de 2026 foi o mês com a maior destruição de empregos no setor privado desde novembro de 2025. Campos enfatizou que mais empregos foram destruídos nos últimos 12 meses do que no primeiro ano e meio do governo da Liberdade Avança.

A sequência de 14 meses em território negativo teve apenas uma breve exceção entre o final de 2024 e meados de 2025, quando uma desaceleração momentânea da inflação e uma ligeira melhoria salarial impulsionaram o crédito e o consumo, embora as tensões cambiais antes das eleições legislativas do ano passado e o subsequente aprofundamento do ajustamento tenham levado a economia de volta ao território de contração.

<><> Milei, o emprego público e a lacuna territorial

O especialista da CTA Autónoma destacou que a magnitude da destruição do emprego privado na era Milei já se iguala à registada durante os últimos dois anos do Governo de Mauricio Macri, mas fez uma distinção clara: enquanto no final da administração Macri o emprego público serviu de amortecedor para a crise, atualmente o Estado não desempenha esse papel.

Embora tenha sido registada uma ligeira recuperação no emprego público em julho de 2026, o especialista alertou que tal se deveu a um problema metodológico após a queda acentuada em junho , pelo que, no balanço geral, o setor estatal acumulou uma queda de 2,5% em comparação com novembro de 2023.

No mercado de trabalho argentino, a crise se desenrola de forma desigual. Enquanto o setor energético permitiu que Neuquén e Río Negro adicionassem 16.723 empregos formais, o restante do país está em declínio, com as 22 províncias restantes perdendo quase 285.000 postos de trabalho formais.

A combinação de recessão prolongada, desmantelamento do tecido industrial e reconversão para um modelo de exportação primária sem valor agregado mantém a estabilidade ocupacional e o padrão de vida da classe trabalhadora argentina sob extrema pressão.

<><> Manifestação de universitários na Argentina termina em confronto com polícia e 25 detidos

A chamada “5ª Marcha Federal Universitária” na Argentina foi convocada pelo Conselho Interuniversitário Nacional e teve o apoio de diversos setores da sociedade civil em defesa do financiamento de instituições públicas de ensino superior. A passeata levou milhares de pessoas às ruas em Buenos Aires nesta quinta-feira (15/10) e foi marcada por confrontos entre a polícia e manifestantes.

Os incidentes ocorreram nos arredores do Congresso, em Buenos Aires, e envolveram dezenas de manifestantes. A polícia utilizou jatos d’água e gás lacrimogêneo para dispersar o protesto, enquanto parte dos participantes respondeu com pedras e pedaços de mobiliário urbano.

Os confrontos continuaram após o término da manifestação, que reuniu milhares de professores, estudantes e funcionários de instituições para exigir a aplicação da Lei de Financiamento Universitário.

Vinte e cinco pessoas foram detidas, e oito agentes das diferentes forças mobilizadas para a operação ficaram feridos, informaram à AFP fontes do Ministério da Segurança Nacional. “As mesmas pessoas violentas de sempre. Querem impor o caos, desafiar as forças de segurança e transformar as ruas em uma zona sem lei”, escreveu no X a ministra da Segurança, Alejandra Monteoliva.

<><> Governo adia cumprimento da lei

A manifestação ocorreu após numerosas jornadas de greve, protestos dentro das universidades e decisões judiciais que obrigam o Executivo a cumprir a chamada Lei de Financiamento Universitário. O texto foi aprovado pelo Congresso em agosto de 2025 e determina que o governo de Javier Milei recomponha salários, bolsas de estudo e orçamentos de acordo com a inflação. No entanto, o governo usa uma série de artifícios políticos para não cumprir a lei, alegando que isso afetaria o superávit fiscal.

Os recursos destinados às universidades registraram uma queda de 40,5% em termos reais na comparação entre o primeiro semestre deste ano e o de 2023, segundo um estudo do Centro de Pesquisa de Economia Nacional da Universidade de Buenos Aires.

Com bandeiras de centros estudantis e sindicatos de professores, os manifestantes exibiam mensagens como “Milei, cumpra a lei” e “A universidade pública é um direito, não um privilégio”.

“Estamos exigindo que nos paguem o que nos devem”, disse Francisca Staiti, secretária-geral do sindicato de professores Conadu Histórica. Ela afirmou que as restrições orçamentárias provocam o “acúmulo de empregos ou a renúncia aos cargos” de docentes.

Relatórios do setor estimam que 10 mil docentes e pesquisadores pediram demissão desde o início do governo Milei. “Vão embora porque o salário não é suficiente”, comentou Victoria Coronel, estudante de Serviço Social na Universidade de La Matanza. Ela ressaltou que os cortes também são perceptíveis na manutenção da universidade. Segundo a estudante, “algumas coisas quebram e demoram para ser consertadas”.

<><> Conflito prolongado

O porta-voz da presidência, Adrián Ravier, disse na última terça-feira que “não é verdade que essa lei não esteja sendo cumprida”. No entanto, ressaltou que a norma “está suspensa” enquanto o governo define seus próximos passos em relação ao assunto. O Executivo também argumenta que a legislação não especifica quais fundos deveriam ser usados para financiá-la.

Essa foi a quinta passeata nacional de estudantes e professores universitários desde o início do mandato de Milei, em dezembro de 2023. As instituições públicas de ensino superior estão entre as principais afetadas pelas políticas de ajuste fiscal do presidente argentino, que concedeu aumentos nas verbas considerados insuficientes pelas instituições.

A passeata contou com o apoio de partidos políticos de oposição, sindicatos, organizações sociais e aposentados, enquanto o Congresso também trata da eventual revogação de um amplo decreto com o qual Milei governa desde o primeiro mês de mandato.

¨      Eduardo Bolsonaro e Milei se encontram nos EUA em evento de site fundado por Cerimedo

Especulado como possível chanceler do Brasil em um eventual governo de seu irmão Flávio Bolsonaro, o ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro será um dos palestrantes da Gala Oficial da Herança Hispânica, que acontece nesta quarta-feira (14/10), em Washington DC, capital dos Estados Unidos.

Os anúncios sobre o evento nas redes sociais apresentam o brasileiro como a segunda principal atração da noite. A estrela da cerimônia será o presidente de extrema direita da Argentina, Javier Milei.

A presença de ambos em Washington sugere um possível encontro entre eles durante o evento na capital norte-americana.

Vale lembrar que Milei foi o principal convidado do ato de lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, ocorrido em julho passado, em São Paulo.

<><> Ligação com Cerimedo

O evento no qual participam Milei e Eduardo Bolsonaro é organizado pela plataforma ultraconservadora Latino Wall Street, e pelo site La Derecha Diario, também de extrema direita.

Vale lembrar que o La Derecha Diario foi cofundado pelo consultor argentino Fernando Cerimedo, preso na Bolívia em agosto passado e acusado de diversos crimes, desde a tentativa frustrada de feminicídio de sua ex-namorada, a advogada Nadia Beller, até a manutenção de fazendas de bots e vínculos com o tráfico de drogas.

Após sua detenção, o consultor vendeu sua parte na propriedade do site para o outro sócio, o empresário extremista espanhol Javier Negre, que passou a ser o único dono.

Cerimedo, ademais, trabalhou com Eduardo Bolsonaro em 2023 numa infrutífera campanha para tentar provar uma suposta fraude nas eleições de 2022, e também prestou serviço para a campanha eleitoral de Javier Milei em 2023 e em processos eleitorais no Chile, Honduras e Bolívia, onde se encontra preso atualmente.

Em reportagem recente do site Cubadebate, foram revelados, através de documentos oficiais da administração pública dos Estados Unidos, os elos entre Fernando Cerimedo e figuras muito próximas ao governo de Donald Trump, e mais especificamente do secretario de Estado, Marco Rubio.

 

Fonte: Diálogos do Sul Global/teleSUR/Opera Mundi

 

 

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