7
cuidados com a alimentação que toda pessoa com diabetes precisa conhecer
Quem
tem diabetes precisa trocar todos os alimentos por versões diet? O arroz branco
deve sair do prato? E um chocolate sem adição de açúcar pode aumentar a glicose
no sangue?
Essas
dúvidas são comuns, especialmente após o diagnóstico, quando até alimentos que
sempre fizeram parte da rotina passam a gerar insegurança.
No Dia
Mundial da Alimentação, celebrado em 16 de outubro, essas questões ajudam a
lembrar que cuidar da alimentação vai muito além de retirar o açúcar. É preciso
compreender os carboidratos, prestar atenção às quantidades e conhecer os
fatores que podem influenciar a glicemia de quem tem diabetes.
No
primeiro episódio do DiabetesCast, apresentado pelo jornalista Tom Bueno, a
nutricionista e educadora em diabetes Tarsila Campos esclareceu dúvidas sobre
alimentação e mostrou como escolhas do dia a dia podem ser adaptadas sem a
necessidade de abandonar alimentos tradicionais.
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1. Não é só o açúcar que aumenta a glicose
Uma das
confusões mais comuns após o diagnóstico do diabetes, é acreditar que apenas
alimentos doces aumentam a glicose no sangue. Na prática, o açúcar utilizado em
bolos, chocolates e bebidas é apenas um dos tipos de carboidrato presentes na
alimentação.
Pão,
arroz, macarrão e batata, por exemplo, são ricos em amido, um carboidrato que é
digerido e transformado em glicose pelo organismo. Entretanto, os diferentes
tipos de carboidratos não são absorvidos da mesma maneira. A presença de
fibras, o processamento e a composição da refeição podem modificar a velocidade
com que a glicose chega ao sangue.
Os
carboidratos também são uma importante fonte de energia. Por isso, a orientação
nutricional não é eliminá-los indiscriminadamente, mas adequar seu consumo às
necessidades de cada pessoa.
“Eu
ajusto, não é que eu preciso zerar, eu preciso adequar”, afirmou Tarsila
durante o podcast.
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2. Produtos diet, zero e sem adição de açúcar não são todos iguais
As
expressões nas embalagens podem levar o consumidor a acreditar que determinados
produtos não interferem na glicemia. Entretanto, retirar o açúcar de um
alimento não significa eliminar todos os seus carboidratos.
Um
chocolate diet, por exemplo, pode ser produzido sem adição de sacarose, mas
continuar fornecendo carboidratos provenientes do leite e de outros
ingredientes.
“Às
vezes eu tiro a sacarose de um alimento, que é o açúcar branco, mas eu tenho
outros carboidratos lá, eu tenho uma farinha, eu tenho uma fécula de batata”,
explicou a nutricionista.
O termo
diet é utilizado em alimentos destinados a necessidades alimentares
específicas, com restrição de determinados nutrientes, conforme a categoria do
produto. Portanto, nem todo alimento diet é necessariamente isento de açúcar.
Já a
expressão zero precisa ser interpretada de acordo com o nutriente mencionado na
embalagem. Um produto zero açúcares não é, obrigatoriamente, zero carboidratos.
O mesmo vale para a indicação “sem adição de açúcares”, que não significa
ausência de açúcares naturalmente presentes nos ingredientes.
Essa
diferença aparece na comparação entre bebidas. Um refrigerante convencional
adoçado com açúcar fornece carboidratos, enquanto determinadas versões sem
açúcar podem apresentar zero grama desse nutriente. Isso pode reduzir a
quantidade de carboidratos ingerida, mas não transforma o refrigerante zero em
uma bebida nutricionalmente equivalente à água.
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3. A quantidade consumida pode ser diferente da porção do rótulo
A
leitura da tabela nutricional é importante, principalmente para quem precisa
acompanhar a quantidade de carboidratos ingerida.
Imagine
um pacote de biscoitos que informe 15 gramas de carboidratos em uma porção de
30 gramas do produto. Se a pessoa consumir 60 gramas, estará ingerindo 30
gramas de carboidratos.
Por
isso, é necessário conferir a porção indicada e compará-la com a quantidade
realmente consumida.
No
Brasil, as regras da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) exigem
que a tabela apresente informações nutricionais por porção e por 100 gramas ou
100 mililitros, conforme o produto. Isso facilita a comparação entre marcas.
Também
é importante diferenciar açúcares totais de açúcares adicionados. Os primeiros
incluem os açúcares naturalmente presentes no alimento e aqueles acrescentados
durante a fabricação. Os adicionados aparecem separadamente na tabela. Ambos já
estão incluídos no valor de carboidratos, portanto não devem ser somados a ele.
A lupa
na parte frontal das embalagens identifica produtos com altos teores de
açúcares adicionados, gorduras saturadas ou sódio. Sua ausência, porém, não
significa que o alimento seja livre de carboidratos.
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4. O pão francês não precisa sair do café da manhã
O pão
francês costuma ser um dos primeiros alimentos questionados após o diagnóstico
de diabetes. Por ser produzido principalmente com farinha de trigo, pode
provocar uma elevação relativamente rápida da glicose, especialmente quando
consumido isoladamente.
No
DiabetesCast, Tarsila explicou que a combinação com outros alimentos pode
modificar essa resposta.
Acrescentar
ovo ou queijo ao pão, por exemplo, inclui proteínas e gorduras na refeição,
nutrientes que podem influenciar a velocidade da digestão e absorção dos
carboidratos.
A
nutricionista comparou o pão acompanhado de geleia, que acrescenta mais
carboidratos, com alternativas que incluem ovo ou pasta de abacate.
“A
quantidade é mandatória, mas às vezes, mesmo eu respeitando quantidade,
dependendo de como eu combine esse alimento, ele pode ter um impacto melhor ou
pior pro meu controle glicêmico”, explicou.
Isso
não significa que essas combinações impeçam a elevação da glicose. O exemplo
mostra, porém, que nem sempre é necessário retirar um alimento da rotina para
melhorar a composição nutricional de uma refeição.
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5. Arroz branco e macarrão podem continuar no prato
Assim
como acontece com o pão, o arroz branco e o macarrão não precisam ser
automaticamente excluídos da alimentação de quem tem diabetes.
Embora
o arroz integral forneça mais fibras, as versões branca e integral apresentam
quantidades de carboidratos relativamente próximas em porções equivalentes.
Durante
a entrevista, Tarsila destacou a combinação tradicional de arroz com feijão.
Além de fornecer proteínas vegetais, o feijão contém fibras, que contribuem
para a qualidade nutricional da refeição e podem favorecer uma absorção mais
gradual dos carboidratos.
O mesmo
raciocínio vale para o macarrão. Em vez de consumir apenas uma grande porção de
massa, é possível incluí-la em uma refeição com vegetais e fontes de proteína.
A
nutricionista também comentou que a ordem de consumo dos alimentos pode
influenciar a glicemia. Estudos sugerem que comer vegetais e proteínas antes
dos carboidratos pode reduzir a elevação da glicose após algumas refeições,
embora os resultados variem entre as pessoas.
O mais
importante é considerar a composição do prato, sem tratar alimentos
tradicionais como proibidos.
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6. Comer uma fruta e tomar seu suco não é a mesma coisa
As
frutas fazem parte de uma alimentação saudável, inclusive para pessoas com
diabetes. Mas consumir uma laranja inteira não produz necessariamente a mesma
resposta glicêmica que beber um copo de suco.
Ao
espremer a fruta, parte das fibras fica no bagaço. Além disso, um copo de suco
pode concentrar o líquido de várias laranjas, aumentando a quantidade de
carboidratos ingerida de uma só vez.
No
podcast, Tom Bueno contou que costuma diluir uma pequena quantidade de suco de
laranja em água quando deseja consumir a bebida.
Tarsila
explicou que essa pode ser uma estratégia para controlar a quantidade de fruta
utilizada. A água não elimina os carboidratos, mas preparar a bebida com menos
fruta reduz a quantidade total presente no copo.
A fruta
inteira continua sendo, em geral, a escolha mais interessante do ponto de vista
nutricional, especialmente pela presença das fibras e pela maior saciedade.
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7. A alimentação precisa considerar o tipo de diabetes e o tratamento
Mesmo
quando duas pessoas consomem a mesma refeição, a resposta da glicose pode ser
diferente. Isso acontece porque o controle glicêmico também depende da ação da
insulina, dos medicamentos utilizados, da atividade física e de características
individuais.
No
diabetes tipo 1, a reposição de insulina é indispensável. Para pessoas que
utilizam determinados esquemas de insulinoterapia, a contagem de carboidratos
pode ajudar a relacionar a alimentação ao tratamento prescrito.
Já no
diabetes tipo 2, as estratégias nutricionais dependem de fatores como a
resistência à insulina, o controle glicêmico e os medicamentos utilizados.
Durante
o DiabetesCast, Tarsila destacou que a monitorização da glicose pode ajudar a
compreender como o organismo responde às refeições e orientar ajustes
individualizados com a equipe de saúde.
A
principal mensagem da entrevista é que receber o diagnóstico de diabetes não
significa abandonar os alimentos de que a pessoa gosta. Muitas vezes, o caminho
está em aprender a ajustar as porções, fazer combinações e distribuir melhor os
alimentos ao longo do dia, respeitando as necessidades nutricionais e o
tratamento de cada pessoa.
Fonte:
Um Diabético

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