sábado, 17 de outubro de 2026

Aprovação de Keiko Fujimori despenca 14,5 pontos, mostra pesquisa

A taxa de aprovação da presidente do Peru, Keiko Fujimori, que tomou posse em julho de 2026, caiu 14,5 pontos percentuais em apenas um mês, passando de 42,8% em agosto para 28,3% em outubro, conforme mostra o último relatório do estudo LatAm Pulse.

Além disso, a desaprovação de sua administração subiu para 53,6%, representando um aumento de mais de 13 pontos percentuais em comparação com os 40,3% registrados na medição anterior. Segundo o relatório, 50,2% da população avalia a gestão do governo como “ruim”, enquanto 30,6% a consideram “razoável” e apenas 19,1% a percebem como “boa”.

Já 18,1% dos entrevistados afirmaram não ter uma posição definida sobre a filha do ex-ditador Alberto Fujimori (1990-2000).

Além disso, 62% acreditam que a economia está indo mal e 64% avaliam negativamente a situação do mercado de trabalho — cenário reforçado pela decisão do Banco Central de reduzir a previsão de crescimento para 2026 para 3,2%, devido ao impacto do El Niño e às pressões inflacionárias.

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Além da crise econômica, a corrupção continua sendo a principal preocupação nacional para 58,8% dos peruanos, seguida de perto pela insegurança e pelo narcotráfico, com 42,2%. Mais da metade da população prevê um aumento de roubos e ataques criminosos no curto prazo.

A rejeição à presidente apresenta diferenças demográficas e territoriais marcantes: a desaprovação é maior entre os homens (60,2%) em comparação com as mulheres (47,4%) e atinge seu nível mais alto entre pessoas com maior escolaridade (67,8%). Por região, a área serrana peruana apresenta o maior índice de desaprovação, com 61,2%.

Em assuntos internacionais, a adesão do Peru à iniciativa estadunidense “Escudo das Américas” também gerou receios: 33% dos entrevistados acreditam que esse alinhamento das políticas de segurança com o governo de Donald Trump limita a autonomia do país para tomar suas próprias decisões diante do crime organizado.

O estudo da LatAm Pulse, elaborado pela empresa AtlasIntel para a Bloomberg News, foi realizado por meio de recrutamento digital aleatório de 2.024 pessoas entre 2 e 7 de outubro de 2026.

<><> Keiko Fujimori proíbe cabelo comprido, maquiagem e unhas pintadas nas escolas públicas do Peru

O combate à violência nas escolas virou justificativa para o governo de Keiko Fujimori impor regras mais rígidas à aparência dos estudantes no Peru. As novas diretrizes restringem o uso de maquiagem e esmalte, cabelos tingidos e saias curtas, além de estabelecer padrões para os penteados dos meninos.

A iniciativa aproxima a política educacional peruana das medidas adotadas em El Salvador pelo presidente Nayib Bukele, administração citada pela própria Keiko como um dos seus modelos.

A presidente argumenta que o endurecimento disciplinar ajudará a conter agressões e intimidações entre alunos. As normas também preveem punições para infrações graves e reforçam mecanismos de controle do comportamento nas instituições de ensino. O governo apresenta as mudanças como parte de um esforço para recuperar a autoridade em sala de aula.

Porém, a proposta apresentada nesta segunda-feira (12/10) enfrenta críticas sobre a relação entre aparência e segurança escolar. Para opositores, estabelecer limites para roupas, cabelos e maquiagem não substitui políticas de prevenção da violência, acolhimento das vítimas e proteção dos direitos dos estudantes. As restrições também levantam questionamentos sobre a imposição de padrões diferentes para meninas e meninos.

A senadora Ruth Luque, do partido Agora Nação, criticou a prioridade dada à aparência dos alunos. Segundo ela, a educação pública precisa de medidas concretas para promover a convivência e impedir agressões, em vez de avaliar a disciplina pelo comprimento dos cabelos ou pelas unhas pintadas.

O debate ocorre em meio à preocupação com a violência nas escolas peruanas. Um caso de estupro de um adolescente de 16 anos por outros estudantes, dentro de um ônibus escolar ligado a uma instituição naval, ampliou a pressão por respostas das autoridades. Seis alunos tiveram a prisão preventiva decretada por quatro meses.

Além disso, o Ministério da Educação registrou cerca de 12 mil ocorrências de violência escolar nos oito meses anteriores.

Ao defender as novas regras, Keiko reconheceu que as exigências podem parecer rigorosas, mas afirmou que terão importância para a formação dos estudantes. A justificativa não encerrou o debate sobre a eficácia das medidas nem sobre os limites da intervenção estatal na aparência dos jovens.

<><> Keiko minimizou esterilizações forçadas promovidas pelo pai

A política de imposição forçada de regras de aparência nas escolas públicas do Peru remete a políticas ainda mais violenta, adotada durante a ditadura de Alberto Fujimori (1990-2000), pai de Keiko, com foco em mulheres de baixa renda e de origem indígena.

Na década de 9o, a ditadura fujimorista promoveu uma política de esterilização forçada de mais de 300 mil mulheres, segundo estimativas citadas por organizações de direitos humanos. A política atingiu principalmente indígenas, camponesas e mulheres pobres de áreas urbanas.

Em uma entrevista dada em 2021, quando era candidata presidencial, Keiko Fujimori se referiu ao caso e elogiou a iniciativa, descrevendo-a como com programa  de “planejamento familiar”. A posição provocou críticas diante das denúncias de violações dos direitos reprodutivos de milhares de mulheres peruanas.

O episódio voltou a colocar em evidência o legado da família Fujimori, cuja trajetória política é marcada por denúncias de autoritarismo e violações de direitos humanos durante o governo de Alberto Fujimori.

Relatos reunidos por entidades como o Comitê Latino-Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher (Cladem) apontaram ameaças, chantagens e pressões de funcionários da saúde para convencer mulheres a aceitar as cirurgias. Também houve denúncias de complicações pós-operatórias, condições precárias de atendimento e mortes.

As denúncias deram origem a investigações judiciais contra o ex-presidente e antigos integrantes de seu governo. O caso permanece como um dos episódios mais graves de violação dos direitos reprodutivos na história recente do Peru.

¨      Keiko Fujimori sofre derrota eleitoral e tenta ampliar poderes

As eleições municipais e regionais realizadas no Peru no último domingo, 4 de outubro, deixaram o governo de Keiko Fujimori na mais absoluta orfandade. “Fuerza Popular”, o partido governista, não obteve vitória em sequer uma circunscrição eleitoral. Não conseguiu nenhuma prefeitura provincial.

Tampouco ganhou nenhum governo regional. Em suma, não obteve nada em uma eleição na qual votaram nada menos que vinte milhões de peruanos. O descalabro foi absoluto. Inclusive, ocorreu nas poucas regiões nas quais o atual partido do governo havia conseguido alcançar a vitória nas disputas eleitorais realizadas em abril e junho deste mesmo ano.

No extremo, o milionário Joaquín Ramírez, tão próximo de Keiko Fujimori que, desta vez, concorreu com um símbolo diferente para se diferenciar do governismo, também perdeu, quando todas as “pesquisas” o davam como vencedor certo naquilo que havia sido uma espécie de seu reduto pessoal: Cajamarca.

É claro que Fuerza Popular não foi a única organização derrotada. Também perdeu o APRA, que fez papel ridículo em nível nacional, embora tenha conseguido se aproximar dos 10% dos votos no que outrora era “a capital do Sólido Norte”, ou seja, Trujillo; onde, além disso, “Alianza para el Progreso” — o partido que o substituíra na estima dos cidadãos nos últimos 15 anos — também perdeu de forma avassaladora.

Seu companheiro de infortúnio foi o PPC, o Partido Popular Cristão, figura emblemática da direita católica.

Em contraste, confirmou-se a existência de uma forte base social de oposição ao regime, delineada ao longo do sul andino. Em Cusco, desta vez a cidade mais definida, Verónica Mendoza obteve uma vitória significativa que tirou a direita do sério. Seus adversários, na falta de argumentos sérios, simplesmente a acusaram de ser “filoterrorista”, talvez como uma maneira de antecipar as “acusações” que lhe farão assim que puderem, à luz das leis de exceção que já estão elaborando.

É importante sublinhar que essa queda do governismo também atingiu “Renovación Popular”, o partido de Rafael López Aliaga, que conseguiu muito menos do que havia anunciado, apesar de contar com o apoio aberto da “Grande Imprensa” e das “empresas de pesquisa”, que até o fim lhe garantiam uma vitória folgada que nunca se concretizou. Setores, antes “centristas”, conseguiram arrebatar-lhe postos que já tinha como certos, marchando na contramão do discurso agressivo e radical de seu porta-estandarte.

Como quem não aprendeu nada com as experiências anteriores, a Esquerda novamente marchou dividida. Por meio de coletivos locais, no entanto, conseguiu conquistar postos de autoridade provincial e regional em diferentes regiões do país, afirmando um claro discurso anti-governista.

Os resultados eleitorais, no entanto, surgiram envolvidos em uma amarga disputa referente ao pedido de “faculdades delegadas” formulado pelo regime e solicitado ao Poder Legislativo. Sobre o tema, “Fuerza Popular” se comportou com a delicadeza com que um rinoceronte se move em uma loja de cristais. Isso a levou finalmente a aceitar faculdades “reduzidas”, que deverão limitar sua atuação. Mesmo isso, no entanto, é perigoso, devido ao debate pendente no Senado e ao uso que o Executivo deverá fazer delas posteriormente.

E é que não se trata apenas de propostas inviáveis, mas também de estilos de gestão incompatíveis com a realidade. E é que combinar demandas reais com pedidos pontuais destinados a privilegiar grandes empresários ou introduzir propostas para acabar com os direitos trabalhistas dos trabalhadores não tem relação com a insegurança cidadã que é preciso combater, nem com os danos esperados da corrente de “El Niño”.

É claro que se trata, realmente, de uma tentativa grosseira de pescar em águas turvas. Aproveitar o fato de ter “faculdades delegadas” para apoiar os exportadores e os banqueiros que doaram enormes somas de dinheiro à “Fuerza Popular” e que agora estendem a mão para “recuperar o que é seu”.

Além disso, o que tira o sono do governo é a possibilidade de colocar as Forças Armadas nos presídios para “controlá-los por dentro”. Quando algo assim ocorreu, em 1985, 1986 e 1992, foram cometidos contra os presos crimes abjetos que o fujimorismo parece empenhado em repetir.

Em geral, as pessoas não entendem “a ira” de Keiko. Ela pode recorrer a “Decretos de Urgência” constitucionalmente previstos, ou enviar projetos de lei às Câmaras Legislativas, que para isso foram eleitas. O que ela não pode é passar por cima, como se com uma vara de salto, dos Poderes do Estado, sem consumar um Golpe que a tornaria semelhante ao Alberto de abril de 1992. Porque sabe disso — e teme suas consequências — é que opta pela inação.

E essa inação tem diferentes modalidades. Uma delas é optar por sair do país com a maior frequência possível. Já foi aos Estados Unidos durante cinco dias para justificar uma doméstica peroração de 12 minutos. Agora busca visitar Bukele para ver se ele pode lhe oferecer um banho de florescimento. E depois viajar à Espanha para um encontro ibero-americano.

Se viajar a El Salvador, talvez pudesse perguntar sobre uma frase dita pelo mandatário daquele país: “se um governo não consegue derrotar a criminalidade, é apenas porque a criminalidade está dentro desse governo”. E, se for à Espanha — como ambiciona —, poderia talvez perguntar por que naquele país propõem a expulsão das bases militares ianques, enquanto aqui ela busca inseri-las em território peruano.

Talvez o desejo de sair do país tenha uma dupla razão: fugir dos problemas daqui ou governar mais o Peru a partir do exterior. Afinal de contas, ela perdeu as eleições aqui e as “ganhou” apenas com a ajuda fraudulenta do voto no exterior, graças a Donald Trump e a “diplomatas” nos Estados Unidos e na Argentina.

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Daí sua submissão servil às determinações de Washington. E isso ficou evidenciado na presença do “Escudo das Américas” na Bolívia para destituir e prender o procurador-geral daquele país por prender e investigar Cerimedo e seus cúmplices. A participação de diplomatas peruanos nos fatos merece uma categórica reprovação.

Igual rejeição merece a intolerável ingerência do embaixador dos Estados Unidos nos assuntos internos de nosso país. Há muito pouco tempo, soube-se que a repressão brutal cometida contra os moradores de Jicamarca resultou de uma iniciativa do embaixador Bernie Navarro, que exigiu por escrito esse despejo para favorecer compras de terrenos na região realizadas por uma empresa ianque.

¨      Tribunal equatoriano absolve pescadores de barcos atacados pelos EUA

Um juiz no Equador declarou inocentes, na quarta-feira (07/10), 32 tripulantes de dois barcos de pesca que haviam sido interceptados e destruídos por forças militares norte-americanas no Oceano Pacífico. Os indivíduos, que haviam sido acusados ​​de conspiração, eram suspeitos de colaborar com redes de narcotráfico. No entanto, o juiz concluiu que não havia provas suficientes para sustentar as acusações.

“Após analisar as provas apresentadas pela acusação, a juíza determinou que não era possível comprovar que essas embarcações e essa tripulação tivessem cometido qualquer ato ilegal . Não houve crime”, declarou Juan Alvia, advogado dos réus, à imprensa.

A decisão judicial beneficia oito tripulantes do navio Conquista 2 e 24 tripulantes do María Candelaria. Ambos os navios fazem parte de um grupo de oito embarcações pesqueiras afundadas entre 28 de agosto e 16 de setembro em uma operação conjunta entre as forças militares dos EUA e o governo equatoriano.

<><> Inconsistência na versão dos Estados Unidos

Segundo a versão divulgada pelo Comando Sul dos EUA, as embarcações funcionavam como pontos de reabastecimento flutuantes para lanchas usadas no tráfico de drogas para a América do Norte. Os marinheiros foram preliminarmente ligados a Los Choneros , uma organização criminosa equatoriana aliada ao Cartel de Sinaloa e classificada como grupo terrorista por Washington.

No entanto, a representação legal demonstrou que o Ministério Público equatoriano não apresentou nenhum documento oficial ou relatório de inteligência emitido pelo governo dos EUA que ligasse as tripulações a investigações de tráfico de drogas ou contrabando de combustível. “Esses documentos simplesmente não existem”, afirmou o advogado.

Tribunal equatoriano absolve pescadores de barcos atacados pelos EUA
Foto: @DefensaEc

<><> Processos judiciais em andamento

A decisão inicial representa a primeira sentença definitiva em uma série de três processos judiciais envolvendo um total de 88 tripulantes de cinco embarcações destruídas por ações militares dos EUA. Prevê-se que o Ministério Público não recorrerá da decisão por falta de provas.

A agenda do tribunal inclui o início do segundo julgamento nesta quinta-feira, onde será determinada a situação jurídica de 46 réus. O terceiro julgamento, envolvendo outros 10 marinheiros e inicialmente agendado para 1º de outubro, foi adiado para 20 de outubro .

Um grupo adicional de 70 trabalhadores marítimos pertencentes aos outros três navios afundados — bem como marinheiros capturados posteriormente — foram libertados anteriormente sem que fossem apresentadas acusações, devido à ausência de elementos criminosos.

Alegações de abuso e investigações em andamento.

Após a confirmação de sua inocência, as vítimas estão considerando solicitar às autoridades judiciais a abertura de um inquérito formal para apurar a responsabilidade pela destruição de suas ferramentas de trabalho e pela privação ilegal de liberdade relatada durante as interceptações navais, antes de serem entregues às autoridades equatorianas.

A decisão judicial coincide com a declaração da Human Rights Watch (HRW), que instou as autoridades dos Estados Unidos e do Equador a tornarem transparente a base legal desses ataques armados, bem como a abrirem investigações imediatas sobre as alegações de abuso feitas pelas tripulações .

 

Fonte: Opera Mundi/Diálogos do Sul Global

 

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