Aprovação de Keiko
Fujimori despenca 14,5 pontos, mostra pesquisa
A taxa
de aprovação da presidente do Peru,
Keiko Fujimori,
que tomou posse em julho de 2026, caiu 14,5 pontos percentuais em apenas um
mês, passando de 42,8% em agosto para 28,3% em outubro, conforme mostra o
último relatório do estudo LatAm Pulse.
Além
disso, a desaprovação de sua administração subiu para 53,6%, representando um
aumento de mais de 13 pontos percentuais em comparação com os 40,3% registrados
na medição anterior. Segundo o relatório, 50,2% da população avalia a gestão do
governo como “ruim”, enquanto 30,6% a consideram “razoável” e apenas 19,1% a
percebem como “boa”.
Já
18,1% dos entrevistados afirmaram não ter uma posição definida sobre a filha do
ex-ditador Alberto
Fujimori (1990-2000).
Além
disso, 62% acreditam que a economia está indo mal e 64% avaliam negativamente a
situação do mercado de trabalho — cenário reforçado pela decisão do Banco
Central de reduzir a previsão de crescimento para 2026 para 3,2%, devido ao
impacto do El Niño e às pressões inflacionárias.
Cobertura especialVeja os resultados
do 1° turno das EleiçõesAcompanhe→
Além da
crise econômica, a corrupção continua sendo a principal preocupação nacional
para 58,8% dos peruanos, seguida de perto pela insegurança e pelo narcotráfico,
com 42,2%. Mais da metade da população prevê um aumento de roubos e ataques
criminosos no curto prazo.
A
rejeição à presidente apresenta diferenças
demográficas e territoriais marcantes: a desaprovação é maior entre os homens
(60,2%) em comparação com as mulheres (47,4%) e atinge seu nível mais alto
entre pessoas com maior escolaridade (67,8%). Por região, a área serrana peruana
apresenta o maior índice de desaprovação, com 61,2%.
Em
assuntos internacionais, a adesão do Peru à
iniciativa estadunidense “Escudo das Américas” também gerou
receios: 33% dos entrevistados acreditam que esse alinhamento das políticas de
segurança com o governo de Donald Trump limita a autonomia do país para tomar
suas próprias decisões diante do crime organizado.
O
estudo da LatAm Pulse, elaborado pela empresa AtlasIntel para a
Bloomberg News, foi realizado por meio de recrutamento digital aleatório de
2.024 pessoas entre 2 e 7 de outubro de 2026.
<><>
Keiko Fujimori proíbe cabelo comprido, maquiagem e unhas pintadas nas escolas
públicas do Peru
O
combate à violência nas escolas virou justificativa para o governo de Keiko
Fujimori impor regras mais rígidas à aparência dos estudantes no Peru. As novas
diretrizes restringem o uso de maquiagem e esmalte, cabelos tingidos e saias
curtas, além de estabelecer padrões para os penteados dos meninos.
A
iniciativa aproxima a política educacional peruana das medidas adotadas em El
Salvador pelo presidente Nayib Bukele, administração citada pela própria Keiko
como um dos seus modelos.
A
presidente argumenta que o endurecimento disciplinar ajudará a conter agressões
e intimidações entre alunos. As normas também preveem punições para infrações
graves e reforçam mecanismos de controle do comportamento nas instituições de
ensino. O governo apresenta as mudanças como parte de um esforço para recuperar
a autoridade em sala de aula.
Porém,
a proposta apresentada nesta segunda-feira (12/10) enfrenta críticas sobre a
relação entre aparência e segurança escolar. Para opositores, estabelecer
limites para roupas, cabelos e maquiagem não substitui políticas de prevenção
da violência, acolhimento das vítimas e proteção dos direitos dos estudantes.
As restrições também levantam questionamentos sobre a imposição de padrões
diferentes para meninas e meninos.
A
senadora Ruth Luque, do partido Agora Nação, criticou a prioridade dada à
aparência dos alunos. Segundo ela, a educação pública precisa de medidas
concretas para promover a convivência e impedir agressões, em vez de avaliar a
disciplina pelo comprimento dos cabelos ou pelas unhas pintadas.
O
debate ocorre em meio à preocupação com a violência nas escolas peruanas. Um
caso de estupro de um adolescente de 16 anos por outros estudantes, dentro de
um ônibus escolar ligado a uma instituição naval, ampliou a pressão por
respostas das autoridades. Seis alunos tiveram a prisão preventiva decretada
por quatro meses.
Além
disso, o Ministério da Educação registrou cerca de 12 mil ocorrências de
violência escolar nos oito meses anteriores.
Ao
defender as novas regras, Keiko reconheceu que as exigências podem parecer
rigorosas, mas afirmou que terão importância para a formação dos estudantes. A
justificativa não encerrou o debate sobre a eficácia das medidas nem sobre os
limites da intervenção estatal na aparência dos jovens.
<><>
Keiko minimizou esterilizações forçadas promovidas pelo pai
A
política de imposição forçada de regras de aparência nas escolas públicas do
Peru remete a políticas ainda mais violenta, adotada durante a ditadura de
Alberto Fujimori (1990-2000), pai de Keiko, com foco em mulheres de baixa renda
e de origem indígena.
Na
década de 9o, a ditadura fujimorista promoveu uma política de esterilização
forçada de mais de 300 mil mulheres, segundo estimativas citadas por
organizações de direitos humanos. A política atingiu principalmente indígenas,
camponesas e mulheres pobres de áreas urbanas.
Em uma
entrevista dada em 2021, quando era candidata presidencial, Keiko Fujimori se
referiu ao caso e elogiou a iniciativa, descrevendo-a como com programa
de “planejamento familiar”. A posição provocou críticas diante das denúncias de
violações dos direitos reprodutivos de milhares de mulheres peruanas.
O
episódio voltou a colocar em evidência o legado da família Fujimori, cuja
trajetória política é marcada por denúncias de autoritarismo e violações de
direitos humanos durante o governo de Alberto Fujimori.
Relatos
reunidos por entidades como o Comitê Latino-Americano e do Caribe para a Defesa
dos Direitos da Mulher (Cladem) apontaram ameaças, chantagens e pressões de
funcionários da saúde para convencer mulheres a aceitar as cirurgias. Também
houve denúncias de complicações pós-operatórias, condições precárias de
atendimento e mortes.
As
denúncias deram origem a investigações judiciais contra o ex-presidente e
antigos integrantes de seu governo. O caso permanece como um dos episódios mais
graves de violação dos direitos reprodutivos na história recente do Peru.
¨
Keiko Fujimori sofre derrota eleitoral e tenta ampliar
poderes
As
eleições municipais e regionais realizadas no Peru no último domingo, 4
de outubro, deixaram o governo de Keiko Fujimori na mais absoluta
orfandade. “Fuerza Popular”, o partido governista, não obteve vitória em sequer
uma circunscrição eleitoral. Não conseguiu nenhuma prefeitura provincial.
Tampouco
ganhou nenhum governo regional. Em suma, não obteve nada em uma eleição na qual
votaram nada menos que vinte milhões de peruanos. O descalabro foi absoluto.
Inclusive, ocorreu nas poucas regiões nas quais o atual partido do governo
havia conseguido alcançar a vitória nas disputas eleitorais realizadas em abril
e junho deste mesmo ano.
No
extremo, o milionário Joaquín Ramírez, tão próximo de
Keiko Fujimori que, desta vez, concorreu com um símbolo diferente para se
diferenciar do governismo, também perdeu, quando todas as “pesquisas” o davam
como vencedor certo naquilo que havia sido uma espécie de seu reduto pessoal:
Cajamarca.
É claro
que Fuerza Popular não foi a única organização derrotada. Também perdeu o APRA,
que fez papel ridículo em nível nacional, embora tenha conseguido se aproximar
dos 10% dos votos no que outrora era “a capital do Sólido Norte”, ou seja,
Trujillo; onde, além disso, “Alianza para el Progreso” — o partido que o
substituíra na estima dos cidadãos nos últimos 15 anos — também perdeu de forma
avassaladora.
Seu
companheiro de infortúnio foi o PPC, o Partido Popular Cristão, figura
emblemática da direita católica.
Em
contraste, confirmou-se a existência de uma forte base social de oposição ao
regime, delineada ao longo do sul andino. Em Cusco, desta vez a cidade mais
definida, Verónica Mendoza obteve uma vitória significativa que tirou a direita
do sério. Seus adversários, na falta de argumentos sérios, simplesmente a
acusaram de ser “filoterrorista”, talvez como uma maneira de antecipar as
“acusações” que lhe farão assim que puderem, à luz das leis de exceção que já
estão elaborando.
É
importante sublinhar que essa queda do governismo também atingiu “Renovación
Popular”, o partido de Rafael López Aliaga, que conseguiu muito menos do que
havia anunciado, apesar de contar com o apoio aberto da “Grande Imprensa” e das
“empresas de pesquisa”, que até o fim lhe garantiam uma vitória folgada que
nunca se concretizou. Setores, antes “centristas”, conseguiram arrebatar-lhe
postos que já tinha como certos, marchando na contramão do discurso agressivo e
radical de seu porta-estandarte.
Como
quem não aprendeu nada com as experiências anteriores, a Esquerda novamente
marchou dividida. Por meio de coletivos locais, no entanto, conseguiu
conquistar postos de autoridade provincial e regional em diferentes regiões do
país, afirmando um claro discurso anti-governista.
Os
resultados eleitorais, no entanto, surgiram envolvidos em uma amarga disputa
referente ao pedido de “faculdades delegadas” formulado pelo regime e
solicitado ao Poder Legislativo. Sobre o tema, “Fuerza Popular” se comportou
com a delicadeza com que um rinoceronte se move em uma loja de cristais. Isso a
levou finalmente a aceitar faculdades “reduzidas”, que deverão limitar sua
atuação. Mesmo isso, no entanto, é perigoso, devido ao debate pendente no
Senado e ao uso que o Executivo deverá fazer delas posteriormente.
E é que
não se trata apenas de propostas inviáveis, mas também de estilos de gestão
incompatíveis com a realidade. E é que combinar demandas reais com pedidos
pontuais destinados a privilegiar grandes empresários ou introduzir propostas
para acabar com os direitos trabalhistas dos trabalhadores não tem relação com
a insegurança cidadã que é preciso combater, nem com os danos esperados da
corrente de “El Niño”.
É claro
que se trata, realmente, de uma tentativa grosseira de pescar em águas turvas.
Aproveitar o fato de ter “faculdades delegadas” para apoiar os exportadores e
os banqueiros que doaram enormes somas de dinheiro à “Fuerza Popular” e que
agora estendem a mão para “recuperar o que é seu”.
Além
disso, o que tira o sono do governo é a possibilidade de colocar as Forças
Armadas nos presídios para “controlá-los por dentro”. Quando algo assim
ocorreu, em 1985, 1986 e 1992, foram cometidos contra os presos crimes abjetos
que o fujimorismo parece empenhado em repetir.
Em
geral, as pessoas não entendem “a ira” de Keiko. Ela pode recorrer a “Decretos
de Urgência” constitucionalmente previstos, ou enviar projetos de lei às
Câmaras Legislativas, que para isso foram eleitas. O que ela não pode é passar
por cima, como se com uma vara de salto, dos Poderes do Estado, sem consumar um
Golpe que a tornaria semelhante ao Alberto de abril de 1992. Porque sabe disso
— e teme suas consequências — é que opta pela inação.
E essa
inação tem diferentes modalidades. Uma delas é optar por sair do país com a
maior frequência possível. Já foi aos Estados Unidos durante cinco dias para
justificar uma doméstica peroração de 12 minutos. Agora busca visitar Bukele para ver se ele pode
lhe oferecer um banho de florescimento. E depois viajar à Espanha para um
encontro ibero-americano.
Se
viajar a El Salvador, talvez pudesse perguntar sobre uma frase dita pelo
mandatário daquele país: “se um governo não consegue derrotar a
criminalidade, é apenas porque a criminalidade está dentro desse governo”.
E, se for à Espanha — como ambiciona —, poderia talvez perguntar por que
naquele país propõem a expulsão das bases militares ianques, enquanto aqui ela
busca inseri-las em território peruano.
Talvez
o desejo de sair do país tenha uma dupla razão: fugir dos problemas daqui ou
governar mais o Peru a partir do exterior. Afinal de contas, ela perdeu as
eleições aqui e as “ganhou” apenas com a ajuda fraudulenta do voto no exterior,
graças a Donald Trump e a “diplomatas” nos Estados Unidos e na Argentina.
Continua
após o anúncio
Daí sua
submissão servil às determinações de Washington. E isso ficou evidenciado na
presença do “Escudo das Américas” na Bolívia para
destituir e prender o procurador-geral daquele país por prender e investigar Cerimedo e seus cúmplices. A
participação de diplomatas peruanos nos fatos merece uma categórica reprovação.
Igual
rejeição merece a intolerável ingerência do embaixador dos Estados Unidos nos
assuntos internos de nosso país. Há muito pouco tempo, soube-se que a repressão
brutal cometida contra os moradores de Jicamarca resultou de uma iniciativa do
embaixador Bernie Navarro, que exigiu por escrito esse despejo para favorecer
compras de terrenos na região realizadas por uma empresa ianque.
¨ Tribunal equatoriano
absolve pescadores de barcos atacados pelos EUA
Um juiz
no Equador declarou inocentes, na quarta-feira (07/10), 32 tripulantes de dois
barcos de pesca que haviam sido interceptados e destruídos por forças militares norte-americanas no Oceano Pacífico.
Os indivíduos, que haviam sido acusados de conspiração, eram suspeitos de
colaborar com redes de narcotráfico. No entanto, o
juiz concluiu que não havia provas suficientes para sustentar as acusações.
“Após
analisar as provas apresentadas pela acusação, a juíza determinou que não era
possível comprovar que essas embarcações e essa tripulação tivessem cometido
qualquer ato ilegal . Não houve crime”, declarou Juan Alvia, advogado dos réus,
à imprensa.
A
decisão judicial beneficia oito tripulantes do navio Conquista 2 e 24
tripulantes do María Candelaria. Ambos os navios fazem parte de um grupo de
oito embarcações pesqueiras afundadas entre 28 de agosto e 16 de setembro em
uma operação conjunta entre as forças militares dos EUA e o governo
equatoriano.
<><>
Inconsistência na versão dos Estados Unidos
Segundo
a versão divulgada pelo Comando Sul dos EUA, as embarcações funcionavam como pontos de
reabastecimento flutuantes para lanchas usadas no tráfico de drogas para a
América do Norte. Os marinheiros foram preliminarmente ligados a Los Choneros ,
uma organização criminosa equatoriana aliada ao Cartel de Sinaloa e
classificada como grupo terrorista por Washington.
No
entanto, a representação legal demonstrou que o Ministério Público equatoriano
não apresentou nenhum documento oficial ou relatório de inteligência emitido
pelo governo dos EUA que ligasse as tripulações a investigações de tráfico de
drogas ou contrabando de combustível. “Esses documentos simplesmente não
existem”, afirmou o advogado.
Tribunal
equatoriano absolve pescadores de barcos atacados pelos EUA
Foto: @DefensaEc
<><>
Processos judiciais em andamento
A
decisão inicial representa a primeira sentença definitiva em uma série de três
processos judiciais envolvendo um total de 88 tripulantes de cinco embarcações
destruídas por ações militares dos EUA. Prevê-se que o Ministério Público não
recorrerá da decisão por falta de provas.
A
agenda do tribunal inclui o início do segundo julgamento nesta quinta-feira,
onde será determinada a situação jurídica de 46 réus. O terceiro julgamento,
envolvendo outros 10 marinheiros e inicialmente agendado para 1º de outubro,
foi adiado para 20 de outubro .
Um
grupo adicional de 70 trabalhadores marítimos pertencentes aos outros três
navios afundados — bem como marinheiros capturados posteriormente — foram
libertados anteriormente sem que fossem apresentadas acusações, devido à
ausência de elementos criminosos.
Alegações
de abuso e investigações em andamento.
Após a
confirmação de sua inocência, as vítimas estão considerando solicitar às
autoridades judiciais a abertura de um inquérito formal para apurar a
responsabilidade pela destruição de suas ferramentas de trabalho e pela
privação ilegal de liberdade relatada durante as interceptações navais, antes
de serem entregues às autoridades equatorianas.
A
decisão judicial coincide com a declaração da Human Rights Watch (HRW), que
instou as autoridades dos Estados Unidos e do Equador a tornarem transparente a
base legal desses ataques armados, bem como a abrirem investigações imediatas
sobre as alegações de abuso feitas pelas tripulações .
Fonte:
Opera Mundi/Diálogos do Sul Global

Nenhum comentário:
Postar um comentário