sábado, 17 de outubro de 2026

Colômbia deixa Grupo de Haia após visita de chanceler a Israel

O governo colombiano formalizou na quinta-feira (15/10) sua saída como membro e copresidente do Grupo de Haia, após rejeitar sua abordagem, considerando que o bloco foi criado para isolar e atacar Israel no contexto do conflito palestino, segundo comunicado do Ministério das Relações Exteriores do país sul-americano.

“A Colômbia solicitou oficialmente sua retirada do Grupo de Haia, um grupo criado para isolar e atacar Israel. Rejeitamos essa abordagem”, declarou o ministro das Relações Exteriores da Colômbia, Omar Bula, em um comunicado à imprensa, representando um novo passo na reaproximação diplomática com o Estado israelense.

A aliança multilateral criada para coordenar medidas contra Israel em relação à guerra em Gaza e à situação na Palestina foi estabelecida em 31 de janeiro de 2025 por Belize, Bolívia, Chile, Cuba, Colômbia, Honduras, Malásia, Namíbia, Senegal e África do Sul . Com essa decisão, Bogotá se junta à Bolívia e a Honduras, que já haviam se retirado do bloco.

Essa posição surge semanas depois de o Executivo colombiano ter retirado sua declaração de intervenção no caso apresentado pela África do Sul contra Israel perante o Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) por supostas violações da Convenção contra o Genocídio durante as operações militares israelenses em Gaza.

A saída da Colômbia do Grupo de Haia ocorre em meio ao restabelecimento das relações diplomáticas bilaterais em agosto pelo presidente Abelardo de la Espriella, após o rompimento dos laços com Israel pelo governo de Gustavo Petro em 2014, depois de condenar a ofensiva militar em Gaza como genocídio. Como parte dessa política, o chanceler Bula inaugurou a embaixada da Colômbia em Jerusalém na quarta-feira (14/10), juntamente com seu homólogo israelense, Gideon Sa’ar.

<><> Colômbia inaugura embaixada em Jerusalém; 'violação flagrante', diz chancelaria palestina

O Ministério das Relações Exteriores palestino condenou a decisão do governo colombiano de inaugurar nesta quarta-feira (14/10) sua embaixada em Jerusalém e a classificou como uma medida contrária ao direito internacional.

No comunicado, o ministério afirma que a transferência da representação diplomática constitui uma “violação flagrante do direito internacional e das resoluções das Nações Unidas”, além de representar uma afronta ao povo palestino e a seus direitos nacionais.

A chancelaria jordaniana também criticou a medida, classificando-a como uma “violação do direito internacional e das resoluções internacionais pertinentes”.

Participaram da cerimônia o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, seu homólogo colombiano, Omar Bula, a embaixadora da Colômbia em Israel, Tania Gilinski, e o prefeito de Jerusalém, Moshe Lion.

Além da Colômbia, atualmente os Estados Unidos, Guatemala, Honduras, Kosovo, Papua-Nova Guiné, Paraguai, Fiji, Nauru e Somalilândia mantêm representações diplomáticas na cidade. Na semana passada, Saar disse que a República Democrática do Congo pretende transferir a embaixada “em breve”.

O ex-presidente Gustavo Petro havia interrompido as relações diplomáticas com Tel Aviv em 2024, em protesto contra a ofensiva militar e genocida da administração do premiê Benjamin Netanyahu na Faixa de Gaza. Abelardo de la Espriella, que tomou posse em agosto, demonstrou ser aliado do governo de Donald Trump desde sua campanha eleitoral. Ele também colaborou para a aproximação com Israel e restabeleceu o acordo de livre comércio entre os países que Petro havia rescindido.

<><> De la Espriella é acusado de “interferência” por apoiar uma congressista americana

No âmbito político internacional, o Partido Democrata dos Estados Unidos denunciou na quinta-feira que as declarações de apoio expressas pelo presidente De la Espriella à congressista republicana Maria Elvira Salazar constituem uma “interferência” nas eleições de meio de mandato marcadas para 3 de novembro, nas quais Salazar busca manter sua representação legislativa pelo estado da Flórida.

O congressista democrata Gregory Meeks , membro de maior hierarquia da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes, classificou as ações do chefe de Estado colombiano como “inaceitáveis” e expressou preocupação com o impacto dessas ações no “apoio bipartidário” que a Colômbia historicamente recebe em Washington.

O grupo parlamentar democrata alertou que a participação ativa de um líder estrangeiro em uma eleição nos EUA “põe em risco” o apoio político mútuo entre as duas nações.

A declaração surge após a divulgação de um vídeo em que De la Espriella afirma que a representante republicana é “a melhor amiga da Colômbia no Congresso dos EUA” por ter defendido o país. Salazar referiu-se à chefe de Estado colombiana como uma “amiga” e definiu-se como uma defensora ferrenha da relação bilateral no legislativo americano.

A ligação pessoal entre os dois líderes decorre da antiga residência do presidente colombiano em Miami. Salazar esteve presente durante as eleições de 21 de junho em Barranquilla, dia em que o presidente celebrou a sua vitória no segundo turno das eleições presidenciais. Anteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, apoiou abertamente De la Espriella durante a campanha eleitoral colombiana, uma atitude que a esquerda colombiana denunciou como interferência.

¨      Colômbia endurece regras para protestos às vésperas de manifestação

Poucas horas antes da primeira manifestação convocada por setores da oposição, o presidente colombiano Abelardo de la Espriella assinou o Decreto 1525 de 2026 , uma medida que busca legalizar a repressão contra manifestações pacíficas que ocorram no país.

As regulamentações foram introduzidas em resposta à convocação de marchas antigovernamentais agendadas para esta quarta-feira, 14 de outubro. Segundo o governo, o objetivo é fortalecer os mecanismos de controle e garantir a ordem pública durante as manifestações.

Durante um discurso transmitido pela televisão nacional, De la Espriella salientou que o protesto pacífico constitui uma “garantia constitucional”, embora tenha especificado que esse direito “não autoriza atacar outros cidadãos, destruir propriedades, ameaçar trabalhadores ou impedir o acesso de ambulâncias e serviços de emergência”.

Entre as medidas anunciadas está a presença permanente de autoridades em manifestações. O decreto estipula que os agentes responsáveis ​​pela fiscalização devem manter uma distância mínima de quatro metros, como parte dos protocolos de controle estabelecidos para esses eventos.

O regulamento também autoriza as autoridades policiais a intervirem quando forem detectadas armas de fogo, armas brancas, explosivos ou dispositivos incendiários. Abrange ainda intervenções em casos de detenção ilegal ou agressões contra terceiros.

O documento inclui proteção específica para funcionários públicos, pessoal uniformizado, missões médicas e equipes jornalísticas, estabelecendo poderes de ação contra qualquer ataque ou ameaça dirigida a esses setores durante as mobilizações.

<><> Protestos acontecem nesta quarta (14)

Os protestos foram convocados por organizações sociais, estudantis e trabalhistas, incluindo a Central Sindical dos Trabalhadores (CUT). A principal concentração está marcada para as 10h desta quarta-feira no Parque Nacional de Bogotá, embora atividades também tenham sido anunciadas em cidades como Cali e Medellín.

Enquanto isso, o Poder Executivo está avançando com outras iniciativas legislativas de seu programa de governo. Entre elas, um projeto de lei para a rendição de grupos armados organizados e um estatuto antiterrorismo, propostas que foram apresentadas na terça-feira como parte da agenda do governo.

<><> Colombianos protestam contra cortes e reformas do governo Espriella

Milhares de manifestantes foram reprimidos na quarta-feira (14/10) nas ruas de Bogotá e de outras grandes cidades colombianas, na primeira greve nacional contra o governo do presidente Abelardo de la Espriella. As manifestações foram replicadas em mais de uma dezena de capitais e municípios, incluindo Medellín, Cali, Barranquilla, Ibagué, Popayán e Bucaramanga.

Em Bogotá, quatro colunas convergiram para a Praça Bolívar sob um esquema de segurança monitorado por um Posto de Comando Unificado (PMU). Em cidades como Medellín, a mobilização resultou em fortes confrontos entre manifestantes e o Esquadrão Móvel Antidistúrbios (ESMAD), uma equipe que utilizou gás lacrimogêneo, balas de borracha e veículos blindados, deixando várias pessoas detidas e ataques contra a imprensa registrados.

Da mesma forma, em Ibagué e Popayán, foram registrados graves distúrbios da ordem pública e tumultos após intervenções das forças policiais. Organizações de direitos humanos, incluindo a ONG Temblores, denunciaram a colocação de homens armados com fuzis nos telhados de prédios oficiais na capital, classificando-a como uma ameaça direta à mobilização cidadã.

O protesto, convocado menos de dez semanas após a sua posse, foi uma resposta aos cortes orçamentais, às primeiras reformas econômicas do Executivo e à recente aprovação de um controverso protocolo de controle da ordem pública.

A mobilização em massa uniu sindicatos, professores, estudantes universitários, comunidades indígenas, grupos LGBTI e organizações feministas, acompanhada por figuras importantes da oposição, como o ex-presidente Gustavo Petro e o senador Iván Cepeda.

<><> Reinvindicações

As reivindicações dos manifestantes abrangiam demandas trabalhistas, educacionais e sociais, com o objetivo de proteger as conquistas da administração anterior — como o acesso gratuito às universidades públicas e o aumento do salário mínimo — contra o que descreviam como uma guinada neoliberal.

Da mesma forma, a marcha destacou a rejeição ao restabelecimento das relações diplomáticas com Israel e a interferência dos Estados Unidos na nação colombiana.

A indignação pública intensificou-se após a assinatura, horas antes das marchas, de um decreto governamental que modifica a atuação policial em manifestações. Embora o presidente De la Espriella tenha justificado a regra como um meio de combater o “terrorismo urbano”, a oposição e as organizações sociais a classificaram como uma medida intimidatória.

“Eles querem nos levar de volta àquela época em que o medo acabava se tornando a forma pela qual a Força Pública agia arbitrariamente “, alertou o senador colombiano Iván Cepeda.

Dada a dimensão massiva dos protestos, fontes sindicais anunciaram que estão programando um calendário de mobilizações para os próximos meses, que poderá escalar para uma greve geral em novembro.

¨      Cuba amplia energia renovável em tempo recorde para enfrentar bloqueio energético dos EUA

Cuba passou a gerar 21,4% de sua eletricidade a partir de fontes renováveis, em meio às restrições impostas pelos Estados Unidos ao fornecimento de combustíveis à ilha. O ministro das Relações Exteriores cubano, Bruno Rodríguez, anunciou nesta quinta-feira (15) que o país já conta com 144 parques solares, com capacidade de 1.418 megawatts (MW).

Em publicação nas redes sociais, Rodríguez afirmou que o governo responde ao bloqueio energético norte-americano com medidas para ampliar a soberania do país e reduzir os efeitos das sanções de décadas. Segundo o chanceler, as restrições dos EUA "visam punir todos os cubanos".

A infraestrutura de energia solar também foi ampliada para serviços públicos, incluindo todas as policlínicas, casas de repouso, maternidades e funerárias do país. Cuba conta ainda com 44 pontos de recarga de veículos elétricos movidos a energia solar e outros 64 postos públicos de recarga.

Em janeiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que prevê sanções e tarifas contra países e entidades que forneçam combustível a Cuba. Desde então, Cuba conseguiu receber apenas uma remessa de petróleo bruto, de aproximadamente 100 mil toneladas. O volume seria suficiente para atender à demanda cubana por cerca de duas semanas.

O governo cubano prevê apresentar em 29 de outubro, pela 34ª vez, uma resolução à Assembleia Geral das Nações Unidas para pedir o fim do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos há mais de seis décadas.

Segundo dados do governo de Cuba, as restrições norte-americanas provocaram perdas econômicas acumuladas de quase US$ 179 bilhões (R$ 912 bilhões).

¨      Maduro e Cilia Flores se declaram inocentes de acusações nos EUA

O presidente da Venezuela Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, declararam-se inocentes nesta quinta-feira (15/10), durante audiência em um tribunal de Manhattan, em Nova York. O casal rejeitou as acusações  apresentadas pela Justiça norte-americana de que havia um suposto sistema de violência e tortura contra presos políticos durante o governo chavista.

Maduro classificou as alegações como falsas, enquanto Flores afirmou ser “completamente inocente”. Segundo os promotores, as supostas práticas incluíam choques elétricos, asfixia, estupros, privação de sono e ameaças contra familiares de prisioneiros. As denúncias ainda serão submetidas à apreciação judicial.

Os dois foram capturados em Caracas durante uma operação dos Estados Unidos, em janeiro de 2026, e levados para Nova York. A ação de Washington, que retirou Maduro do poder, intensificou o debate sobre a soberania venezuelana e a intervenção norte-americana na América Latina.

Vale ressaltar, o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump enquanto amplia a pressão judicial contra Maduro, negocia com integrantes do antigo círculo governante venezuelano. Na quarta-feira (14/10), Washington anunciou a retirada das sanções contra Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Legislativa e irmão da dirigente interina Delcy Rodríguez.

Além disso, há articulações envolvendo Diosdado Cabello, ministro do Interior e figura central do chavismo. Segundo pessoas familiarizadas com as conversas em Caracas, um acordo estaria sendo negociado com ele.

A aproximação com antigos aliados de Maduro evidencia a estratégia americana de combinar pressão judicial e acordos políticos para influenciar a reorganização do país.

Transição sob influência de Washington

As negociações para a transição venezuelana incluem reformas no Supremo Tribunal de Justiça, mudanças na Lei Contra o Ódio, a retomada do acesso a veículos de comunicação e a libertação de mais de mil presos políticos. Também houve o retorno de lideranças que estavam no exílio.

Nesta semana, Dinorah Figuera, ex-deputada venezuelana, reuniu-se em Washington com o secretário de Estado estadunidense , Marco Rubio, para discutir o processo. María Corina Machado, vencedora do Nobel da Paz, por sua vez, tem sido afastada das principais articulações.

Vale ressaltar que a reorganização política ocorre sob forte influência dos Estados Unidos, que mantêm a pressão sobre Maduro enquanto negociam com figuras do antigo governo. O cenário levanta questionamentos sobre a soberania venezuelana e o papel de Washington na definição dos rumos políticos do país.

<><> EUA retiram sanções contra Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia da Venezuela

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos retirou as sanções econômicas que mantinha contra Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela (ANV) e uma das principais lideranças políticas do país. A decisão foi confirmada nesta quarta-feira (14/10) por meio da exclusão do seu nome da lista da Oficina de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac), órgão responsável pela gestão das medidas coercitivas estadunidenses.

Rodríguez constava na lista de sancionados desde setembro de 2018, sob alegações de enfraquecimento da democracia e violações de direitos humanos. As sanções impostas na ocasião estabeleciam o bloqueio de ativos em território estadunidense e a proibição de que empresas e cidadãos sob jurisdição de Washington realizassem transações financeiras com o dirigente. A Ofac não divulgou os motivos oficiais para a retirada do nome do parlamentar da lista.

A medida se soma a uma série de outras flexibilizações promovidas pelo governo dos Estados Unidos nos últimos meses. Em 1º de abril de 2026, a Ofac já havia retirado as sanções individuais contra a presidenta interina da Venezuela, Delcy Rodríguez.

Além das revisões individuais, o governo estadunidense anunciou em meados de abril a suspensão de sanções impostas havia sete anos ao sistema bancário público da nação sul-americana. A decisão autorizou operações financeiras com o Banco Central da Venezuela (BCV) e outras três instituições estatais, medida vista como essencial para mitigar perdas econômicas no país.

No setor de combustíveis, a Ofac também emitiu uma licença que autoriza transações comerciais com a estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) e suas subsidiárias. A norma permite a venda e exportação de petróleo e derivados para outros países, exigindo o envio de relatórios informativos dez dias após a primeira operação e a cada 90 dias.

Por outro lado, autoridades venezuelanas afirmam que a maior parte das sanções permanece vigente, entre as quais a Ordem Executiva 14373, decretada pelo Departamento do Tesouro dos EUA em 9 de janeiro de 2026, que impede o acesso do governo venezuelano a recursos soberanos do país, produto do comércio de petróleo. A medida determina que todos os fundos do governo venezuelano e de suas agências, como a estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA), derivados da venda de recursos naturais ou diluentes, fiquem retidos em contas custodiadas por Washington, sendo repassados ao governo venezuelano após autorização ou licença especial.

 

Fonte: TeleSUR/Sputnik Brasil/RFI/Opera Mundi

 

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