Florestan
Fernandes Jr: Caso Vorcaro - Huck e Kachar, os personagens da Globo que ficaram
fora do PowerPoint
O
PowerPoint exibido em março deste ano pelo Estúdio i, da GloboNews, para mapear
as relações de Daniel Vorcaro com personagens poderosos do país, colocou
injustamente o presidente Lula em destaque, sem apresentar evidências de
negócios entre os dois. A emissora acabou pedindo desculpas pelo material,
reconhecendo que estava errado e incompleto.
Mas, ao
deixar de fora dois nomes ligados ao primeiro escalão da própria Globo, o
painel levantou uma questão incômoda: por que Luciano Huck e Frederic Kachar
não apareceram naquele levantamento? E por que nenhum dos dois informou à
direção da emissora sobre suas relações com Vorcaro enquanto as investigações
avançavam?
As
mensagens divulgadas sobre Huck revelam sua aproximação com Vorcaro, incluindo
a articulação de uma viagem à Ucrânia e negociações comerciais envolvendo o
Will Bank e o programa do apresentador. Huck afirmou que sua relação com o
banqueiro se restringiu à captação e à gestão do patrocínio.
No caso
de Frederic Kachar, então diretor-geral da Editora Globo e do Sistema Globo de
Rádio, as mensagens extraídas do celular de Vorcaro revelam uma proximidade que
vai além das negociações comerciais e dos convites para festas privadas
organizadas pelo ex-controlador do Banco Master. Em conversas sobre a atriz
Deborah Secco, Kachar fez comentários de cunho sexual, afirmando que ela “tava
pra jogo” e dizendo: “Eu só olhava pra bunda dela”. As mensagens também
mencionam festas privadas e encontros com jovens refugiadas ucranianas.
A
proximidade entre o executivo e o banqueiro aparece ainda nas conversas sobre a
cobertura jornalística do Banco Master. Em uma das mensagens, após reclamações
de Vorcaro sobre reportagens do banco, Kachar se comprometeu a procurar a
jornalista Malu Gaspar. Diante da repercussão das conversas, a Globo anunciou o
desligamento do executivo, classificando a relação como inadequada.
Nesta
quinta-feira, a emissora que colocou o presidente no centro daquele PowerPoint
questionável irá entrevistá-lo mais uma vez. Resta saber se fará uma entrevista
séria e abrangente, abordando os temas centrais de seu plano de governo, ou se
voltará a recorrer a acusações sem provas para constranger o candidato à
reeleição, como, na avaliação de seus críticos, ocorreu no primeiro turno. A
credibilidade do jornalismo exige perguntas duras, mas também rigor, equilíbrio
e responsabilidade.
• O deslumbramento do colunista da Globo
com escritório do Vorcaro: “estonteante”. Por Jeferson Miola
Numa
mensagem de WhatsApp às 8:48h do dia 25 de fevereiro de 2025, Frederic Kachar
–o agora ex-diretor-geral de Mídia Impressa e Rádio da Globo– escreveu para
Daniel Vorcaro:
–
“Estou no vôo com Lauro, que vai conhecer sua sede nova antes de mim.
Desnecessário dizer que estou com ciúmes rs”.
Lauro,
citado por “Fred”, é o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo.
Vorcaro
então convidou seu amigo íntimo “Fred”: “Pq não vem com ele? Seria ótimo”, que
respondeu não poder, porque teria “uma reunião importante ao meio-dia”, mas
prometeu avaliar a possibilidade de reprogramar o compromisso “assim que
pousar”.
Às
10:25h, já em solo, Fred confirmou a Vorcaro a impossibilidade de acompanhar
Lauro:
– “Oi
amigo. Não consegui cancelar com os gringos. Lauro está indo praí”.
Alguns
dias depois, em 10 de março, Fred escreveu para Daniel Vorcaro:
–
“Algum horário que eu possa te visitar e conhecer a sede nova? Lauro disse que
eh estonteante”.
• Caso Master expõe crise de credibilidade
na imprensa e levanta suspeitas de interferência editorial
As
mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master,
revelaram relações com dirigentes de importantes empresas de comunicação
brasileiras e levantaram questionamentos sobre a independência editorial desses
veículos. As revelações envolvem a demissão de um executivo do Grupo Globo e
suspeitas de interferência na produção de reportagens do portal Metrópoles, em
meio a contratos publicitários e contatos mantidos com o empresário.
Em
artigo publicado em sua newsletter nesta sexta-feira (16), o jornalista Paulo
Motoryn classificou o episódio como uma crise de proporções históricas para a
imprensa brasileira. Segundo ele, as mensagens divulgadas nos últimos dias
colocam em discussão não apenas a conduta de determinados executivos, mas
também a falta de transparência sobre as relações comerciais entre empresas
jornalísticas e personagens investigados em reportagens.
“Depois
do que vimos nos últimos dias, é impossível não dizer que o caso Master é,
muito provavelmente, o maior escândalo de credibilidade da história da imprensa
brasileira. O problema é profundo”, afirmou Motoryn.
O
jornalista sustenta que o material divulgado indica que Vorcaro conseguiu
estabelecer canais de influência em empresas de comunicação, chegando, em
determinados episódios, a discutir previamente conteúdos jornalísticos e
solicitar modificações em reportagens.
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Demissão na Globo e suspeitas de interferência no Metrópoles
Um dos
principais desdobramentos mencionados por Motoryn foi a demissão de Frederic
Kachar, então diretor-geral de Mídia Impressa e Rádio do Grupo Globo. O
desligamento ocorreu após a divulgação de mensagens que expuseram a proximidade
do executivo com Daniel Vorcaro.
A Globo
considerou inadequada a conduta de Kachar, anunciou sua saída e reiterou o
compromisso com a independência editorial de seus veículos. Para Motoryn,
entretanto, a demissão não é suficiente para encerrar os questionamentos sobre
a relação entre dirigentes de empresas jornalísticas e empresários com
interesses na cobertura noticiosa.
O
jornalista também reconheceu que profissionais do próprio Grupo Globo
produziram reportagens críticas ao Banco Master, apesar dos contatos mantidos
entre Vorcaro e um dos principais executivos da companhia.
No caso
do Metrópoles, as suspeitas descritas no artigo envolvem diretamente decisões
editoriais. De acordo com mensagens citadas por Motoryn, a CEO do portal,
Lilian Tahan, encaminhava conteúdos ao banqueiro antes de sua publicação,
recebia sugestões e atendia a pedidos de alterações.
O
artigo destaca um levantamento publicado pelo UOL, segundo o qual foram
identificadas modificações em pelo menos 11 dos 14 textos submetidos à
avaliação de Vorcaro. As mensagens também apontariam sugestões de pautas
favoráveis ao empresário e interferências relacionadas à publicação de
conteúdos.
Essas
relações ocorreram em um contexto no qual o Banco Master havia firmado um
contrato publicitário de R$ 20 milhões com o Metrópoles, circunstância que, na
avaliação de Motoryn, amplia a necessidade de esclarecimentos sobre a separação
entre os interesses comerciais e as decisões jornalísticas.
O
jornalista diferencia a prática legítima de procurar uma pessoa citada em uma
reportagem para obter sua versão dos fatos da possibilidade de permitir que
essa mesma pessoa influencie o conteúdo antes da publicação.
Além da
Globo e do Metrópoles, o artigo menciona que veículos como Brazil Journal e
IstoÉ também apareceram nas revelações relacionadas à rede de contatos de
Vorcaro. A simples menção dessas empresas, contudo, não significa que tenham
adotado as mesmas práticas atribuídas aos dirigentes citados nas mensagens.
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Motoryn questiona influência de Vorcaro sobre a cobertura jornalística
Para
Paulo Motoryn, o alcance das relações do banqueiro com executivos da imprensa
suscita dúvidas sobre o tratamento dispensado a informações de interesse
público envolvendo o Banco Master e seus interlocutores políticos.
O
jornalista afirma que as revelações também o levaram a reconsiderar as
circunstâncias em que recebeu informações relacionadas ao chamado Dark Horse,
material que serviu de base para investigações jornalísticas.
Na
avaliação dele, tornou-se plausível a hipótese de que a fonte tenha procurado
um profissional fora da rede de influência do banqueiro, embora essa
interpretação não esteja comprovada.
Motoryn
destaca ainda o papel desempenhado por veículos e jornalistas independentes na
divulgação de informações sobre as conexões de Vorcaro com figuras políticas.
Entre
os exemplos apresentados estão as relações entre o banqueiro e Flávio
Bolsonaro, investigadas por Motoryn em parceria com a equipe do Intercept;
mensagens envolvendo o ministro André Mendonça, divulgadas em sua newsletter; e
conexões com o deputado Nikolas Ferreira, reveladas pela jornalista Juliana Dal
Piva no ICL Notícias.
O autor
ressalta que a imprensa tradicional também produziu investigações relevantes
sobre o Banco Master. Sua crítica se concentra na possibilidade de que relações
desconhecidas pelo público tenham influenciado a seleção, a abordagem ou a
divulgação de determinadas informações.
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Financiamento dos veículos entra no centro do debate
Outro
ponto central do artigo é a necessidade de maior transparência sobre as fontes
de financiamento das empresas de comunicação.
Motoryn
argumenta que, durante décadas, grandes veículos sustentaram sua credibilidade
pública em compromissos declarados de profissionalismo, imparcialidade e
independência, enquanto contratos publicitários, interesses empresariais e
negociações de bastidores permaneciam pouco acessíveis aos leitores.
Para
ele, a existência de publicidade não representa, por si só, comprometimento
editorial. O problema surge quando os interesses comerciais e as relações
mantidas pelos responsáveis pelos veículos deixam de ser transparentes ou
passam a interferir nas decisões jornalísticas.
“Não
estou dizendo que toda publicidade compromete uma reportagem, que todo
empresário é corrupto ou que todo jornalista empregado por uma grande empresa
está submetido aos interesses de seus anunciantes”, escreveu.
O
jornalista defende que os leitores precisam conhecer não apenas as posições
políticas e os princípios editoriais de uma publicação, mas também seus
financiadores, os interesses econômicos envolvidos e os mecanismos de
responsabilização de seus dirigentes.
Segundo
Motoryn, essa exigência deve alcançar tanto os grandes conglomerados de
comunicação quanto os veículos alternativos, as publicações de esquerda e os
projetos independentes.
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Crise pode enfraquecer fiscalização de governos, alerta jornalista
O
artigo também relaciona a perda de credibilidade da imprensa à capacidade dos
veículos de investigar autoridades e fiscalizar o poder político.
Motoryn
alerta que uma imprensa desacreditada pode enfrentar maiores dificuldades para
sustentar denúncias e investigações de interesse público, especialmente diante
de governos interessados em questionar a legitimidade do trabalho jornalístico.
O
jornalista menciona especificamente a possibilidade de um eventual governo de
Flávio Bolsonaro, mas ressalta que o problema se aplica à fiscalização de
qualquer administração.
Nesse
cenário, a desconfiança pública em relação aos veículos poderia ser explorada
para desacreditar reportagens, mesmo quando fundamentadas em documentos e
provas consistentes.
Para
Motoryn, portanto, a recuperação da credibilidade jornalística ultrapassa os
interesses econômicos das empresas de comunicação e envolve a preservação de
uma instituição importante para o funcionamento da democracia.
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Jornalismo independente também precisa prestar contas
Na
parte final do artigo, Motoryn defende a construção de modelos alternativos de
financiamento da atividade jornalística, mas ressalva que projetos
independentes não estão automaticamente protegidos de conflitos de interesses
ou práticas questionáveis.
Segundo
ele, veículos pequenos e newsletters também podem ocultar financiadores,
interesses comerciais e relações capazes de comprometer sua atuação.
O
jornalista apresenta sua própria newsletter como uma experiência de
financiamento baseada principalmente em assinaturas dos leitores. Ele afirma
que o modelo busca estabelecer uma relação mais direta entre quem produz a
informação, quem sustenta financeiramente o projeto e quem pode cobrar
explicações.
Motoryn
reconhece, contudo, que a sustentabilidade econômica do jornalismo independente
continua sendo um desafio e que a adoção desse formato não representa uma
solução definitiva para os problemas da profissão.
A
discussão provocada pelas mensagens de Vorcaro, segundo o autor, exige mudanças
mais amplas na relação entre empresas jornalísticas e o público. O episódio
evidencia a necessidade de mecanismos capazes de assegurar que contratos
comerciais, relações pessoais e interesses empresariais não determinem o
conteúdo das notícias.
• Relação de Vorcaro com o Metrópoles pode
explicar a guerra suja contra o Itaú. Por André Vieira
Em
julho, quando o Itaú criou o Factópoles para contestar uma sequência de 42
reportagens e cerca de 50 publicações nas redes sociais do Metrópoles, segundo
levantamento do banco, escrevi nesta coluna que havia dois riscos naquela
disputa: o poder de um poderoso banco de intimidar jornalistas e a
possibilidade de um veículo transformar ataques editoriais em instrumento de
pressão. Três meses depois, as mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro
reveladas pela imprensa colocam uma questão ainda mais grave: a ofensiva do
portal de Luiz Estevão contra o Itaú poderia estar associada aos interesses
empresariais do dono do Banco Master? Não há prova dessa ligação direta, mas as
mensagens mostram que Vorcaro tinha influência sobre decisões editoriais do
Metrópoles e que procurou utilizar outros veículos de comunicação contra seus
adversários.
A
revelação desta quinta-feira, 15 de outubro, torna a suspeita particularmente
relevante. O Banco Master firmou um contrato publicitário de R$ 20 milhões com
o Metrópoles, enquanto seu controlador mantinha acesso privilegiado ao conteúdo
editorial. Segundo o UOL, ao menos 14 reportagens foram submetidas previamente
a Vorcaro, das quais 11 sofreram alterações após seus pedidos. As conversas com
Lilian Tahan, CEO do portal, mostram sugestões de títulos, supressão de
informações e discussões sobre o momento de publicação. Ela nega que os
contratos comerciais tenham influenciado a cobertura. Mas o acesso e a
influência documentados ultrapassam o que se esperaria de uma relação entre
anunciante e redação independente. Diante disso, a guerra travada pelo Metrópoles
contra o Itaú merece ser reexaminada, inclusive para esclarecer se havia
interesses externos influenciando sua agenda editorial.
O
histórico de Vorcaro reforça essa necessidade. Em setembro de 2024, ao discutir
uma investigação da revista piauí sobre o Master, Frederic Kachar, então
executivo do Grupo Globo, do qual foi demitido nesta quinta-feira, afirmou que
a “piauí virou uma revista denuncista”. No mês seguinte, Vorcaro atribuiu a
reportagem a uma suposta encomenda do Itaú. Kachar respondeu: “Se o mercado viu
como encomenda do Itaú, menos mal”. Nenhum dos dois apresentou evidências dessa
participação do banco. Enquanto atribuía reportagens desfavoráveis a interesses
de concorrentes, Vorcaro discutia com o publicitário Thiago Miranda, então
ligado ao Portal LeoDias, uma estratégia de ataques ao Itaú e a seu presidente,
Milton Maluhy Filho. As mensagens divulgadas pela imprensa registram até a
proposta de uma “campanha concatenada” envolvendo diferentes veículos — a
montagem de uma rede de mídia que envolvia IstoÉ, Brazil Journal e PlatôBR,
entre outros.
As
conversas com o Metrópoles mostram como essa influência podia alcançar o
conteúdo jornalístico. Vorcaro sugeriu eliminar referências à possível falência
do Master, interferiu em textos sobre Renato Gomes, diretor do Banco Central
responsável pela análise da venda do banco ao BRB, e participou de discussões
envolvendo declarações de Roberto Campos Neto, ex-presidente da autoridade
monetária, já executivo do Nubank naquela época. Em agosto de 2025, quando o
banqueiro pediu um “remédio contra notícias ruins”, Lilian sugeriu Campos Neto
como um “bom trunfo”. Vorcaro também propôs perguntas para uma entrevista e
alterações no texto. As mensagens não demonstram que Campos Neto conhecesse
essas discussões, mas documentam a participação do banqueiro na construção de
uma cobertura jornalística sobre uma decisão regulatória decisiva para seus
negócios.
Esses
fatos não permitem concluir que Vorcaro tenha comandado a ofensiva do
Metrópoles contra o Itaú em 2026, especialmente porque boa parte das
reportagens contestadas pelo Factópoles foi publicada depois de sua prisão.
Seria intelectualmente desonesto transformar suspeitas em conclusões
definitivas. Mas as mensagens revelam dois fatos relevantes: Vorcaro discutiu
uma campanha de ataques ao Itaú e exerceu influência editorial sobre
reportagens do Metrópoles. A conexão entre esses episódios ainda não está demonstrada,
mas deixou de ser uma pergunta que possa ser simplesmente ignorada. O Itaú
continua sujeito ao escrutínio jornalístico, mas o portal precisa explicar como
preservava sua independência diante de um anunciante que opinava sobre textos,
títulos e decisões de publicação.
Em
julho, concluí que o Factópoles dizia menos sobre o Itaú e o Metrópoles do que
sobre o colapso da confiança entre empresas, imprensa e público. As revelações
tornam aquela reflexão mais urgente. Interesses econômicos sempre existiram por
trás dos veículos de comunicação. O problema começa quando atravessam a porta
da redação e interferem em decisões que deveriam pertencer exclusivamente aos
jornalistas. A questão central, agora, é saber se a ofensiva contra o Itaú foi
conduzida com independência editorial ou se, em alguma medida, acabou servindo
aos interesses de um empresário que já tentava usar a imprensa contra seus
concorrentes. Não se trata de proteger o Itaú de investigações, mas de proteger
o jornalismo de quem pretende transformá-lo em arma de uma disputa empresarial.
• Lula defende apuração total dos
eventuais crimes de ministros do STF no caso Master
O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta quinta-feira (15), em
entrevista ao Jornal Nacional, a continuidade das investigações sobre a relação
entre ministros do Supremo Tribunal Federal e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro,
ex-controlador do Banco Master.
Durante
conversa com a jornalista Renata Lo Prete, o presidente citou os ministros do
STF Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, André Mendonça e Kassio Nunes.
“Está
todo mundo implicado” nas apurações sobre o caso Master, disse Lula em
referência a magistrados da Corte.
“Ninguém
está acima da lei. A denúncia paira sobre todos. Não é possível imaginar que a
sociedade vai aceitar que não seja apurado, e que se puna quem precisar punir”,
pontuou.
“É
muito grave”, acrescentou Lula, que também saiu em defesa de uma reforma no
Poder Judiciário. “Critérios para escolher as pessoas. Um debate que será
irreversível no próximo ano”.
Na
entrevista, Lula citou o ministro Alexandre de Moraes, do STF. “A extrema
direita tenta jogar a Suprema Corte nas minhas costas. Querem cassar Moraes
porque Moraes prendeu o pai do Flávio Bolsonaro”, acrescentou Lula.
Detido
no Distrito Federal, Vorcaro foi alvo da Operação Compliance Zero, deflagrada
em 2024, com o objetivo de apurar suspeitas de fraudes envolvendo instituições
do Sistema Financeiro Nacional.
Conforme
as investigações, as empresas registravam empréstimos fictícios e valores
inexistentes a receber, criando ativos sem lastro real. Depois que o Banco
Central validava os registros contábeis, os investigados trocavam esses
créditos e títulos de dívida por outros ativos, sem realizar as análises
técnicas necessárias para comprovar seu valor e sua consistência.
Fonte:
Brasil 247

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