segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Vacinação pode evitar mortes por doenças virais; entenda a importância

Quando se fala em vacinação, automaticamente associamos a prática a bebês e crianças que são frequentemente levados pelos pais para se vacinar. Mas a proteção oferecida pelos imunizantes nessa faixa etária precisa se estender por toda a vida, e deixar de lado o calendário vacinal na fase adulta pode impulsionar no surgimento de doenças virais, muitas até perigosas e que podem levar ao óbito.

Um desses exemplos é o aumento do sarampo no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, ao menos 61 casos de sarampo foram registrados até outubro. Das 41 pessoas com a doença, 75% não estavam vacinadas.

Sábado (17), considerado o Dia Nacional de Vacinação, o tema ganhou atenção. Segundo o epidemiologista do Fleury, Dr. José Geraldo Leite Ribeiro, os imunizantes apresentam ao organismo versões enfraquecidas dos agentes causadores de doenças para estimular uma resposta imunológica. Dessa forma, o corpo já está preparado quando entra em contato com o microrganismo de verdade. Por este motivo, a vacinação é importante.

Assim, quando somos infectados, nosso sistema imunológico já está preparado para lidar com esse agente infeccioso. As vacinas podem ser importantes em qualquer idade, dependendo, naturalmente, das doenças.Dr. José Geraldo Leite Ribeiro, epidemiologista do Fleury

Uma fenômeno chamado imunossenescência, ou seja, a deterioração do sistema imunológico a partir dos 50 anos, também mostra a importância do calendário vacinal depois de adulto. Isso porque, com o envelhecimento dessa estrutura, o corpo abre espaço para contrair e deixar de combater uma gama de doenças, especialmente aquelas que podem levar à morte.

Com a imunossenescência, várias doenças se tornam mais graves a partir dos 50 anos, o que torna a vacinação extremamente importante nessa faixa etária.Dr. José Geraldo Leite Ribeiro, epidemiologista do Fleury

<><> Quais vacinas são as mais importantes?

Segundo o especialista, todos os imunizantes que integram o calendário do PNI (Programa Nacional de Imunizações), do Ministério da Saúde, são importantes.

Mas quando olhado por faixa etária, as vacinas contra a meningite e a pneumocócica, em especial a 20-valente são importantes para combater pneumonias graves na infância. Em adolescentes, a prioridade é a vacina contra o HPV, vírus associado a diferentes tipos de câncer.

Por outro lado, o epidemiologista explica que em alguns casos, como a vacinação contra a gripe, a imunização é a prioridade e deve ser mantida em todas as fases da vida. “Tanto as crianças quanto os idosos não devem jamais deixar de se vacinar contra a gripe e influenza, que costuma causar formas graves da doença nos extremos da vida”, reforça.

<><> Cenário climático também influencia

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, alterações provocadas pelo El Niño indicam possibilidade de aumento de doenças transmitidas por vetores e pela água, como a dengue.

Segundo o órgão, durante episódios anteriores do El Niño, países das Américas enfrentaram importantes emergências de saúde, entre elas o ressurgimento da cólera na década de 1990, a epidemia de Zika e chikungunya em 2015-2016 e os níveis recordes de transmissão de dengue em 2023 e 2024.

Em 21 de dezembro de 2023, a vacina contra dengue foi incorporada no Sistema Único de Saúde (SUS). A inclusão da vacina da dengue é uma importante ferramenta no SUS para que a dengue seja classificada como mais uma doença imunoprevenível.

“Por isso, é muito importante que todas as pessoas com menos de 60 anos tentem se vacinar contra a dengue”, orienta o epidemiologista.

O imunizante contra a febre amarela também é oferecido pelo sistema público.

A orientação do Ministério da Saúde é que quem continua com doses em atraso deve procurar uma unidade de saúde para atualizar a caderneta.

¨      Incentivar população a se vacinar é um desafio no Brasil, diz especialista

Um dos principais desafios dos programas de vacinação no Brasil é continuar motivando as pessoas a se vacinarem quando elas não se sentem mais sob risco. A constatação foi feita pelo presidente da Câmara Técnica de Eliminação do Sarampo, Renato Kfouri, em entrevista ao CNN Agora, jornal da CNN Brasil, neste sábado (17), considerado o Dia Nacional de Vacinação.

É na natureza do ser humano. Infelizmente a gente busca proteção quando a gente se sente ameaçado. A gente viu isso na Covid-19 e nas campanhas de febre amarela. Quando a doença desaparece, como foi o sarampo, cria aquele ambiente de que eu adio, eu postergo, quando der eu vou tomar vacina. Infelizmente isso cria um terreno fértil para propagação de doenças.Renato Kfouri, Presidente da Câmara Técnica de Eliminação do Sarampo

Considerada erradicada e levando o país a receber um certificado de eliminação em 2016, o sarampo voltou à assombrar a saúde pública brasileira após o retorno da circulação do vírus em 2018. O período de maior concentração foi em 2019, quando foram registrados 21.741 casos da doença.

Em 2026, o sarampo segue em alerta. Até o momento, 61 casos de foram registrados no Brasil, segundo o último informe emitido pelo Ministério da Saúde. Todos são importados, ou seja, foram adquiridos fora do país e a maioria das pessoas não estavam imunizadas.

Além disso, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a transmissão da doença em países das américas contabilizou o maior número de casos já registrados em mais de duas décadas.

Nos Estados Unidos, por exemplo, mais de cinco mil pessoas morreram por sarampo. "Então a gente precisa trabalhar nesses dois aspectos, e até para isso que nós estamos aqui, o dia das imunizações se presta também a isso. Lembrar que essas doenças estão longe de serem negligenciadas, sarampo mata, nos Estados Unidos vimos isso", conta o especialista.

<><> Vacina é a principal forma de combate ao vírus

O sarampo é uma das doenças infecciosas mais contagiosas do mundo, o diagnóstico pode evoluir para quadros mais graves e levar ao óbito. Por não possuir um tratamento específico, a imunização é uma das principais ações para conter o aumento do vírus.

Segundo o Kfouri, as vacinas são vítimas de "si próprias" e fazem "tanto sucesso" que acabam deixando as pessoas pouco preocupadas com a doença, fazendo um comparativo com medicamentos.

"As pessoas começam a tomar remédio, a fazer um tratamento. Aí meses depois estão ótimas, aí dizem: 'não preciso mais, porque eu já estou ótima'. Quando na verdade você está com a manutenção por causa do tratamento. Enfim, reflexões sobre essa cobertura vacinal e essa sensação de que a doença está distante, mas aí vem esses casos para lembrar pra gente que não", ressalta o especialista.

Os imunizantes apresentam ao organismo versões enfraquecidas dos agentes causadores de doenças para estimular uma resposta imunológica. Dessa forma, o corpo já está preparado quando entra em contato com o microrganismo de verdade. Por este motivo, a vacinação é importante.

Na última semana, a Organização Mundial da Saúde determinou que os países reforçassem sobre a importância do imunizante, visto o grande aumento de circulação da doença na região das Américas. No Brasil, a vacina é gratuita e pode ser adquirida pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

 

Fonte: CNN Brasil

 

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