Benefícios
de trocar os temperos ultraprocessados pelos naturais
O
consumo constante de ultraprocessados e industrializados pode trazer fortes
perigos à saúde, como o aumento da pressão arterial. Temperos de sachês, cubos,
pastas e caldos prontos são ricos em sódio, realçadores de sabor e aditivos,
ainda podendo conter açúcar, gorduras e outros compostos prejudiciais. O
caminho mais saudável é substituir esses preparos por opções naturais e, se for
comprar temperos industrializados, sempre checar a lista de ingredientes e os
avisos do rótulo. “Nem todo tempero industrializado apresenta a mesma
composição, então a leitura do rótulo é fundamental”, reforça a nutricionista
integrativa Rayanne Marques.
Segundo
ela, o problema não é sempre a presença de um aditivo ou composto específico
que não faz bem, mas o constante consumo de produtos com essas características,
especialmente se inseridos no contexto de uma alimentação com muitos
ultraprocessados. “Esse padrão alimentar pode contribuir para o desenvolvimento
ou agravamento da hipertensão arterial e aumentar o risco de doenças
cardiovasculares”, detalha.
Sandra
Barbosa, 47 anos, é amante do mundo dos temperos. Ao menos uma vez ao mês, tira
um fim de semana para ir à feira comprar folhas frescas, raízes e preparos
naturais. “Compro alecrim, manjericão e salsa semanalmente e, uma vez no mês,
quantidades maiores de pimenta-do-reino, páprica e vinagrete seco.” A gerente
de vendas gosta de se aventurar em fazer os próprios condimentos em casa,
seguindo receitas da internet. “Aprendi a fazer o meu próprio lemon pepper. Eu
gosto porque sei exatamente a quantidade de cada ingrediente, o que ajuda a
equilibrar melhor a comida”, exemplifica.
A
gerente busca naturalizar cada vez mais a alimentação, buscando produtores
independentes e não grandes empresas de alimentos. “Gosto de comprar meus
vegetais com quem produz, sinto que passa mais confiança e segurança de que é
orgânico”, justifica. Ela ainda tem uma pequena plantação de algumas pimentas
que gosta, que usa para realçar o sabor dos alimentos.
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Troca suave
Mudanças
de hábitos abruptas costumam não dar certo, e facilitam uma reação compulsória
ou volta ao comportamento que deveria ser interrompido. Por isso, não se
recomenda parar imediatamente de utilizar os temperos prontos, mas, sim,
reduzir as quantidades e complementar com opções naturais. “Para começar, minha
recomendação é comprar pequenas quantidades de temperos que façam parte da
rotina alimentar, como salsinha, cebolinha, coentro ou manjericão, escolhendo
aqueles que combinam com as preparações feitas em casa”, sugere Rayanne. Ela
indica também porcionar os temperos e observar quais se encaixam melhor na
rotina alimentar.
A
nutricionista clínica Jéssica Inácio indica alguns exemplos práticos que podem
facilitar a adaptação do paladar. “Bater alho e cebola no processador com um
pouco de azeite e sal e guardar na geladeira
garante a praticidade do dia a dia sem os aditivos industriais”, ensina.
A solução pode ser feita apenas algumas vezes por mês. “Substituir os cubos de
caldo por misturas desidratadas sem sal, como lemon pepper sem sódio, pápricas,
ervas finas, alho e cebola em flocos. São condimentos prontos que rendem sabores
únicos para o preparo."
Jéssica
sugere, ainda, finalizar os pratos com um fio de azeite de oliva extravirgem,
gotas de limão ou vinagre de maçã. "O toque ácido e a gordura boa ajudam a
desprender os aromas dos temperos e dão sensação de comida mais saborosa”,
explica. Segundo a nutricionista, é uma boa saída para desacostumar o paladar
do excesso de sal, apresentando a riqueza de sabores que cada tempero pode
proporcionar. "O paladar leva de 10 a 14 dias para se reeducar ao teor de
sódio real dos alimentos.” As recomendações devem ser aplicadas aos poucos, mas
constantemente, para se livrar dos ultraprocessados.
Para
evitar a perda de folhas frescas, elas devem ser armazenadas na geladeira, em
um recipiente limpo, retirando as danificadas e controlando a umidade, já que o
excesso de água favorece a deterioração. Outra alternativa prática é higienizar
as ervas conforme as orientações sanitárias, secá-las muito bem e congelá-las
picadas em pequenas porções, assim elas duram mais tempo e podem ser utilizadas
em molhos, caldos, sopas e refogados. Jéssica recomenda também adquirir folhas
secas, como alecrim, tomilho e orégano, que costumam durar mais e são
versáteis.
Congelar
os temperos pode causar redução nos nutrientes, mas isso não é desculpa para
continuar nos industrializados, pois a maior parte das propriedades seguem
intactas e, de acordo com Jéssica, continuam sendo infinitamente superiores aos
temperos prontos. No preparo de alho e cebola, por exemplo, a especialista
explica que a alicina, composto ativo do alho, é liberada quando ele é picado
ou triturado. “Bater e congelar preserva boa parte das propriedades minerais e
das fibras, embora haja uma pequena redução de compostos mais voláteis e de
vitamina C.”
Criar
azeites aromatizados é também uma boa alternativa que mistura a gordura boa com
o sabor de especiarias. A prática ajuda a extrair compostos lipossolúveis, que
se dissolvem em gordura, e Jéssica recomenda ervas como o alecrim e o tomilho.
“Atenção apenas à segurança alimentar: se utilizar ingredientes frescos como
dentes de alho ou ervas úmidas dentro do azeite em temperatura ambiente, há
risco de proliferação de bactérias como a do botulismo” alerta. Por isso, a
especialista afirma que o ideal é fazer o preparo em pequenas porções,
mantê-las sob refrigeração e consumir entre três e cinco dias.
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Benefícios
Além de
acrescentar mais variações de sabor e aromas nas refeições, a substituição dos
temperos prontos pelos naturais é positiva para a saúde na redução do sal, que
pode causar retenção de líquidos e elevar o risco de doenças cardiovasculares.
A troca também oferece compostos bioativos que podem contribuir para o bom
funcionamento do organismo. “O gengibre, por exemplo, pode auxiliar no alívio
de náuseas e favorecer o conforto digestivo em algumas situações, enquanto
ervas aromáticas, como hortelã e alecrim, enriquecem as preparações e
contribuem para diversificar a alimentação. O alho e a cebola contêm compostos
sulfurados, e algumas especiarias fornecem substâncias antioxidantes que
participam da proteção celular”, detalha Rayanne. Ela ressalta, porém, que
apenas os temperos não aumentam por si só a imunidade, devem estar inseridos em
um contexto mais geral de alimentação saudável e equilibrada, sono adequado e
atividade física.
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Temperos recomendados
Açafrão-da-terra
(cúrcuma): excelente anti-inflamatório e antioxidante devido à curcumina.
Alho e
cebola: base da culinária, ricos em alicina e compostos sulfurados que protegem
a saúde cardiovascular e fortalecem a imunidade.
Ervas
frescas ou secas (alecrim, manjericão, orégano, tomilho): ricas em compostos
fenólicos que combatem os radicais livres. O orégano e o alecrim, por exemplo,
têm ação antifúngica e antimicrobiana.
Gengibre:
excelente para a digestão, além de ter efeito termogênico e anti-inflamatório.
Pimenta-do-reino
e Pimenta-dedo-de-moça: ricas em piperina e capsaicina, que auxiliam no
metabolismo e na circulação.
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Combinações
Cúrcuma
+ pimenta-do-reino: a curcumina tem absorção baixa no intestino. Quando
combinada com a piperina, a absorção da curcumina é aumentada.
Fontes
de ferro vegetal (leguminosas e folhas escuras) + vitamina C (limão/tomate):
temperar feijão, lentilha ou saladas de folhas verdes (como couve e espinafre)
com limão ou usá-los junto com vinagrete duplica ou triplica a absorção do
ferro não-heme presentes nesses alimentos.
Nutrientes
lipossolúveis (vitaminas A, D, E, K e carotenoides) + azeite de oliva: temperar
vegetais de cor laranja/vermelha (cenoura, abóbora e tomate) com azeite
potencializa imensamente a absorção do betacaroteno e do licopeno.
Fonte:
Correio Braziliense

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