segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Um retorno a 1964?

Dormimos em 2026, acordamos em 1964 e, no dia 25, mesmo uma improvável virada apenas adiará um novo 22 de abril de 1500. Será uma inovação e tanto: um povo escolher voltar a ser colônia.

Vendida como algo revolucionário, vivemos uma ruptura reacionária da extrema direita com o fantasma moribundo da democracia liberal. Mas estamos tratando tudo como normal. Em nenhum momento reagimos à altura dessa ruptura, acreditando numa institucionalidade que já está morta.

Sim, a mídia corporativa, de forma escandalosa e calculada, deu muito menos destaque do que deveria aos fatos e denúncias sobre a trajetória de Flávio Bolsonaro, enquanto ele se apresenta claramente como administrador de colônia. Sim, as redes sociais criaram um mundo em que a verdade factual perde relevância e as fake news se tornaram uma realidade normalizada.

Sim, enfrentamos uma conjuntura geopolítica internacional marcada pela ascensão da extrema direita, com elites latino-americanas sabendo trabalhar para se tornarem suas representantes locais. Sim, a sociedade brasileira, com seu crescente neopentecostalismo que sequestrou boa parte do cristianismo, assim como os diversos projetos de guerra cultural, simbolizados por iniciativas como o Brasil Paralelo, além do cinturão do agronegócio que se expandiu para novas regiões do país, tornou-se cada vez mais conservadora.

Mas também é verdade que a política econômica liderada por Fernando Haddad foi de uma ineptidão política colossal. Um erro desde o começo; uma tragédia anunciada: como ter tido como principal projeto de governo, no início do mandato com toda a força de uma nova gestão com o fôlego recente das urnas, uma reforma tributária cujos frutos, como a redução dos impostos da cesta básica, só apareceriam em 2027, podendo ser politicamente colhidos por Flávio Bolsonaro?

Como negociar a queda de um quase criminoso teto de gastos em prol de um arcabouço fiscal menos pior, capitulando mansamente diante da restrição da capacidade de investimento público? Como entrar em brigas totalmente impopulares, como a taxa das blusinhas? Como não encarar, sob o pretexto de manter o controle inflacionário, a desastrosa manutenção da política de juros do Banco Central sob Gabriel Galípolo, tornando o crédito inviável e incrementando de forma dramática o endividamento do consumidor e do pequeno e médio empreendedor?

E, sobretudo, como não olhar para 2022 e se dar conta de que as mulheres beneficiárias do BPC foram, de muitas maneiras, decisivas para evitar nossa derrota e a reeleição de Jair Bolsonaro? Em nome da redução do déficit fiscal e de uma tal “responsabilidade econômica” a ser vendida para um tal “mercado”, o governo fez questão de economizar bilhões, justamente prejudicando aquelas mulheres, chefes de família, que nos salvaram em 2022? Quem não conhece alguém que deixou de conseguir sacar esses benefícios abruptamente ou que, depois de uma doença, deficiência ou situação de extrema vulnerabilidade, encontrou todo tipo de dificuldade para receber um benefício?

Antes de ser eleito em 2022, Lula prometeu travar as boas batalhas. Prometeu governar “do seu jeito”. Pautar projetos de interesse nacional, como enfrentar o criminoso orçamento secreto.

Não se tratava de dizer que seria fácil ou que dependia apenas de sua vontade, mas de assumir, percebendo os novos tempos, a necessidade de mobilizar uma narrativa em defesa de um projeto de nação. As prováveis derrotas no Congresso não significariam uma derrota para o seu governo. Significariam demonstrar claramente que, ao menos, assumia sem medo a disputa pelos interesses populares.

Nem sequer uma política ousada de democratização do acesso à terra e à moradia foi pautada, algo que poderia ter sido feito de forma bem menos traumática do que imaginamos se houvesse disposição para avançar além da covardia diante da deturpação de seu significado material.

Mas, como em 2004 ou 2009, tentou-se uma composição. Dessa vez, porém, com um Congresso que sequestrou uma parcela mais que expressiva do orçamento e que, em boa parte, já não representava apenas interesses fisiológicos: havia ali um inequívoco projeto ideológico de extrema direita claramente antidemocrático.

Lula tentou conciliar com quem já não queria conciliação. Lula não se deu conta de que os tempos mudaram e de que teria de abraçar aquilo que, pejorativamente, se chama de “populismo”. Falhou em ter lutado por um projeto de apelo popular que respondesse ao anseio pela diminuição da criminalidade. Combater a lavagem de dinheiro enfrentando determinados agentes e setores do mercado financeiro é necessário e louvável, mas nada ressoa para quem vive com o medo da violência na rua. A cegueira da esquerda quanto à acusação de que compactuamos com o crime não deveria ser tão mansamente aceita, o que está longe de significar qualquer demagogia penal ou assassina.

Talvez Lula tivesse perdido em todas essas empreitadas. Mas perderia de uma maneira que não legitimaria propagarmos, com tanta cegueira e prepotência, que há um pobre de direita burro e ignorante.

Mas, se não fomos nós que pautamos o debate público, se desistimos de lutar por um projeto nacional assumidamente nosso, não sejamos nós os ignorantes incapazes de compreender os fatos. Repitamos isso em voz alta.

A verdade é que a extrema direita capta, com cinismo, um diagnóstico verdadeiro: para milhões de pessoas, alguma coisa precisa romper com “tudo que está aí”. Ela percebe que a ordem existente já não consegue oferecer a promessa de integração, prosperidade e segurança que legitimava o capitalismo e a democracia liberal.

E é justamente aí que ocorre uma inversão extraordinária e reveladora: a extrema direita passa a ocupar o lugar da ruptura, enquanto a esquerda passa a assumir um imaginário conservador e envelhecido. Eles são, nesse sentido, mais sinceros no diagnóstico, não na solução. Assumem que nesse modelo de sociedade não há lugar para todos, que o Estado atrapalha, que os direitos sociais são falhos, que os conflitos não serão resolvidos pela conciliação e que, de uma forma ou outra, alguém terá de perder.A solução que oferecem para a crise é destruidora, por isso se apresenta como ruptura.

Enquanto isso, a esquerda liberal responde defendendo uma institucionalidade falida prometendo, com grande dose de derrotismo e até prepotência, administrá-la com maior humanismo, sem acusar seus inequívocos limites e contradições. Diante disso, quem hoje parece radical e quem é visto como conservador?

É nesse sentido que a extrema direita vence por parecer mais sincera: não porque revela qualquer solução viável para o mundo, mas porque explicita, sem qualquer verniz, um antagonismo que nós abdicamos de enfrentar.

Não por acaso, esse discurso encontra terreno fértil porque o cidadão comum, desgostoso com qualquer apelo a um corpo social – visto como armadilha para a letargia corruptora – e identificado com um conceito altamente neoliberal de liberdade, quer apenas não ser atrapalhado para poder “cuidar do próprio nariz em paz”.

É aí que o conservadorismo moral e o discurso individualista conseguem acomodar uma aparente contradição funcional: de um lado, a exigência de valores pétreos e sagrados na vida privada como refúgio diante da crueldade competitiva de um mundo corrompido; de outro, a legitimação de que, na selva da disputa capitalista, cada um possa ser implacável ao lutar pelos próprios interesses, sem que o Estado ou aqueles considerados culpados pela própria miséria o atrapalhem.

O reacionarismo moral e o individualismo oferecem, assim, refúgios normativos que validam a conduta de um indivíduo ainda mais perverso, pois ele percebe, sem qualquer filtro, que vive no estado de natureza hobbesiano, sem que o Estado hobbesiano se ofereça para protegê-lo.

O que estamos deixando de compreender quando parcelas expressivas dos mais jovens caminham para a extrema direita em diferentes partes do mundo? Quando os líderes mais boçais e mitômanos são justamente jovens que angariam apoio justamente por assumirem um tom que acomoda tão bem terrorismo moral, autoritarismo e aparente insubordinação ao sistema?

Por que insistimos em destacar a hipocrisia de tais discursos e não nos questionamos por que somos vistos como sendo o tal do “sistema”? Para o jovem sufocado por uma realidade sem horizontes do capitalismo digital, a extrema direita encarna a ousadia da recusa.

Enquanto isso, a esquerda, engessada em sua defesa mansa de uma institucionalidade, é percebida como delirante ou cínica, pois defende um horizonte social sem definir claramente o que almeja.

Quanto às elites econômicas nacionais, todo o projeto da extrema direita representa, com novas roupagens de velhos projetos, os compromissos com a mesma elite econômica que Florestan Fernandes, Celso Furtado, Darcy Ribeiro e Caio Prado Jr., cada um a seu modo, já haviam identificado: uma pequeníssima minoria interessada na preservação de seus próprios privilégios, incapaz de converter desenvolvimento econômico e industrialização em um projeto autônomo de nação, sendo historicamente disposta a associar seus interesses aos do capital externo em vez de confrontar a posição dependente do país na ordem internacional.

Isso não é novidade e sempre contou com o apoio das mídias tradicionais, que, em grande medida, trabalharam em favor desses interesses. O que é novo é assumirem tão escancaradamente a disposição de entregar tudo o que é do Brasil, resignando-se criminosamente a que uma família assuma tal projeto.

Enquanto nos preocupávamos em denunciar a hipocrisia e as associações autoritárias do lema “Deus, pátria, família e liberdade”, apontando a contradição entre a defesa de um modelo autoritário e a hipocrisia moral, subestimamos sua contradição mais profunda: o ódio profundo ao Brasil. O suposto patriotismo dessa extrema direita é o que despreza o próprio povo, não reconhece suas conquistas históricas e desvaloriza sua cultura e sabota qualquer possibilidade de construir um futuro soberano. É o patriotismo de quem sonha viver em Miami.

Nesse aspecto, nossa extrema direita consegue ser pior que suas congêneres estrangeiras: além de autoritária e excludente, é entreguista e profundamente patética. Sequer admite qualquer projeto de desenvolvimento nacional. Sua pátria é uma abstração; o Brasil real e seu povo são obstáculos a serem superados. Por isso, a derrota nas eleições legislativas e na disputa pelo Executivo, já no primeiro turno, pode se revelar o maior revés da nossa história.

Vamos ser realistas, sabendo dimensioná-la para poder enfrentá-la com as armas certas, pois foi nada menos que catastrófica. Pois, dessa vez, a extrema direita não terá qualquer pudor de destruir os ganhos sociais, econômicos e civilizatórios do país. Michel Temer, ainda com a cínica retórica de quem sempre representou, já produziu estragos catastróficos nos direitos sociais, na Petrobras e na indústria da construção civil, sob o impulso do lavajatismo.

Jair Bolsonaro tentou ir além, promovendo não apenas a corrosão de direitos e da nossa infraestrutura econômica e social, mas também a degradação moral da sociedade brasileira, simbolizada pela pandemia e pelas imagens de fome e adoecimento dos povos Yanomami. Se Jair Bolsonaro não avançou mais, foi apenas por sua inaptidão, preguiça e incompetência.

Mas agora não há qualquer razão para supor que esta jovem e motivada extrema direita que chega ao poder tenha a mesma timidez. As mangas já estão arregaçadas. Eles tentarão destruir e colocar sob seu controle, sem qualquer constrangimento, o STF; corroer a Polícia Federal; aparelhar joias nacionais como o IBGE; desidratar ainda mais as agências reguladoras submetendo-as aos interesses financeiros; dinamitar os direitos conquistados pelas mulheres ao longo de décadas; perseguir, sem qualquer verniz, toda a elite intelectual representada pelas universidades.

Política ambiental, apoio aos indígenas ou proteção às populações mais vulneráveis? Esqueçamos. Eles não serão covardes como em 2022. Aprenderam bem as lições. Não subestimemos sua inteligência ou habilidade. Não subestimemos quem, ao vivo, no Jornal Nacional, soube explorar o peso de anunciar quem será seu ministro. Eles sabem para quem trabalham e, com o apoio – e a chantagem – de quem quer nos recolonizar, não hesitarão em passar a boiada sobre nós.

Por isso, devemos compreender, de uma vez por todas, que, historicamente, o limite da extrema direita foram os tanques soviéticos em Berlim. No século XXI emergiu uma extrema direita que assumiu o desejo de enterrar os compromissos sociais que o capitalismo foi obrigado a assumir no pós-segunda grande guerra graças à concorrência ideológica do estado soviético.

Mas agora, já não há espaço ou barreira, em seu projeto, sequer para a social-democracia, um mínimo Estado de bem-estar social ou para políticas keynesianas. Eles não mais admitem conceder nada. Sua hipocrisia acabou; suas intenções estão escancaradas. E nós, iremos nos resignar? A luta de classes, como luta entre dois lados, nunca foi pretendida dentro da institucionalidade petista. Até então, poderia ser compreensível.

Mas agora a realidade nos massacra. Nós devemos explicitá-la, e é nossa culpa se não o fizermos. Pois, para que exista uma luta, é preciso que haja quem resista. Senão, é apenas um massacre.

Pois, devemos saber que a tudo isso se soma a pós-verdade, que é muito mais sutil do que a simples mentira. É a decadência completa da relevância da verdade factual. O mundo informacional foi segmentado, sobretudo pelos algoritmos, em realidades que quase não precisam mais se encontrar.

Parte da população não toma conhecimento de determinados fatos da forma como eles realmente se apresentam – algo que, de outra maneira, já ocorria sob a mídia tradicional. Mas agora há algo mais sutil e perverso: mesmo quando o fato chega, pode chegar recortado, deslocado de contexto, reinterpretado ou inteiramente reorganizado dentro de uma narrativa que lhe dá outro sentido. Basta o uso de boa retórica e verossimilhança, vide o sucesso de Nikolas.

E disso não pode se subtrair uma sociedade cada vez mais conservadora, na qual parcelas significativas da população passaram a se mobilizar muito mais intensamente por pautas morais e de costumes do que pela conquista de ganhos materiais concretos para suas próprias vidas. Isso não aconteceu espontaneamente. Foi resultado também de uma longa disputa pela formação do senso comum, pela linguagem e pelos valores através dos quais a realidade passa a ser interpretada.

O diagnóstico que devemos inferir é: hoje nós discutimos uma gramática que não é nossa. Um tipo de luta já perdida, combatida no campo de batalha dos inimigos. Mas será que devemos continuar tentando disputar o discurso da extrema direita em seus próprios termos, ajustando o nosso ao deles? Ou devemos pautar, sem meias palavras nem pudor, de forma atualizada e sem anacronismos, a nossa própria gramática, o nosso discurso?

Há nisso uma ironia histórica: a extrema direita, sob influência olavista de quem caçoávamos com presunção, parece ter compreendido muito bem uma lição gramsciana que parte da esquerda teve medo de colocar em prática por fleuma – o poder não se disputa apenas nas eleições ou dentro do Estado; disputa-se também na cultura, nas instituições, no humanismo do que é sagrado e religioso, na profundidade politizadora da mídia e na própria produção cotidiana do senso comum.

Quem nunca se assustou, por exemplo, ao descobrir que um prestador de serviço comum se informa a partir de documentários como os do Brasil Paralelo, que lhe revelariam a verdade secreta de um Brasil dominado pela esquerda? Ou com o fato de soar cada vez mais comum, sobretudo entre os mais jovens, dizer que o nazismo é de esquerda? Será que não percebemos o quanto isso ajuda a produzir uma sociedade progressivamente cega e alheia à própria relevância factual? Será que continuaremos debochando da ignorância alheia, ignorando que isso se torna cada vez mais um fato?

Enquanto a extrema direita trava essa guerra sem pudor, instituindo despudoradamente colégios militares ou instrumentalizando a religião, parte da esquerda recua até mesmo diante da possibilidade de realizar, em sentido verdadeiramente emancipador, aquilo que o tão atacado e incompreendido Paulo Freire propunha: formar sujeitos capazes de compreender criticamente o mundo em que vivem.

Para além do ProUni, do Pé-de-Meia e das políticas de cotas, iniciativas legítimas e importantes para a inclusão social, o PT termina seus governos sem deixar ao país um legado de formação crítica e emancipadora à altura de um partido que se diz de esquerda. Sem propor um projeto nacional de educação de base verdadeiramente transformador, capaz de elevar o patamar educacional brasileiro.

O resultado está diante de nós: uma sociedade em que parcelas da população podem se mobilizar apaixonadamente por uma guerra cultural mesmo quando dela não resulta qualquer melhoria concreta em sua renda, seu trabalho, sua segurança ou sua qualidade de vida.

E é por isso que a experiência da pandemia funcionou como marco estruturante desse processo. Pode parecer contraintuitivo que governos de extrema direita tenham embarcado no negacionismo sanitário, mas tal retórica legitimou profundamente um ideal de feroz liberdade individualista, capaz de romper com qualquer concepção de liberdade fundamentada em um corpo social coletivo. A mensagem deixada foi clara: absolutamente nada poderia impedir a economia de continuar funcionando, mesmo que isso significasse que o próprio indivíduo ou os outros ao seu redor morressem.

Foi a consagração da ideia de que essa liberdade não carrega mais nenhuma obrigação coletiva, apenas direitos absolutos sobre si mesmo. É o caráter fatalista do capitalismo levado às últimas consequências, em uma lógica que remete ao realismo capitalista de Mark Fisher ou à concepção do capitalismo como religião em Walter Benjamin.

Foi o golpe final contra qualquer ideia de corpo social. O erro do nosso discurso? Tratar o temor pela própria sobrevivência econômica dos cidadãos comuns como expressão dos interesses mesquinhos do empresário “malvado”, ignorando que todos, dos mais pobres à classe média, sofriam com os efeitos da paralisação econômica.

A retórica conta. Por isso, devemos compreender que a pandemia e o negacionismo das vacinas não representaram apenas um crime contra a população, mas também um profundo ataque ao espírito crítico do corpo social, de cujo alcance simbólico não nos demos conta.

E tamanha perda jamais será recuperada apenas pela apresentação racional dos fatos. O que se atacou durante a pandemia também foi a legitimidade da ciência, da razão e do bom senso, em prol de um discurso messiânico e altamente individualista que beirou o darwinismo social. A Dialética do Esclarecimento não nos ensinou que a própria racionalidade tem suas contradições? Nosso erro não pode ser achar que basta demonstrar os fatos para que a verdade se imponha. A razão não vence simplesmente porque dispõe dos fatos.

Pois o que há de mais explícito nos fascismos – e que torna toda essa conjuntura tão próxima do neofascismo, do qual a extrema direita sabe se utilizar tão bem – não é apenas a linguagem ou qualquer outra característica forçosamente comparada com aquilo que se viu na Europa. É também a construção permanente de conflitos internos, de inimigos e de uma sensação de perigo iminente, crise contínua e decadência moral.

Nada disso precisa ser materialmente experimentado por cada indivíduo para produzir efeitos políticos. As pessoas não precisam presenciar a ameaça em suas próprias vidas; basta que sejam mantidas sob a sensação permanente de que ela está em toda parte e pode alcançá-las a qualquer momento. E isso eles sabem fazer muito bem.

Se dormimos em 2026 e acordamos, no dia 4 de outubro, em 1964, apenas um enfrentamento claro e incansável, a partir de agora e pelos próximos anos, poderá impedir que, no dia 25, despertemos novamente em 22 de abril de 1500, retrocedendo mais de cinco séculos em nossa história.

 

Fonte: Por Sérgio Atieh, em A Terra é Redonda

 

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