O
silêncio da Sífilis: o perigo oculto de uma infecção em alta
A
chamada sífilis primária costuma se manifestar no local de entrada da bactéria,
com uma pequena ferida que, apesar de poder chamar atenção, geralmente não
provoca dor. Essa característica faz com que a infecção passe despercebida em
muitos casos. "É aquela feridinha ali da entrada que, inclusive, é
indolor", explica o especialista.
O
diagnóstico pode ser realizado por diferentes métodos, sendo o teste rápido e o
exame de sangue VDRL dois dos principais recursos utilizados. Um grande desafio
está nos casos em que a doença permanece sem manifestações aparentes. Na
chamada fase latente, a pessoa pode passar meses ou até anos sem saber que está
infectada.
A
ausência de sintomas, no entanto, não elimina a importância do acompanhamento.
Para o infectologista, pessoas sexualmente ativas devem manter a testagem
periódica, especialmente aquelas que possuem maior exposição. A recomendação,
segundo Fernando, é realizar os exames a cada seis meses ou, para pessoas com
menor exposição, pelo menos uma vez ao ano.
Além de
afetar a própria saúde, a infecção não diagnosticada pode contribuir para a
transmissão de outras infecções sexualmente transmissíveis. "Além de poder
comprometer alguns órgãos, a sífilis acaba servindo de ponte de transmissão,
facilitando a transmissão de outras doenças, como, por exemplo, o HIV",
alerta.
Para
Fernando, a falta de informação ainda representa um dos principais obstáculos
para o controle da doença. Apesar de ser uma infecção conhecida há séculos,
possuir diagnóstico acessível e ter tratamento, a sífilis continua apresentando
números expressivos no país. "A população sabe pouco sobre a doença ou
muitas pessoas não sabem nem o que é sífilis. E isso me assusta", afirma.
O
especialista defende que o tema seja discutido de maneira mais ampla,
especialmente no ambiente escolar, como parte das ações de educação em saúde.
Para ele, informações sobre sífilis, gonorreia, HIV e outras ISTs precisam
chegar à população antes que o diagnóstico aconteça. Para Fernando, ampliar o
acesso à informação é uma das formas de estimular a população a procurar os
serviços de saúde.
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Fases da doença
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Sífilis primária: a infecção pode começar com uma pequena ferida ou úlcera no
local de entrada da bactéria. A lesão costuma ter fundo limpo e não provocar
dor, o que pode fazer com que seja confundida com um machucado.
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Sífilis secundária: em uma fase posterior, podem surgir lesões na pele,
inclusive nas palmas das mãos e nas plantas dos pés. Outros sinais podem
aparecer nessa etapa, indicando a progressão da infecção.
# Fase
latente: após essas manifestações, a doença pode entrar em um período sem
sinais visíveis e permanecer assim por semanas, meses ou até anos. Mesmo nesse
estágio, a infecção exige acompanhamento e tratamento.
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Como a sífilis é transmitida?
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Contato sexual: a principal forma de transmissão ocorre pelo contato direto com
lesões infectadas durante relações sexuais, mesmo quando a pessoa não sabe que
está infectada.
# Da
gestante para o bebê: a bactéria também pode ser transmitida durante a
gestação, podendo causar a chamada sífilis congênita. Por isso, o
acompanhamento pré-natal e a testagem são fundamentais.
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Prevenção
O uso
de preservativos reduz o risco de transmissão, mas não elimina completamente a
possibilidade de infecção, já que a bactéria pode estar presente em regiões que
não são cobertas pelo preservativo.
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Atenção: Ter um único parceiro ou não apresentar sintomas não significa que a
pessoa esteja protegida contra a sífilis. A testagem continua sendo uma
importante ferramenta de prevenção.
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Diagnóstico
# Teste
rápido: disponível nas unidades básicas de saúde, o teste rápido identifica
anticorpos contra a bactéria. Por isso, pessoas que já tiveram sífilis podem
continuar apresentando resultado positivo, mesmo após o tratamento.
# VDRL:
o exame de sangue VDRL apresenta o resultado em títulos, ou seja, em números
que ajudam o profissional de saúde a interpretar a situação do paciente. Para
chegar ao diagnóstico, o resultado do exame é analisado junto ao histórico de
exposição e à presença ou não de sinais e sintomas. Dessa forma, a avaliação
médica é importante para diferenciar uma infecção atual de um contato anterior
com a bactéria.
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Quando fazer o teste
Pessoas
sexualmente ativas devem manter a testagem periódica. Para quem possui maior
exposição sexual, o especialista recomenda exames a cada seis meses; para quem
possui menor exposição, uma vez ao ano pode ser suficiente.
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Tratamento
A
sífilis pode ser tratada com penicilina benzatina, conhecida popularmente como
Benzetacil. A quantidade de doses depende do estágio da infecção e do tempo
provável em que a pessoa está infectada. Se seguido o tratamento, pode ter cura
definitiva.
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Por que agir rápido?
O
diagnóstico permite iniciar o tratamento e evitar que a infecção continue sendo
transmitida. A identificação também é importante porque, sem tratamento, a
sífilis pode evoluir e comprometer diferentes órgãos.
>>>> Palavra do especialista -
Tiago Souza é epidemiologista
• Quais grupos da população apresentam
maior número de casos e por quais razões?
Por ser
considerada uma IST, eu sinto que a faixa etária de jovens e jovens adultos
podem se enquadrar numa das parcelas mais vulneráveis, seja por estar
vivenciando as mudanças corporais na puberdade, seja pela necessidade pessoal
da vida adulta. Como uma IST, a prática sexual desprevenida tem intensificado o
número de casos, e algumas das razões do aumento de casos podem estar
relacionadas à falta de conhecimento e à romantização do ato sexual sem
preservativo.
• Qual é a importância da testagem mesmo
quando a pessoa não apresenta sintomas?
Na
condição assintomática, o paciente não apresenta sinais ou sintomas típicos da
doença, embora não queira dizer que esteja livre da infecção bacteriana. Por
isso, os diferentes tipos de testes são imprescindíveis para detectar a
presença do patógeno no sangue e administrar o tratamento o mais rápido
possível, evitando seu agravamento.
• Como funciona o acompanhamento dos
parceiros de uma pessoa diagnosticada?
Por ser
uma IST, os parceiros das pessoas diagnosticadas também precisam ser mantidos
sob observação e acompanhamento, visto que pode ser considerado alguém
predisposto, já que mantém contato próximo com o paciente.
Fonte:
Correio Braziliense

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