Um
quarto dos senadores que apoiaram a PEC do fim da jornada 6x1 tem antepassados
escravocratas
A
proposta que defende o fim da escala 6×1 sempre teve um contraponto: o
argumento de que o trabalhador deva receber por horas trabalhadas e possa
“negociar” diretamente com o patrão sobre como será sua jornada de trabalho.
Essa é
a proposta central da chamada PEC da Flexibilidade, que foi apresentada pelo
senador e coordenador de campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência, Rogério
Marinho (PL-RN), como uma alternativa ao fim da escala 6×1. Segundo o líder do
PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), essa é a proposta que o
candidato à presidência, Flávio Bolsonaro, deve defender mesmo se a PEC do fim
da escala 6×1 for aprovada. “Na nossa mentalidade, nós nunca vamos mudar o
conceito, a melhor relação é hora trabalhada, hora recebida”, disse Sóstenes ao
G1.
Críticos
à PEC da Flexibilidade – entre eles, a própria deputada federal Érika Hilton,
autora da proposta mais recente que defende o fim da escala 6×1 (PEC 8/2025) –
chamaram o projeto de “escravidão moderna” e “PEC da escravidão”.
A
Agência Pública apurou que dos 40 senadores favoráveis à PEC da flexibilização
em maio, ao menos 10 têm antepassados diretos que foram donos de pessoas
escravizadas ou se beneficiaram da escravidão. A proposta que flexibiliza a
jornada de trabalho, bem como os salários, está parada no Senado, mas sua
tramitação pode ser retomada caso Flávio seja eleito.
Esse é
o caso dos antepassados do senador Rogério Marinho, mais especificamente do seu
sétimo avô, o Capitão-mor Bento Freire, que viveu no Rio Grande do Norte entre
1727 e 1803. Segundo documentos analisados pela Pública, o capitão foi senhor
de engenho e um rico proprietário de terras, e teria utilizado mão de obra de
pessoas escravizadas.
A
reportagem procurou o político para esclarecer os achados sobre sua árvore
genealógica e a relação do antepassado com a escravidão, assim como fizemos com
todas as autoridades citadas no Projeto Escravizadores, publicado em novembro
de 2024. O senador não respondeu até a publicação do especial.
Já o
senador Jayme Campos, que faz parte de uma das famílias mais poderosas e
tradicionais na política mato-grossense. Tem como quinto avô Antonio José Pinto
de Figueiredo, que foi um mestre de campo (patente militar da época, que hoje
corresponde a posição de coronel), em Cuiabá.
E,
segundo documentos, ele era dono de uma grande fazenda, composta de 83
escravos.
Em
2008, mais de dois séculos depois, 15 trabalhadores relataram condições
degradantes de trabalho na fazenda Santa Amália, em Alta Floresta (MT),
pertencente a Jayme Campos. Após as denúncias, o senador assinou um Termo de
Ajustamento de Conduta com o Ministério Público do Trabalho na época para
assinar a carteira de trabalho dos funcionários, garantir alojamento adequado,
oferecer água potável e permitir descanso remunerado, entre outros.
Campos
negou as irregularidades, disse que sofria perseguição política e que aceitou
assinar o TAC porque “não tinha nada a temer”. Nós procuramos o político na
época da publicação do especial, mas ele não respondeu.
A
história se repete com outros nove senadores.
Escala
6×1: Veja a lista de senadores que apoiaram a PEC da Flexibilidade e têm
antepassados ligados à escravidão
• Efraim Filho (UNIÃO-PB)
o O senador tem como tataravô Manoel De
Araújo Pereira II. Registros indicam que ele teria possuído pessoas
escravizadas em Santa Luzia, Paraíba, entre os anos de 1858 e 1888.
• Rogério Marinho (PL-RN)
o O senador Rogério Marinho (PL-RN) tem
como sétimo avô o Capitão-mor Bento Freire, domiciliado no Rio Grande do Norte,
nascido em 1727 e falecido em 1803, oficial militar responsável pelo comando de
tropas. Segundo documentos, ele foi o senhor de engenho e o proprietário de
terras mais rico da região, e teria utilizado mão de obra de pessoas
escravizadas.
• Tereza Cristina (PP-MS)
o O tataravô da senadora foi Antonio
Côrrea da Costa I, nascido em 1782 e falecido em 1854, no Mato Grosso. Segundo
registros, ele herdou de seu pai o engenho Bom Jardim e, posteriormente, em
1805, adquiriu o engenho da Glória. Em 1821, tornou-se o segundo presidente da
Província de Mato Grosso e, posteriormente, deputado. Em seus engenhos,
produzia milho, arroz, feijão, açúcar e aguardente. Ele também teria possuído 8
mil cabeças de gado, 10 casas em Cuiabá e 194 pessoas escravizadas.
• Marcos Pontes (PL-SP)
o O sexto avô do senador foi o alferes
Joaquim da Silveira Leite, nascido em 1758 no interior do estado de São Paulo e
falecido em 1823. Oficial subalterno do corpo de milícias, ele era senhor de
engenho, dedicando-se à produção de açúcar e aguardente. Segundo registros, o
alferes teria possuído cerca de 10 pessoas escravizadas.
• Ciro Nogueira (PP-PI)
o O senador tem como tataravô o
ex-presidente da província do Piauí por quatro mandatos, Simplício de Sousa
Mendes, nascido em 1823 e falecido em 1892, e como quinto avô o tenente-coronel
Antônio de Sousa Mendes, nascido em 1793 e falecido em 1871, ambos no Piauí. De
acordo com uma publicação de 1853 do jornal O Constitucional, Antônio teria
tido pessoas escravizadas.
• Carlos Portinho (PL-RJ)
o O trisavô do senador foi o coronel
Hilário Teixeira de Mello, filho de Teodoro Teixeira de Mello. O coronel nasceu
em 1860, sem data de falecimento conhecida. Segundo documentos, seu pai,
Teodoro, deixou inventário, datado de 1867, como registro de que teria 17
pessoas escravizadas.
• Carlos Viana (PODE-MG)
o O senador tem os tataravós Maria Rosa de
Nazaré e Antonio Rodrigues Vianna. Segundo documentos, eles eram moradores da
Vila de Nossa Senhora da Oliveira do Termo de São José del Rei, em Minas
Gerais, e teriam seis pessoas escravizadas.
• Marcos do Val (PODE-ES)
o O tataravô do senador foi Matheus Gomes
do Val, nascido em 1806 e falecido em 1890, domiciliado no Vale do Paraíba
Fluminense. Segundo documentos, ele era proprietário da Fazenda da Cachoeira
Alegria e teria comprado pessoas escravizadas.
• Jayme Campos (UNIÃO-MT)
o O senador Jayme Campos tem como quinto
avô Antonio José Pinto de Figueiredo, nascido em 1735 e falecido em 1795,
natural da Vila de São Faustino do Peso da Régua, bispado do Porto, em
Portugal. Ele atuava como mestre de campo, um oficial que liderava regimentos
ou terços, equivalente ao atual posto de coronel. Segundo registros e
inventário, ele teria tido ao menos 83 escravizados.
• Luís Heinze (PP-RS)
o O tataravô do senador foi o capitão Carl
Clemens Kersting, natural da Alemanha, nascido em 1815, com data de falecimento
desconhecida. Segundo registros, ele também teria tido pessoas escravizadas.
Essas
informações a Pública descobriu na investigação do Projeto Escravizadores, um
projeto que mapeou os antepassados de mais de cem autoridades brasileiras do
Executivo e Legislativo para identificar se havia casos de uso de mão de obra
escravizada.
• Contra o fim da escala 6×1 e das
demarcações: os aliados de Flávio Bolsonaro servem às elites. Por Luis Ventura
Fernández
O fim
da escala 6×1 é uma das principais discussões dentro do Congresso Nacional nos
últimos tempos. Na quarta (14) a proposta foi aprovada por 75 votos a favor e
apenas um contrário. O senador Hamilton Mourão (PL), ex vice-presidente de Jair
Bolsonaro, foi o único senador a votar contra e revelou que colegas do PL
votaram a favor por ‘pressão popular’, não por convicção de que o texto é um
direito a ser reconhecido. A pauta também está presente na disputa eleitoral
entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sobretudo agora
no segundo turno que decide o futuro da democracia no Brasil. Para os
candidatos à presidência, o debate se apresenta como um tema estratégico, visto
que afeta de maneira direta a vida de aproximadamente 37 milhões de
trabalhadores e trabalhadoras brasileiras.
Existem
duas perspectivas presentes sobre o fim da escala 6×1 nos planos de governos
para os próximos quatro anos. O presidente Lula impulsiona o debate em favor da
redução da jornada de trabalho, o que beneficiaria trabalhadoras e
trabalhadores a contar com maior tempo para passar com sua família, se
profissionalizar, ocupar para lazer e descanso. Para Flávio Bolsonaro, a escala
de trabalho foi debatida via fragilização dos direitos trabalhistas, com uma
ilusória orientação de que empresa e empregado acordariam como proceder, sem
uma regularização trabalhista e com uma disparidade de peso na decisão que não
garantiria uma segurança ao trabalhador.
Flávio
Bolsonaro precisou ceder um dia da votação da PEC 221/2019, em um oportunismo
diante a campanha eleitoral. Certamente descontente em adaptar seu
posicionamento e contradizer o que vinha sustentando até então, o senador
sinalizou positivamente pelo fim da escala 6×1. A mudança ocorreu devido à
pressão, como sinalizou o senador Hamilton Mourão, e Flávio Bolsonaro evitou
desgaste em tempo de campanha. Uma pesquisa da Genial/Quaest indica que 72% da
população brasileira é favorável à medida. Logo, o candidato do PL não opta
pelo direito dos trabalhadores e trabalhadoras, mas assinala positivamente ao
fim da escala 6×1 devido uma obstinação quase patológica pelo poder que
circunda a família Bolsonaro, na qual a ambição pessoal se sobrepõe a qualquer
compromisso ético, democrático ou coletivo. Inclusive, os posicionamentos do
presidenciável indicam uma possível revogação da decisão ocorrida ontem sobre a
PEC do fim da escala 6×1.
No
Legislativo, a temática foi debatida através da Proposta de Emenda à
Constituição 221/2019, que prevê dois dias de repouso na semana e redução da
carga horária máxima de trabalho semanal de 44 para 40 horas, sem redução de
salário. A intensa mobilização social em defesa das trabalhadoras e
trabalhadores, ocupando as ruas e as redes pelo fim da escala 6×1, obrigou o
Congresso Nacional a avançar no debate. A PEC iniciou as discussões na
terça-feira (6), na plenária do Senado Federal e ontem (14), após cinco sessões
de pronunciamentos, foi aprovada. Ainda assim, parlamentares aliados a Flávio
Bolsonaro articularam para não comparecer ao plenário do Senado Federal para
dificultar a formação do quórum necessário à votação que iniciou a discussão da
matéria. Rogério Marinho (PL/RN), chefe da campanha de Flávio Bolsonaro, tentou
pautar no mesmo dia da votação do fim da escala 6×1 a PEC do pagamento do
trabalhador por horas trabalhadas, medida que fragiliza os direitos
trabalhistas. E Tereza Cristina (PP/MS), que mudou o voto também só ontem, se
articula à presidência do Senado, o que facilitaria a derrubada do que foi
conquistado pela mobilização dos trabalhadores e das trabalhadoras.
O que
une as duas pautas é a mesma agenda de interesses econômicos neoliberal que
fragilizam direitos territoriais e trabalhistas, como mostram os dados a
seguir.
A
questão que cabe entender, desde a relação aos indígenas, é a afinidade entre a
dignidade do trabalhador e da trabalhadora (jornada de trabalho e fim da escala
6×1) e os direitos dos povos. As semelhanças vão além dos parlamentares que
votaram a favor ou contra esses direitos. É de conhecimento que a agenda
eleitoral se encontra aberta e com projetos tão dissonantes. Contudo, ainda que
alguns políticos tenham readequado os discursos e votos, constrangidos pela
força da mobilização social dos trabalhadores e das trabalhadoras, a decisão em
permanecer ao lado dos trabalhadores não aconteceu para Flávio Bolsonaro e 23
parlamentares que apoiam o candidato à presidência. Nos debates sobre o fim da
escala 6×1 que antecederam a aprovação na noite de ontem, foram 19 deputados e
4 senadores da ala bolsonarista que mantiveram sua posição contra o direito,
sobretudo, das trabalhadoras. São principalmente as mulheres que sofrem com a
sobrecarga na jornada de trabalho. O que une as duas pautas é a mesma agenda de
interesses econômicos neoliberal que fragilizam direitos territoriais e
trabalhistas, como mostram os dados a seguir.
<><>
Povos Indígenas, agronegócio e a relação com o trabalho
O
agronegócio brasileiro se articulou politicamente na virada do século, em meio
a disputas crescentes com o governo federal e com setores progressistas da
sociedade civil. Muitos dos embates entre legislativo e executivo se deram em
torno das questões agrária, ambiental, indígena, mas também trabalhista. Caio
Pompeia, antropólogo pesquisador sobre o tema, analisa que entre os anos 1990 e
2000 o projeto do agronegócio se reconstitui, de maneira intersetorial, em um
coletivo político. Isso fez com que, por volta de 2010, o agronegócio pudesse
se consolidar e aglutinar forças para a promoção de metas extensivas comuns na
retirada de direitos.
Desde
então, percebe-se a captura da agenda política pelo agronegócio, por meio do
Legislativo, acompanhada pelo aumento do poder político dos agentes da
concertação, entendida como um fenômeno que articula, em torno da pauta do
agronegócio, interesses de diferentes setores econômicos neoliberais. Nesse
sentido, a relação entre um Congresso Nacional majoritariamente anti-indígena e
a atuação de parlamentares contrários a direitos trabalhistas – aqui
especificamente sobre o debate do fim da escala 6×1 – pode ser analisada a
partir dessa convergência de interesses. A pauta ruralista, historicamente
marcada por conflitos em torno dos direitos indígenas, passou a congregar não
apenas produtores rurais que avançam as fronteiras agrícolas às terras
tradicionais, mas diferentes segmentos que abrangem toda a cadeia produtiva, da
produção ao processamento, à comercialização e à distribuição. É possível
mencionar exemplos dessa abertura, como são os casos dos frigoríficos, varejo e
supermercados (onde a 6×1 é regra) ou resgates de trabalho análogo à escravidão
no campo, onde muitos trabalhadores resgatados são indígenas.
<><>
O que nos dizem os dados sobre o Congresso Nacional?
Diante
a relação entre as temáticas do agronegócio e a atuação como campo
intersetorial que ataca desde os direitos indígenas até os dos trabalhadores e
trabalhadoras, é urgente analisar quem são os 23 parlamentares que votaram
contra a escala 6×1 e como esses atuaram, nos últimos anos, na temática dos
direitos indígenas. Essa é uma questão possível de ser analisada a partir da
Plataforma Congresso Anti-Indígena, do Conselho Indigenista Missionário.
Os
dados levantados pela Plataforma Congresso Anti-Indígena evidenciam que aqueles
que votaram contra os direitos trabalhistas também tiveram um comportamento
desfavorável aos povos indígenas, unificando as vertentes ruralista e liberal
de mercado em uma agenda de retirada de direitos. Ou seja, a visão de mundo e a
visão da política destes parlamentares consiste em um país em que as
trabalhadoras e trabalhadores devem ser explorados até a exaustão, assim como
as terras indígenas devem ser retiradas de seus verdadeiros donos e colocadas à
disposição das elites econômicas. Esta visão de país, extremamente colonial e
autoritária, é radicalmente contrária a um Estado Democrático de Direito e
caminha no avesso da Constituição Federal e dos desafios de nosso tempo. Este
motivo já deveria ser suficiente para que parlamentares que apoiam as pautas de
retirada de direitos não continuassem ocupando espaço no Congresso Nacional,
porque representam o que de pior existe na velha política oligárquica.
Se
analisarmos o comportamento dos 19 deputados e deputadas que votaram contra o
fim da escala 6×1 e, de forma sistemática, contra os direitos indígenas, um
elemento de destaque é que 17 dos 19 deputados foram co-autores do Requerimento
de Comissão Parlamentar (RCP) nº 04/2024. O RCP 04/2024 solicita a criação de
uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar “fatos
relativos à demarcação”. O requerimento parte de parlamentares ligados à
bancada ruralista e a interesses do agronegócio e da mineração, setores
historicamente contrários à demarcação e proteção das terras indígenas. Este
requerimento é uma forma evidente de uso do poder legislativo para disseminar
uma narrativa de suspeição sobre a demarcação das terras indígenas e de criminalização
de órgãos estatais como a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o
Ministério Público Federal (MPF). O RCP 04/2024 aguarda despacho do presidente
da Câmara dos Deputados.
Alguns
dos deputados que buscam restringir o avanço nos direitos trabalhistas também
foram autores de outras proposições legislativas claramente contrárias aos
povos indígenas. É o caso do deputado Nicoletti (PL/RR), autor do PL 2303/2023,
que pretende regulamentar a mineração e a exploração de recursos hídricos nas
terras indígenas; ou o deputado Carlos Chiodini (MDB/SC), autor do PL
5531/2019, que pretendia manter a posse de não indígenas sobre territórios
tradicionais até depois do decreto de homologação.
É
fundamental destacar que dos 19 deputados que votaram contra o fim da escala
6×1 na Câmara, três se elegeram para o senado nas eleições que ocorreram no
último domingo (4): Caroline de Toni (PL/SC), Marcel van Hattem (NOVO/RS) e
Nicoletti (PL/RR). Constitui-se, com esses, um senado majoritariamente
anti-indígena e contra os direitos trabalhistas.
<><>
Contra os direitos indígenas e trabalhistas, a serviço do clã Bolsonaro
Um dos
pontos de destaque é que três dos quatro senadores que votaram contra o fim da
escala 6×1 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), e que votam contra os
direitos indígenas, também integraram o governo Bolsonaro. Dois atuaram como
ministros – Rogério Marinho e Tereza Cristina, ministra da Agricultura
(2019–2022) indicada com o apoio da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA)
– e um como vice-presidente, no caso de
Hamilton Mourão. O senador Rogério Marinho (PL/RN) é, inclusive, o coordenador
da campanha do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro; a senadora Tereza
Cristina (PP/MS), uma das principais figuras do Agronegócio na política
brasileira, chegou a ser cotada como vice nessa mesma chapa ou como eventual
próxima presidenta do Senado.
Os
quatro senadores que aparecem na tabela acima votaram sistematicamente contra
os direitos dos povos indígenas nestes últimos quatro anos e são coautores de
proposições inconstitucionais como o PDL 717/2024 ou as Propostas de Emendas à
Constituição/PEC nº 10, 36, 48, 59 e 61. Todas essas propostas de emenda
constitucional pretendem transferir a demarcação das terras indígenas ao
Congresso Nacional ou regulamentar o arrendamento dentro das terras já
demarcadas.
Defender
os direitos indígenas e defender os direitos das trabalhadoras e trabalhadores
são causas absolutamente fundamentais para a garantia da democracia no Brasil.
Por isso, devem unir-se à maioria social para que, através de seu voto,
consigam impedir que políticos que atuam contra os direitos dos trabalhadores e
das trabalhadoras, assim como os direitos indígenas, se elejam como
representantes do povo contra o qual, sistematicamente, atuam. No contexto
atual, cabe analisar sobre quem apoia quem na disputa pelo segundo turno.
Fonte:
Por Ethieny Karen, Bruno Fonseca, da Agência Pública/Cimi

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