Paulo
Nogueira Batista Jr.: Nosso papel na eleição
Este é
provavelmente o último artigo que escreverei antes do segundo turno da eleição
presidencial. É, repito, a eleição mais arriscada das nossas vidas. Já tentei
explicar por que em artigos e entrevistas anteriores.
Hoje,
queria fazer algo diferente – falar do papel de cada um de nós na eleição. Quem
somos “nós”? Acredito que a maioria esmagadora dos que estão lendo este artigo
seja de esquerda ou centro-esquerda. E que a maioria vote em Lula. É com vocês
que quero conversar hoje.
Um
parêntese: se houver, por um acaso, um bolsonarista arraigado perdido por esta
página, peço gentilmente que se retire. Trata-se de uma conversa estritamente
particular.
Continuo.
As pessoas que costumam me ler estão conscientes do desastre que representaria
uma vitória de Flávio Bolsonaro e a volta da extrema-direita ao comando do
Executivo, especialmente depois do Congresso que resultou do primeiro turno. O
risco é multidimensional – o bolsonarismo ameaça a soberania nacional, a
democracia e o povo brasileiro.
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Sob um eventual governo Flávio Bolsonaro, quem paga a conta do ajuste fiscal?
Antes
de falar do nosso papel na última semana da campanha, gostaria de abordar os
efeitos sociais nocivos de certas políticas que serão provavelmente adotas em
caso da volta do bolsonarismo à Presidência.
Pode-se
presumir que o ajuste fiscal programado pelas forças que apoiam Flávio
Bolsonaro recairá principalmente, talvez exclusivamente, sobre os pobres e a
classe média baixa. O corte de gastos atingirá, tudo indica, os programas
sociais, a educação e a saúde. Acabará a política de aumento real do salário
mínimo. As pensões e aposentadorias serão desvinculadas do salário mínimo e
podem sofrer redução em termos reais.
O
candidato não explicita esses pontos no seu programa de governo e até nega que
recorrerá a esse tipo de medida. Mas quem acredita nas palavras de um mentiroso
contumaz? Os seus assessores econômicos falam, por exemplo, em economizar com
medidas como a diminuição do número de ministérios, reforma administrativa e
cortes nos supersalários.
Ainda
que defensáveis, essas providências não serão nem remotamente suficientes para
alcançar o resultado global que tem sido anunciado pela equipe bolsonarista,
algo como 1,5% do PIB ou R$ 200 bilhões nos primeiros 12 ou 18 meses do
governo. Para alcançar esse resultado, um eventual governo Flávio Bolsonaro
teria que recorrer às medidas mencionadas no parágrafo anterior, uma vez que
certamente não tocará nas rendas e privilégios dos ricos e super-ricos, nem nas
emendas parlamentares.
O
impacto perverso do ajuste fiscal planejado decorre do fato de que a redução do
déficit público virá pelos cortes na área social, isto é, dos gastos que
beneficiam sobretudo os pobres e a classe média baixa. Já os ricos e
super-ricos continuarão no bem-bom, beneficiando-se de juros extravagantes – o
paraíso dos rentistas – e contribuindo relativamente pouco para o pagamento dos
tributos – o paraíso fiscal dos ricos e super ricos. Ou seja: com Flávio
Bolsonaro virá um ajuste regressivo que trará mais concentração da renda e da
riqueza no Brasil.
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O impacto recessivo de um ajuste fiscal drástico
Mas há
um agravante. Tudo indica que o “tesouraço” prometido por Flávio Bolsonaro
provocará também uma recessão na economia brasileira, aumentando o desemprego e
atingindo, também por essa via, os trabalhadores do país. E reparem que os
economistas ligados ao mercado financeiro já estão dizendo que um ajuste de
1,5% do PIB não será suficiente. Querem um ajustamento fiscal ainda mais
drástico.
Os
defensores desse tipo de ajustamento alegam que o impacto recessivo seria
pequeno ou inexistente. O argumento teórico, muitas vezes desmentido na
prática, é que um choque fiscal restabeleceria a confiança nas contas públicas
e no país, levando a uma diminuição imediata das taxas de juro.
A queda
nos juros estimularia o consumo e o investimento do setor privado, compensando
ou anulando o efeito do choque fiscal em termos de contração da demanda. É a
chamada “fada da confiança”. Alguns economistas mais extremados chegam a
sustentar que essa fada é tão poderosa que um choque fiscal seria expansionista
em termos de atividade econômica, e não recessivo.
A
experiência não confirma essas teorizações. Os juros podem até cair com o
choque fiscal, mas a queda será provavelmente insuficiente para compensar o
efeito recessivo do corte de gastos – inclusive porque esses cortes reduzirão a
renda dos mais pobres que têm elevada propensão marginal a consumir.
O que
ensina a evidência empírica de muitos países? Dois pontos: (i) a relação
de causalidade do déficit público para os juros é tênue e incerta; mas (ii)
o que é líquida e certa é a relação de causalidade oposta – dos juros
para o déficit público. Quando a dívida governamental é elevada e de prazo
relativamente curto, como no caso do Brasil, a correlação entre juros e déficit
é muito alta.
Nessas
condições, a correlação corresponde a uma relação de causalidade dos juros para
o déficit. Qualquer variação mais expressiva da taxa de juro e, portanto, do
custo da dívida pública provoca efeito de grande magnitude sobre o déficit e a
dívida. Se a turma da bufunfa quisesse realmente reduzir o “risco fiscal”,
apoiaria uma diminuição da taxa de juro por meio de um abrandamento da política
monetária do Banco Central.
Portanto,
um ajustamento drástico das contas do governo, à la Javier Milei,
levaria provavelmente a uma recessão. Tanto mais que a economia já está em
desaceleração em 2026 por força dos juros muito altos praticados pelo Banco
Central no governo Lula 3. A combinação de política monetária restritiva com um
choque fiscal derrubaria a atividade econômica, geraria desemprego e redução
dos salários.
Em
resumo, o “tesouraço” proclamado por Flávio Bolsonaro atingirá os programas
sociais de que se beneficiam os brasileiros de menor renda e será recessivo,
provocando desemprego e queda de salários e prejudicando, também assim, o povo
brasileiro.
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O que fazer?
Com as
grandes manifestações pró-Lula que vêm ocorrendo nas ruas do Brasil, parece
claro que a eleição não está perdida. Cabe agora a cada um de nós dar a sua
pequena contribuição, dentro dos nossos limites pessoais, para assegurar a
vitória. Não é pelo Lula, vejam bem, mas pelo Brasil e pelo povo brasileiro.
Lula é um instrumento, o único que temos agora, para evitar que nosso país caia
no abismo bolsonarista.
O que
podemos fazer? Algumas coisas. Primeiro, participar das manifestações que
acontecerão até o segundo turno. Tomar conta das ruas fortalece a candidatura
de Lula e constitui, além disso, um aviso à turma da bufunfa e aos donos do
poder. É como se disséssemos: “Membros da elite predatória, vejam bem a
crise social e política que vocês estão contratando ao apoiar Flávio
Bolsonaro”.
Lula é
um fator de moderação e equilíbrio. Um governo bolsonarista suscitará uma
grande confrontação no país, ameaçando até mesmo a casta de privilegiados que
dão as cartas no Brasil.
Segunda
tarefa nossa: intensificar a ação nas redes sociais. As big techs são
basicamente contra nós, mas podemos mesmo assim causar impacto e reduzir a
hegemonia da extrema direita nesse campo. Muitos jovens de esquerda, com forte
presença digital, foram eleitos para o parlamento e constituem exemplos de como
se pode prevalecer, mesmo com o viés de plataformas digitais como Meta,
Youtube, TikTok e X.
Terceira
tarefa, não menos (talvez mais) importante, é o corpo-a-corpo nas interações
pessoais com eleitores incautos de Flávio Bolsonaro, com os indecisos ou com
aqueles que não votaram no primeiro turno. Nas redes sociais, excetuados os que
têm muitos seguidores, falamos basicamente com a nossa bolha e pregamos para
convertidos.
A gente
se incentiva mutuamente, mas não ganha muito voto. O que importa é sensibilizar
os que estão em cima do muro e mesmo alguns eleitores desavisados de Flávio
Bolsonaro. Muitos brasileiros mais pobres votaram nele e estarão entre as
vítimas do ajuste fiscal que ele planeja.
Por
estes e muitos outros motivos, devemos explicar aos eleitores não-radicais de
Flávio Bolsonaro, aos vacilantes ou àqueles que querem se abster que porque não
se deve de ficar neutro e, muito menos, de votar pela volta do bolsonarismo.
Precisamos deixar claro aos que pretendem votar nulo ou deixar de votar que
eles também serão responsáveis pelo desastre de uma eventual vitória
bolsonarista.
Portanto,
mãos à obra. É guerra! Os próximos dias serão decisivos para o futuro do nosso
país, das nossas famílias e dos nossos filhos e netos. Vamos deixar de lado
tudo que puder ser adiado e concentrar esforços em trazer votos para Lula.
¨
Votos dos homens não brancos. Por Amarildo Ferreira
Júnior
No
início dos anos 2000, Evelina Dagnino (2004) foi assertiva ao chamar atenção
para a existência de uma confluência perversa na política nacional brasileira.
Por um lado, a existência de um projeto neoliberal e, por outro, um projeto
democratizante-participativo. Apesar de apontarem para direções opostas e, em
alguns casos, antagônicas, ambos os projetos requerem uma sociedade civil ativa
e propositiva (Dagnino, 2004).
Para
esta autora, a perversidade desta confluência caracteriza-se pelas
consequências dessa configuração política contrariarem sua aparência e por seus
efeitos nem serem imediatamente evidentes, nem se revelarem semelhantes ao que
se poderia esperar em um contexto histórico de redemocratização da vida
política do país.
Mais de
duas décadas após a crítica de Evelina Dagnino, a crise instaurada por essa
confluência perversa se agudizou. E isso ocorreu ainda que o campo
democratizante-participativo tenha sido capaz de produzir diversos caminhos
civilizacionais para a interrupção das catástrofes e barbáries na história do
Brasil.
As
cotas e políticas afirmativas nas universidades públicas são um caso exemplar
desses caminhos construídos com a imaginação popular para garantir a
participação social efetiva e o reconhecimento das lacunas históricas a serem
superadas no tratamento estruturante às demandas do povo brasileiro.
A
experiência contemporânea da vida política brasileira encontra-se marcada por
uma renhida disputa político-cultural. As ideias de cidadania, democracia,
liberdade, participação e sociedade civil são diuturnamente violadas. Essa
contínua violação é cinicamente legitimada pela escalada de deslocamentos de
sentidos, em que defender a liberdade passa a significar a garantia de
inexistência de responsabilização por atos de violência simbólica e física.
Os
partidários e simpatizantes visam consolidar um regime liberal autoritário cuja
experiência social caracteriza-se pela corrupção facionária, a degradação
institucional, a securitização e a violência extrema.
Em
meados de setembro deste ano, o Governo Federal iniciou a consulta pública para
o 2º. Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Planapir). Esta consulta
apresenta 16 eixos temáticos. Entre eles, identificamos, em conjunto com
diferentes pesquisadores(as) e militantes, identificamos que não há a
contemplação de um eixo que trate de “homens negros e masculinidades”.
Por um
lado, esta omissão dá continuidade ao apagamento desse grupo social nas
políticas públicas brasileiras; por outro, também se relaciona com a trajetória
dos votos eleitorais no país. Agregadas, as pesquisas de intenção de votos
demonstram que, demograficamente, Flávio Bolsonaro possui uma maioria absoluta
de votos entre homens, enquanto Lula obtém maioria absoluta, mas com margem
reduzida, de preferência entre as mulheres.
O
sociólogo Henrique Restier (2026) propôs analisar a perda de adesão do
eleitorado masculino à esquerda. Sua análise se detém nos homens negros, grupo
para o qual Henrique Restier identifica uma incapacidade da esquerda oferecer
“reconhecimento, oportunidades e propósito para os esforços empreendidos por
estes homens na busca pelo seu sustento, de suas famílias e comunidades”.
Ao
longo da história do povo brasileiro, os meninos e os homens pretos, pardos e
indígenas constituem segmento sistematicamente invisibilizado em diversas
políticas públicas. Por conta disso, desde o anúncio da consulta pública ao 2º.
Planapir, temos solicitado à sua coordenação a incorporação de meninos, jovens
e homens negros cis e transgêneros e de qualquer orientação sexual com um eixo
do Plano. Afinal, permitir o reconhecimento da pluralidade das masculinidades
negras e indígenas é necessário para produção específicas que enfrentam as
desigualdades que os atingem de forma particular.
Os
dados sobre a realidade dos homens negros no Brasil são alarmantes e evidenciam
a urgência desse tratamento específico. Os homens negros possuem a menor
expectativa de vida (68,65 anos) em comparação com mulheres brancas, mulheres
negras e homens brancos, nesta ordem, e abaixo da média nacional, registrada,
em 2024, em 76,6 anos pelo IBGE.
Apesar
de, segundo o Censo Demográfico 2022, a proporção da população negra com ensino
superior completo no Brasil ter quintuplicado entre 2000 e 2022, números
analisados pelo Centro de Estudos e Dados sobre Desigualdades Raciais (Cedra)
mostram que os homens negros estão atrás de mulheres brancas, homens brancos e
mulheres negras, também nesta ordem, no percentual de conclusão da universidade
(11,2%). Em relação aos homens brancos, foram registrados 14,7 pontos
percentuais de diferença, o que agravou a disparidade entre esses dois grupos
desde 2012.
O baixo
nível de escolaridade acumulado por homens negros gera um impacto devastador no
seu nível de renda, consolidando um abismo financeiro em relação aos homens
brancos e barreiras de promoção na carreira que os afetam mesmo quando superam
as estatísticas e se formam no ensino superior. Segundo dados do Boletim sobre
a Desigualdade Racial no Mercado de Trabalho (2024), publicado pelo Ministério
do Trabalho e Emprego, enquanto os homens brancos recebem em média R$ 22,86 por
hora trabalhada, homens não brancos, o que inclui pretos, pardos e indígenas,
recebem aproximadamente 40% a menos desse valor (R$ 13,45 por hora).
Homens
negros e indígenas também possuem menos acesso a direitos trabalhistas devido à
informalidade; enfrentam discriminação direta em processos de promoção para
cargos de chefia; e são a maioria entre os resgatados de trabalho escravo,
concentrado principalmente em homens jovens entre 18 e 24 anos. Considerando o
mundo do trabalho na era digital, o IBGE informa que 53,8% dos trabalhadores
plataformizados são homens negros, e 71,1% atuam na informalidade.
No dia
25/9, o presidente Lula assinou uma Medida Provisória que extinguiu a
exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa
no país, atividades realizadas pelas chamadas bets. Os dados disponíveis
demonstram que é a população negra e de baixa renda que sofre os maiores
impactos do endividamento resultante das apostas online no Brasil. São
os homens pretos e pardos que constituem essa maioria.
Esses
dados demonstram que a redução dos homens negros e indígenas a papeis
produtivos subalternos persiste no Brasil. Essa configuração tende a reproduzir
continuamente o ciclo de informalidade da população negra de forma geral e o
desamparo de um contingente considerável de homens na vida adulta e na velhice.
A soma desses fatores produz efeitos deletérios em toda a população brasileira
e se reflete na destinação de votos.
O
relatório “Envelhecimento e desigualdades raciais”, do Centro Brasileiro de
Análise e Planejamento (Cebrap), indica que, em São Paulo, o maior pólo
industrial, financeiro e tecnológico do país, a dificuldade dos homens brancos
para pagar suas contas mensais diminui com o avanço da idade. Enquanto 21% dos
homens brancos com 80 anos ou mais afirmam ter adversidades no fechamento do
mês, esse índice alcança assustadores 73% entre os homens negros.
São
amplamente conhecidos os dados que indicam que os homens pretos e pardos jovens
são as principais vítimas fatais da violência urbana. Quando esses mesmos
homens conseguem cruzar a linha dos 30 anos, eles possuem os piores indicadores
de saúde na maioria dos recortes epidemiológicos do Brasil, em especial para as
doenças crônicas não transmissíveis e para agravos de saúde mental. Sendo os
que mais morrem e os que menos e pior vivem na sociedade brasileira, os homens
pretos e pardos também compõem a maioria da população carcerária do país.
Não
sendo público das políticas de amparo social como sujeito coletivo, resta a
estes meninos e homens brasileiros a condição de alvo do controle punitivo do
Estado, conforme comprovam os fatos históricos que sobre eles recaíram, como as
leis de repressão à vadiagem e à capoeira, além dos diferentes dados
contemporâneos que os apresentam com os piores índices na maioria das dimensões
da vida social, econômica e política do país.
A
sociedade brasileira historicamente não fala e não formula políticas públicas
de amparo social para meninos e homens pretos, pardos e indígenas. A
constatação desse desenho é reforçada na inexistência do eixo “Homens Negros e
Masculinidades” na consulta pública do 2º Planapir. Enquanto instrumento
estruturante de gestão de políticas públicas, é fundamental a inclusão desse
eixo no Plano para permitir o acolhimento de proposições que tenham efeitos
legais, sociais e econômicos sobre um contingente significativo de meninos e
homens jovens, adultos e idosos que precisam de políticas específicas.
Recorro,
novamente, à maioria absoluta de preferência do eleitorado brasileiro masculino
por Flávio Bolsonaro. Se considerarmos que, conforme dados da Pesquisa Nacional
por Amostra de Domicílios (PNAD) e da Pesquisa Nacional por Amostra de
Domicílios Contínua (PNAD Contínua) analisados pelo Cedra, enquanto os homens
brancos são 20,34% da população brasileira, os homens não brancos são 28,12% do
povo brasileiro.
É
possível supor, portanto, que a margem para aumento de votos de Lula entre o
eleitorado masculino é maior entre os homens pretos, pardos e indígenas do que
entre os homens brancos, seja pelo tamanho de cada contingente, seja pelas
diferenças sociais e simbólicas entre cada grupo.
Considerar
esse grupo social como sujeito coletivo de forma assertiva e tempestiva abre
outras frentes para uma virada eleitoral e oferece a oportunidade democrática
para que toda a sociedade civil possa contribuir com a estruturação e
elaboração de políticas públicas importantes ao conjunto da população
brasileira. Neste segundo turno, Lula é a única e melhor alternativa para que
essa frente de criação política e social ainda seja possível.
Fonte:
A Terra é Redonda

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