Não
é só dor no peito: 4 sintomas de doenças cardiovasculares nas mulheres
Nas
mulheres, os problemas cardiovasculares podem se manifestar de maneira
diferente, nem sempre começando com a conhecida dor intensa no peito. Em muitos
casos, os sinais são mais discretos e podem ser confundidos com sintomas de
condições comuns, como estresse, ansiedade ou alterações hormonais. Essa
dificuldade de reconhecer os sintomas pode atrasar a busca por atendimento
médico, o diagnóstico e o início do tratamento adequado.
As
doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no Brasil, inclusive
entre as mulheres, segundo o Ministério da Saúde. Um posicionamento da
Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), publicado em 2025, também chama a
atenção para o subdiagnóstico e o subtratamento das doenças cardiometabólicas
femininas. Segundo estimativas da entidade, o número de mortes de mulheres por
infarto é oito vezes maior do que o registrado por câncer de mama.
“Nas
mulheres, nem sempre a doença cardiovascular se manifesta da forma clássica.
Como historicamente os estudos foram feitos principalmente com homens, o padrão
mais conhecido acabou sendo o masculino. Hoje sabemos que as queixas femininas
podem ser diferentes, o que faz com que, muitas vezes, sejam minimizadas ou
atribuídas a outras causas”, explica a cardiologista Carla Okabe, do Hospital
São Marcelino Champagnat.
Outro
fator que pode contribuir para o atraso na investigação é a tendência de muitas
mulheres de priorizar o cuidado com outras pessoas e deixar a própria saúde em
segundo plano. “As mulheres tendem a minimizar os sintomas ou a ter suas
queixas minimizadas por terceiros e acabam adiando a investigação por medo do
diagnóstico”, pondera a médica.
Abaixo,
a especialista lista alguns sinais e fatores de risco que merecem atenção
quando o assunto é a saúde do coração da mulher.
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1. Cansaço persistente ou queda da capacidade física
Sentir-se
constantemente cansada ou perceber que atividades antes realizadas com
facilidade passaram a exigir mais esforço pode ser um sinal de alerta. O
sintoma pode ser associado à rotina intensa, à idade, ao sedentarismo ou às
alterações hormonais e, por isso, passar despercebido.
“O
cansaço é um exemplo muito comum. Uma mulher pode achar que está cansada por
trabalhar demais, cuidar da família, estar na menopausa ou simplesmente por
causa da idade. Quando sintomas novos, persistentes ou diferentes do habitual
são naturalizados, a investigação pode acabar sendo adiada”, alerta a
cardiologista.
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2. Falta de ar em atividades que antes eram fáceis
A falta
de ar durante o esforço físico merece atenção quando é nova ou aparece em
situações que anteriormente não causavam desconforto. Uma mudança na capacidade
de realizar atividades cotidianas, como caminhar, subir escadas ou praticar
exercícios, pode justificar uma avaliação médica.
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3. Dor ou desconforto em outras partes do corpo
Embora
a dor no peito seja um dos sinais mais conhecidos de problemas cardíacos, o
desconforto pode se manifestar como peso ou queimação nessa região ou aparecer
nas costas, no pescoço, na mandíbula ou nos braços. Náusea e suor excessivo
também podem acompanhar o quadro.
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4. Palpitações ou tonturas recorrentes
Palpitações
e tonturas podem ter diversas causas, mas episódios recorrentes ou diferentes
do padrão habitual merecem investigação. A avaliação médica pode ajudar a
identificar se há alguma alteração cardiovascular ou outra condição por trás
dos sintomas.
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Histórico de saúde ajuda a estimar o risco cardiovascular futuro
A
avaliação preventiva também considera fatores de risco que podem estar
presentes mesmo na ausência de sintomas. Histórico de pré-eclâmpsia, eclâmpsia,
hipertensão e diabetes gestacionais são informações relevantes para estimar o
risco cardiovascular futuro.
Menopausa
precoce, síndrome dos ovários policísticos, doenças autoimunes e alguns
tratamentos oncológicos também podem entrar nessa análise. No caso das doenças
autoimunes, os processos inflamatórios crônicos associados a essas condições
podem contribuir para o desenvolvimento da aterosclerose.
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Fatores de risco que merecem atenção
Os
cuidados preventivos devem começar antes que os sintomas apareçam. Histórico
familiar de infarto ou de acidente vascular cerebral (AVC), pressão alta,
alterações no colesterol ou na glicemia, tabagismo, sedentarismo e ganho de
peso são fatores que justificam acompanhamento médico. Na menopausa, alterações
metabólicas, como aumento do colesterol, da gordura visceral e da resistência à
insulina, também podem elevar o risco cardiovascular.
“Não é
preciso esperar um sintoma aparecer para cuidar do coração. A avaliação
preventiva permite olhar para o conjunto de fatores de risco de cada mulher e
identificar alterações que ainda estão silenciosas”, afirma Carla Okabe.
Fonte:
EdiCase

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